segunda-feira, 14 de abril de 2008

5 centenas

E com este já lá vão 500.
Meia centena de posts neste pasquim online actualizado diariamente (como diria Santana Lopes, com "sacrifícios pessoais"). Claro que, enquanto houver um primo ou um amigo chegado a ler o que por aqui se escreve, continuarei a alimentar o blogue. O céu é o limite.
Por isso: bem hajam, pá!

25 anos do outro Tony


Bem pode o outro Tony comemorar os 20 anos de carreira todo os dias na SIC. Nunca fará sombra aos 25 anos deste Tony, o genuíno, o autêntico, o luminoso e excelso entertainer, Tony Silva.

As ideias


"Não percebo porque é que as pessoas têm medo das novas ideias. Eu tenho medo é das velhas."
John Cage

domingo, 13 de abril de 2008

Lee Miller - intrépida mulher e fotógrafa


Ao ler o blogue do Pedro Mexia reparei num post sobre Lee Miller. Havia muitos anos que não lia, via ou ouvia qualquer referência a esta mulher. E Lee Miller não foi qualquer mulher. Foi uma modelo que fascinou Nova Iorque e Paris nos anos 30 e 40. E foi a musa inspiradora dos surrealistas tendo servido de modelo e de objecto estético de Man Ray, de Jean Cocteau e de Picasso. André Breton, Picasso e Max Ernst têm trabalhos sobre ela. Depois, pegou na máquina fotográfica e começou ela a captar o mundo à volta. Retratos, paisagens de diversos países e, sobretudo, a reportagem fotográfica sobre a 2ª Guerra Mundial valeram-lhe reconhecimento internacional. Dizem que era uma mulher desassombrada, corajosa e ousada como poucas. Depois da Guerra investiu o seu talento na revista de moda Vogue e vagueou por Marrocos e pelo Egipto à procura de sombras e de despojamento. A sua fotografia é feita disso mesmo, de sombras, de despojamento, de intrepidez e de grande plasticidade estética.
Na Amazon existe um lista rica e variada de livros e biografias sobre a vida e obra de Lee Miller.

Brincadeiras perigosas

"Funny Games", filme original de 1997 realizado por um dos mais interessantes realizadores europeus da actualidade, o austríaco Michael Haneke, tem agora uma nova versão... pelo mesmo realizador. Sobre este assunto já falei neste post. Seja como for, o original continua a ser um dos mais perturbantes ensaios sobre a violência das imagens e sobre a banalidade da mesma. E repare-se como em pouco mais de 1 minuto, este trailer condensa todo o espírito contraditório do filme: não só pela montagem meticulosa, mas também pela espantosa e inteligente utilização da música, com a doçura da música de Haendel e a crueldade da de John Zorn (Naked City) a conviverem em dois universos paralelos. Impressionante.

Tony e mais Tony e mais Tony

A SIC anda obcecada com a comemoração dos vinte anos de carreira de Tony Carreira (a redundância é propositada). Há já semanas que esta estação divulga pequenas e grandes reportagens sobre o cantor. As peças jornalísticas, sérias e longas em duração, têm passado no horário nobre do Jornal da Noite e em diversos programas de entretenimento. Tudo é pretexto para mostrar os vigorosos 20 anos de êxito do cantor: em concerto no Pavilhão Multiusos ou no Olympia de Paris, em convivência com as fãs, em ambiente de casa, no estúdio de gravação, a reviver as memórias passadas na aldeia natal. Hoje, no Jornal da Noite, mais um excerto de uma reportagem que irá passar na íntegra, amanhã. Pretexto? Saber o que pensa o Tony sobre "assuntos que dividem Portugal" (palavras do jornalista) como o aborto ou a violência na escolas. Assim sim, sobre temas sérios e profundos vale a pena ouvir o Tony!

Teorias para uma evolução radical


É um livro com título extenso e algo bizarro - "Radical Evolution: The Promise and Peril of Enhancing Our Minds, Our Bodies - and What It Means to Be Human" e foi escrito por Joel Garreau, jornalista do Washington Post. É um livro que questiona a fundo o presente e o futuro tecnológico, analisando três correntes de pensamento totalmente distintas: a corrente que acredita numa visão optimista da tecnologia e defendida por Raymond Kurzweil (veja-se esta longuíssima página na Wikipedia sobre o autor), um eminente teórico e ensaísta "futurista" da Cibercultura; outra corrente tem a ver com a visão mais negra e pessimista da utilização da tecnologia na sociedade, defendida por Bill Joy; e, por último, a terceira via, aquela que estipula que a tecnologia não tem um grau de determinismo e influência (para a evolução da Humanidade) tão grande quanto pensamos. Esta tese é defendida pelo guro da cultura digital Jaron Lanier, artista visual, músico e teórico que preconizou a ideia de Realidade Virtual. "Radical Evolution" acaba por sintetizar e analizar, recorrendo a diversas ciências e teorias sociais e humanas, todas estas vertentes possíveis da evolução da Humanidade à luz da tecnologia e da era digital. Seja como for, é mais do que certo que um novo mundo continua a ser fabricado com base nas evoluções e implicações que a tecnologia acarreta para as nossas vidas.

Chronos - o mundo em frenesim

Ron Fricke, ex-director de fotografia de Godfrey Reggio, realizou o filme "Chronos". Uma possante meditação sobre o lugar do homem no mundo. Este é um excerto. Imprescindível: ligar as colunas de som e colocar o volume bem alto, para sentir a música que acompanha os 3'40'' de imagens frenéticas e assombrosas (até ao clímax final). Há um comentário no YouTube referente a este vídeo que se adequa na perfeição: "what a trip!".

A evidência

Pode ler-se aqui mais ao pormenor de que trata a curta-metragem "Evidence". O filme é do premiado realizador Godfrey Reggio, autor da trilogia "Qatsi", já dissecada neste blogue. Basicamente, "Evidence" aborda a reacção expressiva das crianças quando estão a ver televisão (e o subsequente poder que exerce sobre elas), neste caso, o filme "Dumbo". A música, como habitualmente nos filmes de Reggio, é de Philip Glass:

sábado, 12 de abril de 2008

Para não esquecer a banalidade do Mal

Primo Levi é, juntamente com Elie Wiesel, o melhor escritor saído dos campos de extermínio Nazis. "Se Isto é Um Homem" é um espantoso relato sobre os limites do sofrimento humano no âmbito dessa ignomínia chamada Holocausto. Literatura seca e descarnada, afiada como um cutelo ensanguentado. É um livro que deveria constar nos programas curriculares escolares, para que as novas gerações não esqueçam o horror vivido na Europa há apenas seis décadas atrás. Quando morreu (1987), Elie Wiesel disse: "Primo Levi morreu 40 anos depois em Auschwitz". E era verdade. Levi passou a vida atormentado por ter sido um sobrevivente da carnificina, por carregar nas costas o imenso peso da memória do Genocídio. Era como se Primo Levi continuasse e viver agrilhoado à angústia dos terríveis momentos passados no seio da máquina do extermínio alemão.
"A Trégua", editado em 1963, revela as vivências da libertação de Auschwitz, como que num lampejo de expiação espiritual. Uns anos antes da sua morte (os biógrafos falam em suicídio, os familiares referem que foi consequência de uma queda das escadas), Primo Levi lança em 1986 o livro "Os que Sucumbem e os que se Salvam" (Editorial Teorema). De forma lúcida e pragmática, Levi regressa às memórias dolorosas do campo de extermínio, justificando que sentia que a memória colectiva já pouca atenção dava ao Holocausto. Levi terminara uma poderosa trilogia de obras sobre os horrores Nazis, para nunca mais ninguém se esquecer. Na esteira de Levi, "As Benevolentes" de Jonathan Littell renova o interesse universal nesta matéria, ao escrever ao longo de 900 páginas sobre a banalidade do Mal.
PS - Este post foi suscitado com a leitura da crítica ao livro "Os que Sucumbem e os que se Salvam", feita por Luís M. Faria no Expresso de hoje

Paraíso e Apocalipse

Casablanca segundo Madonna


Este é o desvario dos desvarios: Madonna quer relançar a sua carreira no cinema. Até aqui tudo bem. Mas acontece que a rainha da pop tem ambições desmedidas e quer fazer o remake do clássico dos clássicos, "Casablanca" (de Michael Curtiz, 1942). Madonna, cujas passagens pelo cinema foram nada mais que medíocres, quer refazer aquele que é considerado um dos melhores filmes de todos os tempos. Já não bastou há uns anos "Casablanca" ser sujeito à horrível colorização, agora ainda temos que levar com uma versão do filme de Curtiz da iniciativa de Madonna. A ideia é que a história de passe no Iraque (muito original), e que a cantora interprete o papel de Ilsa, no filme original entregue à divina Ingrid Bergman. Só falta saber quem fará de Rick Blane (Humphrey Bogart). Quase apostava em George Clooney...
Quanto a mim, as intenções da cantora são de uma vã e fútil vaidade, mas acredito que os fãs de Madonna salivem à espera desta versão cinematográfica.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Jazz & literatura


Em Portugal, que tenha conheciemnto, há apenas um livro que versa sobre a relação entre literatura e jazz. É um livrinho editado na Campo das Letras da autoria de Miguel Martins. Lá fora há vários títulos, mas destaco este: "Ask me Now" de Sascha Feinstein, procura estabelecer pontes de ligação (e há muitas!) entre os músicos de jazz e criação literária. O jazz era a música de eleição da Beat Generation (Kerouac, Burroughs, Ginsberg), e muitos outros escritores mantiveram fortes conexões com esta estética: Boris Vian (que também foi músico), Malcolm Lowry, Georges Simenon, Milan Kundera (foi baterista de jazz!), Sam Shepard, Henry Miller, Julio Cortazár, António Ferro, Carlos Oliveira, Jorge de Sena, etc.
O livro de Feinstein pode ser adquirido na Amazon, o do Miguel Martins andará ainda algum exemplar nalguma livraria (a edição que tenho tem já dez anos).

Anos 80 bem medidos


Os nomes que fizeram a música portuguesa dos gloriosos anos 80 estão em anos80. no.sapo.pt. Nesta onda revivalista convém ter sempre à mão este site, que não é graficamente atraente mas os conteúdos compensam a falta de design. O site contém as biografias de muitas bandas e artistas que fizeram a história da música portuguesa na década de oitenta. Constam por lá as bandas mais desconhecidas com aquelas que marcaram os hits radiofónicos. Discos, compilações, piratas e oficiais. E tem um interessante arquivo de artigos publicados na imprensa nos últimos anos, assim como diversas editoras e espaços de espectáculo míticos. A guardar com sentimento saudosista. Na imagem, o grupo É M'as Foice.

Van Gogh


O gato de Vermeer


Jack sorri

Marge grita


Música amadora?

Chama-se Lasse Gjertsen e é um miúdo norueguês que se dedica à animação, ao vídeo e à música. Como muitos outros, de resto. Acontece que Lasse é um dos maiores fenómenos de popularidade do YouTube. Os seus vídeos de animação foram já vistos por milhões de cibernautas. Recorrendo às ferramentas básicas do Photoshop, de diversos programas de edição de vídeo e som e de grandes doses de criatividade, consegue pequenas pérolas (diria delírios) audiovisuais como este clip "Amateur":

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Pintura e filosofia


"As minhas pinturas devem assemelhar-se ao mundo, de forma a evocarem o seu mistério" - René Magritte
(Nota a propósito: quando frequentei o 10º de escolaridade, a capa do livro de filosofia era esta pintura. Fiquei sempre com a sensação de que era uma imagem de capa ideal para despertar o espírito filosófico num aluno da minha idade. Aliás, toda a pintura de Magritte representa uma inquietação do espírito).