domingo, 25 de julho de 2010

As curtas-metragens de David Lynch


David Lynch é, por excelência, o mestre do cinema bizarro e o responsável por algumas das mais ousadas cinematografias contemporâneas.
Autor de obras tão marcantes como “Eraserhead”, “O Homem Elefante”, “Um Coração Selvagem”, “Lost Highway”, “Mulholland Drive”, ou "Inland Empire", Lynch tem marcado a história do cinema com propostas visuais tão perturbantes quanto enigmáticas. A sua visão estética baseia-se num aturado sentido surrealista e perverso da realidade, em que o lado negro, o sonho, a violência e o amor grotesco se encadeiam de forma sublime. Mas isto já todos sabem (ou quase).
O que talvez nem todos saibam é que David Lynch começou por fazer filmes logo após ter concluído o curso de cinema, com a realização de diversas curtas-metragens que já continham todos os ingredientes futuros da sua arte visual, assim como os temas essenciais da sua obra. “The Grandmother”, por exemplo, de 1970, é uma curta-metragem que mais parece saída de uma tela de Francis Bacon. Uma experiência audiovisual inquietante e macabra (misto de imagem real e animação e no qual o som tem um papel criativo preponderante) e que se refere ao início de carreira de um autor maior do cinema contemporâneo (ainda antes do marcante "Eraserhead").
Quem estiver interessado pode comprar (como eu fiz) o DVD (com outras 3 curtas-metragens do mesmo período) "The Short Films of David Lynch" na Amazon.
Já agora, um excerto:

Ainda a propósito dos filmes de Woody Allen

Quem faz filmes a um ritmo de um por ano como Woody Allen, acaba, tendencialmente, por comprometer a qualidade e a regularidade criativas. Para mim, o último grande filme de Allen da última década é, sem dúvida, o espantoso “Match Point”, um retrato negríssimo da alma humana, da casualidade da vida, da imprevisibilidade do amor e dos efeitos hediondos da ambição revestida de obsessão.
Quase, quase ao mesmo nível de “Match Point” está o filme “O Sonho de Cassandra” (2007), outro fresco brutal sobre as paixões humanas extremas que levam à morte, à destruição das relações, ao desabar do sonho de dar sentido à existência (“Scoop”, de 2006 é já uma comédia mediana com parcos rasgos de criatividade assinaláveis).
Os dilemas morais e existenciais, as angústias e medos interiores que perpassam por estes dois filmes da carreira de Woody Allen tomam proporções emocionais insuportáveis. Para os personagens e para os espectadores. São duas obras de um pessimismo pragmático (longe das coordenadas do humor “nonsense” a que nos habituou Allen) que olham a condição humana com uma frieza perturbante e cínica, pejada de pecados infames, sem apaziguamentos de qualquer ordem moral, sem esperança nem redenção.
Woody Allen já tinha mostrado ao mundo um filme que espelhava esta visão desesperada da moral ambígua, quando realizou o sublime filme “Crimes e Escapadelas” (1989), com um Martin Landau estarrecedor. É como se autores pessimistas como Schopenhauer, Emile Cioran e Thomas Bernard contaminassem o espírito de Woody Allen - tirando os momentos em que faz comédias mais "light" como os seus recentes filmes.
“Match Point” e “O Sonho de Cassandra” podem ser considerados um díptico e, se juntarmos o referido “Crimes e Escapadelas”, teremos a configuração de um portentoso tríptico. É a veia mais lúgubre e arrasadora de Woody Allen, que destila crimes sem sentido, mortes por “obrigação moral”, ódios mundanos e metafísicos, desnorte existencial e pitadas de um subtil humor negro. São obras que ficarão para a história do cinema como referências absolutas de um cinema de autor extremamente pessoal, que desenvolveu uma abordagem temática própria. Uma temática com preocupações filosóficas e morais que belisca (se é que não queima) o conceito que temos de natureza humana, de esperança na vida, no mundo e no homem. É o Woody Allen mais exitencialista que se possa imaginar, sem esperança de redenção nem fé no que quer que seja, com um olhar clínico sobre o desejo, a morte, o medo, a consciência, o pecado, o perdão.
Era este Woody Allen que gostaria de ver mais vezes.

Discos que mudam uma vida - 113


Sonic Youth - "Goo" (1990)

sábado, 24 de julho de 2010

Woody Allen descontente com os seus filmes


Durante uma conversa com o The Times, Woody Allen revelou que não está feliz com o seu trabalho:
“Eu consegui uma oportunidade que as pessoas matariam para ter. Eu tenho liberdade artística plena. Outros realizadores não conseguem isso durante as suas vidas. Eu tenho filmes bem pobres se virmos as oportunidades que eu tive. De 40 filmes eu deveria ter 30 obras-primas, 8 nobres falhas e 2 vergonhas, mas não foi assim que funcionou. Muitos dos meus filmes são interessantes, mas nada que se compare com os filmes de cineastas que fizeram belas coisas - Kurosawa, Bergman, Fellini, Buñuel, Truffaut."
No final, o realizador mencionou os 6 filmes preferidos da sua filmografia: "Purple Rose of Cairo", "Match Point", "Bullets Over Broadway", "Zelig", "Husbands and Wives", e "Vicky Cristina Barcelona".
Agora pergunto eu: E "Annie Hall"? E "Manhattan"? E "Hannah and Her Sisters"?
E "Crimes & Misdemeanors"? E "Broadway Danny Rose"? E...
Ou é modéstia em demasia, ou Woody Allen está a ficar, humm, senil...

As segundas-feiras ao sol


Na cidade onde vivo vão ser despedidos 350 trabalhadores de uma fábrica. Já tinham sido dispensados, há alguns meses atrás, outras centenas de operários e funcionários. Estes homens e mulheres, vão passar, infelizmente, os próximos dias, semanas, meses e até anos, "ao sol à segunda-feira".
É esta a triste analogia que faço entre a vida real dos desempregados e o tema central do filme espanhol "Los Lunes al Sol" (2002) de Fernando Léon de Aranoa (Javier Bardem é um dos protagonistas). Um filme realista e frontal sobre o drama social de homens de meia-idade afectados, brutal e inesperadamente, pelo estigma do desemprego, enfrentando um futuro angustiante de incerteza e precariedade.
Uma película que olha de forma impiedosa sobre o actual panorama da crise económica que grassa na nossa sociedade. Mais informação aqui.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

O "Uivo" de Ginsberg no cinema


Allen Ginsberg, Jack Kerouac e William S. Burroughs, incendiaram a cultura dos anos 50 e 60 com a "Beat Generation", ao som de jazz e literatura "libertária".
O poema de Ginsberg, "Howl - Uivo", (considerado por muitos obsceno e pornográfico - pode ser lido aqui) foi o livro de poesia mais vendido da história dos EUA, tendo vendido mais de 1 milhão de exemplares em pouco tempo. "Howl" foi também um enorme grito de revolta de uma geração assumidamente insurrecta e ávida de novas experiências (artísticas e existenciais), imbuída de festas hedonistas repletas de sexo, música jazz e aventuras deambulatórias pela geografia norte-americana. Juntamente com "Naked Lunch" de William S. Burroughs e "On The Road" de Jack Kerouac, "Howl" completaria a trilogia da contracultura da Geração Beat.
Bob Dylan, Jim Morrison, Lou Reed, Leonard Cohen entre muitos outros músicos, foram sempre fãs incondicionais da poesia de Allen Ginsberg. E até os portugueses Mão Morta partiram do poema "Uivo" para conceberem o seu álbum "Nus" (2004). Depois de contaminar a literatura, a música, a poesia e as artes plásticas, era uma questão de tempo até que a vida e obra do poeta beat fossem transpostas para o universo da Sétima Arte.
Rob Epsteins e Jeffrey Friedman, mais conhecidos por documentários, levaram Ginsberg ao grande ecrã, com o actor James Franco no papel do poeta. O filme, intitulado "Howl", começa no momento em que Ginsberg é julgado no tribunal de São Francisco por causa da sua controversa obra. Pelo meio, consta que o filme - a estrear em Setembro - relata as desventuras de Ginsberg com os seus amigos escritores homossexuais e todo o ambiente de contracultura que se vivia naqueles efeverscentes anos.
Na imagem da esquerda, Allen Ginsberg, na direita, James Franco como Ginsberg.
Trailer do filme "Howl":

quinta-feira, 22 de julho de 2010

A "Doutrina do Choque"

Naomi Klein é uma jornalista que obteve sucesso mundial com o livro "No Logo - O Poder das Marcas", uma perturbante denúncia em forma de livro, sobre o poder comercial das marcas no mundo globalizado, a retórica propagandística das agências de publicidade e os seus lucros obscenos.
Naomi Klein identifica no consumidor um mero portador de código de barras, cego pelo poder sugestivo das marcas e da publicidade, inerte e passivo perante a agressividade da sociedade consumista. "No Logo" era um livro pessimista sobre uma sociedade doente e envenenada com as falsas promessas das empresas económicas mundiais. Uma sociedade que expia os seus pecados através de outros pecados, numa espiral de decadência na qual os políticos têm grande parte da responsabilidade.
A jornalista e escritora lançou o seu segundo livro, também controverso, também denunciador: "A Doutrina do Choque". Klein defende que este livro desmonta e identifica os mecanismos segundo os quais as grande potências mundiais e os grandes interesses económicos conseguem manipular a sociedade de modo a atingir os seus próprios objectivos políticos e económicos. Não poderia ser mais apropriado face à crise financeira e económica mundial vivida nos últimos dois anos.
A "doutrina do choque" é, para Naomi Klein, uma espécie de filosofia política e económica que sustenta que a melhor oportunidade para impor as ideias radicais da economia global é no período posterior ao de um grande choque. Esse choque pode ser uma catástrofe económica (como a actual recessão económica global). Pode ser um desastre natural (como um terramoto ou o furacão Katrina). Pode ser um ataque terrorista (como os que ocorreram nos EUA e na Inglaterra). Pode ser uma guerra (como o Iraque e o Afeganistão)...
O objectivo dos grupos de grande poderio económico mundial é que estas crises, esses desastres, esses choques abrandem a sociedade. Desorientem as pessoas e as deixem numa espécie de adormecimento latente de forma a não questionarem as decisões dos políticos e a estrutura do capitalismo global.
Como complemento do seu livro, Naomi Klein convidou o realizador mexicano Alfonso Cuarón, autor do muito interessante filme "Filhos do Homem" (2006) para realizar um curto documentário (6 incisivos minutos) que pretende fazer uma síntese ideológica das teses defendidas em "A Doutrina do Choque". O filme começa nas técnicas de choque dos prisioneiros da CIA para acabar nas regras nefastas do mercado económico ultra-liberal à escala global.
Vale a pena ver para reflectir em que raio de mundo estamos.
A Terapia do Choque, realização de Alfonso Cuarón:

Já não se fazem capas assim

Como uma vez escrevi aqui a propósito das capas de disco dos Scorpions, nunca perceberei a mensagem e a estética das capas de certos discos hard 'n' heavy.



quarta-feira, 21 de julho de 2010

Fotografias de decadência urbana


Chama-se "Urban Ghosts" e o título não poderia ser mais apropriado.
Trata-se de um site cujo objectivo é revelar o lado mais decadente e ignóbil das cidades modernas: edifícios e lugares completamente abandonados, à mercê da intempérie, da degradação paulatina e do total esquecimento colectivo. Lugares que outrora tiveram dinamismo e actividade, mas que agora já nem a memória preservam.
São espaços fantasmas, arquitectura morta, cemitérios de tempos idos: hospitais, cinemas, fábricas, edifícios públicos e privados, bairros inteiros, estações de metro, túneis, hotéis, estradas, teatros, igrejas, jardins, escolas, etc. A decadência urbana exposta sem espinhas com magníficas fotografias que denunciam a morte lenta da nossa sociedade.


"The Shawshank Redemption"


Sabia que o realizador Bob Reiner esteve para realizar "The Shawshank Redemption"? Para tal contava com os actores Tom Cruise e Harrison Ford nos principais papéis. E que Alfonso Freeman, filho de Morgan Freeman, participou no mesmo filme? Estas e mais dez curiosidades sobre "The Shawshank Redemption" aqui.

terça-feira, 20 de julho de 2010

A Lanterna Mágica de Bergman


Gosto muito de auto-biografias. Sobretudo de escritores, músicos, realizadores e actores. No capítulo das auto-biografias de realizadores, há muitos anos li uma auto-biografia que me impressionou particularmente: "O Meu Último Suspiro", de Luís Buñuel, escrita apenas 3 anos antes da sua morte (já falei dela aqui no blogue). A auto-biografia de Charlie Chaplin, Marlon Brandon e Andrei Tarkovski (este último não é bem no registo de auto-biografia convencional) também constituem fascinantes e derradeiros testemunhos de vida e de percurso artístico.
A última auto-biografia interessante que li é a do cineasta sueco Ingmar Bergman, intitulada "Lanterna Mágica". E surpreendeu-me a vários níveis: muitíssimo bem escrito, "Lanterna Mágica" ultrapassa o habitual registo de apontamentos biográficos, provando que uma auto-biografia pode ser, também, uma inequívoca obra literária. Ingmar Bergman escreve de forma extremamente sóbria e pragmática, com ironia e finura estilística. Quase como se fosse um romance.
Para meu espanto, aborda pouco a sua carreira como cineasta, interessando-se mais por contar o seu irregular (mas nem por isso menos importante) percurso como encenador de teatro. E escreve, sem pejo nem constrangimentos, sobre os mais diversos acontecimentos da sua vida: desde os amores e desamores com as mulheres, a primeira vez que se masturbou (!), as inúmeras doenças que o atormentaram desde cedo (enxaquecas, cólicas renais...), a relação difícil com o pai autoritário, a sua admiração juvenil por Hitler, a sua visão da crítica de teatro, a sua forte ligação com os actores com quem trabalhava, os altos e baixos da sua carreira (despedimentos, humilhações, prémios, consagrações...), etc.
Um verdadeiro manual para conhecer, muito mais a fundo, a obra e a vida de um dos grandes realizadores de cinema do século XX.
PS - Este livro está à venda, a um preço de promoção, na Fnac.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Filmes num minuto


É deveras divertido. E, a seu modo, esclarecedor. Refiro-me ao à série "Movies in a Minute". O conceito é simples: no tempo exacto de um minuto, é apresentada a história (quase nunca à letra) de um filme famoso em animação. Há uma grande variedade de títulos abordados (dependendo da perspectiva: arrasados): "O Sexto Sentido", "Rambo", O Senhor dos Anéis", "Matrix", "Kill Bill", "Die Hard", "E.T.", etc.
O humor sarcástico e demolidor, a acutilante síntese do enredo de cada filme, o trabalho de voz dos personagens, a sonoplastia e o estilo eficaz de animação, fazem desta série uma divertida abordagem ao mundo do cinema. Como os filmes duram apenas 1 minutos, no final a legenda que surge é qualquer coisa do género: "Poupou 1h e 47 minutos" (com o filme "Sixth Sense").
Uma outra forma de ver filmes!

domingo, 18 de julho de 2010

Facebook, Fincher e Reznor


Em Outubro estreia o novo filme do realizador David Fincher, "The Social Network", sobre o fundador da rede social Facebook, Mark Zuckerberg (na imagem). Há dias surgiu um novo trailer que revela algo mais do que poderá ser esta nova película do autor de "Zodiac" e "Se7en".
Se à partida a ideia de uma longa-metragem sobre uma rede social da internet poderia parecer algo fútil e sem substância dramática, a verdade é que, vendo o novo trailer e lendo algumas informações complementares, o filme de Fincher pode confirmar-se como um interessante e sugestivo filme.
Para já tem a segurança e mestria da realização e direcção de actores, já comprovadíssima, de David Fincher. Depois, o tema acaba por ter potencial para a construção dramática que um bom filme deve conter. Consta-se que o filme não é apenas sobre a história do surgimento da rede Facebook. É muito mais do que isso. É também uma metáfora sobre o papel da tecnologia e da comunicação global na era moderna, afectando assim (para o bem e para o mal) as próprias relações humanas e o entendimento do mundo actual.
Particularmente interessante é a escolha da música para este filme. O trailer é acompanhado pela versão "Creep" (dos Radiohead) pela mão do grupo coral feminino Scala & Kolacny Brothers (este grupo belga é conhecido pelas versões "a cappella" de temas pop e rock dos U2, Nirvana, Depeche Mode, Lou Reed, Muse, etc). Mais relevante, neste capítulo da música do filme, é que Trent Reznor, dos Nine Inch Nails, é o compositor da banda sonora original. Reznor já tinha colaborado nas bandas sonoras dos filmes "Lost Highway" e "Natural Born Killers", mas apenas como consultor.
Neste projecto de Fincher, Reznor tem um papel bem mais criativo na composição musical. O próprio músico avisa, no site oficial dos NIN: "Speaking of the film... it's really fucking good. And dark!".
Enquanto o filme não chega, fiquemos com as sugestivas imagens do trailer acompanhadas com a versão coral de "Creep":

"Faust" de Sokurov


Tenho um amigo que trabalha há 10 anos em animação 3D e efeitos visuais para publicidade, televisão e cinema. Começou a trabalhar em Londres, agora está na Finlândia. Fez trabalhos para a FIFA, Coca-cola, MTV, Diesel, Ubisoft, BBC, The Guardian, etc.
Estando em férias em Portugal, ontem estive com ele e perguntei-lhe em que é que estava a trabalhar. Para minha (agradável) surpresa, disse-me que a sua equipa criativa da empresa na qual trabalha, acabou de fazer a pós-produção do próximo filme (a estrear brevemente) do russo Alexander Sokurov.
O filme tem por título "Faust", baseado no célebre conto alemão no qual um homem vende a alma ao diabo em troca de sabedoria (e que Murnau adaptou ao cinema, magistralmente, em 1926). O meu amigo explicou-me, inclsuive, que tipo de efeitos visuais Sokurov pediu para o filme.
Moral: fiquei muito contente por saber que um amigo trabalha ao mais alto nível na criação de animação 3D e efeitos visuais para cinema, e logo com um dos mais importantes realizadores da actualidade.

sábado, 17 de julho de 2010

Discos que mudam uma vida - 112


Tom Waits - "Swordfishtrombones" (1983)

Um Chaplin desconhecido


Esta imagem pertence a um filme que se julgava perdido de Charlie Chaplin. Tem por título "A Thief Catcher", é uma curta-metragem de apenas 10 minutos e data de 1914. Nem os historiadores e biógrafos da obra do comediante inglês sabiam da sua existência. E como surgiu só agora ao mundo esta revelação?
Segundo o jornal Telegraph, um historiador de cinema norte-americano, de nome Paul Gierucki, comprou uma caixa com velhos filmes da Keystone numa feira de antiguidades de Michigan. O dito historiador julgava que se tratavam de filmes vulgares e já conhecidos da série de comédia burlesca "Keystone Cops" (muito popular no período do cinema mudo). Por isso só ao fim de alguns meses é que Paul Gierucki visionou as velharias, quando se surpreendeu ao ver Charlie Chaplin num filme que nunca constou da sua filmografia oficial.
Há dias de sorte...

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Melhor do que os títulos originais

Estes títulos dizem mais sobre os respectivos filmes do que os verdadeiros e originais:







Uma música das profundezas da alma


Se há música em contacto directo com a divindade, essa música é a dos monges (monks) budistas tibetanos. De todas as tradições musicais do mundo (world music), a música tradicional do Tibete é aquela que exerce, quanto a mim, um maior poder de fascínio e emoção. Um fascínio quase mágico.
Nunca me esquecerei, há muitos anos, quando ouvi pela primeira vez a música ritual de uma orquestra tibetana. O canto gutural tântrico dos monges, capazes de emitirem dois a três tons diferentes ao mesmo tempo (chamado canto diafónico), os espantosos instrumentos de sopro e os ritmos das percussões repetitivas (pratos, címbalos e pequenos tambores) fazem desta música uma experiência no limite do sensorial, do religioso (mesmo para quem não é crente). A cultura tibetana refere que os monges que conseguem cantar determinados cantos de maior complexidade harmónica, são aqueles que já alcançaram um nível de pureza espiritual mais elevado. Uma música das profundezas da alma.
Um dos grupos que mais tem feito para a divulgação da arte musical tibetana são os Gyuto Monks, que têm percorrido o mundo com as suas actuações de grande impacto musical e místico. Philip Glass, um budista assumido, soube como ninguém apreender a linguagem da música tibetana para o excelente filme "Kundun" (1997) de Martin Scorsese, tendo composto uma banda sonora de impressionante envolvência emocional.
Recordemos o trailer:

Filmes maus... bons



Há filmes tão maus, tão maus, mas tão maus, que acabam por se tornar... bons. Bons numa certa acepção de culto por objectos cinematográficos bizarros e totalmente mal concebidos, na esteira de um Ed Wood dos tempos modernos.
Nesta lista, não sei se os realizadores tinham, ou não, intenção clara de fazer um filme sério e profissional. Mas a verdade é que, vendo os respectivos trailers, confirma-se a mediocridade ridícula e embaraçosa (e às vezes divertida) destes filmes. Um "must" para cinéfilos, portanto.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Sitges 2010


Quem goste de cinema e tiver férias em Outubro e esteja a pensar passar uns dias em Barcelona, eis uma óptima sugestão: assistir à 43ª edição do Festival Internacional de Cinema Fantástico de Sitges (Catalunha), que decorre entre 7 e 17 de Outubro.
Para além de ser um dos mais prestigiados festivais do mundo no domínio do fantástico e do terror, Sitges 2010 vai contar com uma programação muito interessante: aproveitando o 30º aniversário da estreia do clássico "The Shining", a organização vai prestar uma especial homenagem a esta obra-prima de Stanley Kubrick, com documentários, conferências e outras iniciativas paralelas (o cartaz do festival é inspirado na célebre imagem das inquietantes gémeas do Overlook Hotel). O filme de Kubrick vai ser exibido num cópia digital e com mais 30 minutos de metragem do que a versão conhecida.
O festival vai também recordar os 25 anos da trilogia "Back to the Future" e os 50 anos de outro filme de terror seminal: "Psycho" de Alfred Hitchcock. Só estas razões seriam suficientes para fazer já as malas...