sábado, 15 de novembro de 2008

Relato de um sobrevivente de Auschwitz


Este homem da imagem chama-se Shlomo Venezia, tem 86 anos e é um dos poucos sobreviventes do campo de extermínio Auschwitz-Birkenau que teve uma das mais terríveis funções: Sonderkommando, ou seja, um "comando especial" cuja principal função (forçada, diga-se, pelas SS) era a de esvaziar as câmaras de gás e queimar os corpos das vítimas. Uma unidade indispensável para a máquina da morte nazi. Oriundo da comunidade judaica italiana de Salonica, Shlomo Venezia foi deportado para Auschwitz-Birkenau aos 21 anos e incorporado no Sonderkommando (em Abril de 1944), constituído por mais de 700 elementos que mantinham activa a máquina industrial de destruição e morte em massa de Auschwitz. Apesar de serem judeus prisioneiros, os Sonderkommando tinham algumas (parcas) regalias, como uma melhor alimentação. Muitos Sonderkommando foram executados ao mínimo sinal de debilidade física ou psicológica. Não foi o caso do impressionante caso de Shlomo Venezia, que assistiu às piores e inimagináveis atrocidades jamais cometidas pelo homem. O "nível mais baixo do inferno", como alguém descreveu o campo onde foram chacinados milhões de pessoas.
Mais de 60 anos depois dos acontecimentos, e apesar dos pesos de consciência derivados da sua função no campo de extermínio, Shlomo Venezia resolveu contar em livro (em forma de entrevista), os pormenores da sua história de sofrimento e horror. História que começou na interminável e tortuosa viagem de comboio de 11 dias até chegar a Auschwitz.
Neste livro, "Sonderkommando" (Ed. Esfera dos Livros), Shlomo revela como funcionava a máquina da morte, as regras dos campos de concentração, os trabalhos nas câmaras de gás, os cheiros pútridos, os corpos imundos, as caras de horror e o sofrimento por que passou. O autor oferece ao mundo, com este livro, um testemunho único e arrepiante sobre o tenebroso plano da "Solução Final" Nazi. Um testemunho de quem presenciou, na primeiríssima pessoa, o genocídio mais horrendo e pérfido de toda a Humanidade.
Um livro que apela à reflexão colectiva e à profunda revitalização da memória histórica da "Shoah" (Holocausto, na cultura judaica). E, por último, estamos perante um livro que, devido ao seu enorme potencial educativo, deveria ser de leitura obrigatória nas escolas de todo o mundo. De destacar, não sem importância, que o prefácio do livro é da autoria de uma outra sobrevivente do Holocausto e de Auschwitz, a política e activista francesa Simone Veil, actualmente Presidente da Fundação para a Memória da Shoah.
PS - Nestes posts escrevi sobre outros escritores que abordaram o Holocausto - Primo Levi, Elie Wiesel e Jonathan Littell.

3 comentários:

Ana Cristina Leonardo disse...

Aconselho-te o «Des voix sous la cendre : Manuscrits des Sonderkommados d'Auschwitz-Birkenau». Só conheço a versão francesa

Unknown disse...

Não conheço. Fui ver a bibliografia do livro do Shlomo e estava lá, precisamente, esse título referenciado (em francês).
Creio que é a Simone Veil que diz no prefácio que, logo a seguir ao fim da guerra, os testemunhos dos Sonderkommando foram escassos e pouco credibilizados pelos aliados.

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