domingo, 17 de junho de 2012

Perguntas Indiscretas #40

"Plan 9 From Outer Space" (1959) de Ed Wood tem sido considerado, ao longo dos anos, o "Pior filme da história do cinema". Será mesmo?

Os rostos

Raramente vemos os artistas desta forma: os rostos pormenorizados, com as rugas e imperfeições de qualquer mortal. É o que nos propõe o site Celebrity Close-Up, um olhar detalhado das expressões dos rostos de actores e actrizes (e outras celebridades da música e do espectáculo).
Neste caso, de Anna Hathaway, Natalie Portman, Pierce Brosnan, Tommy Lee Jones e Michael Fassbender. 

sábado, 16 de junho de 2012

Notas de Bresson #17

"Noventa por cento dos nossos movimentos obedecem ao hábito e ao automatismo. É anti-natura subordiná-los à vontade e ao pensamento."

Kurt Weill pela manhã

O que têm em comum nomes da música tão diferentes como The Young Gods, David Bowie, Teresa Stratas, Dalida, Ute Lemper, The Doors, Allison Moorer, Marilyn Manson e The Wandering Bards? O ponto em comum é o facto destes grupos/músicos terem feito versões da célebre canção "Alabama Song (Whiskey Bar)" de Kurt Weill (famoso compositor e colaborador de Bertolt Brecht em várias óperas e musicais).
Neste excerto de um concerto ao vivo de David Bowie, o autor de "Low" refere que, quando estava a viver em Berlim, cantava todos os dias ao pequeno almoço "Alabama Song" como forma de inspiração para o resto do dia.
Ora aqui está uma boa sugestão: cantar Kurt Weill todas as manhãs. 

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Marlon Brandon, 1947

Corria o ano de 1947 e um jovem actor de nome Marlon Brandon, tentava a sorte num casting para entrar num filme chamado "Rebel Without a Cause". O argumento estava escrito e Brando, então com apenas 23 anos de idade, tentou a sorte num "sreen test" de 5 minutos. Por qualquer razão, o projecto foi abandonado pelo estúdio e apenas 8 anos depois foi retomado com um novo argumento e... um novo actor: James Dean.
Marlon Brando não entraria no mítico filme de Nicholas Ray que iria imortalizar James Dean como ícone de uma geração. No entanto, logo em 1951, Brando interpretaria a não menos mítica personagem Stanley em "A Streetcar Named Desire" de Elia Kazan. E o resto é história...
Seja como for, é interessante ver este vídeo em que, Marlon Brando, revela e comprova (em apenas 5 minutos) todo o seu imenso talento como actor.
Provavelmente, o melhor actor da história do cinema.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Sobre "O Cavalo de Turim"

"Magnífico, e inesgotável: vê-lo duas vezes é querer vê-lo uma terceira."
Luís Miguel Oliveira, Público
Acerca de "O Cavalo de Turim".
Estreia hoje em sala.


Entrevista Póstuma (12) - Kurt Cobain




O Homem Que Sabia Demasiado - Será sempre recordado como o líder de uma geração inquieta, cujo lema musical está patente em "Smells Like Teen Spirit"?

Kurt Cobain - Bah! Nunca quis ser modelo de ninguém, muito menos de uma geração. E essa música, apesar de ter sido a que mais sucesso comercial teve com os Nirvana, é das que gosto menos.

O Homem Que Sabia Demasiado - Durante toda a sua vida lutou contra o vício da heroína, depressão, fama, imagem pública e pressões profissionais. Como lidou com tudo isto?

Kurt Cobain - Como acha que lidei? Sempre odiei a exposição pública e o mediatismo que, a dada altura, os Nirvana me trouxeram. As depressões eram decorrentes dessa sensação de permanente insegurança. A droga foi uma libertação e, ao mesmo tempo, uma maldição toda a vida.

O Homem Que Sabia Demasiado - E a sua vida familiar também não foi fácil...

Kurt Cobain - Pois não. Eu tinha vergonha dos meus pais. Eu não poderia enfrentar alguns dos meus amigos na escola porque eu, desesperadamente, queria ter a família típica. Mãe, pai. Eu queria a segurança, mas só senti ressentimentos para com os meus pais. E na escola passei por um inferno porque fui vítima de violência e bullying.

O Homem Que Sabia Demasiado - E que papel teve a sua educação religiosa?

Kurt Cobain - Bom, os meus pais educaram-me com os valores religiosos, mas à medida que crescia procurei outras soluções, como o Budismo, que tinha outra hierarquia de valores mais importantes para mim. Foi do Budismo que retirei o nome da banda - Nirvana.

O Homem Que Sabia Demasiado - Gostou do filme que o realizador Gus Van Sant fez vagamente inspirado na sua vida - "Last Days" de 2005?

Kurt Cobain - Detestei. Tudo: a realização lenta e monótona, a interpretação do tipo que, supostamente, fazia de mim, a forma como foi utilizada a música no filme... Tudo. Aquilo é tanto sobre a minha vida como "Psico" é sobre a Madre Teresa de Calcutá.

O Homem Que Sabia Demasiado - Casou com Courtney Love em 1992 já ela estava grávida da sua filha. Que papel teve Courtney na sua vida?

Kurt Cobain - Preferia não falar dela. Houve demasiados equívocos e problemas que acabaram por me destruir a vida, e Courtney contribuiu para isso. Sempre achei que as maiores loucuras são as mais sensatas alegrias, pois tudo que fiz ficou na memória daqueles que um dia sonharão ser como eu: louco, porém, feliz.     

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Cine-Concerto

Duas obras-primas do cinema mudo e um filme “mudo” por opção estética vão ser musicados ao vivo por três músicos: Micro Animal Voice, Élia Fernandes e Kubik.
Do fascinante cinema experimental de Man Ray (“Emak-Bakia”), passando pelo expressionismo plástico do russo Eisenstein (“Romance Sentimentale”), até à experiência fílmica de Samuel Beckett (“Film”, com Buster Keaton), estas são três propostas cinematográficass diferentes que resultarão em três experiências audiovisuais marcantes.
Estão todos convidados, sábado, no Teatro Municipal da Guarda.
Mais informação aqui

Quando fumar dava estilo

Houve um tempo em que fumar era um acto de puro glamour e estilo. No universo do cinema, os anos dourados para os actores fumadores foram as décadas de 40, 50 e 60. Grandes estrelas ostentavam o cigarro como algo de inseparável nas suas vidas, quer no cinema, quer na dita vida "real". Alguns morreram, precisamente, vítimas do vício, o qual era, no início, exclusivo dos homens, mas que timidamente foi adoptado pelas mulheres (Katherine Hepburn ou Marlene Dietrich são exemplos).
Eis apenas algumas figuras célebres de Hollywood na era em que fumar não prejudicava a fama e o estilo (apenas prejudicava a saúde): Bing Crosby, Burt Lancaster, Errol Flynn, Glenn Ford, Jack Lemmon, James Dean, Marlon Brando e Clark Gable.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

A música de KITT

Das minhas memórias de infância e juventude no que concerne a séries televisivas, uma das mais fortes tem a ver com a mítica série "Knight Rider" (cuja primeira temporada foi em 1982). No total houve 4 temporadas e 90 episódios com histórias de um justiceiro solitário chamado Michael Knight e o seu sofisticado carro (um Pontiac Trans Am alterado chamado KITT), personagem interpretado por David Hasselhoff.
Evoco esta memória não tanto pela série em si - que até acabou por se tornar numa referência da cultura televisiva dos anos 80 - mas mais pela sua música de abertura. Na verdade, o tema do genérico era, para a altura, realmente original: batida electrónica, baixo marcante e teclados de sintetizadores. Em pouco mais de um minuto, a música correspondia àquilo que se queria essencial da série: sofisticação, ritmo e personalidade. 
Ainda hoje, 30 anos depois, a música composta por Stu Phillips (actualmente com 82 anos), apesar de já algo datada, mantém ainda alguma frescura e actualidade (até pelo facto de vivermos tempos de revivalismo na música):

domingo, 10 de junho de 2012

"Prometheus"

Vi "Prometheus" numa sessão da meia-noite (com umas dez pessoas na sala de cinema). 
Globalmente, gostei desta nova incursão de Ridley Scott na ficção científica. Não estará ao nível de "Blade Runner" ou até "Alien", mas "Prometheus" demonstra fortes atributos que o podem colocar num pedestal elevado na filmografia de Scott: um argumento ardiloso e bem construído, interpretações soberbas (magníficas Noomi Rapace e Charlize Theron, excelente Michael Fassbender), uma realização à altura, uma banda sonora extremamente eficaz (de Marc Streitenfeld) e efeitos visuais impressionantes que estão ao serviço da história e não apenas para enfeitar o ecrã. Falta referir o contributo essencial do famoso artista HR Giger, responsável por todo o fascinante "set design" e as características visuais do filme (monstros incluídos).
"Prometheus" é menos uma prequela óbvia de "Alien" e mais uma meditação - em forma de filme de acção - sobre a origem da Humanidade e o lugar do homem na Terra. E já não é dizer pouco.

sábado, 9 de junho de 2012

A música de Vig

No cinema do realizador Béla Tarr, a música desempenha um papel muito importante. Mihály Vig é o compositor que mais tem colaborado, ao longo dos anos, com o cineasta húngaro. Mihály Vig, também de origem húngara, tem sabido criar composições musicais apropriadas para o universo visual tão característico de Tarr. Oscilando entre uma doce melancolia e a contemplação de teor quase onírico, a música de Vig representa uma componente essencial do cinema de Béla Tarr. 
Como nesta música do filme "Damnation", a qual atribui uma beleza negra à sequência do bar Titanic:

Discos que mudam uma vida - 165


Television - "Marquee Moon" (1977)

quinta-feira, 7 de junho de 2012

O novo Tarantino

"Django Unchained", o próximo e aguardado novo filme de Quentin Tarantino, já tem um trailer oficial. Com Christoph Waltz e Jamie Foxx como protagonistas, esta nova obra de Tarantino tem como pano de fundo a escravatura na época antes da Guerra Civil no sul norte-americano.
Pelo que o (excelente) trailer de "Django Unchained" deixa antever, é de esperar uma película bem ao estilo inconfundível do cineasta de "Pulp Fiction", como a estética visual apurada, os diálogos acutilantes, as abundantes citações cinéfilas e a banda sonora poderosamente original.
O problema é que temos de esperar até ao Natal deste ano para apreciar o filme no seu todo...

quarta-feira, 6 de junho de 2012

De Niro e o bebé

Robert De Niro teve em "Raging Bull" um dos seus mais memoráveis momentos de interpretação de toda a carreira. Nesta fotografia de produção do mesmo filme, vê-se o actor com um bebé ao colo (desconheço quem seja) pegando na claquete e com Joe Pesci a observar a cena em segundo plano. A fotografia foi tirada pelo próprio Martin Scorsese durante um intervalo nas filmagens..

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Godard, 1960

Jean-Luc Godard numa entrevista rara no início da sua carreira como realizador. Corria o longínquo ano de 1960 e Godard apresentava a sua obra revolucionária da "Nouvelle Vague" - "O Acossado" ("A Bout de Souffle") no festival de Cannes
Godard, então um jovem aparentemente impassível (sentado quase imóvel e de óculos escuros), responde às perguntas (algumas provocadoras) do jornalista, revelando uma grande dose de ironia e clareza de pensamento (mesmo quando responde "não sei").
Chamo a atenção para o último minuto da entrevista, na qual o realizador francês, muito ao seu estilo iconoclasta, diz: "Espero que consiga desiludir o público no meu segundo filme para que não possam confiar em mim nunca mais." 
Para além de admirar a obra cinematográfica do realizador húngaro Béla Tarr, admiro também a sua postura e as suas ideias. Enquanto não estreia em sala o seu último filme, "O Cavalo de Turim" (dia 14 de Junho), sugiro a leitura de uma entrevista que deu à Time Out de Londres, na qual Béla Tarr explica porque é que, aos 56 anos de idade, decidiu abandonar a carreira no cinema. O cineasta fundamenta a sua decisão dizendo que já conseguiu fazer o cinema que sempre quis fazer acerca das questões existências: "Um cinema muito simples, muito puro, acerca do peso das nossas vidas e de como acabamos por ficar cada vez mais fracos até desaparecer."
Acrescenta que já não quer, no futuro, arrastar-se por festivais e festivais a revelar um cinema cuja fórmula se repete. Em suma, Tarr está convencido que já mostrou tudo o que tinha a mostrar no cinema e, por isso, retira-se (no auge do reconhecimento artístico internacional) com a consciência de ter concebido uma obra única.
E à semelhança do que acontecia com Andrei Tarkovski, também Béla Tarr atribui uma importância fundamental à ideia de "tempo" no seu cinema, a propósito dos seus longos planos.
Entrevista aqui.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Notas de Bresson #16

"A beleza de um filme não está nas imagens (quais cartões postais) mas no inefável que delas se desprenda."

Tarantino style

O cinema de Quentin Tarantino está cheio de referências cinéfilas. O seu estilo visual é um "melting pot" de múltiplas influências vindas dos mais respeitados cineastas de culto dos anos 60 e 70. O próprio realizador afirma que a sua formação como realizador deveu-se à sua militante frequência de salas de cinema independente nos EUA, assim como quando era empregado de um videoclube, que lhe permitiu ver centenas de filmes de série B (ainda em formato VHS). 
No "Kill Bill Vol. 1" há uma sequência de 2 minutos deveras espantosa (ver abaixo) que revela o domínio perfeito de Tarantino na mise-es-scène e na realização: o grupo japonês feminino "The 5678's" começa a tocar um irresistível rock'n'roll enquanto Uma Thurman se prepara para o ataque final. Veja-se o extraordinário movimento de câmara durante todo este plano-sequência: a câmara desliza com extrema suavidade atrás das personagens e eleva-se no ar como se desafiasse as leis da gravidade. Nesta sequência magnificamente filmada, Quentin Tarantino presta clara homenagem (há quem diga antes plágio) ao célebre plano-sequência de abertura do filme "A Sede do Mal" de Orson Welles, que pode ser visto aqui.
Mesmo considerando esta referência directa ao filme de Welles, não é por isso que Tarantino deixa de ser um cineasta talentoso e de notável imaginação estética.