sábado, 19 de abril de 2008

Festival de luxo


Parece difícil para um festival de cinema que tem crescido de ano para ano poder, à 5ª edição, crescer ainda mais. Quem dedique 10 minutos a ler o programa do 5º Festival Internacional de Cinema Independente de Lisboa, ficará abismado com tamanha qualidade e diversidade de propostas. Entre a Competição Nacional e Internacional, os inúmeros workshops e conferências e o suculento programa de documentários musicais - "IndieMusic", há centenas de pontos de interesse para qualquer amante de imagens e música. Uma verdadeira montra do melhor cinema independente do mundo que vai passar entre os dias 24 de Abril e 4 de Maio. É impossível passar ao lado do melhor festival de cinema português da actualidade, e impossível é também poder ver e fruir todas as imensas propostas apresentadas. A não se que alguém peça férias ao patrão para, nesse período de tempo, acampar à porta do Cinema São Jorge, Londres, Fórum Lisboa e Teatro Maria Matos. É uma ideia.

Os caminhos da tradução literária


O suplemento do Público da última semana, o Ípsilon, trazia uma longa reportagem sobre a edição nacional da monumental obra literária "O Homem Sem Qualidades" de Robert Musil. Sobre esta edição já escrevi aqui qualquer coisa. Para além da habitual análise à obra literária em si e respectivo escritor, o jornal dedica ainda três páginas ao tradutor, o crítico literário e professor João Barrento. Esta abordagem jornalística ao trabalho do tradutor não é muito habitual, dado que o tradutor fica quase sempre na penumbra quando se trata de analisar um livro estrangeiro. E João Barrento merece, e muito, que os holofotes se dirijam a ele. Barrento tem uma longa experiência de tradução - sobretudo autores consagrados de língua alemã - e aventurar-se na tradução exigente de uma das grandes obras romanescas do século passado, "O Homem Sem Qualidades" (três volumes, perto de 2000 páginas), é meritório e digno de registo. Barrento tem uma cultura literária muitíssimo apurada e abrangente, e nesta entrevista explica os aspectos principais da tradução de Musil. Demorou 3 anos a concluir a tradução e organização dos dois primeiros tomos do livro. Admirável.
Sempre admirei o trabalho de tradutor. Trabalha quase sempre na sombra do nome do escritor, mas é um elemento essencial para o sucesso e reconhecimento crítico de uma determinada obra. Mas não é, certamente, um trabalho fácil. Existe aquela célebre máxima de raiz latina - que muito atormenta os intelectuais - que diz "tradutore, traidore". Ou seja, a tradução é uma traição (à língua original da obra). Pode ser e pode não ser. Se já é difícil traduzir ficção tão complexa como a de James Joyce, Kafka ou Musil, como será com a poesia? Portugal tem grandes tradutores de várias línguas: Vasco Graça Moura, Miguel Serras Pereira e Frederico Lourenço (que traduziu "Homero") são apenas alguns nomes cujos trabalhos já mereceram prémios. A tradução é um trabalho que exige um extraordinário conhecimento cultural das línguas com que se trabalha. É um trabalho tecnicamente árduo, de grande rigor intelectual e desgastante fisicamente. Conheci uma vez um tradutor português que traduzia autores alemães para português, e dizia que era um trabalho gratificante, mas apenas até certo ponto. Exige muita disciplina e empenho intelectual e nem sempre é reconhecido pelos leitores e pelas editoras, que geralmente pagam mal. E são poucos os tradutores portugueses que conseguem viver apenas deste trabalho.
Traduções à parte, tenho um amigo formado em filosofia que foi aprender alemão para ler no original as obras de Heidegger. Tinha outro amigo que dizia que só lendo Proust em francês é que se conseguia captar as nuances da língua e o conteúdo literário da obra. Por outro lado, houve muitos estudiosos estrangeiros que aprenderam português para ler Fernando Pessoa ou Camões (o escritor italiano Antonio Tabucchi foi um deles). Persiste a sensação de que nas traduções se perde sempre qualquer coisa do original, mas aí a criatividade do tradutor e o seu domínio das línguas é fundamental para fazer esquecer, no espírito do leitor, essa possibilidade.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Ikea - ousadia banida


Nas televisões temos assistido à publicidade do Ikea. Geralmente são sempre spots muito bem feitos tecnicamente, sendo que ultimamente têm sido no formato de cinema de animação. Mas em Portugal são apenas difundidos os anúncios politicamente correctos e conservadores. Nalguns países, é outra história: minimalismo formal, sem palavras, curta duração, e humor escatológico e arrojado para uma empresa multinacional como esta. Vejam-se estes três exemplos: aqui, aqui e aqui. Os dois primeiros foram... banidos. Não sei porquê... :)

Um Lynch prematuro


David Lynch é, por excelência, o mestre do cinema bizarro e o autor de uma das mais ousadas cinematografias contemporâneas. Autor de obras tão marcantes como “Eraserhead”, “O Homem Elefante”, “Um Coração Selvagem”, “Lost Highway”, “Mulholland Drive”, ou "Inland Empire", Lynch tem marcado a história do cinema com propostas visuais tão perturbantes quanto enigmáticas. A sua visão estética baseia-se num aturado sentido surrealista e perverso da realidade, em que o lado negro, o sonho, a violência e o amor grotesco se encadeiam de forma sublime. Mas isto já todos sabem (ou quase). O que talvez nem todos saibam é que David Lynch começou a fazer filmes logo após ter concluído o curso de cinema, com a realização de diversas curtas-metragens que já continham todos os ingredientes futuros da sua arte visual. “The Grandmother”, de 1970, é uma curta-metragem que mais parece saída de uma tela de Francis Bacon. Uma experiência audiovisual inquietante (misto de imagem real e animação e no qual o som tem um papel criativo preponderante) e que se refere ao início de carreira de um autor maior do cinema contemporâneo. Pode-se comprar o DVD (com outras curtas-metragens do mesmo realizador) na Amazon.
Já agora, um excerto:

A arte maior que a vida


Repare-se na candura trágica desta imagem: Wolfgang Amadeus Mozart, um dos maiores génios musicais de sempre, no leito de morte, sofredor a compor as últimas notas do "Requiem", é amparado e ajudado pela sua fiel esposa, Konstanze. Nesses últimos e penosos dias, o compositor austríaco vivia debilitado pela doença e pela urgência em cumprir o prazo para terminar a sua última obra. Fora encomendada por um homem encapuzado (recusou identificar-se) que lhe batera à porta dois meses antes. Este homem desconhecido (soube-se mais tarde tratar-se do Conde Walsseg) encomendara a Mozart uma composição muito especial, um Requiem em Ré Menor, alegadamente para a sua esposa que falecera. Mozart, apesar de fragilizado e de estar ocupado com outra encomenda, resolveu aceitar por questões económicas.
Mozart vivia obcecado pela ideia da morte desde o falecimento do seu pai, Leopold. Era também sensível ao sobrenatural e, impressionado pela figura medonha do homem que lhe mandara compor a missa fúnebre, o compositor acabou por acreditar que o Requiem que iria escrever seria para o seu próprio funeral.
O destino pregara uma terrível partida a Mozart: compor uma missa fúnebre para si próprio, com a jovial idade de 35 anos. Requiem é um termo retirado da expressão requiem aeternam dona eis, que significa “dai-lhes o repouso eterno”, e Mozart inspirou-se na obra homónima de Joseph Haydn para levar a cabo a sua imensa obra criativa. E que obra! Apesar do compositor de Viena ter morrido antes de ter terminado o Requiem (foi enterrado anonimamente numa vala comum em Viena!), a viúva Konstanze, por razões económicas, entregou a tarefa da conclusão da obra ao melhor aluno de Mozart, Süssmayer, que declarou posteriormente ser responsável pelo “Santus”, “Benedictus” e o “Agnus Dei”. Há imprecisões históricas sobre qual a verdadeira dimensão da responsabilidade de Süssmayer na conclusão do Requiem, mas é um facto que foi este aluno de Mozart (e não Salieri) a terminar a composição do Requiem segundo as indicações deixadas pelo próprio punho do mestre austríaco.
O magnífico filme “Amadeus” de Milos Forman (1984), vencedor de 8 Óscares, é um excelente retrato da vida e obra de Mozart, ainda que com incorrecções históricas (como a alegada competição entre o compositor Salieri e Mozart). Tom Hulce, notável actor que interpreta Amadeus Mozart, é impetuoso, convincente e estarrecedor, sobretudo nos momentos finais do filme nos quais, precisamente, doente e febril, compõe no limite das suas forças físicas, algumas passagens mais emocionantes do Requiem, como o “Lacrimosa” ou o “Confutatis”.
Seja como for, o Requiem de Mozart é uma das obras mais impressionantes e imortais de toda a História da Música e, certamente, a mais poderosa, genial e emocionante de toda a arte mozartiana: nela se conflui a imensa profundidade melódica das vozes que parecem vindas do além, com a soberba orquestração e jogos dinâmicos. A versatilidade do coro chega, por vezes, a raiar a suavidade dos anjos ou a ira de Deus. Sendo uma obra eminentemente religiosa e cristã, é impossível até para um não crente não ficar indiferente perante a indelével espiritualidade que emana desta obra monumental.

A bandeira de Jasper Johns


Costuma ser o pintor menos conhecido e reconhecido do movimento da Pop Art norte-americana mas a sua obra permanece como baluarte de uma intervenção artística única. Para além de Andy Warhol, de Roy Lichtenstein e Robert Rauschenberg, Jasper Johns foi outro notável ponta-de-lança da pintura da segunda metade do século XX. Aos 5 anos tomou a decisão de ser pintor. E foi toda a vida. Parte da sua obra é também identificada como neo-dadaísta, mas visto ter utilizado inúmeros ícones da cultura de massa, é também incluído na corrente pop. Jasper Johns tem 78 anos e continua a trabalhar. A sua pintura mais famosa é "Flag", de 1955 (na imagem), a representação da bandeira americana que se revelou um ícone cultural da segunda metade do século XX. Johns desconstrói reconstruindo a identidade dos objectos e da sua representação, revelando ironia e apurado sentido plástico e estético.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Chuva, chuva, chuva


I'm singing in the rain
Just singing in the rain
What a glorious feelin'
I'm happy again
I'm laughing at clouds
So dark up above
The sun's in my heart
And I'm ready for love
Let the stormy clouds chase
Everyone from the place
Come on with the rain
I've a smile on my face
I walk down the lane
With a happy refrain
Just singin',Singin' in the rain
Dancin' in the rain
Dee-ah dee-ah dee-ah
Dee-ah dee-ah dee-ah
I'm happy again!
I'm singin' and dancin' in the rain!
Gene Kelly ("Singin' in the Rain", 1952)

A arte de RAP


Leonel Moura, artista plástico e investigador de inteligência artificial (na área da robótica), continua o seu pioneiro trabalho no campo da relação entre a arte e a robótica. Já aqui escrevi sobre o tema. Entretanto, o artista tem patente no seu espaço de exposição - "Leonel Moura ARTe", em Lisboa, os primeiros 12 desenhos realizados pelo robô pintor RAP (Robotic Action Painting). Leonel Moura advoga uma nova forma de expressão criativa com estes trabalhos efectuados por máquinas artificiais, programados para pintarem segundo padrões pré-definidos. Com a tecnologia a determinar o acto "artístico", o conceito de criação artística precisa de uma redefinição (precisa desde Duchamp...), de um novo entedimento conceptual. A tecnologia aliada à arte ou a arte subjugada à tecnologia?

O que se aprende no Imdb

O portal de cinema Imdb.com é um manancial de informação sobre cinema. Já o sabemos. Por vezes dou-me ao trabalho de averiguar o que referem os tops e as listagens que estão anexados ao portal - "os melhores filmes por décadas", "o top dos western, comédias", etc. Quando vi o top de melhores filmes sob o género de "music" (atenção que não é o mesmo que "musical") deparei-me com duas surpresas e uma perplexidade: a primeira surpresa é que no primeiro lugar desta listagem encontramos um filme sobre a Segunda Guerra Mundial, "O Pianista" de Roman Polanski. É certo que o filme de Polanski tem música tocada por um pianista, mas daí a compará-lo com "Amadeus" ou "Walk the Line", parece-me abusivo. A segunda surpresa é ver o filme "Control" de Corbijn na 7ª posição.
A perplexidade tem a ver com o segundo lugar: o famosíssimo e conhecidíssimo filme do realizador russo Leonid Gadai - "Kavkazskaya Plennitsa, Ili Novye Priklyucheniya Shurika", de 1966, do mesmo cineasta que em 1990 realizou o blockbuster mundial "Chastnyy Detektiv, Ili Operatsiya Kooperatsiya". Deveras desconcertante.

O space rock dos Spacemen 3




“Playing With Fire” é um dos melhores discos rock dos anos 90 (ainda que tenha sido lançado comercialmente em vinil em 1989, marcou o panorama musical da década seguinte). Os Spacemen 3, liderados pelo alucinado (em sentido criativo e não só) Jason Pierce – actualmente nos Spiritualized - foram um incendiário trio de activistas sónicos. Guitarras em ebulição distorcida e riffs em loop minimal repetitivo ecoam neste disco, onde a voz de Pierce parece querer chegar aos céus anfetaminados. É um disco que brinca não só com o fogo, mas com todos os outros elementos: terra, água e ar. Basta ouvir uma das canções mais viscerais alguma vez escritas: "Revolution".

Um certo culto que se extingue


Com o encerramento do cinema Quarteto e a morte de Pedro Bandeira Freire (exibidor, programador) desaparece - ou vai-se extinguindo dramaticamente - uma certa memória do cinema, uma militância passional pela 7ª arte que se torna cada vez mais rara. Bandeira Freire personificava esse amor pelo cinema enquanto expressão artística e cultural de uma geração. No consumo desenfreado e massificado do cinema nos centros comerciais, é impossível fruir o cinema como algo imanente, dada a impessoalidade e a indiferença identitária que essas salas comerciais representam. Não pode haver sentimento de cinefilia numa sala abarrotada de miúdos com pipocas e latas de Coca-Cola. Não há cinefilia quando 90% dos filmes em exibição, semanalmente, são de produção dos grandes estúdios de Hollywood, filmes que se esquecem, as mais das vezes, logo após o seu visionamento e que mais não representam do que fogo fátuo audiovisual. Consequentemente, o espaço público para a programação e exibição do chamado cinema de autor, independente, alternativo, europeu e asiático, tende a afunilar-se perigosamente. Valha-nos os festivais de cinema temáticos (DocLisboa, IndieLisboa, Fantasporto) e a cultura do DVD, cujo mercado é cada vez mais diversificado e virado para a história do cinema, que proporciona continuar a alimentar o gosto pela arte que consagrou Eisenstein.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

A diferença de morrer na Índia

É o sintoma doentio da parcialidade da informação televisiva: o noticiário da SIC, naquele momento de flash noticioso com música de fundo e tudo, passam a correr uma série de notícias que são mais fait-divers do que outra coisa. Às tantas, o espectador é confrontado com a notícia: "40 crianças morreram na Índia na sequência da queda de um autocarro". A notícia não durou mais de 15 segundos. Repare-se: 40 crianças morreram de uma só vez num acidente horrível e tem direito a 15 segundos de notícia.
Em contrapartida, os telejornais passam reportagens de 5 minutos sobre o telhado que caiu na freguesia de Nossa Senhora das Neves ou sobre os idosos que não são bem atendidos no Centro de Saúde da Póvoa de Santo Adrião. A morte de 40 crianças foi na Índia, logo, não tem o mesmo impacto informativo e merece 15 míseros segundos de notícia a correr porque tem de se passar para as notícias da bola. Tivesse este acontecimento sido num país ocidental desenvolvido e era notícia de abertura de telejornais, havendo já jornalistas portugueses no local em trabalho de reportagem de uma semana. É a isto que se chama efeitos da globalização informativa, mas o tratamento jornalístico dado a certa informação é mais global nuns casos do que noutros.

A voz

Hoje é o Dia Mundial da Voz. Pouca gente saberá disso, e os que se lembram, pouca importância darão à efeméride. Mas a voz é deveras importante, nas mais variadas áreas, na comunicação oral e na expressão artística. Falar da voz na música é explorar um quase infinito universo de possibilidades expressivas ao longo da história da Humanidade. Desde os primórdios dos tempos que a voz serviu como instrumento musical e as formas de canto do mundo (desde o canto alentejano ao canto de tradição asiática) têm imensas ramificações e configurações estilísticas, estéticas e culturais. Por outro lado, no panorama da tradição vocal ocidental, muito haveria a dizer. E foquemos apenas o século XX: de Frank Sinatra (com o célebre cognome de “The Voice”) até às grandes vozes femininas oriundas dos mais variados género musicais como Maria Callas, Amália Rodrigues, Edith Piaf e às múltiplas experiências vocais levadas a cabo depois da segunda metade do século XX (com Joan La Barbara, Meredith Monk, Diamanda Galás, Fátima Miranda, etc, etc), outorgaram à voz humana uma dimensão criativa e expressiva única.
E quando falo em vozes, é inevitável não pensar nesse extraordinário projecto chamado Le Mystere Des Voix Bulgares, materializado num disco soberbo editado em 1990 (o 1º volume). Os cânticos polifónicos proporcionados pelas vozes búlgaras femininas constituem um documento fascinante da cultura tradicional da Bulgária (ainda que os arranjos tenham claramente uma roupagem contemporânea). As belas melodias, a síncope rítmica perfeita, a expressão tímbrica aveludada e a felicidade com que estas mulheres demonstram quando cantam, são sintomas de uma arte intrinsecamente ligada a um povo, a uma cultura. Há mistério e fascínio sem fim nestas vozes.

Scarlett e Waits


Uma destas imagens será a capa do CD "Anywhere I Lay My Head", o álbum da actriz Scarlett Johansson com versões de temas de Tom Waits. O alinhamento dos temas será como se segue:
1. Fawn
2. Town With No Cheer
3. Falling Down
4. Anywhere I Lay My Head
5. Fannin' Street
6. Song for Jo
7. Green Grass
8. I Wish I Was in New Orleans
9. I Don't Want to Grow Up
10. No One Knows I'm Gone
11. Who Are You?
A edição está prevista para 28 de Maio. Fãs da actriz e de Tom Waits (ou de ambos) fervem em ansiedade para conhecer este trabalho. Entretanto, a revista Blitz na sua edição online informa que já se podem ouvir 3 temas. Ler aqui.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Maldita proibição



Este livro deveria ser de leitura obrigatória para quem tem menos de 25 anos de idade. A esta geração que julga viver num Estado de total libertinagem, que julga que tudo lhes é dado, oferecido e permitido. Que tudo está ao alcance de um clique só porque vivemos nisso a que chamam a aldeia global, tecnológica, digital e ultra-consumista. Há jovens que não acreditam (já testemunhei isso) que antes do 25 de Abril não era possível beber Coca-Cola ou as meninas usarem mini-saias. Que já houve um tempo, não muito distante, que era preciso uma licença do Estado para usar isqueiro ou para uma mulher poder viajar sozinha (sem o marido). Uma época em que um ajuntamento de mais de duas pessoas era suspeito ou que um beijo na rua era severamente punido (com multas e não só). Os miúdos não imaginam que não se podia ouvir a música que se quisesse, nem ler os livros que se gostaria de ler. E se sabem, assumem que se terá passado há muito tempo, num tempo demasiado obscuro para ser lembrado. Nada mais falso.
O jornalista e escritor António Costa Santos compila neste livro "Proibido!" (Guerra e Paz) a extensa listagem de proibições impostas pelo fascismo de Salazar. Algumas proibições eram consideradas sérias e ditadas pela censura, outras eram ridículas e puramente paranóicas. Tudo em nome de uma pretensa moral católica, em prol dos valores da família e da sociedade rural. É um livro de informação útil, simples e pragmática e, não menos importante, de grande rigor histórico. Não é literatura para ganhar prémios, é um livro, acima de tudo, didáctico e pedagógico. Para todos lerem e reflectirem. Começando pela escola.

DVD à la carte


E que tal alugar o filme em DVD sem sair de casa? Sem pagar portes de correio e sem prazos fixos de entrega? Com uma boa selecção de filmes divididos em categorias? Com um serviço rápido e eficiente? Basta pagar uma mensalidade à escolha e pronto. São os videoclubes online. Há duas propostas de qualidade (sou cliente de um deles: Cineteka e Mooxuu.
Uma nova forma de olhar o consumo de filmes e de DVDs.

Pois pois


Mas alguém acha que ela era santinha?

A cultura dos cromossomas


"Afinal, quantas pessoas se interessam pela cultura?, se põem o problema da vida?, do homem?, se põem a interrogação sobre o que nos rodeia? É um erro tocante o imaginar-se que as pessoas cultivadas se interessam pela cultura. A cultura não vem nos livros, nem nos cursos, nem nas salas de conferências, espectáculos, exposições com uísque ou a seco. A cultura é um problema que tem que ver com os nossos cromossomas e tem a dimensão secreta, oculta, privada, íntima, de uma vivência sagrada."
Vergílio Ferreira, in "Contra-Corrente, nº3"

A mania do DVD


Para quem é cinéfilo e colecciona filmes em DVD, é impossível passar ao lado do mais informado e actualizado site sobre o tema: dvdmania é um site recheado de novidades, fóruns de discussão, críticas, procura e venda de títulos, etc. Um manancial de informação que, não raro, se torna viciante. É mesmo uma mania. Aqui.

O atentado a Hitler


Quem é este homem? Ou serão antes dois? Na verdade, são dois homens mas que significam um só. O retrato da esquerda corresponde ao Coronel Claus von Stauffenberg, oficial Nazi e mentor de um complexo plano que conspirou contra a vida de Adolf Hitler. O rosto da direita é do actor Tom Cruise, sobejamente conhecido no mundo do estrelado de Hollywood. Cruise interpreta o papel principal (o de Stauffenberg, precisamente) no muito aguardado filme (estreia nos EUA apenas em Fevereiro de 2009) "Valkyrie", do realizador Brian Singer. "Valkyrie" era o nome de código da operação para matar Hilter no dia 20 de Julho de 1944, uma cuidada operação que pretendia colocar uma bomba por debaixo da mesa de trabalho de Hilter, num reunião de oficiais alemães. A bomba estava escondida numa mala que Stauffenberg colocou estrategicamente ao lado das pernas do ditador Nazi. O conspirador alegou ter de sair da sala e, poucos minutos depois, explode aparatosamente a bomba. Morreram quatro oficiais de Hitler mas este, miraculosamente, escapa ao atentado praticamente ileso (com escassos ferimentos ligeiros). Stauffenberg e os outros colaboradores (altas patentes da hierarquia militar Nazi) foram descobertos e executados sumariamente. Apesar de ter saído com vida do atentado, Hilter nunca mais foi o mesmo, acentuando ainda mais a sua paranóia pela segurança e pelo medo de novas conspirações. Para os historiadores não há dúvidas: se o atentado tivesse tido sucesso, o rumo da história da 2ª Grande Guerra teria sido bem diferente...
Este foi um dos episódios mais importantes da Segunda Guerra Mundial, ainda que nem sempre devidamente explicado e contextualizado. Durante muitos anos permaneceu obscuro. Apesar de já se saber o rumo da história, o realizador Brian Singer promete um filme repleto de acção e suspense, revelando pormenores históricos nunca antes revelados. Depois do êxito do filme "A Queda" (2005), que retratou os últimos dias de Hilter no bunker de Berlim, este "Valkyrie" continuará a explorar o filão histórico do declínio do 3º Reich. Como apaixonado por esse período da história, só tenho a agradecer e a esperar, ansiosamente, por poder visionar esse filme. Enquanto isso, pode-se sempre espreitar o trailer do filme e demais informação no site oficial.