domingo, 27 de abril de 2008

Aqui ao lado


De quando em vez, sabe bem sair do rectângulo geográfico a que chamamos Portugal. E basta colocar o pé em Espanha para sentir quão somos diferentes em muitas áreas, nós e os "nuestros hermanos". A constatação é fácil de fazer: pequenas e médias vilas e cidades espanholas têm mais pujança económica, cultural e turística do que muitas cidades capitais de distrito cá do nosso burgo. Passei por terras galegas nestes últimos dias (Santiago de Compostela, Sanxenxo, Pontevedra, Vigo, La Corunha, O Grove, Baiona) e o que presenciei foi apenas isto: excelente ordenamento urbano, extrema limpeza das ruas, aproveitamento inteligente das potencialidades turísticas de cada região e dos seus recursos naturais, preservação imaculada dos centros históricos, investimento claro no património, na cultura e na tradição (que convive cordialmente com a modernidade), oferta de qualidade e de diversidade no âmbito do comércio, da hotelaria e da restauração, espaços verdes em abundância, arquitectura paisagística de grande impacto e beleza, preservação da história e da arqueologia, ambiente de animação permanente, povo expansivo, simpático e comunicativo por natureza.
O grupo de rock Siniestro Total, de Vigo, lançaram nos anos 80 um álbum com o título "Menos Mal Que Nos Queda Portugal". Nunca percebi a coerência da coisa...
Na imagem, pormenor da baía de Sanxenxo.
PS - Entretanto, soube pelo blogue do Américo Rodrigues que em Vigo vai haver (Junho e Julho) um grande festival de jazz.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Até já


É um stand by breve. Até Domingo estarei fora e longe de internets.
See ya.

No mundo dos Simpsons


No mundo da criação de mundos virtuais, a referência absoluta é o Second Life. Depois, mais prosaico e divertido, existe o Simpsonizeme. No primeiro podemos criar um alter-ego com um mundo imaginado pelo utilizador; no segundo, apenas serve para criar uma figura aproximada à nossa com base no universo gráfico dos The Simpsons.
Este sou eu – The Simpson Who Knew Too Much. Nice to meet you.

Nova modalidade de ler livros

E que tal falar de livros sem… os ler? Hoje já é tudo possível. E já é possível fazer figura de intelectual falando à mesa do café sobre livros e autores que estão na berra mas que nunca lemos ou, no limite, lemos duas ou três passagens. Este livro, “Como Falar de Livros Que Não Lemos?”, pretende isso mesmo: partindo de uma análise a diversas obras literárias, o leitor ficará com uma noção básica sobre o conteúdo e a forma dessas obras e assim pode fazer um brilharete junto dos amigos. Fogo-fátuo, portanto.
O autor do livro, Pierre Bayard, afirma que este manual serve como incentivo à leitura. Apesar de não o ter lido (folheei-o numa livraria), parece-me antes um desincentivo ao exercício da leitura e do culto pelos livros ao potenciar o facilitismo. É um livro presunçoso e pueril, como que a dizer: “não leia ‘Os Maias’, leia este resumo no manual de 20 páginas e é como se o tivesse lido”. É o sintoma da cultura massificada e que privilegia a displicência cultural. Num mercado editorial mimético como o nosso, é mais do que expectável que vejamos brevemente adaptações deste livro conforme as áreas artísticas: “Como Falar dos Filmes Que Não Vimos?”, “Como Falar dos Discos Que Não Ouvimos?” ou, por absurdo, "Como Falar de Perfumes Sem os Ter Cheirado?".

60 revoluções por minuto

Na véspera de mais uma comemoração do 25 de Abril, só me vem à cabeça esta música com esta letra:

60 revolutions per minute
this is my regular speed
So how do you want me to live with it?
How do you want me to live with it?
Without ringing all alarms!
Without overthrowing czars!
Without emptying the bars!
Without screwing with your charts!

60 revelations per minutethis is my regular speed
So how do you want me to live with it?
How do you want me to live with it?
Without ringing all alarms!...

I'm gathering new generation
That's gonna stand up to it
To this karaoke dictatorship
Where posers and models with guitars
Boogie to the shit for beats
I make a better rock revolution
Alone with my dick!

60 por minuto es mi reputaciony
no te estoy hablando de revolucion
hace mucho teimpo q ya no te decian
basta de injusticia, muerte y policia.
Digas lo que digas ya esta todo arregiado
hagas lo que hagas te mandan deportado
el que tiene impone y sobre la ley dispone
mientras que el pobre es pobre,
muere de hambre y otro se la come

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Livro: o mel e o veneno


"Os leitores extraem dos livros, consoante o seu carácter, a exemplo da abelha ou da aranha que, do suco das flores retiram, uma o mel, a outra o veneno."
Friedrich Nietzsche
(A propósito do Dia Mundial do Livro)

terça-feira, 22 de abril de 2008

A força da reposição


Esqueçam as estreias de cinema desta semana, da passada semana ou da que vem. às vezes os melhores filmes que estreiam em sala têm mais de 40 ou 50 anos (como "Playtime" de Jacques Tati e "Imitação da Vida" de Douglas Sirk). Os filmes mais importantes e que realmente interessam são estes dois acima representados. Reposições de duas obras-primas do cinema: "Blade Runner" de Ridley Scott, na versão final do realizador; e "O Estranho Mundo de Jack" de Tim Burton numa versão... 3D.
Por certo, duas sublimes experiências em sala escura a não perder.

O fim da veneração


"O meu ideal político é a democracia, para que todo o homem seja respeitado como indivíduo e nenhum venerado."
Albert Einstein

A canção matinal de Bowie

O que têm em comum nomes da música tão diferentes como The Young Gods, David Bowie, Teresa Stratas, Dalida, Ute Lemper, The Doors, Allison Moorer, Marilyn Manson e The Wandering Bards? O ponto em comum é o facto destes grupos/músicos terem feito versões da célebre canção "Alabama Song (Whiskey Bar)" de Kurt Weill (colaborador de Bertolt Brecht em várias óperas e musicais). Neste excerto de um concerto ao vivo de David Bowie, o autor de "Low" começa por dizer que, quando estava a viver em Berlim, cantava todos os dias ao pequeno almoço esta canção. Convenhamos que se trata de uma inspirada versão do clássico de Kurt Weill.
E por falar em versões, vale a pena espreitar este site que reúne as dez melhores e piores covers de sempre, para além de uma extensa lista com muitas versões de canções pop-rock.

Terra das oportunidades


22 de Abril, Dia Mundial da Terra.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

É só escolher


Grandes nomes da música vão actuar no nosso país até final deste mês. Se tivessem uma única oportunidade para ver um, e apenas um concerto, qual seria o escolhido?

a) Nick Cave
b) Mão Morta
c) Diamanda Galás
d) Einstürzende Neubautem
e) Jean Michel Jarre
f) Meredith Monk (na imagem)

Eu nem arrisco responder...

Qual a música do Refogado de Tomate Guloso?

Quer saber qual a música que acompanha um famoso anúncio publicitário veiculado pela televisão? Aquela música do spot do Mercedes SLK 220? Do Santander Totta? Do perfume Gucci? Da bebida da marca x ou y? Se quer conhecer as músicas (e respectivos álbuns, artistas, agências de publicidade associadas, etc) que acompanham estes anúncios de televisão, entre muitos outros exemplos, o melhor é abrir este blogue e colocá-lo desde já nos favoritos: Aquela Música do Anúncio...
PS - Já agora, a resposta ao título do post sobre a música do anúncio do Refogado de Tomate Guloso está aqui.

Erwin Olaf - o belo grotesco


Erwin Olaf é um fotógrafo, designer, artista e realizador holandês. Tem sido granjeado com inúmeros prémios internacionais e os seus trabalhos objecto de aclamadas exposições nas melhores galerias de arte do mundo. Fez também diversos trabalhos para diversas marcas de publicidade, como a Levi's, Diesel ou a Nokia, e design de moda. O seu universo criativo parece, a espaços, ter conexões estéticas com Mathew Barney (autor da série "Cremaster" e famoso por ser marido de Björk). Erwin Olaf tem um espantoso portefólio fotográfico, com imagens altamente encenadas, a meio caminho entre o grotesco felliliano e a ironia surrealista, entre a beleza clássica e a violência gráfica. Aconselho vivamente a exploraração do seu site (um primor de design gráfico e funcionalidade), no qual se podem apreciar em alta resolução e ao detalhe, as diversas séries de fotografias (pode-se fazer zoom in sobre elas!), pequenos excertos de filmes, entre muita informação sobre o seu incrível trabalho. Ver aqui.

A morte na arte ou a morte da arte?


Em Outubro de 2007, um artista desconhecido chamado Guillermo Vargas, mais conhecido por Habacuc, resolveu colocar numa exposição de arte um cão para morrer à fome. Os protestos foram à escala planetária e motivaram, inclusive, várias petições internacionais contra a pretensa crueldade do artista. Para quem se sentiu chocado com esta ousadia artística contra um animal, deverá ler com atenção esta notícia do Público, que dá conta de um artista alemão que quer usar um cadáver humano ou, mais apropriadamente, uma pessoa a morrer por doença terminal como objecto artístico numa galeria de arte. Ao que parece, o artista pretende mostrar que a “morte pode ser bela”. Pois.
Quando a arte põe em causa princípios éticos sobre a utilização da vida (e da morte) humana, as coisas ficam sérias e importa questionar: quais os limites da arte? Que dignidade existe na utilização de alguém morto ou prestes a morrer numa exposição? Qual a margem de oportunismo barato e de marketing comercial por detrás desta opção do artista alemão? A morte sempre foi retratada nas mais diversas formas de expressão artística – da pintura à literatura, da poesia à música, da fotografia ao cinema. Mas uma coisa é retratar a morte de forma ficcionada, outra bem diferente, é utilizar um ser humano que vai morrer a qualquer momento para ser exposto numa galeria de arte! E seguindo o princípio do artista, o que há de belo em morrer de doença terminal, com sofrimento e angústia? Que sentimentos poderiam provocar nos familiares e amigos a pessoa que se sujeitasse a tal exposição pública do seu próprio sofrimento? Sou daqueles que pensa que, paradoxalmente, a morte continua a ser dos últimos tabus da sociedade moderna (já não é o sexo, o aborto, a eutanásia ou outros temas sociais que dividem a opinião pública). Nunca me chocou ver a morte representada na arte, nem sequer me repugnam as propostas artísticas mais radicais e provocatórias (pelo contrário: atraem-me), mas desta maneira?
Apesar de haver quem pense que esta questão implica a ruptura conceptual da arte - como se de uma “Fonte” de Duchamp se tratasse – a questão é bem mais séria e profunda. A matéria artística que Gregor Schneider pretende utilizar é a própria decomposição carnal de alguém, não só captando o momento da morte em si, como também o processo de decomposição cadavérica. É arte? É aberração sem sentido? É transgressão de fronteiras estéticas? É espectáculo fútil e barato? Provocação pueril? Isto é o quê, afinal?
Nota: na imagem, uma das mais célebres representações da morte da história da pintura: "The Death of Marat", pintura de Jacques-Louis David, 1793.

Edição DVD do mês


A edição especial (LNK) de 2 discos inclui, para além do filme:

- Comentários áudio do realizador
- Entrevistas
- Making of
- Em Rodagem
- Ao Vivo
- Galeria de Fotos
- Ovo da Páscoa (extra escondido na edição)

domingo, 20 de abril de 2008

Revoluções musicais

O programa de hoje "Câmara Clara" de Paula Moura Pinheiro, na RTP2, tinha como convidados o pianista e director artístico da Casa da Música Pedro Burmester e o compositor e professor catedrático José Barata-Moura (autor das canções para crianças "Fungagá da Bicharada"). Dada a proximidade do 25 de Abril, o tema do programa foi a revolução na música, ou seja, saber que revoluções houve e há na história da música. Barata-Moura abordou sobretudo a canção política como estética e como instrumento de denúncia política, mas falou também - e muito bem - sobre política cultural. Já Burmester, na sua qualidade de director artístico da Casa da Música, divulgou o interessante programa "Música e Revolução". Um programa deveras abrangente que pretende revelar as estéticas e os músicos/grupos que transgrediram convenções e alargaram os horizontes da música ao longo dos séculos até aos nossos dias, começando em Monteverdi, passando pelos inevitáveis Wagner, Debussy, Schoenberg, Stockhausen, Berio, mas também pelo rock e pelo jazz (Parker e Monk). Apesar de ser um programa abrangente e interessante, como referi anteriormente, não deixa de ser limitado. Isto porque estão ausentes, desse mesmo programa, algumas estéticas e músicos que fizeram verdadeiras revoluções musicais (refiro-me sobretudo ao século XX).

Filmes de terror - o prazer de sentir medo


A propósito de uma reportagem sobre o mestre dos filmes de terror - facção Zombie - George Romero - o semanário Expresso dedica várias páginas do seu suplemento de cultura "Actual" à história dos filmes de terror. Para além de uma brilhante abordagem aos sons e músicas do imaginário do terror escrita pelo João Lisboa, podemos ler uma recensão dos filmes mais marcantes escrita pelo Manuel Cintra Ferreira e uma listagem dos "melhores filmes de terror". Foram seleccionados 16 títulos de terror que, ao longo da história do cinema, foram de uma maneira ou de outra, marcantes na evolução estética do género.
Nessa lista temos tanto Polanski como Murnau; Carpenter como Spielberg; Cronenberg como Fisher. São filmes, todos eles, referêncais absolutas dentro do género de terror e consequentes subgéneros: thriller psicológico, gore, zombies, suspense, monstros... Da lista enunciada há apenas um filme que não conheço: "Kuroneko" (1968) do japonês Kaneto Shindo. Como é natural, uma lista de 16 títulos limita sempre o leque de escolhas, pelo que será por casua desta justificação que faltem filmes como "Poltergeist", "Massacre no Texas", "Hellraiser", "Psico", "Cabo do Medo" ou "A Descida" (talvez o melhor filme de terror dos últimos 10 anos).

Da lista, eis os meus dez filmes preferidos por ordem crescente:

1 - "The Shining" - Stanley Kubrick (1980)
2 - "Os Pássaros" - Alfred Hitchcock (1963)
3 - "A Semente do Diabo" - Roman Polanski (1968)
4 - "Nosferatu" - F.W. Murnau (1922)
5 - "O Exorcista" - William Friedkin (1973)
6 - "Alien, o 8º Passageiro" - Ridley Scott (1979)
7 - "A Mosca" - David Cronenberg (1986)
8 - "Halloween" - John Carpenter (1978)
9 - "A Noite do Demónio" - Jacques Tourneur (1957)
10 - "A Aldeia dos Malditos" - Wolf Rilla (1960)
Nota: na imagem: Jeff Goldblum no filme "A Mosca"

Adolfo Luxúria Canibal - A visão de Maldoror



Há dias, no programa "Quem Quer Ser Milionário" da RTP, apareceu esta pergunta: "quem é o vocalista e líder do grupo Mão Morta?". O concorrente não sabia e estava indeciso entre duas possibilidades apresentadas: Adolfo Luxúria Canibal e Adérito Murmúrio Visceral (grande nome, sem dúvida). Concursos televisivos à parte, este intróito serve para dizer que o vocalista dos Mão Morta é uma das personalidades musicais portuguesas mais interessantes e marcantes dos últimos 20 anos. Já lidei com ele quer em contexto profissional, quer em contexto pessoal, e atrevo-me a dizer que o Adolfo é a maior referência musical para os cultores da cultura alternativa e independente. Tem uma visão artística, política, cultural e social bem vincada em valores que foi adquirindo com as leituras dos autores malditos (Sade, Lautréamont, Bataille, Heiner Müller, Debord, Ginsberg...) e a assimilação das referências estéticas do rock mais experimental.
Os Mão Morta, identidade musical negra e danada, delinearam um imaginário estético próprio, único na forma e no conteúdo a nível nacional (ainda que com óbvias referências a grupos estrangeiros). Os seus discos tiveram, quase todos, uma base temática explorada até ao tutano, expondo as feridas de uma sociedade podre de valores, absorta de referências. O culto à volta do grupo foi-se gerando a partir do segundo álbum, "Corações Felpudos", 1990), fruto de concertos míticos, teatralizados e nos quais Adolfo se expunha como se sentisse na pele o estigma da expiação dos pecados mundanos. As letras soturnas sobre sangue, morte, decadência, raiva, transgressão, insurreição, deram consistência à aura do grupo de Braga.
Agora, numa transmutação artística mais abrangente e ousada, os Mão Morta vão apresentar quarta-feira, na Culturgest, o espectáculo "Maldoror" com base no célebre livro maldito "Os Cantos de Maldoror" do francês Isidore Ducasse, mais conhecido como Conde de Lautréamont. No Expresso deste Sábado, em formato de entrevista, Adolfo Luxúria Canibal expõe, de forma concisa e pragmática (como é seu hábito), a trajectória de 25 anos de vida artística, desde as vivências na Braga conservadora pós-25 de Abril, até à actualidade. Para além de outros aspectos interessantes do seu discurso, o vocalista dos Mão Morta refere que na sua vivência de estudante se vivia a política de outra forma: "A política nessa altura tinha um carácter muito cultural. As pessoas não se limitavam a discutir política ou a ler Marx e Lenine. Lia-se de tudo, discutiam-se muitas ideias, viajava-se muito, falava-se de pintura. A partilha de impressões sobre as mais variadas artes era enorme. Comecei a interessar-me pela literatura antes de me interessar pela música, e o livro "Os Cantos de Maldoror" entusiasmou-me porque só conhecia os clássicos da literatura portuguesa. A leitura de "Maldoror" entusiasmou-me com a violência da linguagem, com as imagens e descrições muito fortes. Todo aquele ímpeto contra Deus, contra a religião e contra o homem, eram ideias e imagens fascinantes para mim, sobretudo por estar inserido numa sociedade altamente politizada logo após o 25 de Abril e numa cidade como Braga."
Parece-me que este discurso de Adolfo seria impossível ouvi-lo da boca de um jovem da sociedade de hoje. Precisamente porque os tempos sociais e políticos são outros, e porque as novas gerações já não sentem o mesmo ímpeto de procurar linguagens artísticas alternativas à cultura dominante. Já não existe essa vontade de libertação e de afirmação por certos ideais utópicos que mobilizavam gerações há 30 anos atrás. O comodismo assentou arraiais, a política é um conceito completamente alheio aos jovens, não incentiva à mobilização, ao combate, à procura de formas alternativas de cultura. Adolfo Luxúria Canibal continua a ser uma voz inconformada, libertária e revoltosa, uma voz que denuncia e remexe nas feridas abertas (ideológicas, sociais ou artísticas).

Nota: na imagem, Adolfo a ler o livro "A Cozinha Canibal" de Roland Topor.

sábado, 19 de abril de 2008

Glass em 12 partes

Sabia-se que Philip Glass seria objecto de um documentário, mais cedo ou mais tarde. Sabe-se agora que vai estrear nos EUA o filme "Glass: a Portrait of Philip in Twelve Parts" do realizador Scott Hicks (o mesmo que fez "Shine" sobre o pianista esquizofrénico David Helffgot). Philip Glass, actualmente com 70 anos, merecia já um filme pelo conjunto da sua impressionante carreira e Scott Hicks passou um ano com o compositor para captar a essência da sua vida e do seu trabalho. Bem-haja Scott! O trailer augura uma bela homenagem.
E por falar em Glass, apetece-me agora ouvir a sua colaboração com o genial Ravi Shankar neste magnífico disco:

Bíblia do ateu


Antes da recente mini-avalanche registada com os vários livros sobre a "ausência de Deus" e o perigo da fé religiosa dos autores Christopher Hitchens, Sam Harris, Richard Dawkins e Daniel Dennett, já o historiador e ensaísta George Minois tinha lançado (em 2004) a bíblia (passe a contradição semântica) do ateísmo: "História do Ateísmo", da Editorial Teorema. Um denso livro de 700 páginas que condensa a evolução das várias formas de ateísmo ao longo dos últimos 3 mil anos até à actualidade, recorrendo à argumentação de centenas de figuras e personalidades da filosofia, história, política, ciência, literatura, etc. Leitura essencial para crentes e não crentes.
Nota: falei dos livros de Hitchens e Harris neste post.