quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Estórias de Hollywood por Edgar Pêra

Eis um livro delicioso para amantes do cinema: "Hollywood: Estórias de Glamour e Miséria no Império do Cinema". O autor é o irreverente e iconoclasta realizador Edgar Pêra, e a obra versa sobre os inúmeros episódios menos conhecidos da história de Hollywood (desde o período mudo até à actualidade). Comecei a ler e estou a gostar imenso do ângulo de visão de Edgar Pêra na análise de personalidades, factos e acontecimentos que (muitos deles) ficaram esquecidos em manuais obscuros da história do cinema.
Aliás, basta ler a sinopse para perceber a abrangência temática deste livro:

Sabia que Alfred Hitchcock era obcecado pela cor azul e fazia festas coloridas onde até os bifes tinham essa cor? 
Sabia que Martin Scorsese teve graves problemas com as drogas e usou a sua descida aos infernos como material para os seus filmes? 
Que Lauren Bacall só venceu a sua timidez depois de ter dado uma «tampa» a Clark Gable? 
E que Jack Palance partiu o nariz a Marlon Brando? 
Que Stanley Kubrick jogou xadrez para financiar um filme? 
E que James Cameron é obsessivamente rigoroso na escolha dos adereços para as suas produções? 
Que Charlie Chaplin odiava borracha? 
E que as Torres Gémeas foram apagadas de O Homem Aranha? 
Que Saddam Hussein era fã de Mel Gibson? 
E que Hitler supervisionou filmes feitos em Hollywood? 

Das origens do cinema até aos nossos dias, o reconhecido realizador Edgar Pêra traz-nos a história dos bastidores de Hollywood. Um olhar divertido e mordaz sobre a vida secreta das estrelas do cinema. Espreitando para o outro lado do glamour, das festas, dos vestidos e dos ecrãs luminosos, revela-nos o que sabemos que existe, mas não vemos no grande ecrã…
Tragédia, miséria, amor e morte são alguns dos ingredientes deste relato protagonizado pelos grandes astros do cine-firmamento. Atravessando várias décadas e temas - da censura à política, das festas aos fãs, passando pelas drogas, o sexo e a violência - Edgar Pêra traça-nos um retrato vivo das glórias e mentiras de Hollywood, numa reflexão pessoal sobre a poderosa máquina de Hollywood e a indústria cinematográfica norte-americana.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

1001



As edições livreiras têm inundado o mercado com livros (melhor: manuais quase bíblicos) sobre o que devemos ouvir, ler, ver, comer, beber e conhecer antes de morrer.
E os editores não fazem a coisa por menos - são sempre 1001 títulos para conhecer, nunca 100 essenciais ou 500. São 1001 e pronto (alguma razão psicanalítica haverá para a escolha deste número).
Em comum, estes livros têm duas obsessões: indicar mais de mil títulos para conhecer e abordar, subliminarmente, a morte.
Ou seja, são sugestões para ler, ver, ouvir, tudo antes de morrer (falta citar os livros "1001 Viagens Antes de Morrer", "1001 Vinhos para Beber Antes de Morrer", entre outros títulos).
O que estes livros propõem é um conjunto de experiências culturais e de vida que extravasam o tempo útil médio de existência de qualquer mortal. Há qualquer coisa de exacerbado no princípio destes livros, e o excesso de sugestões pode revelar-se confuso, contraproducente e frustrante numa sociedade onde se vive demasiado depressa e no meio da super-abundância material.
Na realidade, quantas vidas precisaríamos de ter para conhecer todos os livros, todos os filmes, todos os discos, todas as comidas, todas as bebidas e todos os lugares propostos nesta espécie de enciclopédias-temáticas-para-terráqueo-ler?

A criatividade de Kutiman

Kutiman é o alter-ego de Ophir Kutiel, um músico e artista israelita que ganhou fama por fazer música unicamente a partir de sons retirados de vídeos de músicos amadores do Youtube (como se pode ver e ouvir aqui). 
Depois desta experiência criativa bem sucedida, Kutiman enveredou por projectos mais elaborados, como foi fazer uma espécie de retrato sonoro e visual de determinadas cidades do mundo, como Jerusalém, Cracóvia ou Tóquio.
O trabalho criativo de Kutiman parte de um pressuposto simples mas de execução complexa: neste esplêndido exemplo de Tóquio, Kutiman percorreu a cidade filmando-a sob vários pontos de vista de forma a dar a conhecer as suas intrínsecas características sócio-culturais. Para além disso, pediu a diversos músicos, amadores e profissionais, que tocassem aleatoriamente pequenos trechos musicais representativos da tradição musical japonesa. Kutiman gravou-os para, posteriormente, num processo meticuloso de "corte-e-cola", proceder a um laborioso processo de reciclagem estética fundindo sons, ritmos e melodias.
O resultado pode-se ver e ouvir no vídeo que se segue: mestria e criatividade visual e musical para o século XXI. Não é propriamente um videoclip, uma curta-metragem ou um documentário. "Thru Tokyo" é antes um notável e surpreendente postal ilustrado turístico-cultural do Japão em formato audiovisual.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Quando as crianças ouviram pela primeira vez Lou Reed


Ainda a propósito da morte de Lou Reed: um amigo meu, professor de Educação Musical numa escola do 2º Ciclo do Ensino Básico, enviou-me uma mensagem que conta o seguinte: "Hoje tive um dos momentos mais belos da minha vida de professor: para mostrar que tinha morrido um grande músico, dei a ouvir aos meus alunos a música 'Perfect Day' do Lou Reed e ouviram em silêncio profundo! Tive que conter as lágrimas. Às vezes há momentos assim."
Sabendo que os alunos de 10, 11 e 12 anos não conheciam Lou Reed e que os seus interesses musicais pouco ou nada têm que ver com a música de Reed, não deixa de ser enternecedor ouvir esta reacção. Sinal de que a grande música contagia qualquer idade e sinal de que os alunos se deixaram seduzir pela beleza desta magnífica canção e prestaram - com o seu inusitado silêncio - uma justa homenagem à alma do músico.
Muito bonito, portanto.

domingo, 27 de outubro de 2013

Na morte de Lou Reed


Hoje morreu Lou Reed.
Figura icónica do rock, Lou Reed foi para mim o génio que revolucionou o rock com os seminais The Velvet Underground (apadrinhados por Andy Warhol). Foi com esta banda, em Nova Iorque, que Lou Reed marcou toda uma geração e influenciou várias outras de ouvintes e de músicos e guitarristas.
Neste dia e nos próximos, muitas homenagens irão acontecer, sobretudo ao som dos seus hinos "Perfect Day" ou "Walk on The Wild Side". Mas na carreira a solo de Reed há um disco que poucos conhecerão mas que se tornou num disco maldito da história do rock (e se formos rigorosos, de toda a história da música).
Lou Reed, uns anos após o fim dos Velvet Underground, em 1975, grava essa infâmia e embuste (para uns) ou obra genial e visionária (para outros tantos): "Metal Machine Music" (incluo-me no segundo grupo de opiniões).

Num aspecto todos estão de acordo: trata-se de um registo radical, concebido e gravado sem concessões, feito à base de feedback de guitarra e de manipulação de ruído branco. Reed disse que gravou o disco "completamente pedrado". Acredito. Já foi considerado o pior álbum de rock de sempre e já foi incluído na lista dos discos mais inovadores de sempre. Em que ficamos?

Na verdade, o disco vale sobretudo como testemunho conceptual e experimental, mais do que estritamente musical. Deve tanto ao rock de guitarras dos Velvet como aos princípios estéticos e teóricos de La Monte Young, de John Cage ou dos concretistas Pierre Schaeffer e Pierre Henry. Deve também à teoria dos "intonarumori", as célebres máquinas de produzir ruído industrial do futurista italiano Luigi Russolo. E é um disco que influenciou bandas tão diversas como os Sonic youth, Glenn Branca ou Throbbing Gristle, Merzbow e todos os subgéneros do noise, do industrial e do electro-acústico. Ouvi-lo na íntegra é deveras uma experiência exigente e dura, muito diferente de ouvir uma canção de Lou Reed do álbum "Transformer" (1972).

Mas a verdade é que, ao longo destes 30 e tal anos, não acredito que alguém, alguma vez, tenha ouvido "Metal Machine Music" do princípio ao fim sem ter tido lesões cerebrais irreversíveis. Mas quem sabe, tratar-se-ia de uma experiência limite no teste à capacidade auditiva humana. Não eram os Einstürzende Neubeutan que defendiam que "é preciso ouvir com dor"?

O disco já foi apresentado ao vivo por diversas vezes, como demonstra esta actuação do colectivo de música experimental Zeitkratzer com a própria presença de Lou Reed (versão mais soft do que no disco):

sábado, 26 de outubro de 2013

(Excelente) Lista de filmes mudos

Gosto de boas listas.
E sobretudo, gosto de boas listas cinéfilas. É o caso desta lista que enumera os 20 grandes filmes de terror do cinema mudo. É uma excelente lista com belíssimos filmes (algumas obras-primas indiscutíveis) que comprova que o cinema era já uma arte consolidada nos anos 1920.
Além disso, estes 20 títulos cinematográficos são um bom ponto de partida para quem quiser conhecer (e amar) o cinema mudo.

A arquitectura no cinema de Lynch

Só vai ser publicado em Julho de 2014, mas este livro vai dar que falar pela originalidade da abordagem: trata-se de um ensaio sobre a arquitectura no cinema de David Lynch. Isto é, como a arquitectura ajuda a definir o imaginário visual de Lynch. Sem dúvida, um ponto de partida deveras aliciante e promissor. 

Eis um resumo:

This book is the first sustained critical assessment of the role architecture and design play in Lynch's films. What can be learnt about Lynch's films by examining the architecture we see within them? What can be learnt about architecture, especially the spatial developments of post-war America, by examining Lynch's films? 
Drawing on primary research in Lodz, London, Los Angeles, Paris and Philadelphia, the book is structured around the prime symbolic spaces found in Lynch's work: the small town, the city, the home, the road, and the stage. A final chapter deals with the singular architecture of Lynch's latest film, Inland Empire, a complex work yet to receive sufficient critical explication. Alongside a broad set of literary, cinematic and artistic comparisons, a diverse range of urban and architectural theorists, including Mike Davis, Jane Jacobs and Richard Sennett, are discussed in a new context. 
The Architecture of David Lynch will emphasise key architects such as Rem Koolhaas, Le Corbusier, Adolf Loos, Richard Neutra, Jean Nouvel and Frank Lloyd Wright to show how Lynch's films enable us to understand contemporary architecture and demonstrates that Lynch's work prompts a reconsideration of how European modernism has been translated across the Atlantic.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Do lado de lá



Gostava de conhecer os gostos culturais dos leitores deste blog. Gostava de conhecer, cara a cara, alguns dos leitores mais assíduos.
Gostava de saber o que gostam de ler, ver e ouvir. O que gostam de visitar quando chegam a uma cidade desconhecida. Quais os livros que procuram quando entram numa livraria da qual nada conheciam. Que conversas têm com os amigos acerca do último grande filme que viram. Se têm alguma mania de escrever os seus pensamentos diarísticos: uma frase, um sentimento, uma sensação. Ter um feedback do "lado de lá".
Porque sei que alguns leitores deste blog partilham os mesmos gostos que eu, gostava que um dia pudessem ser meus amigos na "vida real". E partilhar, à mesa de um café, à saída de um cinema ou de uma galeria de arte, as emoções (nem sempre unânimes) que a arte proporciona. Discutir saudavelmente ideias e opiniões sobre um objecto estético com base num gosto partilhado, é das coisas mais belas que se pode pedir a uma amizade (como nos filmes de Woody Allen).
Porém, enquanto O Homem Que Sabia Demasiado definha e se encontra em curva descendente na qualidade (até um dia morrer de morte natural), continuarei a partilhar com os leitores anónimos e "invisíveis" os meus gostos e os meus interesses. Uma partilha quase sempre de sentido único (porque quase nunca há feedback como nas relações pessoais), uma partilha que um dia há-de terminar selando um cinematrográfico "The End". 

terça-feira, 22 de outubro de 2013

A música de Artemiev em disco

Que grande notícia para os amantes do cinema de Andrei Tarkovski em geral, e para os admiradores da música dos seus filmes, Edward Artemiev, em particular: foi reeditado - em formato de vinil! - um disco com as composições de Artemiev para os filmes "Stalker" e "O Espelho", duas obras-primas do cinema do realizador russo. 
Edward Artemiev foi um dos compositores pioneiros na utilização da electrónica para a criação de bandas sonoras de filmes, entre os quais, estes (e outros) de Tarkovski. A sua música é feita de uma grande minúcia sonora, propensa à meditação e muito imagética (complemento perfeito à plasticidade poética dsa imagens dos filmes de Tarkovski).
Mais informação aqui.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Sobre "Gravidade"

"Gravidade" de Alfonso Cuarón não é, nem uma obra-prima, nem um fiasco. Sem dúvida que é um bom filme, repleto de efeitos especiais de encher o olho, formalista até à exaustão (no sentido do rigor visual), excitante a nível da concepção plástica do espaço infinito. 
Os primeiros 15 minutos (sensivelmente) de plano-sequência são de uma espantosa capacidade técnica e estética. Nem é preciso ver na versão 3D para sentir o efeito de profundidade de campo que as imagens espaciais proporcionam. Não surpreende que tenha demorado quase 5 anos a conseguir o maior realismo possível.
Claro que não tem a profundidade e a densidade espiritual de "2001 - Odisseia no Espaço" de Kubrick. O filme de Cuarón tem outra ligeireza ao nível do argumento e não evita cair nalguns lugares-comuns no que diz respeito à típica história da personagem-traumatizada-que-enfrenta-adversidades-que-motivam-a-reflexão-interior-sobre-os-seus-próprios-pecados.
O papel de George Clooney é, diga-se, algo irritante e até inverosímil: nenhum astronauta sério e responsável poderia brincar e dizer piadas enquanto corria risco de vida. Já Sandra Bullock, apesar dos clichés da história, surpreende positivamente na forma dramática como encarna o seu papel.

domingo, 20 de outubro de 2013

Morrissey

 O cantor, letrista e líder dos seminais The Smiths, agora em autobiografia. Obrigatório.

Os professores no cinema

A profissão de professor é hoje uma profissão quase desacreditada e pouco reconhecida. Tempos houve em que era ao contrário: a figura do professor era socialmente prestigiada e respeitada. Hoje a condição do docente está globalmente subvalorizada, quer pela sociedade, quer pelo Governo que sistematicamente diminui o seu estatuto e o seu papel fruto do sistema e suas kafkianas burocracias. Consequência desta progressiva desconsideração para com o papel do professor, este revela-se cada vez mais cansado, desmotivado e frustrado perante a dificuldade de ensinar sem constrangimentos nem entraves. 
O cinema já representou muitas vezes o professor nas suas múltiplas facetas (autoritário, comunicador, compreensivo, etc). 
Esta lista revela os "20 melhores professores do cinema". 
Como não podia deixar de ser, John Keating, interpretado pelo enorme Robin Williams no magnífico "Dead Poets Society", lidera o ranking.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Um escritor tem de sofrer?


O escritor americano Paul Auster deu uma entrevista ao jornal espanhol ABC em que disse - questionado sobre que conselho daria a um jovem escritor -, "Escrever é uma maneira terrível de viver, por isso aconselho a que não escrevam".
E acrescentou: "Só os jovens que realmente sentem que têm de escrever não aceitariam o meu conselho". Paul Auster acredita que os verdadeiros escritores não se preocupam com o mundo comercial e que escrever é um exercício de total solidão egoísta, num tempo e num lugar que nem sempre são claros.
Paul Auster não é o primeiro escritor a afirmar que escrever é um acto de sofrimento (ou que proporciona sofrimento). É até uma ideia quase intrínseca a muita criação literária, desde o neo-romantismo, o existencialismo até aos nossos dias. Eu quero acreditar que a escrita, como qualquer outro acto criativo e artístico sério e profissional, implica total empenhamento intelectual, dispêndio de energias e entrega emocional incondicional.
E é certo que este empenhamento desgasta, cansa, angustia, mas também há-de ter o retorno positivo: motiva prazer, satisfação, partilha, expiação e fruição. Caso contrário, todos os artistas seriam uns pobres desgraçados deprimidos e sofredores à beira do suicídio eminente...

terça-feira, 15 de outubro de 2013

"Joy Division Bands"

Quando falamos em Joy Division sabemos que estamos a falar da mítica banda liderada pelo malogrado Ian Curtis.
Se colocarmos "Joy Division" no campo de pesquisa do portal de música Allmusic.com, o resultado dessa pesquisa são inúmeras derivações destas duas palavras. Ou seja, alguém menos informado poderá ficar baralhado com tanta banda - do rock à electrónica - que possui no nome as palavras "Joy" e "Division".

Senão vejamos:

Boy Division
Oy Division
Toy Division
Joy Dion
Joy Disaster
Division No. 9
Division Day
The Local Division
Sonic Division
Nacho Division
Homicide Division
The Northwest Division
Division by Zero
Chrome Division
Groove Division
Lost Souls Division
Second Division
The Echo Division
Love Division
Soul Division
Overdrive Division
Synthetic Division
Demon Division
Happy Division
Hybrid Freak Division
Over Drive Division
Peace Division
Cell Division
(...)
Podia-se criar uma catalogação especial para estas bandas: "Division Bands"

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

"Un Chien Andalou" por Kubik

Há dez anos (2003) compunha - com o projecto musical Kubik - a primeira banda sonora original para um filme mudo: o clássico "Un Chien Andalou" (1928) de Luis Buñuel e Salvador Dalí. Este foi um dos filmes mais revolucionários e subversivos de todo o período mudo, introduzindo o surrealismo na estrutura narrativa no cinema. 
A música (e alguma sonoplastia) pretende complementar o lado surreal e onírico do filme. 
Mais info: Kubik Music 

domingo, 13 de outubro de 2013

Hannah Arendt e Eichmann


"Hannah Arendt" devia ser um filme de visionamento obrigatório nas escolas (disciplinas de filosofia, política e história). Para além do filme de Margarethe Von Trotta ser um objecto cinematográfico de grande interesse, é também uma obra que dá azo ao debate de ideias sobre o Holocausto, o extermínio dos Judeus e, em particular, sobre o julgamento de Adolf Eichmann.
Hannah Arendt foi uma pensadora e filósofa de relevo da segunda metade do século XX, discípula de Heidegger e autora do livro "As Origens do Totalitarismo". Apesar de judia, Hannah demonstrou uma visão independente no julgamento (em 1961) de Adolf Eichmann, considerado um dos principais responsáveis pela "máquina de extermínio nazi". 
Com uma interpretação superior e imaculada da actriz Barbara Sukowa (outrora musa de Fassbinder e Lars Von Trier), "Hannah Arendt" é um filme de uma grande contenção dramática e que abre múltiplos campos de discussão ideológica e até filosófica: será que, como Arendt defendia, Eichmann era apenas um "burocrata que não pensava e se limitava a cumprir ordens superiores" (que levaria ao conceito de "Banalidade do Mal" desenvolvido por Arendt), ou este oficial Nazi era um carrasco monstruoso sem escrúpulos e com consciência total dos seus abomináveis actos?
Hannah Arendt acompanhou o julgamento em Israel e escreveu o que pensava para a revista The New Yorker. Não sem feroz polémica nos meios académicos e culturais ligados à questão judaica. 
Belo filme que motiva nos espectadores uma coisa que poucos filmes conseguem: fazer pensar e debater ideias. 

sábado, 12 de outubro de 2013

Kowalski

Será mera coincidência que a personagem de George Clooney em "Gravidade" tenha o apelido de Kowalski, tal como Marlon Brando em "Um Eléctrico Chamado Desejo" (Stanley Kowalski) ou Clint Eastwood em "Gran Torino" (Walt Kowalski)?

No dia de Natal!

Acabei de ler que o novo filme de Lars Von Trier, o controverso "Nymphomaniac", vai estrear no dia... 25 de Dezembro! O sentido de oportunidade do realizador dinamarquês é mesmo inatacável. 
Ou seja, este Natal vai ser particularmente animado.