domingo, 16 de dezembro de 2012

Kubik e "Basso Profondo"

O meu projecto Kubik apresenta um novo trabalho: "Music For Trevor Reznik". Trata-se de um EP com 6 novos temas com forte influência do imaginário cinematográfico (Trevor Reznik é o nome da personagem de Christian Bale no filme "O Maquinista" de Brad Anderson, 2004).
O EP será editado brevemente na netlabel MiMi Records. Para já, o tema de avanço: "Basso Profondo", com base no registo vocal mais grave dos cantares da Rússia: 

sábado, 15 de dezembro de 2012

Metropolis, a revista

Já está disponível online a nova edição da revista digital Metropolis, provavelmente, a melhor publicação sobre cinema actualmente em Portugal.
Nota: o jornalista Nuno Galopim escreveu uma interessante reportagem sobre a Trilogia Qatsi que eu no post mais abaixo mencionei.
Para ler a revista online ou fazer o respectivo download, é favor carregar aqui.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Polanski e a Prada

Já não é de agora que realizadores consagrados fazem pequenos anúncios para o mundo da publicidade. Há muitos anos que tal acontece. 
David Fincher, Martin Scorsese ou David Lynch, são apenas três cineastas famosos que já realizaram spots publicitários para grandes marcas internacionais. Roman Polanski é o último exemplo: há uns meses realizou um spot publicitário (de título "Prada Suits Everyone") de pouco mais de 3 minutos para a prestigiada marca de luxo Prada. 
A história é simples e tem quase, quase, a dimensão de curta-metragem: Helena Bohnam Carter é uma paciente que visita o consultório do psiquiatra Ben Kingsley. A paciente descalça os seus sapatos Prada, deita-se no divã e começa a debitar as suas angústias (é uma mulher solitária e tem pesadelos), enquanto Kingsley começa a fixar o seu olhar no exuberante casaco de pêlo que ela trazia vestido.
Polanski atribui ao final deste pequeno filme um toque irónico (quase cínico) colocando a nu, de certo modo, o fascínio que a ostentação do luxo provoca em mentalidades mais, digamos, susceptíveis. Mesmo na mentalidade de um suposto psiquiatra...

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Trilogia Qatsi em Blu-Ray

Eis uma boa notícia para coleccionadores de edições especiais: com a extrema qualidade da editora Criterion Collection, acaba de ser colocada à venda a fantástica "Trilogia Qatsi" em Blu-Ray. Esta  trilogia de filmes representa uma revolução na linguagem audiovisual contemporânea. 

Com a herança da linguagem visual das primeiras experiências do documentário sem palavras de Dziga Vertov, Hilary Harris ou Walter Ruttmann, o realizador Godfrey Reggio preconizou uma nova forma de olhar as imagens e ouvir os sons, propondo uma nova relação expressiva entre ambos meios de comunicação e criando uma verdadeira obra de arte audiovisual. 

Com a música sublime de Philip Glass, Godfrey Reggio mostra-nos um mundo saturado de imagens pré-fabricadas, fruto da sociedade hiper-acelerada e materialista, uma sociedade onde a Natureza foi suplantada pelo advento maciço do modelo de vida moderno tecnológico e digital. Ao mesmo tempo uma meditação hipnótica em imagens e música e uma crítica feroz ao estilo de vida alienado do homem moderno, esta trilogia produz no espectador um impacto que tem tanto de emocionante como de atordoador. "Koyaanisqatsi" (1983), "Powaqqatsi" (1988) e "Naqoyqatsi" (2002), cada um à sua maneira, cada um com um notável ângulo de visão sobre o homem e a natureza, são filmes de uma beleza estonteante, uma viagem espiritual e fascinante que será, certamente, potenciada com a qualidade digital (som e image) proporcionada pelo Blu-Ray. eu já tinha adquirido há uns anos esta trilogia em DVD, numa cara edição estrangeira. Agora sinto-me compelido a comprar esta irrepreensível edição da Criterion...
É que a edição da Criterion, que pode ser vista aqui, não se resume aos três filmes. Contém um magnífico lote de extras que fará as delícias do cinéfilo mais exigente: documentários, making of, entrevistas aos criadores, ensaios de análise, fotografias, etc.
Esta obra, dado o seu enorme valor artístico, faz parte da colecção permanente do The Museum of Modern Art (Nova Iorque) e do The British Film Institute (Londres).

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Elvis e os Monty Python




No documentário que a RTP2 tem estado a passar sobre os Monty Python ("Monty Python - Quase a Verdade") é revelado algo que não me passaria pela cabeça facilmente: um dos grandes fãs do grupo de humor negro britânico foi... Elvis Presley. Esse mesmo, o "Rei do Rock".
O filme preferido de Elvis era "Monty Python em Busca do Cálice Sagrado" (1975) e, especialmente, a cena em que o Cavaleiro Negro luta com o Rei Artur - um momento verdadeiramente de humor nonsense e negro dos Monty Python (ver vídeo).
Consta que Elvis se desmanchava a rir feito louco sempre que via esta cena do filme. Mais: quando se magoava por qualquer motivo dizia sempre a frase "É só um ferimento superficial!", expressão utilizada neste impagável momento do filme.
Pode ser preconceito meu, mas não imaginaria Elvis Presley, nos seus últimos anos de vida, a gostar desta forma do humor iconoclasta dos Monty Python...

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Um disco seminal do rock

Na lista dos "50 Discos Que Toda a Gende Deve Ouvir" elaborada pelo semanário Expresso, há um destaque a um disco que me é muito especial (marcou-me como melómano e influenciou-me como músico). Trata-se de "The Ascension" (1981) de Glenn Branca. O texto referente a este disco é assinado pelo crítico João Lisboa que, sabiamente, o considera fundamental para compreender as últimas décadas de história do rock (curiosamente, contrapõe esta obra de Branca com os 4'33'' de silêncio de John Cage).
Ora, porque é que este disco é tão especial e importante? Basicamente, porque, em 1981, Glenn Branca, em plena era revolucionária do movimento No Wave, esventra por dentro a estética do rock e explora novos domínios sónicos e sonoros. Com base em quatro guitarristas (dois dois quais elementos dos futuros Sonic Youth), um baterista e um baixista, Glenn Branca criou um rock instrumental de pendor formal quase sinfónico, recorrendo a riffs minimalistas e ritmos quase de um rigor mecânico (herança do Krautrock).
"The Ascension" é, por isso, um disco extremamente influente e visionário, prenhe de uma intensidade e de uma densidade completamente original à altura. Sem este disco e sem a visão iconoclasta do rock de Branca, não teria havido Sonic Youth, My Bloody Valentine, The Jesus & Mary Chain, Spacemen 3, e tantos e tantos outros grupos que recorreram à guitarra eléctrica como fonte de explosão sonora.
Em 2006 tive a oportunidade de entrevistar telefonicamente o músico Glenn Branca para a revista Mondo Bizarre. O resultado da entrevista pode ser lido abrindo este link.
Entretanto, caro leitor, aumente o volume dos altifalantes e carregue em play para ouvir (se conseguir) na íntegra esta obra fulminante da história do rock:

domingo, 9 de dezembro de 2012

O papel da Alma

Em 1979, um ano antes de falecer aos 80 anos, Alfred Hitchcock recebeu a tão merecida homenagem do American Film Institute por toda a sua carreira. Dedicou da seguinte forma o prémio:
Peço autorização para mencionar quatro pessoas que me têm ajudado por todo o seu carinho, reconhecimento, apoio e constante colaboração. A primeira das quatro é uma montadora cinematrográfica, a segunda é uma guionista, a terceira é a mãe da minha filha Pat, e a quarta é a cozinheira mais notável que conheci; e o nome das quatro pessoas é Alma Reville. Sem a maravilhosa senhora Reville, com quem estou há 53 anos, seria possível que eu não estivesse agora nesta sala a receber este prémio. Ou melhor, poderia estar nesta sala, mas como um dos empregados de mesa mais lentos da história. Por isso quero compartilhar este prémio, como tenho compartilhado a minha vida, com ela.
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Alma Reville morreria dois anos após o desaparecimento de Hitchcock.
 

sábado, 8 de dezembro de 2012

A velhice

No suplemento cultural Ípsilon do jornal Público, o grande destaque foi dado ao filme "Amor" de Michael Haneke.
Na entrevista, há uma pergunta (e consequente resposta) que destaco em especial:
- Porquê este filme sobre a morte nesta altura da sua vida?
- Porque fui confrontado com o sofrimento de um familiar ao qual tive de assistir sem poder fazer nada. Foi uma experiência dolorosa que me levou a abordar a questão em termos fílmicos. Não há ninguém que não seja afectado por ela na sua vida, razão pela qual creio que muita gente vá achar este filme mais acessível que outros que fiz. O envelhecimento e a decadência são temas que nos dizem respeito a todos. No entanto, a sociedade suprime do nosso campo de visão tudo o que tenha a ver com a velhice. Tudo acontece por trás de portas fechadas. É terrível que assim seja, e é por isso que a arte tem de se ocupar do tema.
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Michael Haneke tem razão quando refere que o envelhecimento é um processo da vida considerado tabu e que o cinema deve abordá-lo sem preconceitos. E é raro hoje em dia ver bons filmes sobre velhos e a velhice, como se fossem fenómenos alheios à vida quotidiana.
Porém, há dois anos escrevi um post dizendo que gosto de filmes de (e sobre) velhos e expliquei porquê. Quem quiser ler, é favor clicar aqui.
Quanto ao "Amor" de Haneke ainda não tive a feliz oportunidade de o ver...

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A carta de dez em dez anos

Depois de ter realizado "Este Obscuro Objecto de Desejo" (1977), Luis Buñuel retirou-se do cinema. Estava cada vez mais surdo e a saúde começava a faltar-lhe. Sempre fora um grande bebedor e fumador e, apesar da sua enorme resistência, começou a sofrer de diabetes e de cancro do fígado. Por outro lado, sentia a memória fugir-lhe e por isso ainda foi a tempo de escrever a sua (brilhante) autobiografia três anos antes de morrer (1983): "O Meu Último Suspiro".
Em Novembro de 1982, o também muito combalido Salvador Dalí (a sua mulher e diva Gala morrera em Junho desse ano), tentou convencer Buñuel a regressarem ambos ao trabalho (estiveram zangados décadas sem se falarem). 
Para tal, enviou-lhe a seguinte mensagem: "Querido Buñuel: de dez em dez anos envio-te uma carta com a qual não estás de acordo, mas eu insisto. Esta noite concebi um filme que podemos fazer em dez dias, não a propósito do demónio filosófico, mas do nosso diabozinho. Se te apetecer, vem ver-me ao castelo de Púbol. Um abraço, Dalí".
E a resposta seca de Buñuel foi: "Recebi os teus dois telegramas. Fantástica a ideia do filme, mas retirei-me do cinema há cinco anos e quase não saio de casa. É uma pena. Um abraço, Buñuel".
Oito meses depois, Luis Buñuel morreu...
 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Filmes de Natal (ou talvez não)

Do que falamos quando falamos de "filmes de Natal"? Filmes cujas histórias decorrem no Natal? Filmes que fazem uma alusão breve ao chamado espírito natalício? Ambas as coisas?
Classificações à parte, creio que não é difícil encontrar bons filmes que abordem os sentimentos habituais associados à quadra natalícia: o amor, a concórdia, a solidariedade, a esperança, a paz, a espiritualidade.
Eis alguns exemplos:

"Eduardo Mãos de Tesoura" (1990) de Tim Burton - uma belíssima história que preenche todos os requisitos do sentimento natalício mais genuíno. E belíssima é a música de Danny Elfman com as imagens da neve a cair ao som das tesouradas de Eduardo...

"It's a Wonderful Life" (1946) de Frank Capra - inesquecível clássico de Frank Capra sobre um homem que recupera o sentido da vida na noite de Natal.

"Milagre da Rua 34" (1947) de George Seaton - apesar das diversas versões para cinema e televisão, este é o filme original e verdadeiro. A relação de uma menina que não acredita no Pai Natal e o Pai Natal que diz que é o verdadeiro... Pai Natal.

"The Muppet Christmas Carol" (1992) de Brian Henson - o primeiro filme dos Marretas feito após a morte do seu criador, Jim Henson. Talvez não tenha sido por acaso que resultou neste divertido e ternurento filme de Natal (a partir do conto "A Christmas Carol").

"Nightmare Before Christmas" (1993) de Tim Burton - Um filme que tanto é sobre o Natal como sobre o Halloween. O meu preferido de todos, com a magia da animação, a comovente história de tolerância e a estonteante música de Danny Elfman.

"The Grinch" (2000) de Ron Howard - um remake de um filme clássico sobre Grinch, o monstro (adorável) que quer roubar o Natal às criancinhas. Divertido e didáctico.
"Bad Santa" (2003) de Terry Zwigoff - Se há um Pai Natal, também há um Anti-Pai Natal, encarnado com irrefutável cinismo e perversão por Billy Bob Thornton.

"Eyes Wide Shut" (1999) de Stanley Kubrick - Não é um filme de Natal, é o reverso do filme de Natal. Não esqueçamos que toda a história do filme de Kubrick se desenrola no período natalício. O lado negro, obsessivo e maníaco das emoções humanas... em época natalícia.

"Umberto D" (1952) de Vittorio De Sica - Não se passa sequer na época natalícia. Mas apela, profundamente, aos mais essenciais sentimentos emanados pelo espírito natalício. A comovente história de um velho reformado que vive sozinho e desamparado com o seu adorado cão. Não é no Natal que se deve apelar à solidariedade, não esquecendo os idosos? Então este é o filme certo para tal.

Coppola: o descanso do guerreiro


É triste

É com uma certa estupidez e até embaraço que admito que ainda vi poucos filmes de Pasolini e Fassbinder. Eu sei, é triste. E é algo que tenho de rectificar urgentemente.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

"Samsara"

Se há filmes que merecem - e têm - de ser vistos em grande ecrã, numa sala escura e com as melhores condições de imagem e som, este é seguramente um deles: "Samsara" de Ron Fricke. O mesmo realizador que fez o magnífico "Baraka" (1992), aventurou-se num incrível projecto de filmar em 25 países durante vários anos para captar a complexidade e essência do tempo, da natureza e do homem. 
À semelhança do que fizera com "Baraka", este "Samsara" é um documentário sem recurso a palavras, cuja mensagem é transmitida unicamente pelo poder das imagens e da música, resultando numa autêntica experiência imersiva para o espectador. 
Estreou há uns meses nos EUA e tem feito um percurso triunfal, recebendo excelentes elogios da crítica especializada e do público (apenas dois exemplos: "Sumptuous, thoughtful and profoundly gorgeous - one of the most immersive things the screen has shown us in years" ou "One of the best films of 2012: Samsara is a profound spiritual experience").
Diz-se que visualmente é arrebatador e eu acredito; não só porque a sensibilidade estética e plástica de Fricke já foi mais do que comprovada, mas também porque este documentário foi filmado num formato raro hoje em dia: o imponente 70mm.
Infelizmente, duvido que "Samsara" estreie em salas portuguesas, visto que os distribuidores deverão achar que se trata de uma mera curiosidade "étnica" à moda da National Geographic. Nada mais errado: "Samsara" é, certamente, uma prova das potencialidades estéticas que o cinema, enquanto arte, tem ainda para oferecer (e surpreender) ao mundo.
Site oficial.

Playtime #81

A solução: "The Machinist" (2004) - Brad Anderson
Quem descobriu: Emanuela Siqueira

domingo, 2 de dezembro de 2012

Notas de Bresson #24

"Cinema, rádio, televisão e revistas são uma escola de desatenção: olhamos sem ver, ouvimos sem escutar."

sábado, 1 de dezembro de 2012

Parabéns, Woody

Woody Allen comemora hoje 76 anos de idade. Parabéns, Woody. E que se concretize o teu desejo expresso de continuar a fazer filmes até atingires a bela idade do nosso Manoel de Oliveira. 

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Não gosto...


Não gosto de ouvir mexer e mastigar pipocas ao meu lado na sala de cinema.
Não gosto de levar com gargalhadas histriónicas do espectador ao meu lado.
Não gosto da dificuldade de retirar o papel celofane dos CDs e de embalagens de gadgets.
Não gosto do excesso de publicidade dos canais televisivos durante os intervalos das séries ou filmes.
Não gosto das músicas que acabam em ‘fade-out’.
Não gosto das músicas com solos intermináveis de guitarra ou de 'gritinhos' estridentes do vocalista.
Não gosto de ler livros com mais de 500 páginas e com menos de 60.
Não gosto de revivalismos musicais serôdios e inconsequentes.
Não gosto de ver sempre os mesmos clichés nos filmes de acção.
Não gosto de telenovelas nem de séries juvenis.
Não gosto de sair da sala de cinema logo que o filme termina.
Não gosto de ouvir rádio que passa sempre as mesmas músicas durante anos.
Não gosto de locutores ignorantes que querem passar por inteligentes.
Não gosto da cultura imposta pela sociedade de consumo e do espectáculo.
Não gosto de ler poesia que não comunica com o leitor.
Não gosto de filósofos herméticos e impenetráveis.
Não gosto da quantidade absurda de livros editados por dia em Portugal.
Não gosto de ver as prateleiras das livrarias abarrotadas de best-sellers.
Não gosto de certos filmes menos inspirados de Woody Allen.
Não gosto de quem não gosta de discos de vinil.
Não gosto da exploração comercial de sequelas e prequelas.
Não gosto dos preços excessivos das caixas de DVD de colecção.
Não gosto de canções lamechas e de filmes lamechas.
Não gosto da música em alto volume nos espaços públicos.
Não gosto da presença da televisão nos restaurantes.
Não gosto de ouvir “Eu ouço todos os tipos de música”
Não gosto de ficar decepcionado com um filme ou um disco que julgava excelente.
Não gosto de comentários autoritários e ‘sabidões’ sobre um filme.
Não gosto de quem não aceita a opinião contrária.
Não gosto de filmes "franchizados".
Não gosto de ver animais “morrer” no cinema.
Não gosto de políticos vendidos, evangelizadores, padres moralistas, falsos messias, vendedores da banha da cobra, economistas presunçosos, delatores, neo-liberais e pseudo-intelectuais de esquerda.
Não gosto…
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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

12 questões pertinentes a Woody Allen

O realizador Robert B. Weide realizou um documentário, há dois anos, sobre Woody Allen intitulado, simplesmente, "Woody Allen: A Documentary".
Nesse documentário, para além de uma retrospectiva da obra e vida de Allen, o cineasta de Nova Iorque submeteu-se a uma curiosa sessão de perguntas. Perguntas nada vulgares que revelam melhor o pensamento e gostos de Woody Allen.
Sabia que, se tivesse de optar entre o cinema e o desporto, Allen escolheria o desporto? E que preferia ter sido um grande músico a um grande realizador?
Eis 12 respostas a 12 curiosas questões.

Para os amantes da FC

"Qual a data de nascimento do cinema de ficção científica? Que formas foi adquirindo até se impor como género autónomo, com uma linguagem e filosofia próprias? 
E que olhares nos propõe sobre o mundo que nos rodeia, que projeções sugere sobre outros mundos, prováveis ou hipotéticos, razões das humanas angústias e deslumbramentos? 
Desde os seus inícios como género na América dos anos 1950, todas as facetas deste cinema são aqui descritas e analisadas por ângulos inovadores. Graças a numerosos exemplos, descobrimos como, do medo atómico dos anos da guerra fria à emergência do cyberpunk trinta anos mais tarde, os filmes de ficção científica nos elucidam sobre a evolução tecnológica, estética e social das respetivas épocas. 
Num segundo tempo, a obra propõe uma tipologia das figuras visuais e narrativas, desde as imagens do espaço ou do extraterrestre até à crítica social e política, e mostra quanto este género cinematográfico, que é também criação de um mundo, se fundamenta na desorientação do homem face às suas próprias referências."
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Éric Dufour é professor na Universidade de Grenoble. Especialista em Estética, tem escrito várias obras sobre música e cinema.
Nota: o livro está à venda na Fnac por 22€ e na Wook por 19,80€

terça-feira, 27 de novembro de 2012

5 anos

Faz hoje 5 anos que começou a aventura do blogue O Homem Que Sabia Demasiado. 
O balanço é positivo: ao fim destes 5 anos, contabilizam-se 3580 publicações, 600 seguidores, 9 mil comentários de leitores, 568 mil visitas e 930 mil páginas visionadas.
Tenho consciência que o blogue passou por altos e baixos (a média de 100 posts por mês já lá vai!), por momentos de maior e menor inspiração (ao ponto de, nos piores momentos, ter achado que seria o fim do blogue). No entanto, apesar do menor fulgor de agora, continuo a ter prazer em escrever sobre o que gosto e não gosto nas diversas áreas culturais. Sinto que O Homem Que Sabia Demasiado continua a ser um espaço de partilha profícua na blogosfera.
O blogue foi nomeado duas vezes para prémios nacionais na categoria de Melhor Blogue de Cinema e vai constar num livro - a ser publicado brevemente - sobre a blogosfera portuguesa. Se acabasse agora, tinha o sentimento de ter feito um trabalho minimamente honroso e de valor.
Obrigado aos leitores que continuam a manter este espaço vivo. E um especial obrigado aos seguidores do Brasil, que representam quase 30% dos leitores deste blogue.

domingo, 25 de novembro de 2012

A poesia de Tarkovski (pai e filho)

A propósito da poesia de Arseni Tarkovski (que reproduzi num post há dias), pai do realizador Andrei Tarkovski, descobri uma entrevista realizada pelo jornal espanhol ABC (2002) à irmã do cinestas russo, Marina Tarkovskaia, na qual aborda a poesia do pai e a relação com os filmes do irmão:
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Desconhecia a poesia do seu pai. Pode falar-me dela?
Marina Tarkovskaia: Desde pequeno, Andrei e eu conhecíamos a poesia do meu pai, ainda que no regime soviético não se podia publicar os seus poemas porque ele não elogiava o partido Comunista nem Estaline. O seu primeiro livro devia ter sido publicado depois da segunda Grande Guerra mas quando já estava pronto, o Partido Comunista proibiu a sua edição. Só em 1962, quando tinha 55 anos, o meu pai conseguiu editar um livro. Chamava-se "Antes Que a neve Caia". O curioso é que nesse mesmo ano o meu irmão Andrei ganhou em Veneza com "A Infância de Ivan". Comecei a a conhecer mais a fundo a sua poesia mais tarde, quando compreendi que era um grande poeta.
 
Quais são os principais temas poéticos que aborda o seu pai?
Marina Tarkovskaia: Os mesmos temas que o Andrei abordava nos seus filmes. Os mundos criativos dos dois estão entrecruzados ao longo dos anos. Não é nenhuma surpresa se a poesia do meu pai está incluída nos filmes do meu irmão, como é o caso de "Stalker", "Nostalgia" e "O Espelho". O tema central destes filmes é o conhecimento de si mesmo. O meu pai tem poemas muito belos que falam de patriotas e de patriotismo, mas não no sentido social e propagandístico na velha tradição da União Soviética, mas numa perspectiva cultural

Discos que mudam uma vida #173

David Holmes – "Let’s Get Killed" (1997)

sábado, 24 de novembro de 2012

"On earth there is no death"

On earth there is no death.
All are immortal.
All is immortal.
No need to be afraid of death at seventeen
Nor yet at seventy.
Reality and light Exist, but neither death nor darkness...
All of us are on the sea-shore now,
And I am one of those who haul the nets
When the shoal of immortality comes in.

Arseny Tarkovsky

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Packs DVD a preço módico

Várias vezes me queixo do preço exorbitante dos DVD vendidos em Portugal. E não me estou a referir aos DVD de importação, compreensivelmente mais caros, mas sim às edições nacionais. Uma das editoras que sempre praticou um política de preços elevada é a Costa do Castelo. Apesar da qualidade do seu catálogo ser inquestionável, os preços praticados (sobretudo com caixas de cinema clássico de coleccionador) sempre foram altos e raramente (talvez nunca) alvo de promoções ou descontos especiais. 
Ora, o panorama mudou - para benefício do cinéfilo. Finalmente, a Costa do Castelo faz uma promoção de alguns títulos clássicos da sua preciosa colecção, como são os packs de filmes do John Ford, do Antonioni, do Dreyer ou do Ophüls. Packs que anteriormente custavam à volta de 60€, custam agora ao público uns módicos 15,99€.
É aproveitar, portanto.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Pedro Borges e o cinema

A morte do cinema, é verdade ou é retórica?
Isso é para as pessoas se entreterem. O grande cinema deixou de ser arte popular. Se o John Ford ou o Hitchcock hoje fizessem filmes, não tinham espectadores nenhuns. Mas não foram os filmes que mudaram, foram as pessoas. O tempo de filas, semanas a fio, para ver filmes do Bergman ou do Truffaut acabou.
Mas porque é que acabou? Foi o blockbuster?
Não, foram as pessoas. Havia um certo tipo de pessoas com estatuto cultural e social para quem era obrigatório ir ao cinema ver esse tipo de filmes (como hoje é obrigatório beber 3 litros de cerveja ao sábado à noite ou ir ao futebol dar urros) e que ficaram aliviadíssimas quando isso deixou de ser obrigatório.
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Quem responde assim, sem papas na língua, é Pedro Borges, conhecido produtor, exibidor e distribuidor cinematográfico, outrora responsável pela Atalanta e, actualmente, mentor da melhor editora de DVD do mercado: a Midas Filmes.
O site de cinema À Pala de Walsh entrevistou-o e aconselho a ler o resultado dessa entrevista, na qual Borges emite opiniões bem formadas e pertinentes sobre o mundo do cinema e tudo o que gira à sua volta.
Com larga experiência no mercado e com vastos conhecimentos do meio, Pedro Borges aborda sem rodeios o estado do cinema em Portugal e no estrangeiro. Para que conste.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Documentários à descrição

Este é o melhor site dedicado exclusivamente ao género documentário que conheço.
Possui milhares de documentários dos mais diversos tipos e temáticas: documentários sobre artistas, comédia, crime, ecologia, animais, música, religião, história, ciência, filosofia, política, sociedade, tecnologia, natureza, desporto, etc. Chama-se "Top Documentary Films" e neste site é possível visionar os documentários online.
Ou seja, trata-se de um colossal sítio de informação e de conhecimento que poderá interessar a muitas pessoas.
Link.
 

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Almodóvar em registo fantástico?

Pedro Almodóvar realizará um filme de... ficção científica inspirado no clássico do fantástico "The Invasion of the Body Snatchers"? Ao que parece, é mesmo verdade.

domingo, 18 de novembro de 2012

Hitchcock em Blu-Ray

Nos tempos que correm serão poucos os que não conhecem a filmografia de Alfred Hitchcock. Pelo menos, os seus filmes mais conhecidos. Ainda assim, para quem quiser conhecer mais a fundo e adquirir uma colecção de grande qualidade de filmes no formato Blu-Ray, nada melhor do que comprar a colecção "Alfred Hitchcok: The Masterpiece Collection". O título diz tudo: são 15 discos em Blu-Ray com 15 'obras-primas' de Hitchcock digitalmente restauradas (de 1942 a 1976), e ainda mais 15 horas de extras e um livro com fotografias e textos diversos.
O único aspecto menos interessante é o preço: 210 dólares na Amazon norte-americana.


sábado, 17 de novembro de 2012

70 anos. Parabéns, Mestre.

"Cinema is a matter of what's in the frame and what's out." 
 Martin Scorsese

Notas de Bresson #23

"Libertar-me dos erros e das falsidades acumuladas. Conhecer os meus meios, assegurar-me de eles".

David F. Wallace: a exigência


Há já algum tempo que tenho ouvido falar no escritor David Foster Wallace, considerado um génio literário maldito americano que se suicidou aos 46 anos.
O livro pelo qual recebeu elogios rasgados é o monumental "The Infinite Jest", "A Piada Infinita" na versão portuguesa" (edição Quetzal). Segundo refere a crítica especializada (como na edição desta semana do suplemento cultural Ípsilon do Público), trata-se de uma colossal e complexa obra literária em todos os sentidos: na forma e no conteúdo inovadores, representando, por isso, um dos grandes acontecimentos literários e editoriais do ano. São 1200 impressionantes páginas de uma escrita minuciosa e arrojada.
Sobre o livro, escreveu a jornalista Filipa Melo (Sol): "A Piada Infinita é um romance sobre depressão e várias outras desordens mentais e físicas, sobre família, consumos compulsivos, drogas, indústria do entretenimento, terrorismo e agências de segurança e mil outros subtemas explorados pelo autor com a minúcia de um pesquisador de nanopartículas. Por tudo isto, A Piada Infinita é um desafio ao qual poucos leitores conseguem aceder por completo, mas um feito extraordinário, que ficará na história da literatura."
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Tento acompanhar, na medida do possível, os fenómenos literários. Mas desta vez não vou aderir a este livro. Até o poderia comprar, mas sei que depois não teria tempo nem disponibilidade (mental e física) para mergulhar, concentrado, em tão intrincada obra literária. Sei-o porque já me aconteceu em anteriores situações, nomeadamente, com o livro "2666" de Roberto Bolaño e com o fantástico "As Benevolentes" de Jonathan Litell (e antes me acontecera com o clássico "Ulisses de James Joyce).
Ambas obras têm à volta de 1000 páginas e, apesar da indiscutível qualidade literária inerentes, não consegui ler mais do que umas 200. Acabei por sucumbir perante a monumentalidade e exigência formal destes livros (talvez um dia volte a eles num futuro próximo...).
Por isso não vou investir esforço e tempo para ler "A Piada Infinita", porque sei que este livro - como diz Filipa Melo - "é um desafio ao qual poucos leitores conseguem aceder por completo". Há escritores que colocam a fasquia demasiado alta para o leitor menos preparado e exigem dele entrega incondicional.
Pode ser que um dia consiga reunir coragem, tempo e devoção totais para "aceder por completo" a Wallace.
 

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Tarr: imperdível colecção

Tal como tinha anunciado anteriormente, já está disponível na Fnac, para encomenda, a magnífica caixa de DVD do realizador Béla Tarr. Mais: o preço previsto de 40€ foi alterado para 29,99€! Sem dúvida, um preço altamente recomendável e justo pela qualidade (e quantidade - 6 discos e 838 minutos de cinema!) desta edição.
A não perder uma das melhores colecções de DVD do ano.

Gostava...

- Gostava de ter vivido os anos de ouro do cinema clássico de Hollywood.
- Gostava de ter presenciado concertos de Charlie Parker, John Coltrane e Miles Davis em clubes nocturnos escuros e cheios de fumo de Nova Iorque de meados do século passado.
- Gostava de ter passeado nas ruas de Paris dos anos 1910 e 1920, no seio da agitação artística e cultural e ter tomado um café na esplanada do mítico Café de Flore.
- Gostava de ter ouvido ao vivo Maria Callas cantar a "Carmen" de Bizet.
- Gostava de ter assistido aos anos de criatividade fervilhante da "Factory" de Andy Warhol nos anos 60 em Nova Iorque.
- Gostava de ter assistido à gravação do primeiro álbum dos The Velvet Underground.
- Gostava de ter visto a estreia apoteótica de "Metropolis" de Fritz Lang, em Berlim (1927).
- Gostava de ter estado presente na entrega do Óscar Honorário a Charlie Chaplin em 1972.
- Gostava de ter assistido ao concerto de Jimi Hendrix no festival de Woodstock (1969).
- Gostava de ter assistido aos primeiros concertos dos Sex Pistols e dos Joy Division.
- Gostava de ter visto pintar, in loco, Salvador Dalí, Jackson Pollock e Magritte.
- Gostava de ter assistido à estreia de "A Sagração da Primavera" de Stravinsky em Paris (1913).
- Gostava de ter sido varredor do estúdio de filmagem do filme "12 Homens em Fúria" (1957) de Sidney Lumet.
- Gostava de ter tomado um copo de absinto na companhia de Fernando Pessoa no Martinho da Arcada, em Lisboa dos anos 1920.
- Gostava de ter assistido à rodagem de "The Shining" de Stanley Kubrick, "Blade Runner" de Ridley Scott e de "Stalker" de Andrei Tarkovski.
- Gostava de ter feito a viagem costa-a-costa dos EUA com Jack Kerouac que viria a dar no livro "On The Road".
- Gostava de ter visto o filme "Koyaanisqatsi" com orquestra ao vivo conduzida por Philip Glass.
- Gostava de ter acompanhado a gravação de todos os álbuns dos Dead Can Dance. 
- Gostava de ter presenciado a reacção do público aos primeiros filmes de George Méliès nos anos 1910.
- Gostava de ter tomado café em Los Angeles com Marlon Brando, Elizabeth Taylor, Buster Keaton, Sam Peckinpah, Audrey Hepburn e Maureen O'Hara.
- Gostava de ter sido figurante em todos os filmes de Alfred Hitchcock.
- Gostava... 

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Pasolini dixit


"Penso que esta geração não sente uma necessidade profunda de cultura, por se encontrar permanentemente saciada. Não necessita dos seus poetas, dos seus escritores, dos seus cineastas e artistas... Pelo menos, comporta-se como se passasse naturalmente sem eles. Creio poder afirmar que uma das razões essenciais da grande inquietação da juventude actual é a ignorância em que se compraz; atrevo-me a dizer uma certa qualidade de ignorância, pois mesmo no seio do movimento estudantil, desconhece-se ou ignora-se a cultura profunda. Esta juventude não ama a cultura. A cultura sempre coincidiu, até hoje, com a existência do bloco familiar: a revolta dos jovens fazia-se através da cultura, os rebeldes de todos os tempos, da Idade Média aos surrealistas e aos existencialistas do pós-guerra, inovaram no âmbito da cultural. Ora, nos nossos tempos, recusam-na, pura e simplesmente. Não a querem, Situam-se fora dela... como na China!"
Pier Paolo Pasolini, realizador
In "As Últimas Palavras de um Ímpio" (Distri Editora, 1981)

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Falta o cinema japonês

Sou um cinéfilo incompleto: falta-me ver muito cinema japonês.
Tirando os filmes mais emblemáticos dos cineastas japoneses mais conhecidos, dou-me conta que me faltam ver muitos filmes das filmografias de cineastas como Yasujiro Ozu, Kenji Mizogushi, Shoei Imamura, Kio Naruse, Masaki Kobayashi, Ishii Sogo, Nagisa Oshima, Hiroshi Teshigahara, Seijun Suzuki, Satsuo Yamamoto, Hiroshi Inagaki Akira Kurosawa, Takashi Shimizu, Yoshimitsu Morita, entre outros.

domingo, 11 de novembro de 2012

sábado, 10 de novembro de 2012

Danny


Sempre me interroguei qual terá sido o percurso da criança que interpretou Danny em "The Shining" (1980) de Stanley Kubrick. De seu verdadeiro nome Danny Lloyd, a criança tinha apenas 6 anos quando encarnou o filho do atormentado Jack Torrance (Jack Nicholson). Foi escolhido num casting entre 3 mil candidatos.
Kubrick apreciava o miúdo pela sua espontaneidade e intuição. Precisamente por causa da idade, nunca lhe foi dito que actuava num filme de terror (julgou sempre que se tratava de um simples drama familiar). Só viu o filme aos 13 anos (com uma montagem que excluía as cenas mais violentas) e apenas viu o filme sem cortes quando fez 17 anos.
Danny Lloyd é deveras portentoso na forma como interpreta a criança assustada e no modo como criou o seu alter-ego ("Tony"). Há várias cenas célebres no filme de Kubrick com Danny, mas a cena em que escreve "Redrum" na porta proferindo, com voz gutural e medonha, esta mesma palavra, ficou na memória dos espectadores de várias gerações (assim como as sequências com o triciclo pelos corredores do Overlook Hotel ou o encontro com o sinistro quarto 237).
Depois desta soberba e precoce estreia no cinema, era previsível que Danny tivesse uma carreira promissora na sétima arte. Mas não foi o caso. Apenas voltou a participar, dois anos depois de "The Shining", numa banal série televisiva sem qualquer sucesso. Por vontade da família, a criança não mais voltaria ao mundo dos filmes, dedicando-se aos estudos. E pelos vistos com uma carreira de sucesso, visto que é actualmente professor de biologia e ciências no Community College em Elizabethtown, Kentucky.
Danny Lloyd recusou sempre ser entrevistado acerca da sua participação no mítico filme de Kubrick e as suas aparições públicas em eventos cinematográficos eram inexistentes. Até que há alguns anos aceitou fazer uma conferência no festival de filmes de terror no Kentucky (Fright Night Film Fest). Nessa ocasião, revelou-se afável e assinou autógrafos e falou com os fãs do cinema de terror sobre a sua interpretação no filme de Kubrick - como pode ser visto aqui..
Actualmente, Danny tem 40 anos, é pai de família, está quase calvo, mas ainda conseguimos identificar nos seus olhos e no seu rosto a expressão inocente do Danny de "The Shining". E é quase certo que o cinema terá perdido um potencial grande actor.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Um cineasta raro

O Lisbon & Estoril Film Festival tem no seu programa um secção denominada "Cineastas Raros". Um desses cineastas raros e fascinante é Artavazd Pelechian (nasceu em 1938), realizador arménio praticamente desconhecido (mesmo do público cinéfilo).
Tive a ocasião de conhecer o seu trabalho há uns anos devido a uma edição em DVD das obras documentais (1967 - 1993) de Pelechian (edição Costa do Castelo).
Pelechian é de facto um cineasta raro pela forma como encena e constrói os seus filmes (recorrendo a filmagens mas também a imagens de arquivo), pela linguagem cinematográfica que utiliza e pela forma como nos revela o mundo. O seu cinema documental assenta numa grande poesia das imagens e numa utilização magistral da música, a par de uma montagem que acompanha as ambiências musicais. O realizador considera indissociáveis a imagem e a música como elementos que dão ritmo e coerência estética ao seu trabalho.
Os seus filmes centram-se no homem e na sua relação íntima com a natureza. Para o realizador arménio, a natureza é o laço que une todos seres. Os filmes de Pelechian revelam-nos a consciência humana através de uma sensibilidade única. Não terá sido por acaso que Godard referiu uma vez que Pelechian é um dos maiores cineastas vivos.
Uma das suas obras mais aclamadas é "Seasons", na qual Pelechian aborda os costumes da sua terra e a ligação que une o homem com a natureza. Há momentos de pura poesia visual nos seus filmes e é um cineasta que urge conhecer.
Site oficial de Artavazd Pelechian.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

"Casablanca" - A sequela?

Depois do processo de colorir o clássico "Casablanca" (1942) e de ideias de remake do mesmo filme, surge agora a intenção dos estúdios da Warner de fazer uma... sequela. Nem mais.
É verdade que o famoso final do filme de Michael Curtiz se prestava a uma continuação da história (provavelmente em Lisboa), mas não é forçoso arriscar uma sequela que, se correr mal, pode destruir todo o forte imaginário deixado por "Casablanca".

A ponte a desabar

Só vi o primeiro filme "Final Destination" mas a saga já vai no volume 5. Trata-se de um filme de terror/suspense no qual os protagonistas têm premonições acerca da eminência da morte.
Ora, um amigo chamou-me a atenção para a sequência inicial de "Final Destination 5" (2011) que abre com uma incrível sequência de colapso de uma ponte. São quase 5 minutos de acção frenética e realista (apesar do excesso de sangue) que impressiona.
Nesta entrevista com o especialista de efeitos especiais percebe-se quão complexo e difícil foi filmar esta sequência - altamente elogiada pelos técnicos de efeitos especiais de todo o mundo.
E neste link pode visualizar a referida sequência em grande formato. Caso ainda não tenha visto, aperte o cinto!











domingo, 4 de novembro de 2012

303 filmes em dois minutos e meio

Jonathan Keogh fez algo impensável: conseguiu fazer uma montagem das cenas mais famosas de 303 filmes listados no top 250 do Imdb com uma duração de 2,5 minutos (para ser rigoroso: listou os 250 filmes e mais 53, todos com classificação mínima de 8). Esta montagem valeu a Jonathan um mês de trabalho.
Nota: Jonathan ficou conhecido por ter feito a montagem de 162 filmes de terror com a mesma duração.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Matar a cultura

Lê-se e não se acredita (no Diário de Notícias): depois da Cinemateca Nacional ter comunicado que já não tinha dinheiro para as legendagens electrónicas, agora informa que, face a "condicionalismos administrativos e financeiros", já não tem condições para a impressão do seu programa (o veículo mais importante de divulgar a sua actividade).
Todas as decisões - ou grande parte delas - de despesas de uma instituição como a Cinemateca, têm de ter a autorização do Ministro das Finanças, Vítor Gaspar. E como é conhecida a obsessiva e cega visão economicista deste ministro, corta-se em tudo o que é possível e mais banal, prejudicando gravemente o funcionamento normal de uma instituição nacional como a Cinemateca.
E este é apenas um exemplo, no meio de muitos outros: é impressionante constatar a forma desprezível como o Governo português trata a cultura e como a visão da mesma provoca a destruição de toda uma memória cultural (material e imaterial) que levou décadas a construir em Portugal. 
Julgo que os governantes deste país não ficarão parados até verem todas as instituições culturais em completo e vil abandono (para poupar dinheiro, claro). Trata-se já de consumar um objectivo político: matar a cultura.
Ler a notícia aqui.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Neste dia

Neste dia dedicado aos mortos não faltam sugestões de filmes de zombies e de terror para assinalar a data. Pois eu prefiro ver "Que Viva México!" (1933) do mestre russo Sergei Eisenstein, obra que explora a cultura mexicana e, necessariamente, o ritual do Dia dos Mortos:

A melhor edição DVD do ano

Ainda não saiu mas é já considerado um acontecimento editorial em Portugal. Porventura, a melhor edição DVD do ano. Falo da colecção de quatro filmes do cineasta húngaro Béla Tarr: "O Cavalo de Turim", "As Harmonias de Werckmeister", "O Tango de Satanás" e "Danação". 4 filmes, 6 discos que equivalem a 15 horas de (grande) cinema (parte das 15 horas devem-se à longa duração do filme "O Tango de Satanás").
São quatro obras únicas da arte cinematográfica contemporânea criadas por um visionário solitário do panorama do cinema mundial actual. A edição é da Midas Filmes, actualmente a melhor editora (e distribuidora) nacional de filmes em DVD. Mesmo não tendo estado com esta colecção nas mãos, dá para perceber a qualidade e beleza gráfica empregues no design - uma mais valia que atribui originalidade e mais valor a esta preciosa colecção (o trabalho de design é da responsabilidade do artista gráfico e ilustrador Rui Guerra, cujo trabalho pode ser apreciado aqui).
Mas as boas notícias não acabam aqui: pelos vistos, esta é a primeira colecção dedicada a Béla Tarr. Uma segunda colecção se seguirá com outros filmes do realizador a editar em 2013 (filmes da primeira fase da obra de Tarr). 
O lançamento desta caixa de DVD está previsto para a segunda metade do mês de Novembro e custará cerca de 40€ (10€ por cada filme), um preço bastante competitivo e aceitável.
Aqui está, pois, uma excelente prenda para o Natal para todos os amantes do bom cinema!