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segunda-feira, 6 de abril de 2015

"Trivialidades do Hopper"

"Trivialidades do Hopper"

É este o título de uma página de Facebook cuja essência se resume a diálogos e pensamentos triviais dos personagens da obra "Nighthawks" (1942) do artista plástico Edward Hopper. É um projecto da minha autoria que nasceu agora e que irá sendo actualizado diariamente, numa ideia que me surgiu após uma leitura de um texto sobre o forte poder inspirador que esta célebre pintura suscita. Daí ter-me lembrado que seria interessante explorar o que dizem e pensam aqueles três homens e aquela mulher, aparentemente solitários, sobre os assuntos mais triviais (ou não) do quotidiano. Serão apontamentos sobre o pulsar da vida nas suas múltiplas facetas.
Se gostarem façam like, partilhem e sigam.

Para abrir Aqui.


segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

A solidão segundo Hopper

Olho sempre para a pintura de Edward Hopper (1882 - 1967) com delicada emoção. Observador atento da solidão humana na primeira metade do século XX, Edward Hopper consegue ser cada vez mais actual. Num mundo transbordante de tecnologia que nos liga em tempo real ao mundo global, o indivíduo torna-se escravo da mesma, tomando atitudes de pura alienação perante o que o rodeia.
Hopper teve essa sensibilidade de registar, em melancólicas e coloridas telas, esse sentimento de despojamento social, de espaços urbanos "com gente" mas onde não existe comunicação, afectos, ou resquícios de felicidade. Só existe silêncio e inquietação psicológica (como revela esta intrigante exposição de fotografia que prova como as pessoas preferem ver o telemóvel do que conversarem).
Expressão de solidão, vazio, desolação e estagnação da vida humana. À luz da expressiva e realista pintura de Hopper, é cada vez mais assim que vejo o meu mundo, no limiar de 2015: uma sociedade alienada, vazia, desolada, em silêncio perturbador, à espera que alguma luz ilumine a vida monótona e rotineira, sem esperança, sem fulgor para viver uma... vida.





quarta-feira, 5 de junho de 2013

A melancolia de Hopper

Raramente escrevo no blogue sobre pintura. E devia fazê-lo mais vezes.
Escrever, por exemplo, sobre um dos pintores de que mais gosto: o enigmático e melancólico Edward Hopper. A sua pintura inquieta o olhar porque nos coloca perante figuras solitárias e perante o silêncio da paisagem, a alienação de uma sociedade egocêntrica. Mas eu nem me alongo mais, porque sobre a arte de Hopper e tudo o que ele representa e significa, escreveu muito bem o José Antônio Orlando no seu blogue Semióticas, que eu aconselho a consultar.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

O caldeirão da arte

Que artista sairia de um caldeirão no qual se pudesse juntar o surrealismo (egocentrista) de Salvador Dalí, a expressividade (temperamental) de Jackson Pollock, a provocação (pop) de Andy Warhol e as paisagens (melancólicas) de Edward Hopper?

Que compositor sairia de um caldeirão no qual se pudesse juntar a simplicidade (genial) de Erik Satie, a efervescência (rítmica) de Stravinsky, a exploração (tímbrica) de Edgar Varèse e o nacionalismo (musical) de Bartók?

Que realizador sairia de um caldeirão no qual se pudesse juntar a frieza (emocional) de Bergman, o humor (absurdo) de Groucho Marx, a violência (estilizada) de Sam Peckinpah e a perversidade (da carne e da mente) de David Cronenberg?

Que escritor sairia de um caldeirão no qual se pudesse juntar a verve (erótica) de Henry Miller, a visão (pessimista) de Schopenhauer, a loucura (desenfreada) de Ezra Pound e a placidez (contagiante) de Albert Cossery?

Que banda sairia de um caldeirão no qual se pudesse juntar a pop (decadentista) dos Tindersticks, o humor (cáustico) dos Butthole Surfers, a convulsão (sónica) dos Einstürzende Neubauten e o lirismo (noir) dos Dead Can Dance?

Que fotógrafo sairia de um caldeirão no qual se pudesse juntar a plasticidade (perturbadora) de Diane Arbus, a beleza (etérea) de Sebastião Salgado, a irreverência (sexual) de Robert Mapplethorpe, e a espontaneidade (histórica) de Robert Capa?

quinta-feira, 1 de julho de 2010

O Silêncio


Há um tema que raramente se discute, pensa, reflecte: o silêncio. É imperiosa a necessidade e a importância do silêncio numa sociedade onde o ruído e os sons nos rodeiam de forma omnipresente, e muitas vezes, de forma agressiva. Mas poucas vezes desfrutamos dele como seria desejável. O silêncio parece incomodar até nas relações humanas - como confessa John Travolta a Uma Thurman em "Pulp Fiction" sobre os "silêncios incómodos" num diálogo entre mulher e homem.
No mundo da música é inevitável falar da obra 4'33'' de John Cage, a tal peça "musical" que é apenas silêncio. A visão artística de Cage foi sintomática e visionária (nos anos 60) para dar a entender que o ruído aleatório e o seu contrário, o silêncio mais profundo, podem ser considerados música. Cage rompeu com as convenções estéticas da música contemporânea ao introduzir o elemento silêncio numa composição e abrir as portas à percepção sonora do nosso meio ambiente.
O silêncio no cinema também é fulcral: grandes cineastas como Antonioni, Bergman (deste realizador bastava citar o filme "O Silêncio") ou Tarkovski são autores que passaram quase uma vida artística a abordar o silêncio na vida contemporânea, de como ele interfere na comunicação humana, na percepção da religiosidade e da espiritualidade. E o que dizer do silêncio na poesia? No teatro? O silêncio é peça fundamental na expressividade de emoções e situações. Apesar de não ter palavras, o silêncio é pura comunicação. Sempre que vejo telas de Edward Hopper vislumbro o mais profundo silêncio.
Uma coisa é certa: sem a possibilidade de fruir o silêncio, a nossa vida fica insuportavelmente austera, enclausurada sob si própria, sem espaço para a reflexão, para a interioridade.
Como refere Aldous Huxley: "O silêncio está tão repleto de sabedoria e de espírito em potência como o mármore não talhado é rico em escultura".
Imagem do filme "Stalker" de Andrei Tarkovski

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Edward Hopper revisto


É uma das pinturas mais conhecidas do século XX, um verdadeiro ícone da cultura americana: "Nighthawks" ("Noctívagos") de Edward Hopper. Foi pintada em 1942 e retrata um café, aberto à noite, com clientes sentados e um empregado a servir. A pintura foi inspirada no bairro Greenwich Village de Manhattan após o ataque de Pearl Harbour e expressa todo o clima de depressão da grandiosa Big Apple.
Hopper interessou-se em explorar os espaços urbanos vazios, a solidão de personagens anónimos, representados por situações quotidianas da vida rural e citadina (estações de serviço, motéis, estações ferroviárias, ruas vazias, cenas rurais da Nova Inglaterra e interiores de escritórios). A pintura realista de Hopper acentua a solidão das grandes cidades, com contrastes em termos de luz e de expressividade plástica.
É o que acontece com esta obra "Nighthawks": o estranho vazio nocturno da rua contrasta com o interior fortemente iluminado do bar. Não há carros a passar na estrada, não há transeuntes, não há "acção". As personagens não comunicam, sentido-se no ar a solidão das mesmas, num bizarro ambiente nocturno. Actualmente esta obra encontra-se no prestigiado Instituto de Arte de Chicago.
Esta pintura de Edward Hopper ganhou enorme reputação e divulgação mundial ao longo das décadas e influenciou, sobremaneira, muita da cultura subsequente, do cinema à música (Tom Waits tem uma canção dedicada à pintura), da literatura à televisão. Os pastiches, citações, paródias e homenagens a "Nighthawks" contam-se por largas dezenas. A título de exemplo, vejam-se estas releituras do ambiente de "Nighthawks", desde a perspectiva de Lego à dos Simpsons:






domingo, 24 de janeiro de 2010

Hitchcock e a pintura

"The Scream" (1893) -Edvard Munch
"The Birds" (1963) - Alfred Hitchcock
"Compartment C" (1938) - Edward Hopper

"39 Steps" (1939) - Alfred Hitchcock
"House by the Railroad" (1925) - Edward Hopper

"Psycho" (1960) - Alfred Hitchcock

domingo, 16 de agosto de 2009

Releituras de "Nighthawks"

É uma das pinturas mais conhecidas do século XX, um verdadeiro ícone da cultura americana: "Nighthawks" ("Noctívagos") de Edward Hopper. Foi pintada em 1942 e retrata um café, aberto à noite, com clientes sentados e um empregado a servir. A pintura foi inspirada no bairro Greenwich Village de Manhattan após o ataque de Pearl Harbour e expressa todo o clima de depressão da grandiosa Big Apple.
Hopper interessou-se em explorar os espaços urbanos vazios, a solidão de personagens anónimos, representados por situações quotidianas da vida rural e citadina (estações de serviço, motéis, estações ferroviárias, ruas vazias, cenas rurais da Nova Inglaterra e interiores de escritórios). A pintura realista de Hopper acentua a solidão das grandes cidades, com contrastes em termos de luz e de expressividade plástica. É o que acontece com esta obra "Nighthawks": o estranho vazio nocturno da rua contrasta com o interior fortemente iluminado do bar. Não há carros a passar na estrada, não há transeuntes, não há "acção". As personagens não comunicam, sentido-se no ar a solidão das mesmas, num bizarro ambiente nocturno. Actualmente esta obra encontra-se no Instituto de Arte de Chicago.
Esta pintura de Edward Hopper ganhou enorme reputação e divulgação mundial ao longo das décadas e influenciou, sobremaneira, muita da cultura subsequente, do cinema à música (Tom Waits tem uma canção dedicada à pintura), da literatura à televisão. Os pastiches, citações, paródias e homenagens a "Nighthawks" contam-se por centenas. Vejam-se estas releituras do ambiente de "Nighthawks", desde a perspectiva de Lego à dos Simpsons:






quinta-feira, 20 de novembro de 2008

O caldeirão

Que artista sairia de um caldeirão no qual se pudesse juntar o surrealismo (egocentrista) de Salvador Dalí, a expressividade (temperamental) de Jackson Pollock, a provocação (pop) de Andy Warhol e as paisagens (melancólicas) de Edward Hopper?

Que músico sairia de um caldeirão no qual se pudesse juntar a simplicidade (genial) de Erik Satie, a efervescência (rítmica) de Stravinsky, a exploração (tímbrica) de Edgar Varèse e o nacionalismo (musical) de Bartók?

Que realizador sairia de um caldeirão no qual se pudesse juntar a frieza (emocional) de Bergman, o humor (absurdo) de Groucho Marx, a violência (estilizada) de Sam Peckinpah e a perversidade (da carne e da mente) de David Cronenberg?

Que escritor sairia de um caldeirão no qual se pudesse juntar a verve (erótica) de Henry Miller, a visão (pessimista) de Schopenhauer, a loucura (desenfreada) de Ezra Pound e a placidez (contagiante) de Albert Cossery?

Que banda sairia de um caldeirão no qual se pudesse juntar a pop (decadentista) dos Tindersticks, o humor (cáustico) dos Butthole Surfers, a convulsão (sónica) dos Einstürzende Neubauten e o lirismo (noir) dos Dead Can Dance?

Que fotógrafo sairia de um caldeirão no qual se pudesse juntar a plasticidade (perturbadora) de Diane Arbus, a beleza (etérea) de Sebastião Salgado, a irreverência (sexual) de Robert Mapplethorpe, e a espontaneidade (histórica) de Robert Capa?