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terça-feira, 31 de março de 2015

Squarepusher: na vanguarda electrónica do século XXI



Squarepusher é o nome artístico de Tom Jenkinson, artista que há 20 anos tem dado cartas na evolução da música electrónica (a par de Aphex Twin e Amon Tobin). Squarepuser é um baixista de jazz virtuoso (na esteira do mítico Jaco Pastorius) que espantou o mundo quando em 1996 lançou o disco de estreia "Feed Me Weird Things", um misto de jazz frenético com drum'n'bass.
Há um ano este músico visionário editou um disco intitulado "Music For Robots" de que dei conta neste post. Um disco no qual verdadeiros robots faziam música a mando de Squarepusher. Um ano depois o músico regressa com um novo conceito visual e tecnológico (a componente visual sempre teve muita importância no seu trabalho), que irá acompanhar um novo álbum pela prestigiada editora Warp.

Sem grandes exageros, depois de ver o vídeo pode-se afirmar que a criatividade musical e visual de Squarepusher está para o século XXI como os Kraftwerk estiveram para as décadas de 1970/80. Ou seja, na vanguarda da música electrónica. Squarepusher desenvolveu um conceito estético e audiovisual caleidoscópico no qual os estímulos sonoros provocam uma reacção visual num ritmo estonteante para os sentidos. Não é música pop fácil para as massas, nem música para satisfazer todas as sensibilidades. Mas é música desafiante, original, provocadora, que rompe convenções e aponta pistas para o futuro. É música como se milhentos sons tecnológicos fossem centrifugados numa trituradora a alta velocidade e depois reorganizados segundo uma lógica própria.
Nota: A componente visual não é aconselhável para pessoas propensas à epilepsia ou a estímulos visuais fortes.
Quem quiser conhecer o "making of" deste vídeo e as explicações do músico, abrir aqui.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Dia Mundial da Música - 30 discos

Neste Dia Mundial da Música resolvi fazer uma lista de 30 discos da minha vida. É uma lista de discos que, sobretudo, marcaram a minha adolescência e juventude, que me formaram melómano e me fizeram acreditar no poder da música como expressão estruturante das nossas vidas.
São 30 títulos - podiam ser 50 ou 80 - muito eclécticos. Mas estes são discos que considero, cada um no seu género, obras-primas intemporais às quais ainda hoje regresso com inesgotável prazer.
Estão listados por ordem cronológica.

Captain Beefheart - “Safe as Milk” (1967)
The Velvet Underground – “White Light/White Heat” (1968)
Miles Davis – “Bitches Brew” (1970)
Suicide – “Suicide” (1977)
Joy Division - "Closer" (1980)
The Loung Lizards – “The Lounge Lizards” (1981)
David Byrne & Brian Eno - "My Life in the Bush of Ghosts" (1981)
Virgin Prunes – “…If I Die I Die” (1982)
Tom Waits – “Swordfishtrombones” (1983)
Philip Glass – “Songs From The Liquid Glass” (1984)
Cocteau Twins – “Treasure” (1984)
Prefab Sprout – “Steve McQueen” (1985)
Love & Rockets - "Seventh Dream of Teenage Heaven" (1985)
XTC - "Skylarking" (1986)
The Cure – “The Head on The Door” (1986)
Public Enemy – “It Takes a Nation of Millions To Hold Us Back” (1986)
Diamanda Galás - “The Divine Punishment” (1986)
The Young Gods – “The Young Gods” (1987)
Dead Can Dance – “Within The Realm of a Dying Sun” (1987)
Spacemen 3 – “Playing With Fire” (1988)
Wim Mertens – “Maximizing The Audience” (1988)
Naked City – “Naked City” (1990)
Cheikha Rimitti – "Sidi Mansour” (1994)
Danny Elfman – “The Nightmare’s Before Christmas” (1995)
Aphex Twin – “Richard D. James Album” (1996)
Squarepusher – “Feed Me Weird Things” (1996)
Mr. Bungle – “California” (1999)
Amon Tobin – “Supermodified” (2000)
Fantômas – “The Director’s Cut” (2001)
Swans - "To Be Kind" (2014)

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Squarepusher e a música para robôs




Squarepusher (nesta foto) é um músico que admiro há muitos anos. Tom Jenkinson (nome verdadeiro) tem desbravado - desde meados dos anos 90 - alguma da mais inovadora música electrónica dos últimos 15 anos. Para além de um notável instrumentista (toca viola-baixo), é um criativo da electrónica, capaz das mais intrincadas e fascinantes derivações musicais. 
"Feed Me Weird Things", editado em 1995, foi a primeira obra-prima de Squarepusher que veio revolucionar muita coisa na música electrónica e na criação musical digital, fazendo uma inovadora fusão de jazz e drum'n'bass. Ainda no verão passado teve uma experiência fantástica com uma orquestra clássica que pode ser vista (é bom de ver e ouvir!) aqui.

Mas Squarepusher não pára de inventar novas formas de expressão musical: desta vez, aceitou o desafio de um grupo japonês ligado à robótica e compôs música para... uma banda de robôs! Os robôs em causa, chamados Z-Machines, já não são propriamente novidade, mas este projecto é original: Squarepusher escreveu música especificamente para estes três robôs chamados Mach, Ashura e Cosmo. O robô guitarrista consegue tocar com 72 dedos e o baterista com 22 braços! São recursos de execução que superam qualquer capacidade humana, e Squarepusher o que fez foi música a pensar em tirar o máximo partido destas possibilidades. O resultado é estonteante. Música do futuro feita no presente, música interpretada por robôs que mais nenhum humano poderia tocar (percebem isto quando a partir do meio da peça musical a complexidade técnica ultrapassa tudo o que se possa imaginar).
Mas não é tudo: Este é apenas um tema que Squarepusher escreveu para as Z-Machines, uma vez que já no próximo mês de Abril, a prestigiada editora discográfica Warp, vai lançar um EP com mais cinco músicas para estes máquinas musicais. O título não podia ser mais sintomático: "Music For Robots". Ver aqui mais informação.
Agora abram este vídeo em toda a largura do ecrã do computador e deleitem-se com música criada pela mente criativa de um humano, mas interpretada superiormente por máquinas futuristas, as Z-Machines:

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

"iPhado": Fado e electrónica


“Phado” (Thisco, 2007) foi um disco editado pelo músico Marco Miranda sob a designação artística M-Pex. Agora volta com “iPhado”, um EP de cinco temas inéditos, onde a guitarra portuguesa se mistura com a electrónica através de um conjunto de samples criados num iPod e utilizando apenas aplicações gratuitas da App Store, a loja online da Apple.

Fado e electrónica.
Na verdade, a fusão que faltava explorar na música portuguesa. O Expresso revelava há três anos um jovem guitarrista, Marco Miranda (31 anos), que toca guitarra portuguesa por influência do avô. A música electrónica, de facção mais arty e conceptual (as referências são os imprescindíveis Amon Tobin, Squarepusher, Sofa Surfers e Aphex Twin), é outra área de interesse de Marco. "Phado" foi o seu primeiro trabalho, no qual explorava os beats e os ambientes electrónicos misturados com a sonoridades características da guitarra portuguesa, gerando uma refrescante sonoridade. A uma certa distância, este projecto lembra o do malogrado João Aguardela (Sitiados e A Naifa), Megafone, que fazia o cruzamento entre a herança musical tradicional com a linguagem electrónica do drum'n'bass.

Marco tem como inevitável referência da guitarra portuguesa Carlos Paredes e é com indisfarçável ousadia que diz que o objectivo da sua música é "reposicionar a guitarra portuguesa no panorama musical, mostrar que não tem de estar só agarrada ao fado, criar uma ponte entre ontem e hoje, quebrar barreiras e clichés". A sua música é puramente instrumental, não estabelecendo relações estéticas com a linguagem do fado cantado. É a guitarra que centraliza o trabalho de abordagem criativa de Marco Miranda. A electrónica circula à volta, molda a matéria tímbrica das cordas e estabelece novas dinâmicas e sensibilidades. É como se a guitarra portuguesa fosse sujeita a experiências científico-sonoras de laboratório. E de forma muito criativa e original.

Quem quiser aventurar-se e conhecer este interessante projecto e o recente registo "iPhado" (download gratuito), é favor entrar aqui.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Que grande ano musical...

Que grande ano musical seria 2011 se forem editados novos discos de John Cale, Pascal Comelade, Public Enemy, Sonic Youth, Tom Waits, Aphex Twin, Leonard Cohen, Fantômas, Mr. Bungle, Jon Spencer Blues Explosion, Spiritualized, Squarepusher, Amon Tobin, Anoushka Shankar, Elvis Costello, Diamanda Galás, Kimmo Pohjonen, Leila, Man Man, Robert Wyatt, Michael Nyman, Tinariwen, TV on the Radio, Beirut, Camille, Animal Collective, Six Organs of Admittance, David Byrne, Arvo Part, Philip Glass, Neurosis, Jarboe, The Fall, Underworld, Nine inch Nails, Matmos, Herbert, John Zorn, Scott Walker, Dan Deacon, Gang Gang Dance, Santogold, Fleet Foxes, Queens of the Stone Age, Stereolab, Nico Muhly, Danny Elfman ou Bjork.
Era bom, não?

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

A arte de Chris Cunningham


Na história recente da cultura do videoclip (antigamente designado teledisco), há cinco ou seis grandes realizadores que deixaram marca autoral: David Fincher (agora realizador de cinema), os conhecidos Spike Jonze e Michel Gondry, Floria Sigismondi (autora do célebre "The Beautiful People" de Marilyn Manson, entre outros), Jonathan Glazer (realizou em 2004 o interessante "Birth" com Nicole Kidman) e Chris Cunningham.
Este último é, quanto a mim, o maior de todos, ainda que a sua produção seja, porventura, menor em quantidade relativamente aos restantes realizadores.
Realizou spots publicitários (Playstation, por exemplo), videoclips para artistas pop mainstream - Madonna e Björk e para seminais projectos da electrónica experimental - Autechre, Aphex Twin, Squarepusher (da editora Warp Records). Mas para a cultura do audiovisual da década de 90 ficará para sempre essa impressionante obra que é "Come to Daddy" (1997) de Aphex Twin, verdadeiro compêndio simbiótico de negritude estética, cibernética alienada, música libertária, terror alucinatório e imagens em erupção catatónica (considerado um dos melhores videoclips de sempre).
Cunningham aprendeu com o mestre: Stanley Kubrick, com quem trabalhou um ano para o projecto nunca concluído "I.A." (posteriormente realizado por Spielberg).
Em 2005, Cunningham realizou uma espécie de sequela de "Come to Daddy", onde um corpo mutante e disforme (reminiscências das mutações genéticas de David Lynch e David Cronenberg) chamada "Rubber Johnny" dança, de forma aterradora e distorcida, uma polirrítmica música de... Aphex Twin.
Já não é propriamente um videoclip com a estrutura convencional, é antes um formato mais ambicioso, próximo da curta-metragem de ficção. E é outro legado estético insusbtituível da cultura das imagens para a primeira década deste novo milénio.
Last but not least: Chris Cunningham prepara, já há algum tempo, a adaptação para cinema do célebre livro da cultura cibernética "Neuromancer" do guru tecnológico William Gibson. Aguarda-se nada menos do que uma bomba.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Música para 2009


2008 já é passado. Olhemos, pois, para 2009 e o que este ano nos vai trazer em termos de música e filmes. No que diz respeito às edições discográficas, vai ser um ano em cheio que promete muitos e bons discos. Das muitas dezenas de álbuns programados para lançamentos durante 2009, eis os títulos que destaco: Morrissey (na imagem), Animal Collective, Squarepusher, Andrew Bird, Sonic Youth, Tori Amos, Massive Attack, A.C. Newman, Antony and the Johnsons, Calexico, Raymond Scott, Bloc Party, Franz Ferdinand, Of Montreal, Madlib, The Prodigy, Neko Case, U2, Grizzly Bear, Wilco, Devendra Banhart, Diamanda Galás, Caetano Veloso, Vetiver, Oneida, Belle and Sebastian, Beirut, Bonnie Prince Billy, Final Fantasy, Lisa Germano, God is an Austronaut, Madness, entre muitas outras novidades. No panorama nacional, destaque total para o muito aguardado novo álbum de originais dos Pop Dell'Arte.
Quanto a filmes já agendados para o decorrer de 2009, a oferta ainda é maior e diversificada, como se pode comprovar nesta lista do site Movieweb. A seu tempo ficaremos a par das novidades mais interessantes...

segunda-feira, 31 de março de 2008

A guitarra portuguesa no laboratório



Fado e electrónica. A fusão que faltava explorar na música portuguesa. O Expresso revela um jovem guitarrista, Marco Miranda (28 anos), que toca guitarra portuguesa por influência do avô. A música electrónica, de facção mais arty e conceptual (as referências são os imprescindíveis Amon Tobin, Squarepusher, Sofa Surfers e Aphex Twin), é outra área de interesse de Marco. "Phado" é o seu primeiro trabalho, no qual explora os beats e os ambientes electrónicos misturados com a sonoridades características da guitarra portuguesa. Mas Marco Miranda não assina com o nome com que nasceu. M-Pex é o cognome artístico do projecto. A uma certa distância, este projecto lembra o do João Aguardela (ex-Sitiados, actualmente n' A Naifa), Megafone, que fazia o cruzamento entre a herança musical tradicional com a linguagem electrónica do drum'n'bass. Marco tem como inevitável referência Carlos Paredes e é com indisfarçável ousadia que diz que o objectivo do álbum "Phado" é "reposicionar a guitarra portuguesa no panorama musical, mostrar que não tem de estar só agarrada ao fado, criar uma ponte entre ontem e hoje, quebrar barreiras e clichés". A sua música é puramente instrumental, não estabelecendo relações estéticas com a linguagem do fado cantado. É a guitarra que centraliza o trabalho de abordagem criativa de Marco Miranda. A electrónica circula à volta, molda a matéria tímbrica das cordas e estabelece novas dinâmicas e sensibilidades. É como se a guitarra portuguesa fosse sujeita a experiências científico-sonoras de laboratório.
Para quem quiser aventurar-se a conhecer este interessante e promissor projecto, é favor entrar aqui.

sábado, 24 de novembro de 2007

Chris Cunningham - o videoclip como arte



Na história recente da cultura do videoclip (antigamente desingado teledisco), há cinco ou seis grandes realizadores que deixaram marca autoral: David Fincher (agora realizador de cinema), os conhecidos Spike Jonze e Michel Gondry, Floria Sigismondi (autora do célebre "The Beautiful People" de Marilyn Manson, entre outros), Jonathan Glazer (realizou em 2004 o interessante "Birth" com Nicole Kidman) e Chris Cunningham.

Este último é, para O Homem que Sabia Demasiado, o maior de todos, ainda que a sua produção seja, porventura, menor em quantidade relativamente aos restantes realizadores. Realizou spots publicitários (Playstation, por exmeplo), videoclips para artistas pop mainstream - Madonna e Björk e para seminais projectos da electrónica experimental - Autechre, Aphex Twin, Squarepusher (da editora Warp Records). Para a cultura do audiovisual da década de 90 ficará para sempre esse impressioante documento que é "Come to Daddy" (1997) de Aphex Twin, verdadeiro compêndio simbiótico de negritude estética, cibernética alienada, música libertária e imagens em erupção catatónica. Aprendeu com o mestre: Stanley Kubrick, com quem trabalhou um ano para o projecto nunca concluído "I.A." (posteriormente realizado por Spielberg).

Em 2005, Cunningham realiza uma espécie de sequela de "Come to Daddy", onde um corpo mutante e disforme (reminiscências das mutações genéticas de David Lynch e David Cronenberg) chamada "Rubber Johnny" dança, de forma aterradora, uma polirrítimca música de... Aphex Twin. Já não é propriamente um videoclip com a estrutura convencional, é antes um formato mais ambicioso, próximo da curta-metragem de ficção. E é outro legado insusbtituível da cultura das imagens para a primeira década deste novo milénio.

Last but not least: Chris Cunningham prepara, já há algum tempo, a adaptação para cinema do célebre livro da cultura cibernética "Neuromancer" do guro tecnológico William Gibson. Aguarda-se nada menos do que uma bomba.