quarta-feira, 2 de maio de 2012
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Uma questão de escolha
"Escolha uma vida. Escolha um emprego. Escolha uma carreira – escolha uma família! Escolha a merda de uma TV gigante! Escolha uma máquina de lavar, carros, discman, abridora de latas eletrónico. Escolha um bom seguro de saúde, escolha baixo colesterol, plano de saúde dentária. Escolha uma casa – escolha os seus amigos! Escolha roupas, acessórios. Escolha um terno feito do melhor tecido. Escolha bater uma punheta num domingo de manhã pensando nessa merda de vida. Escolha sentar-se no sofá para ficar a ver programas de massas. Comer um monte de porcaria e acabar a apodrecer. E no fim do caminho escolha uma família e filhos que vão envergonhar-se de você por causa desse sentimento egoísta de que você os pôs no mundo para substituí-lo. Escolha o seu futuro. Escolha a vida.
Por que eu iria querer algo assim?
Eu escolhi ‘não escolher a vida’. Eu escolhi uma outra coisa.
E os motivos? Não há motivos.
Quem precisa de motivos quando se tem heroína?"
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Voz-off do início de "Trainspotting" (1996) de Danny Boyle
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Voz-off do início de "Trainspotting" (1996) de Danny Boyle
A música de "Prometheus"
Marc Streitenfeld é um jovem compositor para cinema de origem alemã que iniciou a sua curta carreira como assistente do já aclamado compositor Hans Zimmer. Tem feito música original e trabalhos de sonoplastia e edição de som para o realizador Ridley Scott, mas só agora o talento de Streitenfeld poderá ser reconhecido com o trabalho que fez para o muito aguardado "Prometheus", cujo fantástico trailer deixa altíssimas expectativas no ar (a sua última composição para cinema foi para o filme "The Grey").
Ora, pelo que os vários trailers deste filme de Ridley Scott revelam e do que já se pode ouvir em sites e blogs especializados, a banda sonora é de vital importância para criar o ambiente intenso e de terror sci-fi que o filme exige. Marc Streitenfeld esmerou-se na composição de uma música negra, densa e opressiva, condizente com a essência do thriller psicológico e visual que "Prometheus" demonstra ser.
Senão, atente-se a esta pujante peça musical que faz parte da banda sonora original do filme: ritmicamente minimalista e progressivamente tensa, quase de teor industrial e geradora de tensão permanente.
Se o "Alien" original já tinha uma excelente música do mestre Jerry Goldsmith, agora é a vez do (quase) novato Marc Streitenfeld poder marcar a nova incursão de Ridley Scott na série "Alien" com a música de "Prometheus".
Aguardemos, portanto.
Nota: Marc Streitenfeld é também conhecido por ser marido da actriz Julie Delpy.
domingo, 29 de abril de 2012
117 anos
Francisco José Viegas, Secretário de Estado da Cultura, a propósito da implementação nas escolas do Plano Nacional de Cinema, afirmou que "os estudantes devem perceber que o cinema não começou há cinco anos, começou há cem."
Ora, se o governante queria ser pedagógico na sua afirmação (para o caso dos estudantes o terem lido), a verdade é que não se esforçou para ser historicamente rigoroso. Por um lado, duvido que até o aluno mais burro possa alguma vez afirmar que o cinema começou "há cinco anos"; por outro lado, o próprio Secretário de Estado da Cultura peca por defeito quanto à existência da sétima arte: o cinema não começou há cem anos, como refere, mas sim há exactamente 117 anos (desde 1895).
Se o SEC queria ter sido pedagógico e objectivo, devia ter referido este número e não ter arredondado à centena, assim a modos que a despachar o assunto como quem não tem muito a certeza da coisa.
Lynch vs. Gucci
Um bom número de realizadores que hoje fazem carreira no cinema começaram na publicidade. David Fincher, Guy Ritchie, Spike Jonze ou Michel Gondry são apenas alguns nomes. O mundo da publicidade é o primeiro palco de promoção artística de um cineasta, o espaço de experimentação e onde o realizador afirma a sua linguagem estética. Por questões de visibilidade ou por motivos meramente financeiros, realizadores consagrados também se entregam aos ditames comerciais da publicidade. É o caso de David Lynch, que já assinou vários spots para produtos como perfumes ou automóveis.
Mas o que pode acontecer quando uma marca credenciada como a Gucci contrata o credenciado realizador David Lynch para assinar um recente anúncio publicitário para a televisão? Pode acontecer que Lynch incuta no anúncio a sua costela visual bizarra e surreal. Ou pode acontecer uma mistura desse seu universo tão pessoal com uma cedência estética de teor mais comercial. E é o que acontece com esta publicidade que David Lynch filmou para a Gucci. Em apenas um minuto, identificamos o estilo visual de Lynch, mas numa abordagem menos arrojada do que é habitual nos seus filmes. Seja como for, é um magnífico spot televisivo, pela forma como encadeia os planos da loura platinada, o impacto das cores fortes e saturadas, a música de Blondie a entrecruzar-se com os movimentos sensuais da actriz, os gestos em câmara lenta e os subtis sons bizarros do final. Está criado o ambiente luxuoso e exclusivo, precisamente de acordo com os fins promocionais e comerciais de um produto como o perfume Gucci.
sexta-feira, 27 de abril de 2012
A voz de Carey Mulligan em "Shame"

"Shame" ("Vergonha") de Steve McQueen. Não adorei o filme, o que não significa que o achei mau, obviamente (adorei, isso sim, o seu primeiro filme, "Hunger", de 2008). Claro que "Shame" é um belo exercício de cinema, estilizado e formalmente irrepreensível, maravilhosamente fotografado e interpretado. No entanto, não lhe consegui extrair o sumo emocional de que estava à espera. O olhar quase clínico e distanciado de McQueen esvazia a possibilidade de emoção e aumenta o ambiente cru e frio que perpassa por todo o filme.
A obsessão sexual de Brandon (sublime Michael Fassbender) é o motor de todo o processo de angústia e de autocomiseraçao, mas senti que era matéria pouca para aguentar todo o filme. Daí que julgue que "Shame" seja, também, um testemunho da solidão humana numa grande metrópole (eterna Nova Iorque), mais do que meramente a dependência sexual do protagonista (para mim, não houve outros cineasta a filmar melhor a obsessão sexual do que Luis Buñuel).
Isto tudo para dizer que a sequência que mais gostei de todo o filme é aquela que diz respeito ao momento em que Sissy (irmã de Brandon), interpretada por Carey Mulligan, canta num bar uma versão da canção "New York, New York", imortalizada por Frank Sinatra.
Ao que constam as notas de produção, toda esta sequência foi filmada em tempo real, sem cortes, e com as câmaras direccionadas para a actriz e os actores. Estes foram surpreendidos com a performance vocal da actriz e a reacção à mesma é, tudo o indica, realista. É o mais belo e enigmático momento contemplativo de todo o filme, como que a atribuir uma ambiência quente e intimista a um drama de contornos gélidos e obsessivos. E a voz de Mulligan, suave e sedutora, contribui para acentuar essa sensação.
Ao que constam as notas de produção, toda esta sequência foi filmada em tempo real, sem cortes, e com as câmaras direccionadas para a actriz e os actores. Estes foram surpreendidos com a performance vocal da actriz e a reacção à mesma é, tudo o indica, realista. É o mais belo e enigmático momento contemplativo de todo o filme, como que a atribuir uma ambiência quente e intimista a um drama de contornos gélidos e obsessivos. E a voz de Mulligan, suave e sedutora, contribui para acentuar essa sensação.
Primeiros minutos perfeitos
Na vida de qualquer cinéfilo há memórias intensas que nunca se apagam. É o caso da primeira vez que vi "Apocalypse Now", a obra-prima de Francis Ford Coppola. Tinha uns 16 anos e vi-o num antigo cinema que agora já não existe. Com essa idade, quase não tinha ainda visto cinema de qualidade em sala, e aquela experiência foi deveras forte. Há muitos momentos geniais e inesquecíveis no filme de Coppola, mas das coisas que mais me lembro e mais me marcaram foi a sequência inicial. Fiquei atónito logo com os primeiros minutos do filme, porque nunca tinha visto nada assim antes: primeiro um plano fixo da selva, silêncio, sons de pás de helicópteros, de repente, um som de uma guitarra e a voz de Jim Morrison a cantar "This is The End..." no exacto momento em que o napalm incendeia as árvores. O ecrã iliminava-se perante os meus olhos em total espanto. Enquanto as imagens de destruição ao som da música dos The Doors me impressionava, fiquei novamente surpreendido com a introdução da magnética voz off de Martin Sheen ("Saigão"....). Diria que são os primeiros minutos mais hipnóticos de sempre da história do cinema.
Na verdade, depois de muitos anos e muitos filmes vistos, concluo que nenhum outro início de filme provocou um impacto emocional em mim como este.
Ver a sequência completa aqui.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Cinema de vanguarda
Ter contacto pela primeira vez com o cinema de vanguarda é sempre uma experiência desafiadora para os sentidos. O cinema de vanguarda, existente desde o cinema mudo, percorreu e explorou estéticas completamente inovadoras na manipulação das imagens e dos seus significados. Tantas vezes relacionado com as artes plásticas, a música e a literatura, o cinema de vanguarda procurou novos caminhos artísticos e formas inovadoras de comunicação com o espectador.
Neste link sugerem-se 10 filmes-chave desta corrente cinematográfica. Contém uma breve sinopse e os respectivos filmes na sua totalidade. Na referida lista, constam nomes importantes como Stan Brakhage, Maya Deren (na imagem), Kenneth Anger, Dziga Vertov ou Marcel Duchamp.
quarta-feira, 25 de abril de 2012
O cinema na escola (finalmente)
Já por diversas vezes escrevi no blogue sobre a importância do cinema como ferramenta de educação para os mais novos. Hoje mesmo o jornal Público publicou uma reportagem sobre um plano de cinema a implementar nas escolas. Acho uma intenção de louvar por parte do Secretário de Estado da Cultura. Veremos quando e de que forma se irá concretizar este plano. Numa coisa acertou: na intenção de valorizar o cinema como uma ferramenta educacional e de afirmação artística junto dos jovens estudantes. É fundamental que esse ambicioso plano seja acompanhado de uma contextualização histórica e de uma preparação pedagógica essenciais para fomentar uma proveitora relação entre os jovens e o cinema.
Na verdade, se há uma idade na qual o cinema pode ter uma influência marcante na construção do gosto estético do indivíduo, essa idade é a da adolescência. Ora, em 2005, o British Film Institute revelou uma lista de 50 filmes que os adolescentes deveriam ver. Era uma lista bastante heterogénea em termos de diversidade de títulos (e épocas) e muito homogénea no que se refere à qualidade. Agora foi o site Flavorwire a mostrar uma lista - mais pequena - de 10 filmes que os adolescentes devem ver. É uma lista interessante mas assaz discutível no que se refere a alguns títulos:
- "O Senhor dos Anéis: O Regresso do Rei"
- "Stand By Me" (na imagem)
- "A Princesa Mononoke"
- "O Padrinho"
- "Labirinto"
- "Psico"
- "Juno"
- "O Fabuloso Destino de Amélie"
- "Rebelde Sem Causa"
- "Baraka"
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Um comentário breve: Concordo com todos estes títulos (saúdo especialmente "Baraka"!) à excepção de um: "Psico" de Hitchcock. Apesar dos jovens de hoje estarem habituados a ver filmes de terror e de violência gráfica, parece-me que o terror psicológico do filme de Hitch é demasiado denso e perturbador para cabeças de 13 ou 14 anos.
- "Psico"
- "Juno"
- "O Fabuloso Destino de Amélie"
- "Rebelde Sem Causa"
- "Baraka"
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Um comentário breve: Concordo com todos estes títulos (saúdo especialmente "Baraka"!) à excepção de um: "Psico" de Hitchcock. Apesar dos jovens de hoje estarem habituados a ver filmes de terror e de violência gráfica, parece-me que o terror psicológico do filme de Hitch é demasiado denso e perturbador para cabeças de 13 ou 14 anos.
terça-feira, 24 de abril de 2012
Espanha não liga ao cinema
Segundo o jornal espanhol ABC, a crise no cinema em Espanha continua a dar que falar. Segundo o que dados oficiais indicam, houve uma brutal quebra de receitas de bilheteira nos cinemas espanhóis durante o primeiro trimestre deste ano: nada mais, nada menos do que 42% a menos.
Por este andar, Espanha chega a Dezembro com um score negativo de 80%!...
domingo, 22 de abril de 2012
A beleza estética de "Amelia"
La La La Human Steps é uma influente companhia canadiana de dança contemporânea fundada em 1980 pelo consagrado coreógrafo Édouard Lock. Rapidamente impôs um estilo de dança invulgar, muito físico e enérgico, com uma abordagem quase acrobática da dança (sem perder a sensibilidade mais fina). Esta companhia trabalhou com famosos músicos e grupos de rock como Frank Zappa, David Bowie, Einsturzende Neubauten, ou Skinny Puppy (na concepção de coreografias ou videoclips). O líder da companhia, Édouard Lock realizou diversos filmes (curtas-metragens) com base em coreografias do próprio. A mais famosa e reconhecida (com vários prémios em festivais internacionais de cinema) é "Amelia" (2002), um extraordinário trabalho que alia a dança muito expressiva com momentos de maior serenidade. "Amelia" tem apenas a duração de 25 minutos, mas são 25 minutos de grande intensidade visual, física e musical (do notável compositor contemporâneo David Lang, que até reinterpreta o clássico "Waiting for the Man" dos Velvet Underground).
Em "Amelia", os bailarinos estão numa estranha mas visualmente expressiva caixa de madeira, aparentemente sem entradas ou saídas. Édouard Lock filma os movimentos dos corpos com fascinantes ângulos e movimentos de câmara, de forma a captar as mudanças bruscas coreográficas. A música de David Lang, composta à base de cordas e voz, é de uma grande subtileza dramática, proporcionando momentos contagiantes de movimentos corporais (por vezes os bailarinos ficam suspenso no ar, dão piruetas inesperadas...).
"Amelia" é, em suma, um fabuloso trabalho de dança contemporânea filmado com a exigência de um filme, resultando num todo artístico verdadeiramente único. Poesia para os sentidos. Tudo é brilhante nesta curta-metragem: iluminação, realização, montagem e coreografia. É impossível ficar indiferente a esta obra, mesmo para quem diz que não gosta de dança contemporânea. Pesquisei na internet e não encontrei o filme na sua totalidade, no entanto pode-se degustar oito minutos através deste expressivo excerto:
sábado, 21 de abril de 2012
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Cannes: a mais elevada expectativa

Se dúvidas houvessem, o festival de Cannes aí está para confirmar que é o melhor e mais competitivo festival de cinema do mundo. Não há realizador – por mais ou menos veterano que seja – que não queira estrear e competir em Cannes. Prova disso é (à semelhança do ano anterior) a extraordinária lista de realizadores que competem à almejada Palma de Ouro.
Convenhamos: em 21 títulos ter filmes de cineastas como Haneke, Loach, Kiarostami, Reygadas, Resnais, Salles, Cronenberg, Mungiu, Audiard ou Carax, é passar um esplêndido e inequívoco atestado de qualidade ao mais alto nível a esta edição de Cannes. Mais uma vez, Cannes volta a ser uma fabulosa montra do melhor cinema contemporâneo num patamar da mais elevada categoria artística e expectativa. E perante tantos realizadores de renome, tentar adivinhar quem levará a Palma de Ouro é arriscar no total escuro.
-----Eis a lista da Competição:
“Amour”, Michael Haneke
“The Angels' Share”, Ken Loach
“Baad el mawkeaa”, Yousry Nasrallah
“Beyond the Hills”, Cristian Mungiu
“Cosmopolis”, David Cronenberg
“Holy Motors”, Leos Carax
“The Hunt”, Thomas Vinterberg
“Killing Them Softly”, Andrew Dominik
“In Another Country”, Hong Sang-soo
“In the Fog”, Sergei Loznitsa
“Lawless”, John Hillcoat
“Like Someone in Love”, Abbas Kiarostami
“Mud”, Jeff Nichols
“On the Road”, Walter Salles
“The Paperboy”, Lee Daniels
“Paradies: Liebe”, Ulrich Seidl
“Post tenebras lux”, Carlos Reygadas
“Reality”, Matteo Garrone
“Rust and Bone”, Jacques Audiard
“Taste of Money”, Im Sang-soo
“You Haven't Seen Anything Yet”, Alain Resnais
“Amour”, Michael Haneke
“The Angels' Share”, Ken Loach
“Baad el mawkeaa”, Yousry Nasrallah
“Beyond the Hills”, Cristian Mungiu
“Cosmopolis”, David Cronenberg
“Holy Motors”, Leos Carax
“The Hunt”, Thomas Vinterberg
“Killing Them Softly”, Andrew Dominik
“In Another Country”, Hong Sang-soo
“In the Fog”, Sergei Loznitsa
“Lawless”, John Hillcoat
“Like Someone in Love”, Abbas Kiarostami
“Mud”, Jeff Nichols
“On the Road”, Walter Salles
“The Paperboy”, Lee Daniels
“Paradies: Liebe”, Ulrich Seidl
“Post tenebras lux”, Carlos Reygadas
“Reality”, Matteo Garrone
“Rust and Bone”, Jacques Audiard
“Taste of Money”, Im Sang-soo
“You Haven't Seen Anything Yet”, Alain Resnais
quarta-feira, 18 de abril de 2012
O guitarrista com Parkinson

Gosto da trilogia "Regresso ao Futuro".
São três filmes de entretenimento de qualidade e que, à época, inovou em termos narrativos. E gosto especialmente do primeiro filme da série, "Back to the Future" (1985), que vi ainda no cinema. O argumento era consistente, ousado e original e a ideia de brincar com a dimensão temporal era irresistível e muito divertida.Por outro lado, as interpretações memoráveis de Michael J. Fox como Marty McFly e Christopher Lloyd como Dr. Emmett Brown, tornaram esta trilogia inesquecível para várias gerações.
No primeiro filme, há uma sequência particularmente hilariante (pelo menos para mim, que me ri desalmadamente a primeira vez que a vi): é quando Marty McFly viaja para o ano de 1955 e toca, num baile de finalistas, o hino do rock'n'roll "Johnny B. Goode" de Chuck Berry. A sequência é hilariante porque Marty McFly toca guitarra eléctrica num tempo em que o rock ainda não era moda, e os solos finais espantam a plateia que fica estática a vê-lo tocar como se não houvesse amanhã.
No filme, Michael J. Fox simulou tocar guitarra eléctrica, mas o curioso é que aprendeu pouco tempo depois a tocar verdadeiramente. Como é sabido, o actor foi acometido da doença de Parkinson nos anos 90, deixando para trás uma carreira no cinema que poderia ter sido brilhante. Ao invés, Michael tem-se dedicado a promover acções de beneficiência e de apoio ao combate à doença. Num desses eventos de angariação de fundos (no final de 2011), Michael J. Fox voltou a tocar o clássico "Johnny B. Goode" em palco. Mas desta vez não simulou: apesar da doença lhe condicionar os movimentos, tocou os acordes e os solos, qual guitar-hero para gáudio da assistência.
Tem o seu quê de comovente e de irónica esta atitude de actor de "Back to the Future", mas tem sobretudo muito de coragem e de abnegação (e é espantoso como continua a parecer um eterno adolescente irrequieto).
Força Michael!
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Para ver a sequência do filme, clicar aqui.-----
Michael J. Fox toca "Johnny Be Goode" ao vivo em 2011, num concerto de apoio às vítimas da doença de Parkinson.
terça-feira, 17 de abril de 2012
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