sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O segredo das capas

De quem são os rostos e os corpos que surgem em famosas capas de disco? Alguns exemplos:

Artista: The Smiths
Álbum: "Strangeways, Here We Come" (1987)
Capa: O actor Richard Davalos, que contracenou com James Dean no clássico filme "A Leste do Paraíso" (1955).
Artista: U2
Álbum: "Boy" (1980)
Capa: o rapaz da capa é o irmão de um artista amigo de Bono, Peter Rowan (actualmente um artista de renome). A imagem do rapaz foi retirada no mercado americano devido a receios de acusações de pedofilia.

Artista: The Smiths
Álbum: "The Smiths" (1984)
Capa: Morrissey criou o grafismo da capa do disco de estreia dos Smiths, tendo como base um fotograma do filme "Flesh" de Andy Warhol com o actor Joe Dallesandro.

Artista: Roxy Music
Álbum: "Country Life" (1974)
Capa: Bryan Ferry conheceu as modelos Constanze Karoli e Eveline Grunwald em Portugal e convenceu-as a posar para a memorável (e posteriormente censurada) capa dos Roxy Music.

Artista: Radiohead
Álbum: "The Bends" (1995)
Capa: O artista Stanley Downood criou uma imagem de fusão entre o rosto de Thom Yorke e um "medical dummy".

Artista: Pixies
Álbum: "Surfer Rosa" (1988)
Capa: uma amiga de amigos dos músicos posou em topless em pose de bailarina de flamenco. A fotografia é da autoria de Simon Larbalestier, responsável pela maior parte do "artwork" da banda.

Artista: Pantera
Álbum: "Vulgar Display Of Power" (1992)
Capa: o homem que leva o murro é anónimo mas sabe-se que recebeu dinheiro para a sessão fotográfica que resultaria na capa dos Pantera. Consta-se que levou trinta murros até conseguir a imagem perfeita (da capa).

Artista: Black Grape (Shaun Ryder)
Álbum: "It's Great When You're Straight… Yeah" (1995).
Capa: o rosto da capa é a do terrorista Carlos, o Chacal, pintado num estilo "pop art"

Artista: "The Rolling Stones
Álbum: "Sticky Fingers" (1971)
Capa: o actor fetiche de Andy Warhol, Joe Dallesando, posou para a capa do disco.

Artista: Rage Against The Machine"
Álbum: "Rage Against The Machine" (1992)
Capa: Thích Quung Dúc, monge budista vietnamita que se auto-imolou pelo fogo em Saigão (1963) em protesto pela opressão exercida sobre os monges.

"Grizzly Into The Wild Man"



O que têm em comum os filmes "Grizzly Man" (2005) de Werner Herzog e "Into The Wild" (2007) de Sean Penn? Numa primeira análise, pouco, na verdade. Mas nesse pouco, parece-me a mim, é capaz de caber uma vida inteira. Quase arriscaria dizer que os títulos destes dois filmes poderiam ser trocados que não se notaria grande diferença.
O "Grizzly Man" vive "Into The Wild" e o personagem deste filme sente, basicamente, as mesmas pulsões do defensor dos ursos. No fundo, os protagonistas destes dois filmes renunciam às comodidades da civilização para explorarem outro rumo às suas vidas. Cada um à procura da sua própria felicidade.
Ambos questionam o lugar do homem no seio da civilização em confronto com a natureza, tentando compreendê-la, frui-la, senti-la. De dois modos muito distintos, é certo, mas com desfechos dramáticos muito semelhantes. Em suma, a vida humana à procura de um verdadeiro sentido no contacto com a natureza primordial e selvagem.

Cinecitta - Souvenirs cinéfilos

Para os indefectíveis da cultura pop em geral e do cinema em particular, nada melhor do que consultar a loja (em Lisboa) Cinecitta. Aqui vendem-se DVD de importação (filmes raros ou de culto), dezenas de t-shirts de filmes e de realizadores, bonecos, posters, postais e uma infinidade de objectos alusivos à 7ª arte. Vale a pena espreitar.
Da minha parte, vou encomendar esta t-shirt:

Tamanho S.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Filmes triangulares

Clicar na imagem para aumentar.

O cinema e a publicidade


No filme "Estranha em Mim" (2007), de Neil Jordan (na imagem), com uma Jodie Foster que pratica a justiça pelas próprias mãos, há uma cena numa carruagem de metro na qual dois jovens negros, manifestamente delinquentes, acossam um jovem que está a ouvir música num iPod. Perguntam:
- "Meu, que estás a ouvir?!"
- "Radiohead".
- "Radio... quê?"
- "Radiohead!"
- "Não interessa, passa para cá o iPod!"

Já não sei que filme vi o outro dia cujo adolescente ostentava uma t-shirt dos The Strokes. No "Exterminador Implacável 2", o actor Edward Furlong envergava uma t-shirt dos Public Enemy. Estas opções não são inocentes nem casuais. Muitos outros exemplos existem. Na linguagem da publicidade e do marketing, chama-se a isto "product placement", ou seja, uma estratégia subtil mas intencional de colocar produtos comerciais reais (marcas de todo o tipo) em filmes, videoclips, conferências de imprensa, etc. O filme "O Náufrago" (ver post mais abaixo), surgiam constantemente referências directas à companhia de distribuição FedEx e a outras marcas de consumo.
Quando se vê um personagem de um dado filme beber 7Up ou a comer chocolates M&Ms, a ouvir música numa determinada marca de aparelhagem de som, a lavar os dentes com uma dada marca de dentífrico, ou usar um cartão de crédito específico, estes produtos não estão lá por acaso. As marcas pagam, e muito, para que os seus produtos surjam nos filmes (nem que seja por breves segundos) como forma subliminar de incutir no espectador produtos comerciais.
A série James Bond regista um manancial infindável de "product placement" (publicidade a bebidas, relógios, passando pelos inevitáveis automóveis).
Pegando de novo no exemplo do filme "Estranha em Mim", constatamos que é um claro exemplo de nova estratégia de "music placement". O miúdo ouvia no seu iPod os Radiohead porque o contrato entre os produtores do filme e a editora do grupo (ou a respectiva agência promocional) assim o quiseram. O negócio e o lucro imperam nas escolhas. Simples.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

A reunião de três génios


Fotografia histórica: Buster Keaton, Jacques Tati e Harold Lloyd reunidos, em 1959, durante a cerimónia de entrega dos Óscares.
Foi nesse ano que Jacques Tati recebeu o Óscar do Melhor Filme Estrangeiro com a obra-prima "O Meu Tio". Três referências absolutas do melhor humor no cinema do século XX. E, para mais, no ano em que Jacques Tati, o mestre do cinema cómico que tanto admirava Keaton e Lloyd, ganhava o tal Óscar para Melhor Filme Estrangeiro (só faltou Chaplin na fotografia). Harold Lloyd foi sempre uma figura secundária face a Chaplin ou Keaton, mas foi um notável actor cómico do período mudo.
Esta imagem revela cumplicidades artística recíprocas e uma admiração partilhada, numa altura em que Keaton e Lloyd eram já figuras eclipsadas do firmamento cinematográfico, e Tati despontava para uma escassa mas fulgurante carreira que marcaria a 7ª Arte europeia durante décadas.

A magia do cinema de Chaplin


Há uns tempos a RTP2 transmitiu um conjunto de episódios da série "Chaplin Hoje" sobre o cinema do genial Charlie Chaplin. Vi apenas um episódio, sobre o filme "A Quimera do Ouro" ("The Gold Rush", 1925), com comentários do realizador do Burkina Faso Idrissa Ouedraogo.
Magistral série, magistral filme, magistral cineasta e actor.
Há uns anos comprei os DVD completos do Chaplin da editora Mk2 - e foi um prazer rever (ou ver pela primeira vez) as obras-primas do autor de "Tempos Modernos" e "Luzes da Cidade" em versões remasterizadas (som e imagem imaculados).
E apercebi-me que Chaplin foi (continua a ser) um dos maiores mestres de sempre do cinema mundial (não só do período mudo), capaz de encenar a poesia, o amor e a tragédia em imagens inesquecíveis - "O Garoto de Charlot", "Luzes da Cidade" -, mas também a sátira demolidora - "O Grande Ditador", "Tempos Modernos" - e engendrar obras únicas de humor - "O Circo" e dezenas de outras curtas-metragens.
Das muitas sequências memoráveis do cinema de Chaplin, há uma que jamais esqueci e que me arrepia sempre que a revejo: em "The Kid" (1921) o garoto (espantoso Jackie Coogan) de Charlot a ser levado pela polícia e o comovente reencontro com o pai adoptivo. Sem diálogos, sem palavras. Pura emoção em imagens.

No universo da comédia burlesca, admiro imenso a genialidade de Buster Keaton, mas Chaplin será sempre Chaplin.

Wilson


Wilson é um "personagem" determinante no filme "Cast Away" ("O Náufrago", 2001) de Robert Zemeckis (a história de um sobrevivente numa ilha deserta). E escrevo "personagem" entre parênteses porque se trata de um objecto inanimado.
Wilson é o nome do amigo imaginário criado pelo personagem Chuck Noland (Tom Hanks) como forma de combater a solidão extrema na ilha deserta durante 4 anos. Wilson era, simplesmente, uma bola de voleibol onde Chuck pintou um rosto (com o seu próprio sangue) com feições humanas.
Apesar de ser um objecto inerte, Wilson desempenhou um papel crucial no desenrolar do filme, porque todas as emoções de Chuck eram transmitidas para a bola - enquanto representação do elemento humano. Chuck sobreviveu e quase que morreu por causa de Wilson. Na tentativa de fugir da ilha, Chuck salvou-se do afogamento, tentando desesperadamente salvar o seu "companheiro", em vão.
Enquanto esteve sozinho na ilha, Chuck projectou na bola todas as suas frustrações, expectativas, desejos, raiva, medos, revolta. A bola "ouvia" os desabafos desesperados de Chuck; e este falava-lhe como se estivesse mesmo outra pessoa do outro lado. Wilson era apenas uma bola, mas para Chuck tornou-se um elemento vital para a sua sobrevivência, permitindo-lhe alcançar algum equilíbrio emocional e psicológico, uma verdadeira bóia (bola) de salvação.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

As frases de Kubrick


Stanley Kubrick foi um realizador que cultivou um estilo de vida quase eremita: durante toda a carreira pugnou por um acentuado ascetismo social e profissional. Praticamente não dava entrevistas a jornalistas, furtava-se às festas das estreias dos seus filmes, não mantinha relacionamentos duradouros com outros realizadores ou actores, nem nunca escreveu um livro de memórias (como fizeram Bergman, Bresson, Buñuel ou Tarkovski).
Porém, conhecemos minimamente algumas das suas opiniões através de afirmações que se podem encontrar dispersas na internet ou em livros de cinema.
São frases ditas pelo génio de "A Laranja Mecânica" que revelam a ponta do véu do seu espírito visionário e irrequieto:

- "A filmmaker has almost the same freedom as a novelist has when he buys himself some paper"
- "I never learned anything at all in school and didn't read a book for pleasure until I was 19 years old."
- "The great nations have always acted like gangsters, and the small nations like prostitutes."
- "A film is - or should be - more like music than like fiction. It should be a progression of moods and feelings. The theme, what's behind the emotion, the meaning, all that comes later."
- "There are few things more fundamentally encouraging and stimulating than seeing someone else die."
- "Perhaps it sounds ridiculous, but the best thing that young filmmakers should do is to get hold of a camera and some film and make a movie of any kind at all."
- "If it can be written, or thought, it can be filmed. "
- "The screen is a magic medium. It has such power that it can retain interest as it conveys emotions and moods that no other art form can hope to tackle. "

Discos que mudam uma vida - 115


The Cramps - "Bad Music for Bad People" (1984)

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Falar dos livros sem os ler?

E que tal falar de livros sem… os ler? Hoje já é tudo possível.
E é também possível fazer figura de intelectual falando à mesa do café sobre livros e autores que estão na berra mas que nunca lemos ou, no limite, lemos duas ou três passagens. Este livro, “Como Falar de Livros Que Não Lemos?”, pretende isso mesmo: partindo de uma análise a diversas obras literárias, o autor elabora uma síntese com os tópicos essenciais, parar que o leitor fique com uma noção básica sobre o conteúdo e a forma dessas obras e assim poder fazer um brilharete junto dos amigos e de intelectuais encartados.
Fogo-fátuo e mundo de aparências, portanto.
O autor do livro, Pierre Bayard, afirma que este manual serve como incentivo à leitura, numa nova modalidade de ler um livro. Apesar de não o ter lido (folheei-o numa livraria), parece-me antes um desincentivo ao exercício da leitura e do culto pelos livros ao potenciar o facilitismo e a superficialidade. É um livro presunçoso e pueril, como que a dizer: “não leia na íntegra ‘Os Maias’, leia o meu resumo e é como se o tivesse lido”.
Este livro é o reflexo da sociedade massificada que vive a grande velocidade e que não privilegia o verdadeiro investimento cultural. Não valerá mais a pena ler somente meia dúzia de páginas de grandes escritores do que ler as respectivas sinopses técnicas de Bayard? Não será mais enriquecedor?
Num mercado editorial mimético como o nosso, é mais do que expectável que vejamos brevemente adaptações deste livro conforme as áreas artísticas: “Como Falar dos Filmes Que Não Vimos?”, “Como Falar dos Discos Que Não Ouvimos?” Ou, por absurdo, "Como Falar de Perfumes Sem os Ter Cheirado?".

O que o cinema ensina


D. Eurico Dias Nogueira, Arcebispo de Braga: “Aprendi mais em meia hora a ver o filme «Império dos Sentidos» do que em 67 anos de vida."

domingo, 15 de agosto de 2010

O ritmo das imagens

Um dos melhores videoclips realizados por Michel Gondry (simplicidade com eficientes efeitos visuais sincronizados com o ritmo da música):

sábado, 14 de agosto de 2010

Brett Domino ataca Lady Gaga

"Bad Romance" de Lady Gaga foi a canção que lançou a cantora para a fama mundial.
A artista, imitadora barata e obsessiva de Madonna, parece ser o novo paradigma de estrela pop incensada pelos media e idolatrada pelos teenagers.
Ora, o curioso é que Brett Domino - conhecido músico que faz versões irreverentes de temas conhecidos na internet - resolveu pegar no referido tema. E, como habitualmente, Brett recorre a instrumentos inusitados e a arranjos divertidos para reconstruir a canção.
Neste caso, Brett Domino usa dois instrumentos especiais: Korg Monotron e Kaossilator que produzem sons electrónicos que os próprios Kraftwerk não desdenhariam.
As figuras divertidas e completamente "Nerd" dos dois músicos (Brett Domino e Steven Peavis), ajudam ao criativo resultado final que se pode ver (e ouvir) neste videoclip recentemente publicado no Youtube.
Ah, falta só dizer que, a brincar a brincar, esta versão é muito, mas muito mais interessante do que o original.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Tesouros musicais nas velhas cassetes


Nos anos 80 e 90 coleccionei música como um louco fundamentalista. Trocava cassetes áudio (também conhecidas como k7) com amantes de música alternativa de todo o país (e do estrangeiro) e esperava ansiosamente que as novidades chegassem ao marco do correio. Tinha todas as cassetes devidamente numeradas e catalogadas num dossier próprio para o efeito e fazia uma capa diferente para cada uma. Coisa de fanático, mesmo.
Era um ritual poder abrir o envelope almofadado, colocar a cassete no leitor e desfrutar daqueles intensos momentos de descoberta de um artista ou de um grupo. Como não havia dinheiro para comprar todos os discos em vinil que gostava, eram as gravações em centenas de cassetes que me saciavam a gula musical.
Agora, as perto de mil cassetes estão arrumadas na prateleira da garagem, à espera que um dia (que dia?) me apeteça ir lá buscar uma, retire a poeira e espere que a fita ainda aguente o peso dos anos. Mas sei que muitas das cassetes já não aguentariam o peso do botão "play". A fita analógica tem o seu prazo de vida. Mas também sei que tenho autênticas preciosidades musicais guardadas nessas fitas magnéticas que, ainda hoje, não tenho todas em CD.
E que música tenho eu gravada nas velhinhas cassetes?

Apenas alguns exemplos:
Half Man Half Biscuit, Test Department, Red Lorry Yellow Lorry, Captain Beefheart, Devo, Philip Boa and the Voodoo Club, Death in June, The Triffids, Robert Ashley, George Crumb, Christian Death, Dissidenten, Front 242, Camper Van Beethoven, Beatnigs, Anne Clark, Dif Juz, 23 Skidoo, The Wolfgang Press, Asmus Tietchens, in The Nursery, SPK, And Also The Trees, The Band of Holy Joy, John Adams, Elliott Sharp, Butthole Surfers, Mick Karn, Minimal Compact, Hugo LArgo, Graeme Revell, Rapeman, Coil, Steven Brown, Felt, The Residents, Can, Holger Czukay, The Feelies, Art Zoyd, Miso Ensemble, Meredith Monk, Nurse With Wound, Laibach, Christian Marclay, Harold Budd, Robert Fripp, Lights in a Fat City, Jon Hassel, Somei Satoh, Cathy Berberian, La Monte Young, Henry Cow, Negativland, Clock DVA, Biota, Moroccan Trance Music, Demetrio Stratos, Sixth Comm, Z'Ev, Skinny Puppy, Milton Babbit, Clair Obscur, Swans, Virgin Prunes, Hector Zazou, Bill Frisell, Chalres Mingus, Holger Hiller, The Gun Club, Sol Invictus, Barry Adamson, Cranioclast, Lydia Lunch, O Yuki Conjugate, No Means No, Lou Harrison, Psychic TV, Muslimgauze, Foetus, Delerium, Non, Anarband, Andrew Poppy, David Fulton, Zoviet France, Wire, Elvis Costello, Tom Cora, Faust, Von Magnet, God, Ravi Shankar, Osso Exótico, Harry Partch, Pauline Oliveros, The Fall, Painkiller, Nicolas Collins, Peter Frohmader, David Sylvian, Kronos Quartet, Zap Mama, Jarboe, Sainkho, Jorge Reyes, Loop Guru, Carlos Zíngaro, Jane's Addiction, Ocaso Épico, Boyd Rice, FM Einheit, Alvin Lucier, Dinossaur Jr., Lush, Pengui Cafe Orchestra, Fred Frith, Pascal Comelade, Organum, Loop, The Hafler Trio, Cecil Taylor, Alan Stivell, Delerium, Tony Oxley, Pigface, Godflesh, Big Black, La Fura Dels Baus, Brian Eno, HIST, Arcace Device, Smegma, Fugazi, John Cage, Rollins Band, Yo La Tengo, John Cale, Masada, Scorn, Luciano Berio, Robert Rich, Pierre Boulez, Dead Kennedys, Telectu, Lard, Caspar Brotzman, XTC, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc.

A indissolúvel discussão entre a crença em Deus e o ateísmo


Uma velhinha cristã vem ao alpendre de sua casa todas as manhãs e grita:
- Louvado seja o Senhor!
E, todas as manhãs, o ateu que vive na casa ao lado grita em resposta:
- Deus não existe!
Isto repete-se durante semanas.
- Louvado seja o Senhor! - grita a senhora.
- Deus não existe! - responde o vizinho.
O tempo vai passando e a velhota começa a ter problemas financeiros e tem dificuldade para comprar comida. Sai para o alpendre e pede ajuda a Deus para as compras da mercearia, dizendo em seguida:
- Louvado seja o Senhor!
Na manhã seguinte, quando sai para o alpendre vê as mercearias que tinha pedido. Como não podia deixar de ser, grita:
- Louvado seja o Senhor!
O ateu salta de trás de um arbusto e diz:
- Ah! Fui eu que comprei essas mercearias. Deus não existe!
A senhora olha para o vizinho, sorri e diz:
- Louvado seja o Senhor! Não só ouviste o meu pedido, Senhor, como fizeste Satanás pagar as compras!
________
In "Platão e um Ornitorrinco entram Num bar - Filosofia com Humor" (Dom Quixote) de Thomas Cathcart e Daniel Klein

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Duas frases

Li algures que as frases mais comuns (ditas por personagens) em toda a história do cinema são as seguintes:
- "Try and get some sleep"
- "Let's get out of here"
Não sei qual o rigor desta afirmação, mas na verdade, são duas frases que qualquer cinéfilo já terá ouvido dezenas de vezes. E por serem tão triviais em situações narrativas de filme, não memorizamos em que filmes as ouvimos (pelo menos eu não me lembro de imediato em que filmes já ouvi, dezenas de vezes, estas duas frases - mas sei que já as ouvi muuuuuitas vezes).

Federico e Giuletta


Federico Fellini coloca uma manta nas costas da actriz (e companheira) Giulietta Masina, num intervalo da rodagem do filme "A Estrada" (1954). O olhar triste de Giuletta é intrigante...

"Casablanca" - A força de um Hino


Poucas vezes um hino nacional (aliás, dois) terá tido tanto impacto emocional e representação simbólica como na célebre sequência do filme "Casablanca" (1942) de Michael Curtiz. Filme mítico realizado no auge criativo da era dourada de Hollywood, "Casablanca" é uma obra repleta de momentos únicos que se incluem na memória cinéfila de gerações: Bogart e Bergman como o casal apaixonado mas separado por forças maiores; as frases "teremos sempre Paris", "Play As Times Goes By!", "isto é o início de uma bela amizade"; o ambiente do café Rick's...
Mas há um momento que supera todos os outros que se torna arrebatador e cheio de simbolismo político e ideológico: a cena em que os soldados alemães cantam o hino nacional da Alemanha e a subsequente reacção do resistente Victor Laszlo (actor Paul Henrid) a obrigar a orquestra residente a interpretar eloquentemente "A Marselhesa".
Aquela disputa musical entre franceses e alemães é de uma energia incomparável. Nota-se no rosto dos personagens (sobretudo Ingrid Bergman) a enorme tensão emocional, reflecte-se naquelas vozes uma raiva incontida contra a Guerra e a ocupação Nazi. A pujança musical (e da inerente letra) do hino francês acaba por destronar os oficiais alemães, numa simbólica e passageira vitória moral. A música como arma de guerra. Memorável.
Ver aqui.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Nick Cave em registo de paródia

O novo single da banda Grinderman de Nick Cave, "Heathen Child", tem direito a videoclip (o álbum "Grinderman 2" será editado em Setembro).
Só que não sei o que passou na cabeça de Nick Cave - e do realizador - para conceber tamanha bizarria visual verdadeiramente inclassificável.
Depois de ver esta trip surreal e satírica, fico ainda sem saber o que dizer ao certo. Só vendo. É pura paródia kitsch, porque levado a sério ninguém acredita na coisa.

O cinema pedagógico de Luís Buñuel


No mundo académico são habituais as teses sobre pensadores, cientistas, filósofos, escritores, investigadores. O que já não é muito habitual é haver estudiosos que dediquem o objecto da sua investigação a um cineasta em particular, menos ainda, a um cineasta tão particular como o espanhol Luís Buñuel.
Foi o que fez o professor Vítor Reia-Baptista, na altura na Universidade do Algarve. O título da tese de mestrado, escrita em inglês, é certeiro e pragmático: “The Heretical Pedagogy of Luis Buñuel - A Study of the Pedagogical Character of the Heresies and Moralities in the Cinema of Luis Buñuel”. Nunca me teria lembrado de olhar o cinema de Buñuel pela perspectiva pedagógica (ainda que herética), pelo que esta tese publicada na Biblioteca On-Line de Ciências da Comunicação da Universidade da Beira Interior se torna interessante de ler para os estudiosos do cinema e para meros curiosos na obra de um dos mais provocadores realizadores de sempre.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

A canção matinal de Bowie

O que têm em comum nomes da música tão diferentes como The Young Gods, David Bowie, Teresa Stratas, Dalida, Ute Lemper, The Doors, Allison Moorer, Marilyn Manson e The Wandering Bards? O ponto em comum é o facto destes grupos/músicos terem feito versões da célebre canção "Alabama Song (Whiskey Bar)" de Kurt Weill (colaborador de Bertolt Brecht em várias óperas e musicais). Neste excerto de um concerto ao vivo de David Bowie, o autor de "Low" começa por dizer que, quando estava a viver em Berlim, cantava todos os dias ao pequeno almoço esta canção. Convenhamos que se trata de uma inspirada versão do clássico de Kurt Weill.

Cubehead

"Os cérebros trabalham melhor quando estão hidratados."
É este o mote para este desconcertante spot publicitário: a cabeça como um cubo Rubik.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

15 de Agosto de 1979 - Apocalypse Now


No dia 15 de Agosto de 1979 estreava nos EUA "Apocalypse Now", a obra-prima (ou uma das obras-primas) de Francis Ford Coppola. Foi no Festival de Cinema de Cannes desse ano que Coppola proferiu, numa conferência de imprensa, uma das frases mais célebres alguma vez ditas acerca de um filme: "Este não é um filme sobre o Vietname, este filme é o próprio Vietname" (o cineasta referia-se às tremendas dificuldades de realização e de produção deste filme que lhe provocou a ruína financeira, cinco anos de desgaste infernal, tentativas de suicídio, tempestades tropicais que destruíram os cenários, doenças na equipa, ataques cardíacos de Martin Sheen e caprichos infindáveis de Marlon Brando).

Lembro-me como se fosse hoje, mas já foi há mais de 20 anos. Entrei na sala de cinema, num Cine-Teatro outrora majestoso e na altura decadente, e fiquei agarrado à cadeira logo nos primeiros 10 minutos de filme. Era um jovem saído da adolescência e não estava preparado para o impacto emocional que foi ver, em ecrã gigante e numa sala quase vazia, esse monumento chamado "Apocalypse Now".
Não vou discorrer banalidades sobre uma obra-prima já milhentas vezes comentada por críticos de cinema, historiadores e cinéfilos. Mas a história do cinema também é feita das estórias vivenciadas pelos espectadores. E ver o filme de Francis Ford Coppola foi uma dessas fortes experiências. É um filme denso e complexo sobre a guerra e suas motivações, mas é também um filme sobre a negritude da mente humano e da loucura que se apodera dela (ou não fosse o filme inspirado no livro "O Coração das Trevas" de Joseph Conrad).
A viagem do Capitão Willard (espantoso Martin Sheen) pelo coração da selva do Vietname à procura do Coronel Kurtz (espantoso Marlon Brando), é uma viagem de expiação e de sacrifício. E se me perguntarem qual a voz off mais marcante de toda a história do cinema, só poderei citar a de Martin Sheen, que nos agarra logo quando começa o filme a dizer: "Saigon... shit; I'm still only in Saigon... Every time I think I'm gonna wake up back in the jungle."

Há dezenas de cenas e sequências que poderiam ser abordadas (e não se resumem ao célebre ataque de helicópteros ao som de Wagner), mas o início do filme é especialmente prodigioso, uma conjugação perfeita entre som e imagem. Aliás, é quanto a mim, um dos mais intensos inícios de filme jamais concebidos (7 minutos): o arranque do filme sem créditos, plano fixo das selva, silêncio primeiro, ruído das pás dos helicópteros depois, fumo que surge paulatinamente, voz de Jim Morrison a cantar "This is the End" ao mesmo tempo que vemos explosões de napalm. De seguida, surge o capitão Willard (Sheen) "à espera em Saigão". O desespero patente no rosto de Willard manifesta total desorientação mental e emocional - gestos descoordenados, olhar alienado, bebida e cigarros a rodos, a música dos Doors cada vez mais intensa e poderosa, a deambulação pelo quarto...
De repente, Willard dá um murro no espelho, corta-se, contempla a sua mão ensanguentada, rebola pela cama em choro desesperado, enquanto a música atinge o clímax de intensidade. O incrível é que toda esta intensa sequência foi a última a ser filmada por Coppola (apesar de abrir o filme) e Martin Sheen encontrava-se, na realidade, alcoolizado e à beira do total esgotamento emocional. O que vemos nesta sequência não estava no guião, foi toda improvisada e factual - Sheen não estava a representar, estava realmente a viver aqueles momentos de total desnorte emocional (como que a ressacar de toda a angústia por que passara ao encarnar a personagem Willard). Os assistentes do realizador quiseram interromper as filmagens temendo pela saúde de Martin Sheen, mas Coppola não autorizou. E o resultado é deveras pungente, mais a mais, sabendo que Sheen teve um ataque cardíaco no meio das tempestuosas filmagens.
"Este filme não é sobre o inferno do Vietname, este filme é o próprio inferno do Vietname", dizia Coppola.
Ao rever o filme com a mesma ansiedade da primeira vez, percebe-se porquê. E nem é preciso visionar o filme todo, basta ver a sublime sequência de abertura de peregrinação às trevas da alma:


Posters minimalistas

E se certos filmes famosos fossem alvo de uma reciclagem sob a perspectiva da arte minimalista? Como seriam, por exemplo, os respectivos posters publicitários e de marketing? Seriam como estes exemplos apresentam (para quem conhece os filmes não é necessário "explicar" o grafismo):
"Reservoir Dogs"

"The Shining"

"The Deer Hunter"
Mais exemplos (também de séries televisivas), aqui.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Discos que mudam uma vida - 114


Philip Glass - "Songs From Liquid Days" (1986)

A lição de vida de "Toy Story 3"


"Toy Story 3" confirma as altíssimas expectativas criadas. A Pixar elevou o padrão de qualidade que já tinha revelado nos dois anteriores filmes desta sublime trilogia. A nova - e derradeira - aventura de Woody, Buzz Lightyear e restante grupo de amigos, mostra porque é que a Pixar demora tantos anos a realizar um novo filme de animação. Animação que é divertimento e entretenimento (para crianças e adultos), mas também expressão inequívoca de cinema entendido como arte.
Isto porque "Toy Story 3" contém sólidos argumentos para competir com os melhores filmes de acção real da actualidade. Há mais cinema nalgumas sequências desta película de animação do que em muitos filmes de Hollywood.
É fabulosa a forma como "Toy Story 3" explora vários géneros cinematográficos: o western (com o vertiginoso início, que relembra os westerns de John Ford filmados em Monument Valley); o drama (quando os Woody e Buzz se interrogam sobre o futuro incerto); a comédia (os numerosos gags no infantário, a relação Barbie-Ken); o thriller (a luta do bem contra o mal); e a acção (a sequência da fuga do infantário e da central de processamento de lixo num ritmo imparável com muita emoção à mistura - como no momento em que os brinquedos caminham, sem salvação à vista, para o fogo da incineradora do lixo).
Apesar de não ser propriamente inovador, o argumento está bem construído. A animação é simplesmente perfeita, e o 3D, subtil mas eficaz, aumenta a qualidade visual e plástica do filme. A banda sonora, do habitual Randy Newman é magnífica, revelando um sábio e experiente equilíbrio entre o drama, a comédia e o suspense.
No meio de tanta diversão e deslumbramento visual, o filme da Pixar revela a inevitável mensagem. Esta surge no comovente e inesquecível final, à altura dos grandes finais dramáticos da história do cinema – uma genuína e verdadeira lição de vida, generosidade, amizade, união, companheirismo, honestidade e inocência. Valores que são quase tratados como mesquinhos e fúteis no cinema contemporâneo de acção real. "Toy Story" pode ser um filme sobre brinquedos, mas a metáfora sobre o mundo dos humanos é sempre presente.
A trilogia "Toy Story" é mesmo isto: três belos filmes concebidos num período de 15 anos numa maravilhosa viagem pela imaginação, aventura, divertimento, infância e o mundo adulto.
"Para o infinito e mais além!"

terça-feira, 3 de agosto de 2010

As perguntas dos filmes

Há certos filmes nos quais, em certas cenas ou mesmo em todo o filme, uma pergunta motiva toda a acção. Uma pergunta dita por algum personagem que imprime dramatismo, humor, medo, inquietação...
Exemplos: "Why So Serious?" - a pergunta que serviu de mote ao thriller de acção "The Dark Knight". "Are you Sarah Conner?" em "Terminator". Ou "What do you mean I'm funny? Funny How?" de "Goodfellas" (que eu abordei aqui).
Esta lista compila dez perguntas essenciais em outros tantos filmes. Só me parece que faltaria incluir uma pergunta determinante: aquela que Travis Bickle fez em "Taxi Driver": "Are you talkin' to me?"

Woody Allen: universo gráfico

Há uns tempos li que o realizador Woody Allen era uma das figuras artísticas contemporâneas mais representadas graficamente. Sobretudo por caricaturistas e cartoonistas.
Eis alguns exemplos:






segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Dois livros para compreender melhor o cinema


Num mundo superpovoado de imagens, quais os critérios para avaliar as imagens verdadeiras das inúteis? Que valor e impacto tem uma imagem da televisão face a uma outra do cinema ou da internet? Que mecanismos devemos ter para compreender e interpretar as múltiplas configurações que a imagem contemporânea adquire na sociedade rápida da velocidade tecnológica e digital? Que dinâmicas visuais existem na cultura audiovisual e de que forma enriquecem ou empobrecem a nossa experiência social, comunicacional e estética?
Estas e muitas outras perguntas são respondidas neste esplêndido livro "Compreender o Cinema e as Imagens" das Edições Texto & Grafia. Um livro que reúne um conjunto vasto de ensaios e textos críticos de diversos especialistas mundiais na área do cinema e da comunicação audiovisual (com organização de René Gardies).
O livro é de grande interesse não só pela forma como analisa os aspectos essenciais relativos à linguagem do cinema (com muito exemplos de análise e de imagens), como também pela opção de integrar, no contexto da cultura audiovisual contemporânea, a imagem produzida pelos meios tecnológicos que revolucionaram a comunicação actual: vídeo, Internet, televisão, publicidade, telemóveis...).
"Estética da Montagem" pretende traçar um panorama das diferentes concepções da montagem ao longo da história do cinema, e propor uma análise desta técnica em numerosos domínios de representação. O autor ilustra a sua exposição com exemplos de montagens de filmes, especialmente de autores como Orson Welles, Alain Resnais ou Maurice Pialat, mostrando em que medida a evolução das técnicas e das práticas de montagem influencia a estética dos filmes.
Estes dois livros inserem-se na colecção "Mi-Mé-Sis", vocacionada para a divulgação das artes do espectáculo e suas distintas formas de expressão e de contaminação (a colecção integra outros títulos sobre a relação entre o cinema ou sobre o argumento no cinema). Escrito numa linguagem fluente, nada técnica ou académica, e com grande rigor formal, este dois livros são, sem dúvida, um precioso auxiliar para especialistas ou meros interessados na compreensão do fenómeno pluridimensional das imagens.
Livros à venda na Fnac.