quarta-feira, 18 de março de 2009

O melhor filme de sempre sobre um fotógrafo?






"Blow-Up" (1966) de Michelangelo Antonioni

Discos que mudam uma vida - 53


Spiritualized - "Ladies & Gentlemen We Are Floating in Space" (1997)

Krautrock por Julian Cope


Julian Cope é conhecido sobretudo pela sua carreira de músico à frente da banda de pós-punk The Teardrop Explodes. Mas é também conhecido pelo seu trabalho como historiador de música, e pelo seu livro “Krautrocksampler”, sobre o Krautrock alemão dos anos 70 (há apenas dois anos, Julian Cope lançou um novo livro, desta vez debruçando-se na história do rock japonês).
O Krautrock é um movimento musical de origem alemã que surgiu em finais da década de 1960 e se estendeu ao longo dos anos 70 e aplicou-se a uma série de bandas com preocupações estéticas ousadas: uma fusão de psicadelismo, rock progressivo com improvisação e vanguarda erudita experimental (minimalismo, electroacústica, concreta). Ainda hoje se faz sentir a influência da música Krautrock nas bandas da actualidade. Muitas obras-primas foram criadas no âmbito deste movimento, e algumas das bandas mundiais de maior culto do rock experimental identificam-se com o rock alemão: Faust, Can, Neu!, Cluster, Tangerine Dream, La Düsseldorf, Popol Vuh, Amon Düül e, em certa medida, os Krafwerk.
Julian Cope, como especialista e apaixonado pelo Krautrock, não podia deixar de ter uma lista pessoal em termos de preferências de discos. A lista que se encontra aqui, revela os 50 discos preferidos do músico e escritor. Percebe-se que a grande referência de Cope no universo do rock alemão, são os Amon Düül (ocupam os primeiros cinco lugares da lista). De todos os modos, é uma excelente lista para quem quer aventurar-se a conhecer um dos mais inovadores e surpreendentes movimentos musicais da segunda metade do século XX.

Nomes estranhos de bandas, parte 2


Já uma vez tinha aqui comentado acerca de nomes de bandas/projectos musicais deveras bizarros e originais (ou ambas as coisas simultaneamente). Agora descobri mais uma fornada de nomes estranhos de bandas, oriundas do universo pop, rock ou electrónico. Gosto especialmente dos nomes dos grupos Wicked Pussy From The Wild West, dos The Plot To Blow Up The Eiffel Tower e dos Begging for Incest. Imaginação não falta, portanto.
Eis os exemplos:

Clinging To The Trees of a Forest Fire
I Wrestled a Bear Once
2 O' Clock Girlfriend
A Night to Dismember
A Different Breed of Killer
Bodies in the Gears of Apparatus
Begging For Incest
Last House On The Left
Massacre of the Umbilical Cord
My America Is Watching Tigers Die
Pitbulls In The Nursery
School Girl Night Fight
See You Next Tuesday
We Speak Texan
Wicked Pussy From The Wild West
X Ray of a Graveyard
Duck Duck Goose
The Plot To Blow Up The Eiffel Tower
I Set My Friends on Fire

terça-feira, 17 de março de 2009

Pinta


Pinta. Estes dois senhores têm muita pinta (entenda-se por "pinta" o que se quiser).

Abstinência e fica tudo resolvido


Li no blogue Provas de Contacto e vi na RTP a casmurrice dogmática e ultra-conservadora do Papa Bento XVI revelada, desta vez, em África. Continua a proibir aos crentes católicos a utilização do preservativo como método anti-conceptivo e como instrumento de prevenção contra a SIDA, que infecta (e mata) mais de 20 milhões de pessoas todos os anos. "O uso do preservativo não resolve os problemas da SIDA", diz. O papa apregoa, como solução, a simples e eficaz abstinência sexual...
Assim, é oficial que a Igreja continua, teimosamente, a não querer acompanhar a evolução das sociedades e a defender uma moral retrógrada e cristalizada. Pior: uma moral perniciosa e altamente perigosa, dado que o Papa, através desta doutrina fútil, influencia milhões e milhões de fiéis para a não utilização do preservativo como método de combate à transmissão do letal e global vírus HIV. Quando acordará o Vaticano para o século XXI?!

O caso único de Piero Scaruffi


Este homem chama-se Piero Scaruffi, tem 54 anos, é de origem italo-americana, formado em matemática pela Universidade de Turim, vive desde 1983 nos EUA, e trabalha na investigação da Inteligência Artificial e da informática. Mas não é por estas vertentes que é mundialmente conhecido. Desde cedo que a sua paixão foi a música. Nos anos 70, quando era jovem, diz que era o especialista em música na escola. Os amigos perguntavam-lhe quais os cinco discos essenciais do jazz, quais os melhores do heavy-metal ou do rock progressivo. Piero Scaruffi respondia a tudo. De tal forma que foi elaborando listas atrás de listas temáticas, fazendo uma espécie de história da música do século XX. Começou a editar livros. Um dos seus livros mais famosos é o “History of Jazz Music 1900 – 2000”, uma obra que aborda 100 anos de evolução e revoluções no jazz. Mas também lançou livros sobre a história do rock, da música erudita contemporânea ou da electrónica. Diz-se que é uma verdadeira enciclopédia e que mal tem tempo para respirar, tal a investigação, audição e leitura a que se dedica. Elaborou dezenas de listas dos melhores álbuns de todos os tempos e de quase todos o géneros (o seu preferido de sempre é “Trout Mask Replica" de Captain Beefheart).
Desde 1989 que Scaruffi resolveu colocar todo o seu saber na internet, publicando centenas de artigos e listas de discos desde 1955 até à actualidade, catalogadas por géneros musicais, por ano, década ou por instrumentos (o melhor cantor, guitarrista, baterista, teclista...). Para quem gosta de jazz, por exemplo, ou está a começar a gostar e precisa de referências discográficas, nada melhor do que consultar o seu site. Música clássica, idem. Rock progressivo, ibidem. O seu site contém centenas de referências a discos e edições, classificadas com um rigor quase científico e obsessivo.
Mas o seu site não aborda apenas música, mas dezenas de outros temas: cinema, literatura, filosofia, poesia, arte, ciência, política ou história. Mais cronologias de acontecimentos culturais, críticas, história dos estilos musicais, discografias completas de grupos, textos de reflexão, etc. Todos os conteúdos publicados são da exclusiva responsabilidade do próprio Scaruffi e não se pense que não há actualizações. Quase todos os dias o site é actualizado com novos conteúdos e informações, num ritmo quase imparável. As suas preferências musicais são vastíssimas e diversificadas (e é atento às novidades estéticas, do heavy-metal à electrónica, do indie-folk à electrónica IDM).
O seu trabalho não é avesso a polémicas, e as classificações que atribui a discos clássicos nem sempre é alvo de consensos, uma vez que Scaruffi foge a sete pés do mainstrem, favorecendo as manifestações estéticas mais alternativas. Outra prova de controvérsia prende-se com a sua página sobre os Beatles, na qual defende que a banda de Liverpool é a mais sobrevalorizada de todos os tempos: "The Beatles most certainly belong to the history of the 60s, but their musical merits are at best dubious."
O seu monumental site é, em termos de design, horrível, mas é funcional e prático, e no fundo é isso que interessa. "Last but not least" - o site é verdadeiramente internacional, visto que é traduzido em seis línguas - do espanhol ao japonês. Um caso único na Internet, portanto.
Para entrar e descobrir o mundo de Piero Scaruffi, aqui.

segunda-feira, 16 de março de 2009

MacGyver para o grande ecrã

Lembro-me bem: estávamos em 1986, 87. Por aí. Não perdia um episódio, antes mesmo de fazer os trabalhos de casa escolares. Passava aos sábados à tarde na RTP, num tempo em que não tinha concorrência do tele-lixo dos canais privados. "MacGyver" era uma série de ficção exemplar. Um entretenimento televisivo que voava à frente do espectador. Longe da banalidade repetitiva e artificial da série "Knight Rider" com o canastrão David Hasselhoff, "MacGyver" era sempre uma fonte de surpresa e imprevisibilidade. As aventuras do agente secreto da Fundação Phoenix, que detestava armas de fogo, violência gratuita, e revelava grandes conhecimentos de química e física, tinham o condão de ser sempre diferentes e entusiasmantes. Sobretudo pela forma como conseguia desenvencilhar-se das situações mais complexas recorrendo aos objectos mais inofensivos (para construir uma bomba, por exemplo) - uma pastilha elástica, um clip, um elástico, uma esferográfica, uma pequena ferramenta, bastavam para MacGyver escapar de qualquer aperto. Por isso, era sempre interessante ver a inteligência e as soluções engenhosas que MacGyver punha em prática a cada novo episódio da série.
Richard Dean Anderson, o actor que encarnou durante cerca de sete anos o papel do mítico MacGyver, tornou-se um dos actores televisivos mais carismáticos e conhecidos da década de 80 e a série facilmente se transformou num ícone da cultura popular dessa década. Soube-se agora, através do "Hollywood Reporter", que a New Line, com Raffaella De Laurentiis (filha de Dino De Laurentiis) ao leme, está a desenvolver o projecto de transformação da série num filme. Ainda não há realizador, nem argumento ou elenco (sempre estou curioso para ver qual o actor que irá interpretar MacGyver). No entanto, não deixo de ter sempre reserva quando uma série de culto do imaginário televisivo popular passa para o grande ecrã. Há sempre riscos inerentes de desvirtuar o conceito do produto original.
Por causa desta notícia, fiz uma breve pesquisa sobre a série e o Google devolveu-me mais de seis milhões de resultados. Mesmo considerando que nem todos se referem à série, convenhamos que é um número que atesta o interesse que ainda hoje "MacGyver" desperta. Há até vários sites e fóruns de fãs que disponibilizam toda a informação sobre o herói televisivo dos 80, como este excelente "MacGyver Online". Está lá tudo para quem quer saber tudo sobre MacGyver. Como saber qual o tipo de blusão usado pelo agente secreto, ou porque é que nunca apareceu na série com uma namorada.

Winning


What holds your hope together
Make sure it's strong enough
When you reach the end of your tether
It's because it wasn't strong enough

I was going to drown Then
I started swimming
I was going down
Then I started winning
Winning - winning!

When you're on the bottom
Crawl back to the top
Something pulls you up
And a voice you can't stop

I was going to drown
Then I started swimming
I was going down
Then I started winning
Winning - winning!

Adrian Borland (1957 - 1999) - Vocalista e letrista dos The Sound

Michael Jackson: vendem-se bilhetes baratos


A mim já me parecia suficientemente louco o Michael Jackson realizar 50 concertos em Londres. Agora, para apimentar ainda mais a loucura, desta vez dos fãs, é o facto de alguns dos poucos bilhetes (um milhão!) à venda estarem a ser leiloados no site ebay.com com uma base de licitação que começa nos 870 euros, passa pelo valor de 7700 euros até... 77 mil euros! Claro que, quem adquirir este bilhete que possibilita a entrada na sumptuosa O2 Arena de Londres, não se limita a comprar um simples ingresso. Terá direito a um verdadeiro pacote de luxo e requinte, que inclui viagens de avião, estadia em hotel de 5 estrelas, festa privada, champanhe exclusivo e outras mordomias. Quem ainda não comprou bilhete para um dos 50 espectáculos do auto-denominado "Rei da Pop", poderá ainda aproveitar estas ofertas.
Pergunto-me quando é que, por cá, o Tony Carreira conseguirá alcançar este nível de exuberância e vedetismo (que, coitado, só consegue esgotar dois dias seguidos o Pavilhão Atlântico e passar centenas de vezes nas televisões).

Paul Auster


É uma excelente notícia para os fãs do escritor americano Paul Auster: as obras mais emblemáticas de um dos maiores nomes da literatura norte-americana chegaram às livrarias, numa reedição sem precedentes. Tanto mais agora que a revista New York elegeu "Cidade de Vidro" como a melhor novela gráfica sobre a cidade da Grande Maçã (baseado na célebre "Trilogia de Nova Iorque" do próprio Auster). Em português há um excelente blogue sobre a obra de Paul Auster - aqui.

domingo, 15 de março de 2009

Díptico - 57


"Werckmeister Harmonies" (2000) de Béla Tarr e "Gerry" (2002) de Gus Van Sant

O "Cine-Olho"


Rob Spence é um realizador e produtor canadiano. Nunca fez nada de relevante no passado para ser reconhecido, mas pelos vistos, vai fazer. Rob Spence perdeu um olho quando tinha 13 anos devido a um disparo fortuito de uma arma de fogo. Teve de remover o olho ferido e colocar um de cristal. Agora tem 36 anos e tomou uma decisão que pode mudar a sua vida: reuniu uma equipa de engenheiros e médicos com o objectivo de elaborar uma prótese ocular que consiga incorporar uma mini-câmara. Essa mini-câmara será composta por um microship capaz de filmar e transmitir tudo o que vê. 
Com as imagens recolhidas por essa espécie de olho robótico (chama-lhe "Eyeborg"), Rob Spence pretende fazer o primeiro documentário filmado com uma prótese ocular. O realizador quer, de igual modo, denunciar a fragilidade do direito à privacidade numa sociedade onde aumenta a vigilância global e tecnológica (imagino o que não fariam os serviços secretos de todo o mundo com um dispositivo como este para fins de espionagem internacional -  e não só). Há um ano, escrevi sobre o artista cibernético Stelarc, que implantou uma orelha no braço com fins estético-tecnológicos. O caso do realizador canadiano, apesar de algumas semelhanças com o do Stelarc, tem contornos e fins distintos. O "olho-câmara de filmar" de Spence parece inaugurar uma era na qual o corpo humano se transforma, à custa da tecnologia, numa espécie de humanóide (ou cyborg). 
Nos anos 20 do século XX, o realizador de vanguarda russo Dziga Vertov inventou o conceito "Kino-Glaz", ou "Cine-Olho": a câmara funciona como terceiro órgão ocular, instrumento que complementa o olho orgânico. Foi com a teoria do "Cine-Olho" que Vertov captou a realidade tal como ela era, filmando obras como "O Homem da Câmara de Filmar". Agora, Rob Spence, está a um passo de materializar, em termos absolutos e teóricos, o desejo do cineasta russo. Ou seja, um dia veremos na sala de cinema um documentário filmado integralmente por um "olho". 
Rob Spence tem um blogue - Eyeborg.

sábado, 14 de março de 2009

Matrix: pílula azul ou vermelha?


É um momento determinante em todo o filme "Matrix" (falo do primeiro filme da trilogia, porque os outros dois são dispensáveis): Morpheus (Laurence Fishburn) encontra-se com Neo (Keanu Reaves) para lhe explicar que o mundo no qual vive não é o mundo real e verdadeiro. Os humanos são meros escravos de um poderoso sistema de computadores designado Matrix que controla a mente humana. Morpheus (não é em vão este nome, dado que é o Deus dos Sonhos na mitologia grega) dá a possibilidade a Neo de escolher entre tomar a pílula azul ou a vermelha. Tomando a azul, Neo voltará à sua ilusória e superficial vida; se optar pela pílula vermelha, conhecerá a verdade que está por detrás do mundo que julga ser real. Neo arrisca e opta pela pílula vermelha, conhecendo, finalmente, a complexa verdade por detrás do seu mundo de aparências. A partir deste simples enunciado entre a dicotomia do mundo real e do mundo ilusório ou aparente, levantam-se muitas leituras filosóficas e religiosas. Estas pílulas representam, também, uma metáfora da condição humana: o homem que se resigna de forma dogmática e aceita passivamente tudo o que existe à sua volta ou o homem que deseja libertar-se e conhecer a verdade absoluta das coisas e o acesso ao conhecimento?
Esta dualidade de universos apresentado em "Matrix" vai busca inspiração a vários quadrantes: a história "Alice no País das Maravilhas", na qual Alice tem de escolher entre beber o líquido azul ou vermelho; a "Alegoria da Caverna" de Platão, em que se prova que os homens podem viver no mundo das sombras julgando que representam a realidade das coisas; e a teoria pós-moderna do ensaísta e filósofo francês Jean Beaudrillard, a qual estipula que vivemos num mundo de "Simulacros e Simulação". Os próprios irmãos Wachwoski, realizadores da trilogia "Matrix", confessaram a grande influência do filósofo francês na conceptualização do filme.
Perante isto, a questão que coloco a mim mesmo (e aos leitores) é esta: e se este mundo, de uma forma ou de outra, não é mais do que uma espécie de "Matrix" global e eu tivesse que optar por ingerir a pílula azul ou a vermelha, qual escolheria? De caras: a vermelha

20 anos de "3 Feet High and Rising"


sexta-feira, 13 de março de 2009

A Trilogia da Morte e a música


Sabendo do meu interesse pelo tema da relação entre o cinema e a música, um amigo alertou-me para um trabalho académico que aborda a música no cinema de Gus Van Sant, mais propriamente, da chamada "Trilogia da Morte": "Gerry" (2002), "Elephant" (2003) e "Last Days" (2005). A referida tese tem por sugestivo título "Significação Musical e Definição de Espaços Cinematográficos: Trilogia da Morte de Gus Van Sant", é da autoria de Helder Gonçalves e foi publicada na Universidade Nova de Lisboa. Não é nenhuma tese de mestrado ou doutoramento nem revela ao mundo novidades insuspeitas no cinema de Van Sant, mas é um trabalho perfeitamente digno e interessante pela forma como explora e analisa as relações estéticas que o realizador estabelece entre a música e os seus filmes, como no espantoso "Gerry".
Acho apenas estranho que, em todo o trabalho não se cite, uma única vez, a determinante influência do cineasta húngaro Béla Tarr na trilogia de Van Sant, dado que a linguagem visual e narrativa dos três filmes devem, em grandíssima medida, ao cinema maior de Tarr (realizador para quem a música é também elemento fulcral na sua arte). O documento em formato PDF pode ser descarregado directamente aqui.

Tom Waits em dois filmes


Notícia do dia: Tom Waits vai entrar como actor num filme que é descrito como "Post-Apocalyptic Western Movie" (só a descrição é um programa). Chama-se "The Book of Eli" e a história gira à volta de um homem solitário que vagueia pelo deserto americano para proteger um livro secreto que possui e que pode salvar a Humanidade. Está bom de ver que será um "road-movie" bizarro. Talvez não tão bizarro quanto a próxima obra do realizador Terry Gilliam -" The Imaginarium of Doctor Parnassus", o tal filme que contou com a última interpretação do malogrado (e oscarizado) Heath Ledger e com a participação do próprio Tom Waits, num papel muito aguardado, já que interpreta o papel de... Diabo. Sabemos quão surrealista, frenética e fantástica é a imaginação criadora de Gilliam, pelo que se espera que o filme seja nada menos que uma verdadeira e perturbante trip alucinogénica na senda do seu último filme "Tideland" (2005).
Desenvolvimento da história aqui.

Nem uma coisa, nem outra

Um crítico de cinema do Público (não me recordo qual) disse, a propósito de “Valquíria” com Tom Cruise na pele do conspirador Claus von Stauffenberg, que o melhor plano estético de todo o filme era aquele em que o oficial alemão faz a saudação nazi sem a mão (que perdera num ferimento de guerra). O Jornal de Letras, pela pena do jornalista Manuel Halpern, disse precisamente o oposto: que esse plano enfraquecia decididamente a estética do filme de Bryan Singer. Eu acho que nem uma coisa, nem outra.

quinta-feira, 12 de março de 2009

A paixão segundo Dreyer


Satie e os críticos


Em 1917, Jean Cocteau, propôs a Diaghilev, empresário dos Ballets Russes, colaborar com o compositor Erik Satie num ballet. Desde conjugação artística, saiu o bailado "Parade" (na imagem), com argumento de Cocteau e ainda cenários e figurinos do pintor Pablo Picasso. A partitura musical de Satie, pianista e visionário, continha sons de máquinas de escrever, apitos de sereias, ruídos de hélices de avião, de aparelhos de Morse, e de roletas de lotaria (a ideia era assaz original, mas não totalmente inovadora: o futurista italiano Luigi Russolo tinha construído "máquinas para fazer ruído" três anos antes).
O lugar exigido a todos estes objectos exigiu uma redução de instrumentos musicais convencionais no fosso de orquestra, opção que provocou uma acesa discussão no seio da crítica e dos espectadores. "Parade" foi um ballet inovador e ousado em termos estéticos (nos cenários, no argumento e na música), antecipando uns anos o movimento surrealista. Os críticos arrasaram sobretudo a música. Erik Satie não se ficou e escreveu, satiricamente, um texto com o título "Elogio dos Críticos", que começa assim: "O ano passado fiz várias conferências sobre a inteligência e a musicalidade nos animais. Hoje vou falar-vos da inteligência e da musicalidade nos críticos. O tema é quase o mesmo, portanto."