
Nuno Markl assinou uma crónica interessante na última edição do semanário Expresso. Basicamente, escreve sobre a velocidade e o excesso de propostas culturais comparativamente com uns 15 ou 20 anos atrás. Com o sugestivo título "Alguém Que Carregue no Pause", Markl escreve que há dias foi interpelado por um amigo que lhe perguntou se já se tinha dado conta da oferta que há hoje, comparado com o tempo deles.
Markl respondeu e escreveu: "Já tinha dado conta e odeio. Só pessoas desprovidas de vida podem rejubilar com o total e completo descontrolo em que se encontra a cultura pop moderna. A cada semana surge uma série nova de qualidade. Um filme de qualidade, ou 500 discos de novos artistas. É um ritmo alucinante. Quero de volta o tempo em que parecia que parecia que só existia "A Balada de Hill Street" ou "Cheers", em que parecia sair só um LP por semana. Estou a enlouquecer porque costumava ter tempo para devorar todas as novidades. Longe vai o tempo em que eu estava na vanguarda da descoberta das novidades que iriam tornar-se ouro."
Eu já tinha abordado esta questão no blog por diversas vezes. Na verdade, pegando nas palavras de Nuno Markl, é alucinante o ritmo de oferta cultural dos nossos tempos. Muitíssimo mais quantidade e diversidade do que há 20 anos, quando era muito fácil acompanhar as novidades do novo filme que estreava, dos dois ou três discos a ouvir em cada semana, das duas séries de televisão que passavam semanalmente, de um ou outro livro bom que urgia ler. Agora não. De há uns anos para cá, muito por culpa da internet (mas não só), a oferta de produtos e objectos culturais é demencial. Por dia são editados em média 40 novos livros apenas no mercado português; todos os dias somos inundados com dezenas de novos discos, novas bandas, novas promessas da música nacional ou estrangeira; todas as semanas as revista e jornais da especialidade nos convidam a comprar dezenas de livros que importa ler; todas as semanas estreiam 7 ou 8 filmes nas salas de cinema; todos os dias há 4 ou 5 séries televisivas que se podem ver nos canais temáticos por cabo; etc.
Perante este cenário de super-abundância e diversidade de informação, o desnorte impera mesmo para consumidores culturais experimentados. Paradoxalmente, perante este excesso de oferta, a fruição cultural ressente-se e torna-se angustiante e penoso e demorado fazer a triagem, separar o trigo do joio, seleccionar o essencial do essencial e eliminar o supérfluo.
Sim, são os novos tempos da velocidade da informação e da comunicação, muitas das vezes, à distância de um simples clique. Mas esta velocidade acarreta riscos e paradoxais consequências. Na verdade, era bom fazer mesmo "pause" na cultura pop.
















































