quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Novo livro de David Byrne

Eis o novíssimo livro do músico David Byrne. Com o título sugestivo "How Music Works", o ex-líder dos seminaisTalking Heads procede a uma série de reflexões sobre a importância e o poder que a música tem nas múltiplas áreas de actividade humana. Sob um ponto de vista científico, cultural e antropológico, David Byrne investiga quais os processos que levam à criação musical e aos diferentes efeitos que esta produz nos ouvintes. 
Este livro ainda não tem tradução portuguesa mas a original pode ser comprada online via Amazon.
 






Anderson e Desplat

O filme "Moonrise Kingdom" de Wes Anderson é um prodígio de imaginação visual, rigor estético e narrativa efusiva. Na linha dos seus anteriores filmes, Wes Anderson está a construir uma linguagem plástica única, com características marcadamente de autor. O ritmo da montagem, o tom suavemente surrealista das histórias, a realização milimétrica, a mise-en-scène obsessiva e a utilização inteligente da banda sonora, fazem da obra de Wes Anderson em geral, e de "Moonrise Kingdom", em particular, uma notável manifestação artística em imagens e sons.
E no que se refere à música, há que dar um grande destaque à soberba e inspiradíssima banda sonora que o compositor francês Alexandre Desplat fez para o último filme de Anderson (uma das melhores bandas sonoras para cinema deste ano, quanto a mim). A partir da obra do compositor britânico Benjamim Britten (cuja música também se ouve no filme), Desplat compôs uma música timbricamente expressiva e de grande sensibilidade estilística.  
Neste particular e belo trecho, a música de Desplat faz lembrar Danny Elfman misturado com Bernard Herrmann:

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Aquele momento certo

Vítor Rua é um músico português consagrado. Foi um dos elementos fundadores do grupo rock GNR e do projecto experimental Telectu durante mais de 20 anos. Tem também larga experiência na composição de música para teatro, performance e bailado.
O seguinte texto que publico é de um post que Vítor Rua publicou na sua página pessoal do Facebook. Trata-se de um pequeno exemplo de como um breve instante pode mudar a vida e a visão artística de um artista:
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"Eu sou dos que acredita, que ler um bom livro, ver um bom filme, olhar um belo quadro ou ouvir uma boa música, pode mudar a vida de uma pessoa; ao guitarrista americano Elliott Sharp, aconteceu-lhe uma dessas coisas que nos fazem mudar; um dia, com 16 anos de idade, ia a passear pela rua 48 em Nova Iorque, e ao passar junto ao Manny´s (uma loja de guitarras), ouviu o som mais estranho que alguma vez tinha ouvido na vida; entrou, e foi à procura da fonte sonora; foi então que viu um tipo de joelhos, virado com uma Fender para o amplificador, só a controlar e a produzir feedback; quando o tipo de levantou e se virou, o Sharp reparou que era o Jimi Hendrix; esta experiência mudou todos os conceitos que o Sharp tinha do que era ser-se guitarrista."
[Vítor Rua]

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Filmes até rebentar

Na Bolívia, dois jovens conseguiram ver 92 filmes durante 200 horas, 30 minutos e 50 segundos, sem dormir. O concurso começou com 1400 participantes e os resistentes bolivianos vencedores conseguiram levar a melhor.
O record anterior (2011) era de 60 filmes sem dormir, largamente superado agora com 92 filmes. Os jovens tinham períodos de descanso de 15 minutos entre cada filme e meia-hora para comer. Eram vigiados por médicos para evitar dopagem. O prémio foi de 10 mil dólares.
Mais interessante do que saber que os jovens aguentaram 200 horas a ver filmes, era saber que filmes efectivamente viram. Filmes de acção e aventura? Ou filmes de autor de países do leste asiático? Certamente que a selecção terá contribuído para uma maior (ou menor resistência dos participantes). E sejamos honestos: ao fim de um determinado número de horas (80? 100? 150?) já ninguém consegue "ver" cinema. Apenas se olha sem qualquer concentração, e meio atordoado, para o ecrã...
Seja como for, perante tal avalanche violenta a ver filmes, pergunto-me quando voltarão estes jovens a entrar numa sala de cinema para ver um filme... com verdadeiro prazer de espectador?
 

domingo, 9 de setembro de 2012

Imagens do fim do mundo

O filme "4.44 - Último Dia na Terra" de Abel Ferrara, ainda em exibição nas salas portuguesas, aborda o fim do mundo. Mas, à semelhança do fim do mundo de "Melancholia" de Lars Von Trier, não existem praticamente imagens de destruição do planeta Terra. Em ambos os filmes, o apocalipse é metafórico, emocional, e não de carácter visual.
Ora, um tal Zach Prewitt resolveu pegar nos muitos filmes sobre o apocalipse que se fizeram nos últimos anos e fez uma ardilosa montagem com as sequências mais destrutivas e apocalípticas (são imagens de 22 filmes), desde a destruição provocada por fenómenos devastadores da natureza, até à provocada pela acção humana e alienígena.
Em suma, um verdadeiro compêndio de "cinema-catástrofe" que fará as delícias daqueles que acreditam que o fim do mundo está agendado para o dia 21 de Dezembro de 2012!

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Woody Allen e "Ladrões de Bicicleta"

E por falar em Woody Allen: como se sabe, o seu último filme ("To Rome With Love") tem como cenário a cidade italiana de Roma. Daí que tenha sido desafiado pela imprensa italiana para escolher os seus filmes italianos preferidos. Um dos filmes italianos de que Woody Allen mais gosta (já o referiu várias vezes publicamente) é o magnífico "Ladrões de Bicicletas" (1948), obra-prima de Vittorio De Sica e um marco essencial do Neo-Realismo italiano.
Sobre esta película, Woody explicou os motivos pelos quais considera esta obra como absolutamente admirável. Os seus argumentos são tão simples, nobres e objectivos como o próprio filme em si:
"This, to me, was the supreme Italian film and one of the greatest films in the world. It was out when I was a teenager, in the same era as “Stromboli” and “Bitter Rice,” that wave at the time. When you see it, it seems so simple and effortless. I mean, what could be more simple? A guy has a bicycle which he needs for his livelihood, it gets stolen, and he goes to find it with his son. The boy’s relationship with his father was part anger, part desperate affection. It couldn’t help but make an impression on the most primitive level. You didn’t have to think about anything, you just watched the characters and their predicament. It’s flawless; every part of it works perfectly."

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Luke Scott

Filho de peixe sabe nadar: eis o realizador Luke Scott, filho e sobrinho de dois famosos realizadores, respectivamente, de Ridley Scott e do malogrado Tony Scott. Depois de várias experiências com documentários e vídeos dispersos, Luke Scott aventurou-se numa curta-metragem de ficção científica para testar uma nova geração de câmaras digitais (RED Cameras) que filmam no formato de alta resolução 4k.
O resultado é o filme de ficção científica "Loom" (20 minutos de duração). Como não podia deixar de ser, o estilo visual e a própria história remetem directamente para o universo imagético do emblemático filme de culto do pai, "Blade Runner".
Nota-se que é uma curta-metragem feita com profissionalismo e refinado gosto plástico (qualidade de imagem irrepreensível), na qual o protagonista principal trabalha num misterioso laboratório de clonagem de carne.
Uma interessante experiência que poderá preparar Luke Scott para - é quase certo - uma futura longa-metragem.

Woody Allen e os filmes europeus

Woody Allen, em entrevista ao jornal El País, explica porque é que tem feito filmes nos últimos anos em cidades europeias: basicamente, porque é na Europa que lhe dão o dinheiro  que precisa sem que ninguém exija algo em troca (como nos EUA, onde lhe dão pouco dinheiro e querem saber tudo sobre o argumento e elenco). Diz ainda que concorda que estes filmes realizados na Europa possam ser considerados "guias turísticos", como já o era, o filme "Manhattan" e outras obras filmadas em Nova Iorque.
Vendo bem, são argumentos lúcidos e honestos. O cineasta não é hipócrita: vai ao cerne da questão de forma pragmática. Isto é, assume que o cinema é uma arte cara e filma nos países onde lhe dão dinheiro e liberdade criativa, condições essenciais para a prática cinematográfica em qualquer país do mundo. Faz sentido e não há mal nenhum em assumi-lo. Agora, concluir se esses filmes europeus são bons, maus ou medianos, é outra questão...
Woody Allen explica ainda que já recebeu propostas para filmar em Moscovo, na China e em cidades sul-americanas. Há tempos ventilou-se na imprensa que o presidente da Câmara Municipal de Lisboa terá manifestado interesse em convidar Woody Allen para filmar em Lisboa. Não sei se esta intenção tinha algum fundo de verdade ou não, mas não me repugnaria que Woody aceitasse tal desafio. Mas também é verdade que, até considerando a idade do realizador, os cinéfilos não podem esperar que Allen filme no futuro na sua cidade!
Teria de ter muitos anos pela frente (talvez vidas) para concretizar esta ideia.  
 

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Cinema mudo: novo filão

Li a seguinte notícia no Portal Cinema:
"Michael Pitt está confirmado no elenco de “The First”, uma cinebiografia de Mary Pickford, uma das maiores estrelas norte-americanas do cinema mudo. O Deadline revela que Pitt será Owen Moore, o primeiro marido da atriz. A história deste filme vai explorar os principais eventos da vida e da ilustre carreira de Mary Pickford, que participou em mais de duzentos filmes e contracenou com várias estrelas masculinas como Charlie Chaplin ou Douglas Fairbanks, que nesta produção vai ser interpretado por Jude Law. Lily Rabe dará vida a Pickford. O livro "Pickford: The Woman Who Made Hollywood”, de Eileen Whitford, será a base do enredo desta obra que poderá ser realizada por Jonathan Demme. O início das suas filmagens estão agendadas parra Janeiro de 2013."
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Comentário: está aberto um novo filão de Hollywood. Depois da exploração, até à saciedade, dos remakes, sequelas e prequelas, os estúdios, produtores e realizadores norte-americanos viram-se agora para... o cinema mudo. Faz algum sentido depois do êxito comercial (e de crítica) do filme "O Artista", mas será que o público quer ver um "biopic" de Mary Pickford, actriz que até para os cinéfilos pouco diz nos dias que correm?
Pegando nesta ideia, eis as minhas sugestões para novas películas biográficas de artistas do período mudo que poderiam dar filmes interessantes:
- Louise Brooks
- Katlheene Cliford
- Lilian Gish
- Maria Falconetti
- Rodolfo Valentino
- Douglas Fairbanks
- Harold Lloyd
- Paulette Goddard
- F.W. Murnau
- Eric Von Stroheim
- Emil Jannings
(...)

Notas de Bresson #20

"Uma imagem e um som não devem auxiliar-se, mas trabalhar cada um por sua vez, como se fossem estafetas".

Discos que mudam uma vida - 169

New Order - "Movement" (1981)

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Um clássico musical de espionagem

É sempre uma questão subjectiva de gosto pessoal, mas este é o meu tema preferido de música que se encaixa no género de "espionagem" (cinema e televisão). Esta música é o tema principal da série policial "The Man From "U.N.K.L.E." (exibida na televisão norte-americana entre 1964 e 1968).
O ambiente musical criado - com os sopros a pontuar o suspense, os riffs de guitarra e a parte rítmica bem vincada - é soberbo. A composição é do americano Hugo Montenegro, figura importante da música para cinema e televisão dos anos 60, mas pouco conhecido face a outros nomes mais sonantes como Lalo Schifrin ou Henry Mancini (ficou também conhecido por ter feito uma remistura de sucesso para o clássico tema "The Good, the Bad and the Ugly" de Ennio Morricone). 

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

London Film Museum

Na sequência de um post anterior sobre o London Film Museum que visitei há uma semana, dou agora mais pormenores: trata-se de um surpreendente museu situado em plena zona de Sout Bank, mesmo ao lado do famoso London Eye (a roda gigante panorâmica à beira do rio Tamisa). Está aberto desde 2008 num edifício antigo recuperado e adaptado para acolher as obras da coleccção. Não é um museu particularmente grande e vê-se, sem pressas e dependendo do ritmo, numa média de 2 a 3 horas. Ao contrário da gratuitidade de entrada de muitos museus londrinos, este tem o custo de 13,50 libras por adulto (com descontos para grupos e famílias).
O London Film Museum tem vários pontos de interesse: logo na primeira (e ampla) sala o visitante depara-se com peças de roupa usadas por estrelas de cinema (luvas e bolsa de Bette Davis ou a t-shirt branca usada por Anthony Hopkins em "O Silêncio dos Inocentes"), o fato do primeiro Super-Homem, claquetes de grandes realizadores, o célebre gongo do início dos filmes da produtora The Rank Organisation, o trono do filme "Elizabeth", projectores de luz e muitos adereços preciosos usados em filmes famosos (como a espada de laser de Darth Vader); ou uma bancada recheada de argumentos (guiões) com notas manuscritas dos próprios realizadores.
Depois, à medida que o visitante avança à descoberta deste museu, depara-se com salas de grande interesse para qualquer cinéfilo que se preze: uma ala enorme só dedicada a Alfred Hitchcock; outra só vocacionada para a história dos estúdios de cinema britânicos ao longo de um século de história; outra dedicada ao grande mestre do cinema de animação (terror e ficção científica) Ray Harryhausen, responsável por algumas das animações (monstros, esqueletos, dinossauros...) mais brilhantes de filmes de cultos dos anos 50 e 60; existe também uma sala sobre essa eminência cultural inglesa que dá pelo nome de Sherlock Holmes; uma sala sobre cinema de terror, etc.
Mas a parte do London Film Museum mais interessante é mesmo a ala enorme dedicada ao grande génio Charlie Chaplin. Nesta secção ficamos a saber tudo sobre a vida e obra de Chaplin, com infografias detalhadas, fotografias inéditas de família e de estúdio, cópias de certificados médicos e de residência, reproduções de cenários de filmes, o chapéu e a bengala (cedidos pelo British Film Institute), objectos pessoais, adereços utilizados em filmes, etc. A forma como toda esta informação visual é exposta é de grande qualidade e coerência.
Em suma, o London Film Museum é um fantástico museu dedicado à memória e histórias do cinema e é, por isso, uma visita imperdível para qualquer cinéfilo que visite Londres.
Nota 1: existe um outro London Film Museum no centro de Convent Garden (que não visitei) mais vocacionado para a fotografia e indústria cinematográfica inglesa.
Nota 2: as fotografias em baixo são da minha autoria e foram devidamente autorizadas pelos responsáveis do Museu. 

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Museu do Cinema em Londres

Confiando na Wikipédia, Londres tem o número impressionante de 240 museus. Para além daquela dúzia de bons e famosos museus, não é fácil para o turista orientar-se. Por vezes deve deixar-se levar pela surpresa. Foi o que me aconteceu enquanto turista recente na capital inglesa: ao passear perto do London Eye, bem junto ao rio Tamisa, descobri um museu que nem sequer vinha no meu guia turístico: London Film Museum, aberto há 4 anos.
Como cinéfilo, não pude deixar de descobrir este museu. E ainda bem que o fiz. Retrata a história do cinema através da perspectiva britânica, com um especial e fascinante destaque: Charlie Chaplin.
Em breve darei mais novidades e pormenores sobre este surpreendente museu dedicado à memória do cinema.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

I'll Be Back!

Hoje é o dia do meu aniversário e o dia em que este blogue vai ficar em repouso por motivos de férias. Assim, até ao final do mês de Agosto, o ritmo das publicações deste blogue será bastante irregular, conforme a minha própria disponibilidade.
Agradeço a atenção dos leitores para este facto e até breve!

Filmes a preto e branco online

"Black And White Movies" é um site que disponibiliza para visionamento integral filmes a preto e branco. Filmes oriundos de várias décadas (1910 - 1960) e de vários géneros (western, drama, guerra, thriller, terror, aventura...). O que une estes filmes é o facto de serem todos a preto e branco. O funcionamento é muito simples: não necessita registo e basta seleccionar o filme a ver e abre-se uma caixa de visionamento como se de uma televisão velha se tratasse. 
Alguns filmes têm legendas em espanhol e inglês, mas a maioria estão no formato original. Seja como for, trata-se de um interessante site com belíssimos filmes de culto e clássicos imortais da história do cinema.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

A (verdadeira) estreia de Orson Welles

Muita gente identifica a fulgurante estreia de Orson Welles no cinema om "Citizen Kane" (1941). Porém, em rigor, "Citizen Kane" foi a primeira longa-metragem de Welles, mas não a sua primeira experiência concreta no cinema.
A sua absoluta estreia ocorreu quando o realizador tinha apenas 19 anos de idade e, com o seu amigo William Vance, realizou em 1934 uma curta-metragem muda em 16 mmm (e 8 minutos de duração) com o título "The Hearts of Age". Este filme foi filmado durante uma tarde de domingo na casa do cineasta durante o Verão de 1934.
"The Hearts of Age" manifestas influências visuais das obras surrealistas "Un Chien Andalou" (1929) de Luis Buñuel/Salvador Dalí e "Sangue de Um Poeta" (1930) de Jean Cocteau. A curta não tem, no entanto, a criatividade e o arrojo estético das películas citadas, pelo que mais não é do que  uma curiosidade para os fãs de Orson Welles, em particular, e dos cinéfilos em geral.
Durante muito tempo, esta estreia de Welles esteve à disposição apenas nos Arquivos da Biblioteca do Congresso Americano em Washington, mas nos últimos anos acabou por ficar disponível na internet. Claro que o curta em si não tem nada demais, sendo mais uma curiosidade para os fãs de Orson Welles e de cinéfilos em geral. 
"The Hearts of Age" foi sonorizado com uma banda sonora do guitarrista americano Larry Marotta, músico com uma considerável experiência em composições para cinema mudo.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

A crença na liberdade individual

Sailor: Did I ever tell ya that this snake jacket represents a symbol of my individuality and my belief in personal freedom?
Lula: About fifty thousand times.
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In "Wild at Heart" (1990) - David Lynch

As musas de Hitch

Neste dia 13 de Agosto de 1899 nasceu Alfred Hitchcock.
O jornal espanhol ABC aproveitou esta data para lembrar a forte ligação que Hitchcock manteve, ao longo de toda a sua carreira, com as actrizes louras consideradas verdadeiras musas (como Kim Novak, na imagem).
Reportagem muito completa e interessante para ler aqui.

sábado, 11 de agosto de 2012

A criatividade de Svankmajer

Desde 1964 que o realizador checo Jan Svankmajer faz filmes de animação stop-motion (e não só) baseados num universo estético e visual único: ambientes claustrofóbicos e kafkianos, humor surrealista, personagens bizarros, sátira social... Tudo com recurso exímio a elementos quase rudimentares: animação de volumes (plasticina, barro), vegetais e muitos outros objectos do quotidiano. Sem palavras, mas com uma imaginação visual desconcertante.
"Dimensions of Dialogue" é uma das obras-primas mais surpreendentes de Svankmajer. Dividido em três partes, este filme é um espantoso testemunho do poder visual que a animação stop-motion pode alcançar quando é recheada de plena criatividade. 
O vídeo em baixo revela a primeira parte surrealista (de apenas 3 minutos), concebida com vegetais e outros materiais. Especial atenção para a magnífica sonoplastia: 

As partes 2 e 3 de "Dimensions of Dialogue" podem ser vistas no Youtube.

O Universo

É um dos diálogos mais fascinantes da filmografia de Woody Allen:
Médico: Porque é que o seu filho está deprimido?

Mãe de Alvy: Diz ao doutor Flicker! Doutor, é qualquer coisa que ele leu...

Médico: Qualquer coisa que leu, hã?...

Alvy (9 anos): Sim, o universo está a expandir-se.

Médico: O universo está a expandir-se?

Alvy: Bem, o universo é tudo, e se está a expandir-se, qualquer dia vai explodir e será o fim de tudo!

Mãe de Alvy: E o que é que tu tens a ver com isso? Doutor, ele até deixou de fazer os trabalhos de casa!

Alvy: E para quê, se o universo vai acabar?

Mãe de Alvy: Mas o que é que o universo tem a ver com isso? Tu vives em Brooklyn! E Brooklyn não está a expandir-se!

Médico: O universo vai continuar a expandir-se durante milhões de anos, Alvy. E devemos aproveitar o tempo enquanto andamos por cá.

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In "Annie Hall" (1977), Woody Allen

Perguntas Indiscretas #42

Geralmente, Humprhey Bogart é considerado o mais carismático actor do género Noir e  John Wayne do género Western. 
E qual o actor mais carismático do género de terror?

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Tom Waits e o novo videoclip

Matt Mahurin é um reconhecido ilustrador, fotógrafo e realizador americano de videoclips musicais. O seu percurso foi sobretudo cimentado através de um considerável currículo na realização de videoclips para músicos e bandas como os U2, Peter Gabriel, Metallica, Lou Reed ou Tom Waits.
Para este último icónico músico, Matt Mahurin realizou dois videoclips em 1999: "Hold On" e "What's He Building". Agora acaba de consumar a sua terceira colaboração com Tom Waits: criou as imagens para a música "Hell Broke Luce" (do álbum "Bad as Me"). E que imagens! Matt Mahurin recorreu à sua diversificada experiência acumulada como ilustrador e realizador e conseguiu criar um espantoso e surpreendente manifesto visual para os sons (e palavras) de Tom Waits. A música "Hell Broke Luce" é densa e negra e as imagens correspondem na perfeição a estas premissas, naquele que é já considerado um dos melhores videoclips dos últimos anos de Tom Waits:

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Lynch e "Dirty Dancing"

E se o filme musical "Dirty Dancing" (1987), com Patrick Swayze, tivesse sido realizado por... David Lynch
Alguém imaginou esta curiosa possibilidade e remontou o trailer, de forma a que parecesse, de facto, um filme com um ambiente tipicamente 'lynchiano'. Ou seja, ao bom estilo misterioso e bizarro de "Twin Peaks" ou "Blue Velvet"
Recorrendo a uma montagem e a uma banda sonora apropriadas, qualquer incauto seria levado a crer que se trata de um filme de Lynch: 

Música para "Metropolis"

O filme "Metropolis" (1927) do mestre realizador alemão Fritz Lang é, porventura, um dos melhores filmes do período mudo. Esta obra expressionista de ficção científica tem sido, igualmente, uma das obras mudas mais musicadas ao longo das décadas. A composição original encomendada por Lang foi criada pelo compositor Gottfried Huppertz, mas durante as décadas posteriores foram muitos os músicos e grupos que fizeram música original para acompanhar as imagens inesquecíveis de "Metropolis".
Eis alguns nomes - oriundos dos mais variados universos musicais - que já criaram sons para o filme de Fritz Lang: Kraftwerk, Philip Glass, Model 500, Jeff Mills, Yellow Magic Orchestra, Michael Nyman, Ronnie Cramer, John Foxx, Autechre, The Alloy Orchestra, Giorgio Moroder e Abel Korzeniowski.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Tati e Brando

Nunca me teria passado pela cabeça que dois artistas do cinema tão geniais e diferentes como Jacques Tati e Marlon Brando se tivessem, alguma vez, conhecido pessoalmente. Mas esta fotografia tão sugestiva comprova o encontro e a aparente relação afável entre o realizador francês e o actor norteamericano. Facto que me suscita uma pergunta interessante: e se Marlon Brando tivesse sido actor num filme de Jacques Tati?

sábado, 4 de agosto de 2012

Ridley Scott e o universo

O realizador Ridley Scott deu uma entrevista ao jornal espanhol El Mundo a propósito do seu último filme "Prometheus". Nesta entrevista, Scott explica porque é que regressou à ficção científica iniciado com "Alien", argumenta acerca do seu ateísmo e assevera que "é absurdo pensar que estamos sozinhos no universo".

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O herói mais caro

A vida está cara para a maioria da população, mas não para os super-heróis. Sobretudo para Batman, o super-herói com despesas mais elevadas de toda a galáxia de super-heróis.
Conferir aqui.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

"Opium"

É um dos temas mais fortes do álbum "Anastasis" dos Dead Can Dance: "Opium". Não só pela parte estritamente musical, mas também pelo poema:

Sometimes I feel like I want to live
Far from the metropolis
Just walk through that door Sometimes
 I feel like I want to fly
Reach out to the painted sky
A prisoner to the wind
A bird on the wing

Sometimes I feel the ocean in my blood
See rain from the sky above
Her song blind tears
And now those tears leave taste on my tongue
Like the warm rush you get from

Black opium
Black opium

Sometimes I feel like I want to leave
Behind all these memories
And walk through that door
Outside the black night calls my name
But all roads look the same
They lead nowhere
They lead nowhere

"Shining" com prequela?!

A notícia dá conta que "Prequela de Shining Já Está a Ser Preparada". 
Citando: "Os estúdios ainda não divulgaram qual vai ser o enredo da prequela mas especula-se que se centre na história do misterioso hotel, chamado Overlook Hotel. Também poderá girar em torno de Danny, o filho de Jack, e nas suas capacidades telepáticas."
A dinamizadora do projecto é a produtora do filme de Scorsese, "Shutter Island".
Não compreendo esta obsessão de Hollywood por prequelas, sequelas, remakes e quejandos de filmes realmente muito bons. Só revela a falta de criatividade e de inspiração no mundo do cinema actual. "Shining" tem um lugar no pódio dos melhores filmes de terror jamais realizados, uma das várias obras-primas de Kubrick. Qual a necessidade de assumir um risco altíssimo em estragar a mitologia deste filme com uma prequela, seja realizada por quem for, seja interpretada por quem for, seja com que argumento for? Só vislumbro interesses meramente comerciais por detrás deste projecto.
E o que diria Stanley Kubrick desta ideia?


quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Discos que mudam uma vida - 168

The Velvet Underground: "1969: Velvet Underground Live" (1974)

Dois livros importantes

Na Fnac deparei-me com uma pequena bancada de livros, editados já há alguns anos, com 20% de desconto. Nada de anormal, não fosse o caso da referida bancada disponibilizar dois dos mais importantes e influentes títulos do século XX ao nível das ideias políticas, sociais, filosóficas e culturais: "A Sociedade do Espectáculo" do situacionista Guy Debord e "A Desobediência Civil" do filósofo Henry David Thoreau.
Dois livros que, cada um à sua maneira, preconizaram uma nova visão da sociedade (o do Guy Debord foi o livro de mesa de cabeceira dos agitadores do "Maio de 68") e do homem, refutando leis e valores que instigaram a sociedade à obediência cega e agitando mentalidades instituídas. Ambos os livros defenderam a justiça, os direitos das minorias e a liberdade como valor universal e inalianável. O livro de Thoreau, apesar de ter sido escrito no final do século XIX, mantém uma espantosa actualidade. E o livro de Debord, lançado na erupção revolucionária dos anos 60, continua a desafiar a cultura do espectáculo e a agitar consciências adormecidas.
Dois títulos, baratos, altamente recomendáveis à venda na Fnac.