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sábado, 5 de julho de 2014

Estórias e Misérias de Hollywood #7

"A Casa Branca também foi uma Cinemateca. Eram conhecidos os domingos cinéfilos organizados pelo presidente Ronald Reagan. Eventos de gala exclusivos com 30 estrelas convidadas por sessão, como Spielberg ou Warren Beaty e outros liberais democratas. Parece que Reagan ficou particularmente tocado por 'The Day After'. O seu biógrafo conta que a única vez que viu Reagan publicamente deprimido foi depois do visionamento desse filme que narra os devastadores e sinistros efeitos de uma guerra nuclear em solo americano.
Há quem acredite que esse filme quase documental te-lo-á feito repensar a sua estratégia no auge da Guerra Fria. Reza a lenda que Reagan enviou um telegrama ao realizador Nicholas Meyer a confessar-lhe a influência do seu filme no pacto de desarmamento nuclear assinado na conferência de Reykjavik"

In: "Hollywood: Estórias de Glamour e Miséria no Império do Cinema" - Edgar Pêra

sábado, 31 de maio de 2014

Estórias e Misérias de Hollywood #6

"Hollywood está recheada de formas de camuflagem anti-fãs. Por exemplo, Clint Eastwood recorre a uma estratégia especial para poder assistir calmamente aos filmes no meio da multidão e escapar aos constantes pedidos de autógrafos. Como gosta de ir às sessões rotineiras de cinema para poder estudar as reacções dos espectadores, inventa personagens. Numa entrevista Eastwood refere, com a sua habitual ironia, os seus métodos de camuflagem: 'Disfarço-me quando vou ao cinema. Ponho um bigode e óculos e fico bem diferente. A partir do momento em que ponho um chapéu, óculos e bigode o meu QI desce 50 pontos e fico com apenas 5".

Edgar Pêra in "Hollywood: Estórias de Glamour e Miséria no Império do Cinema"

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Estórias e Misérias de Hollywood #5

"Filmar até que a morte nos separe: enquanto certos actores arriscam a vida para representar, outros filmam até morrer, como medo de parar e definhar, determinados a desempenharem o papel de artistas até ao fim. Durante as rodagens do seu último filme - The Dead - (1987) John Huston, que sofria de enfisema pulmonar, dirigiu a equipa sentado numa cadeira de rodas, respirando por uma máscara ligada a um tanque de oxigénio."

Edgar Pêra in "Hollywood: Estórias de Glamour e Miséria no Império do Cinema"

terça-feira, 15 de abril de 2014

Estórias e Misérias de Hollywood #4

"O cineasta alemão Werner Herzog é detentor de uma audácia conhecida: despreza o perigo e envolve os seus colaboradores em situações de risco extremo. Outras vezes, é ele próprio que está em perigo, mesmo sem o saber - e sobrevive: durante a promoção de 'Grizzly Man' (2005), sobre um homem que convive com ursos até ao dia em que é devorado por um deles, Herzog foi alvejado por um atirador enquanto dava uma entrevista para a BBC. Mais tarde, vangloriou-se: 'ser alvejado com pouco êxito é extremamente vivificante para um homem".

Edgar Pêra in "Hollywood: Estórias de Glamour e Miséria no Império do Cinema"


quinta-feira, 20 de março de 2014

Estórias e Misérias de Hollywood #3

"O realizador William Friedkin era capaz de chorar quando um figurante atropelava um porco. Mas era conhecido por despedir impiedosamente os seus colaboradores, ou antes, os seus súbditos. Friedkin também não se preocupou quando o avisaram que a actriz Ellen Burstyn coria riscos graves na célebre cena de O Exorcista em que é atirada contra uma mesa pela jovem possuída pelo demónio, interpretada por Linda Blair. Ellen Burstyn ficou para sempre com um problema na coluna."

Edgar Pêra in "Hollywood: Estórias de Glamour e Miséria no Império do Cinema"

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Estórias e Misérias de Hollywood #2

"A actriz Vivian Leigh alternava entre estados de euforia e grande depressão. Durante a rodagem de um filme chegou a despir-se e tentou atirar-se de um avião. Nunca chegou a terminar o filme. O seu marido Laurence Olivier internou-a num hospital psiquátrico. Leigh foi sujeita a electrochoques e nunca mais foi a mesma. Perante o insucesso desse tratamento os médicos optaram pelas drogas psicotrópicas, mas nada parecia funcionar e o estado de saúde da actriz foi-se deterioriando. Mais tarde, descobriram que tudo poderia ter sido evitado se tivessem tratado a tuberculose entretanto detectada, responsável pelas perturbações mentais da malfadada actriz".

Edgar Pêra in "Hollywood: Estórias de Glamour e Miséria no Império do Cinema"

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Estórias e Misérias de Hollywood #1

"O realizador alemão F.W. Murnau, célebre autor de 'Nosferatu', emigrou para Hollywood em 1926, onde filmou a soldo da Fox o oscarizado 'Aurora'. Murnau também ficou conhecido pela sua morte num acidente de viação, a bordo de um Rolls-Royce conduzido por um filipino de 14 anos. As boas línguas da imprensa sensacionalista afirmam que Murnau morreu a fazer 'felatio' ao motorista.
Apenas 11 pessoas compareceram ao funeral de Murnau, mas talvez não fossem precisas mais: entre elas contavam-se o realizador de documentários Robert Flaherty, Fritz Lang, o actor Emil Jannings e a diva Greta Garbo."

Edgar Pêra in "Hollywood: Estórias de Glamour e Miséria no Império do Cinema"