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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

"O Mentor"

"O Mentor" de Paul Thomas Anderson: grande expectativa, semi-desilusão.
O filme é todo ele carregado às costas por dois soberbos actores, Philip Seymour Hoffman e Joaquin Phoenix. E, claro, pela não menos soberba realização e mise-en-scène de Paul T. Anderson. Só que fiquei com a notória sensação de que a história e o ritmo com que é narrada são componentes menos conseguidos do filme.
O argumento emaranha-se em episódios arrastados e até inconsequentes e parece que nunca consegue arrancar para a intensidade que se desejava como é habitual num filme de Anderson. Hoffman compõe um notável personagem, fanático e obsessivo. Phoenix é convincente na alma penada à procura de uma salvação terrena (só não ganha o Óscar de Melhor Actor porque existe um senhor chamado Daniel Day-Lewis). 
Porém, tudo gira demasiado à volta da relação destas duas figuras icónicas e pouco mais de substancial sobra para a memória futura do espectador.
Pelo que apetece perguntar directamente: Paul Thomas Anderson, onde está o grande fôlego e criatividade que revelaste quando fizeste "Magnólia" ou "Haverá Sangue"?

sábado, 18 de setembro de 2010

A actuação da vida de Joaquin Phoenix


E pronto, tal como era previsível, está oficialmente desmontado o "fenómeno" do actor Joaquin Phoenix. Convenhamos que a farsa foi bem montada e que Phoenix interpretou o personagem mais exigente da sua carreira - durante dois anos, inclusive no círculo pessoal, sem ceder um milímetro (a entrevista a David Letterman - na imagem - ficará para sempre registada, para o futuro, como um momento de pura antologia televisiva).
Agora resta ver o documentário "I'm Still Here" de Casey Affleck para comprovar isso mesmo.
Sobre este assunto da alegada loucura do actor, escrevi aqui dois posts.

domingo, 9 de maio de 2010

A verdade sobre Joaquin Phoenix


Em Agosto de 2009 escrevia neste post que o actor Joaquin Phoenix estava a transformar-se num enigma devido ao seu comportamento anormal no programa de David Letterman (assim como noutras circunstâncias). Foi por essa altura que o actor de "Two Lovers" avisou que iria deixar Hollywood para se dedicar a uma carreira no mundo da música hip-hop. O mundo do espectáculo dividiu-se em dois: os que acreditavam na aparente loucura do actor, e os que achavam que se tudo se tratava de uma engenhosa encenação.
A este propósito, o jornal espanhol El País publica hoje um artigo no qual defende a tese segundo a qual Joaquin Phoenix encenou, durante um ano, o seu comportamento para um "mockumentary", isto é, um falso documentário realizado pelo seu cunhado Casey Affleck (também ele actor). O documentário dá pelo título "I'm Still Here: The Last Year of Joaquin Phoenix", e pretende retratar um ano de aventuras (sobretudo desventuras) do actor agora barbudo e com ar alienado.
A ser verdade esta encenação, há que dar o mérito a Joaquin Phoenix pela convincente interpretação ao longo de todo um ano de comportamentos bizarros e provocadores. Depois da estreia deste falso documentário, aguarda-se que Phoenix venha a público revelar toda a verdade.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Joaquin Phoenix - o enigma


Ainda a propósito do recente filme "Two Lovers" de James Gray, considerado por muita gente um dos mais interessantes melodramas dos últimos anos, é sabido que foi a última participação no cinema de Joaquin Phoenix, o protagonista do filme. Pelo menos é o que o actor tem, repetidamente, dito nos últimos tempos. A verdade é que Hollywood (e não só) está perplexa com a transformação física e de personalidade de Phoenix. Desde que surgiu de barba, cabelo comprido e óculos escuros, o jovem actor não diz coisa com coisa. É certo que esteve internado há três anos devido ao excesso de consumo de álcool. Agora há quem afirme que se afundou novamente nesta dependência. Várias teorias circulam à volta deste comportamento estranho de Phoenix. Há quem afirme tratar-se de um golpe de marketing muito bem montado pelo próprio actor e que mais cedo ou mais tarde, irá regressar ao grande ecrã. Há quem sustente que o actor está com uma grave depressão e psicologicamente alterado. Na verdade, quem o vê no estado actual ou o vê na excelente interpretação no filme "Two Lovers", é tentado a considerar que não se trata da mesma pessoa.
A "bomba" explodiu em Fevereiro no célebre programa da CBS, "Late Show", com o intrépido jornalista David Letterman, no qual o actor foi entrevistado. Nesta entrevista, Joaquin Phoenix surgiu completamente alienado, com atitudes de total alheamento e desinteresse, não respondeu às perguntas de Letterman, esqueceu-se do nome da actriz Gwyneth Paltrow com quem contracenou, colou uma pastilha debaixo da mesa do entrevistador, disse que não sabia porque se retira da carreira no cinema e que vai enveredar pela carreira de músico hip-hop (rapper). Joaquin Phoenix, que até cantou no filme "Walk The Line", quer seguir uma carreira de rapper, aparentemente, não muito promissora.
A entrevista a David Letterman foi realmente embaraçosa e bizarra, levantando legítimos rumores sobre o estado mental do actor que, com o novo look e estas estranhas atitudes, pode estar à beira de um sério esgotamento ou simplesmente a pôr em prática uma elaborada farsa (afinal é actor) à maneira de um Andy Kaufman (actor cómico que assumia várias personalidades de forma quase esquizofrénica). É que Phoenix já tinha sido entrevistado em 2005 no mesmo "talk-show" e a atitude foi muito diferente. Pessoalmente, dar-me-ia gozo que tudo isto não passasse de uma encenação intencional e que daqui a algum tempo (anos?) o próprio actor desmascarasse o embuste. Seria uma prova do grande actor que Phoenix é.
A verdade de todo este enigma poderá vir ao de cima quando estrear o documentário que o actor-realizador Casey Affleck está a fazer sobre Joaquin Phoenix. Aguardemos, portanto.

PS - O comediante Ben Stiller gozou com Joaquin Phoenix aquando da última cerimónia dos Óscares.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

"Two Lovers" - As dimensões do amor


A ser verdade o que Joaquin Phoenix disse há tempos sobre o fim da sua carreira (para deixar crescer a barba e o cabelo e se dedicar à música), o filme "Two Lovers" terá sido a sua última participação no cinema. E é pena, porque Phoenix poderá passar ao lado de uma grande carreira de actor.
Realizado por James Gray que já mostrou ao mundo dois filmes muito dignos - "Little Odessa" (1994) e "Nós Controlamos a Noite" (2007) - "Two Lovers" marca o regresso do cineasta em registo de melodrama despretensioso mas muitíssimo competente. Em Portugal o filme tem por título "Duplo Amor", e conta a história de um triângulo amoroso protagonizado por Joaquin Phoenix, Gwyneth Paltrow e Vinessa Shaw. Uma relação sentimental desequilibrada e à beira do precipício emocional, sobretudo pelo personagem de Phoenix, homem instável que tenta o suicídio devido a um desgosto amoroso. O filme de Gray não resvala para os lugares-comuns de filmes com argumento similar, mostrando habilidade na gestão da progressão dos acontecimentos, recorrendo a uma sóbria realização, a uma direcção de actores irrepreensível e a uma fotografia densa a condizer com a nebulosidade emocional que perpassa por todo o filme. "Two Lovers" é uma obra sensível e terna (ainda que por vezes tensa), que aborda o amor nas suas múltiplas dimensões e manifestações, sem nunca revelar soluções morais fáceis para os problemas focalizados.
O filme pode ser visto nas salas de cinema (estreia esta semana) ou pode ser visto, mais domesticamente, aqui.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

A violência sobre os terráqueos como nós

Alertado pelo meu amigo e blogger Rolando, fiquei a conhecer um documentário perturbante sobre os direitos dos animais – “Earthlings” (“Terráqueos”). Confesso que nunca tinha ligado muito à teoria do Especismo, a qual, basicamente, preconiza que os interesses de um indivíduo são de menor importância pelo mero facto de se pertencer a uma determinada espécie. Defende, também, os direitos dos animais até às últimas consequências. O Especismo está ligado ao movimento vegetariano (ou Vegan).
Ora, depois de ver o dito documentário “Earthlings” (2005), realizado por Shaun Monson e narrado pelo actor e activista Joaquin Phoenix (é vegetariano e membro da PETA, a maior organização mundial de defesa dos animais) fiquei com a clara ideia de que o estado civilizacional a que o homem chegou se encontra, para com os direitos dos animais, numa espécie de idade das trevas. Paradoxo? Nem por isso. “Earthlings” relata a dependência da humanidade em relação aos animais (terráqueos como nós) para obter alimentação, vestuário e diversão, além do uso em experiências científicas. Câmaras ocultas vasculharam indústrias de alimentação animal, científicas e de diversão (circos) para mostrar ao mundo as torturas, mortes e sofrimentos a que são submetidos os animais. Sangue e horror a jorros é o que podemos ver, não sem indignação moral, neste filme que agitou consciências e alertou o mundo para um repensar da relação dos humanos para com os animais.
Impressionante é, igualmente, a narração da voz off do actor Joaquin Phoenix. Com total domínio emocional vocal e sem sentimentalismos fáceis (apesar da dureza das imagens), Phoenix relata friamente as terríveis imagens que são visionadas. A música original do artista Moby ajuda a criar densidade dramática. É um documentário duro, violento, cruel e perturbante, mas que tem o condão de alertar consciências colectivas e denunciar os maus tratos a que são sujeitos animais tão dóceis e indefesos como os golfinhos, macacos, porcos, gatos, cães, vacas, etc.
Como não está ainda no mercado de DVD nacional, vale a pena ver “Earthlings”, integralmente e com legendas em português, aqui.