segunda-feira, 15 de novembro de 2010

"48" - Um documentário inovador


É um dos mais inovadores documentários portugueses que me recordo de ver em muito tempo. E se nem sempre a inovação acarreta originalidade, este não é o caso. Não admira que já tenha ganho vários prémios em festivais de cinema (venceu, por exemplo, o Prémio "Opus Bonum" para Melhor Documentário Internacional no Festival Internacional do Filme Documentário de Jihlava, na República Checa).
Refiro-me ao filme "48" da realizadora Susana Sousa Dias. Um documentário que aborda a tortura sobre prisioneiros (homens e mulheres) durante o Estado Novo em Portugal. Histórias muito sofridas de tortura e mutilação, de sobrevivência e tenacidade, de terror e angústia. A forma como Susana Sousa Dias revela estas histórias é deveras original: a partir das fotografias de arquivo que a PIDE tirava aos prisioneiros, a realizadora mostra essas mesmas fotografias sob diferentes ângulos. Ao mesmo tempo, ouve-se uma voz que relata a terrível experiência por que passou como preso político. Essa voz pertence à pessoa que surge na fotografia (nunca lhe vemos o rosto actual). É a voz do sobrevivente que é confrontado com as memórias das suas privações, olhando directamente para a sua própria fotografia - a imagem do passado com a voz do presente.
"48" dura mais de uma hora e meia e é construído a partir de uma narrativa visual minimalista, conceptual, de conteúdo psicológico pesado, sem música, sem efeitos especiais, com uma montagem lenta (à base de "fade in" e "fade out") que abre espaço à reflexão do espectador.
"48" é mais do que um mero filme. É uma experiência sensorial que inventa uma nova forma de contar os testemunhos da história, rejeitando a linguagem formal habitual do documentário.
Uma enorme revelação, portanto.
PS - Julgo que ainda não estreou em sala. Eu vi este filme, em sala de cinema, nos Encontros Cinematográficos do TMG.



Nota: este curto excerto do filme não revela, verdadeiramente, a dimensão estética e visual de toda a obra.

Joy Division em livro de fotografias


Li no blogue Sound + Vision que surgiu no mercado mais um livro sobre os Joy Division. Trata-se de um álbum de fotografias que Kevin Cummins tirou à banda de Ian Curtis durante o seu período áureo. Esta edição serve para assinalar os 30 anos da morte do cantor e líder da mítica banda de Manchester.
Para além da qualidade das fotografias (a preto e branco), li na amazon que "This book is the most definitive and heavily illustrated celebration of the band ever produced".
Já está na minha "wish list" (custa £17.50 no site da Amazon inglesa).

domingo, 14 de novembro de 2010

Playtime #23


A solução: "O Último Tango em Paris" (1972) - Bernardo Bertolucci
Quem descobriu: Fly

Petição


Há que dizer basta ao abandono que o Governo tem decretado a cultura em Portugal.
As artes são sucessivamente alvo de desprezo, de falta de apoio, de pura indiferença, por parte do poder político. Mas agora a situação agravou-se definitivamente. O corte orçamental anunciado, para 2011, de 23% no apoio às artes, veio cobrir todo o país de uma névoa negra e sem esperança. Um país sem uma cultura forte e pujante de criatividade, não é um país saudável e desenvolvido.
É um país à deriva e à mercê dos interesses políticos e economicistas, que não acreditam nas artes como motor de desenvolvimento estrutural de um país.
Por isso eu já assinei a petição pública "Em Defesa do Direito à Cultura", que circula pela intenet. Quem concordar, que faça o mesmo. Ainda que esta petição caia em saco roto e não obtenha resultados concretos, pelo menos todos terão exercido o seu direito de cidadania, de contestação, de indignação.
Para assinar, aqui.

A música de Cape Fear

Um das mais bandas sonoras compostas para cinema de que mais gosto, é a do filme "Cape Fear" ("Cabo do Medo"), original de J. Lee Thompson (1962) e alvo de um brilhante remake de Martin Scorsese em 1991. Fui vê-lo duas vezes seguidas ao cinema, não só pela realização, pelas interpretações, pela história ou pela montagem. Foi também pela música. Originalmente foi composta pelo grande Bernard Herrmann e adaptada por Elmer Bernstein para o filme de Scorsese.
A cada segundo de música, cria-se o ambiente soturno e inquietante adequado à história de vingança de Max Cady. Uma música que é, igualmente, um personagem do próprio filme. Vale a pena, por isso, rever o genérico inicial do genial Saul Bass (trabalhou com Hitchcock) e sentir os arrepios na pele com o tema principal do filme:

Playtime #22


A solução: "Unbreakable" (2000) - M. Night Shyamalan
Quem descobriu: Jack

sábado, 13 de novembro de 2010

A Odisseia no Espaço de Kubrick com Orquestra Sinfónica ao vivo!

Marquem na agenda: 29 de Janeiro 2011, Sábado, na Casa da Música: projecção do filme "2001, Odisseia no Espaço" de Stanley Kubrick com orquestra ao vivo!

"A primeira vez que vi imagens de 2001: Odisseia no Espaço tinha apenas 9 anos. Não quis acreditar no que os meus olhos viam, aquele realismo teve um impacto tão forte que mudou a minha abordagem ao cinema. Em Setembro de 2001, o Festival de Cinema de Berlim planeou uma projecção da versão restaurada da obra-prima de Kubrick. Eu estava sentado ao lado de Christiane Kubrick (a sua mulher), com quem conversava antes do início da sessão, e de repente tive uma ideia: 'e se se projectasse o filme acompanhado pela banda sonora tocada ao vivo perante o público?' A sua mulher disse-me que isso nunca tinha sido feito e aqui estamos."
Enrico Marconi (maestro)
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ORQUESTRA SINFÓNICA DO PORTO CASA DA MÚSICA
Enrico Marconi - Direcção Musical
"2001, Odisseia no Espaço" - filme de Stanley Kubrick
Interpretação ao vivo da banda sonora de Alex North
Excertos de Richard Strauss - "Assim Falou Zarathustra"
Johann Strauss II - "O Belo Danúbio Azul"
György Ligeti - "Lux Aeterna"
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Sobre a música do compositor Alex North que Kubrick rejeitou e que será interpretada na Casa da Música, abordei aqui.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Discos que mudam uma vida - 124


The Jimi Hendrix Experience - "Are You Experienced" (1967)

Clutchy Hopkins e Mickey Mouse

Clutchy Hopkins é um artista anónimo. Apesar de surgir em fotografias como um homem de idade e com longas barbas, a verdade é que ninguém sabe, ao certo, quem ele é. Como referi neste post, é provável que seja um produtor e/ou músico ligado aos Beastie Boys.
Ora, alguém pegou numa música de Clutchy Hopkins e colou-a ao primeiríssimo filme de animação do Mickey Mouse - "Steamboat Willie" de 1928.
O resultado é deveras contagiante.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Dois livros - Bresson e Coppola


São dois livros muito, muito diferentes. Em conteúdo, tamanho ou formato. Apenas uma coisa em comum: o cinema. "Notas Sobre o Cinematógrafo", de Robert Bresson, é um pequeno livro com pouco mais de 100 páginas, formato de bolso, com pensamentos dispersos do realizador francês sobre a sua visão original da Sétima Arte. Tem tradução e posfácio de Pedro Mexia, confesso admirador de Bresson.
"Notas Sobre o Cinematógrafo" é, pois, um original documento de aforismos, ideias, visões e sentidos do cinema como linguagem expressiva única, na óptica de Bresson.
"The Godfather Family Album" é feito de outra massa: ambicioso, grandiloquente (500 páginas num enorme formato), capa dura, profusamente ilustrado com belíssimas fotografias de bastidores, e dezenas de entrevistas aos actores e intervenientes da saga que Mario Puzzo escreveu e Francis Ford Coppola realizou.
Essas fotografias - que serviram de pretexto à edição deste valioso volume da Taschen - são da responsabilidade de Steve Schapiro, fotógrafo que acompanhou e documentou os três filmes da trilogia.
Em suma, dois objectos singulares, cada um à sua maneira e função, mas que não deixam de ser dois objectos importantes na biblioteca pessoal de qualquer cinéfilo.

Playtime #21


A solução: "In Bruges" (2008) - Martin McDonagh
Quem descobriu: O Projeccionista

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Haneke, Haendel e Zorn


"Funny Games" (1997) de Michael Haneke é um filme controverso e violento, uma espécie de súmula de "Laranja Mecânica" (Kubrick) e "Cães de Palha" (Peckinpah) com um toque de "voyeurismo" do espectador. Haneke força o espectador a uma reflexão incómoda sobre o papel da violência na sociedade moderna, numa simples história que se conta numa frase: dois psicopatas invadem a casa de uma família em férias, sequestrando-os e forçando-os a participar em sádicos jogos de tortura (física e psicológica) e de morte.
Mas a leitura desta história vai mais para além do óbvio. Haneke construiu um perturbante estudo psicológico sobre a violência mediatizada (os assassinos usam o vídeo para gravar os actos, a televisão está em alto volume numa cena de violência) e a agressividade extrema sem aparente justificação ou motivação.
"Brincadeiras Perigosas" continua a ser, por isso, um dos mais perturbantes ensaios sobre a violência das imagens do cinema moderno, uma reflexão sobre a banalidade da sua "aceitação". E repare-se como em pouco mais de 1 minuto, o trailer do filme condensa todo o espírito paradoxal do filme: não só pela montagem meticulosa, mas também pela espantosa e inteligente utilização da música, com a agressividade da música dos Naked City (John Zorn) a sobrepor-se à doçura erudita da música de Haendel que a família ouve no carro (mas que não se vê neste trailer).
Impressionante.

Hitchcock e os títulos

Recordemos o exacto momento em que, nos filmes de Alfred Hitchcock, surgem as imagens com os títulos de alguns dos seus filmes:










segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A angústia do guarda-redes


No momento em que ontem Hulk marcava o penalty no jogo FC Porto x Benfica, veio-me à memória um livro cujo título tudo tinha a ver com aquele momento. Refiro-me ao livro “A Angústia do Guarda-Redes Antes do Penalty”, do escritor austríaco Peter Handke (na imagem). Livro que foi adaptado ao cinema pelo alemão Wim Wenders, que nunca tive a oportunidade de ver (apesar de grande admirador do cinema de Wenders).
Mas o livro conheço-o bem. Li-o há mais de dez anos, numa edição de 1987 da Relógio d’Água (imagem em baixo).
Na altura recordo-me que esta obra partia do universo do futebol para fazer um retrato da sociedade moderna. Ou seja, o futebol como metáfora da vida: o sucesso e o fracasso, o sofrimento e a alegria, a vitória e a derrota, a frustração e a excitação, a angústia e a ansiedade. Emoções que dominam o desporto-rei, tal como dominam a vida.
Peter Handke conta no seu livro - num escrita extremamente escorreita e quase visual - a história de Joseph Bloch, um canalizador que fora em tempos um guarda-redes de uma conhecida equipa de futebol. Um dia, sem nada o fazer prever, é despedido. Bloch começa então a deambular pela cidade, a frequentar hotéis decadentes e a conhecer personagens tão perdidas e solitárias quanto ele. Num dia, e sem motivo aparente, assassina uma amante ocasional e entrega-se à vida errante num mundo sem sentido.
“A Angustia do Guarda-Redes Antes do Penalty” reflecte sobre um mundo onde essa mesma angústia grassa a todo o momento e se infiltra no meio de nós. Uma angústia existencial que transforma a realidade numa coisa baça e desprovida de sentido.
No fundo, a angústia causada pelo penalty (valha a verdade, tanto para o guarda-redes como para o futebolista rematador) não passa de uma metáfora da realidade quotidiana, um espelho de duas faces no qual todos nos vemos reflectidos. Ou seja, todos nós podemos ser, a dada altura da vida, Joseph Bloch.

Playtime #20


A solução: "Ran" (1985) de Akira Kurosawa
Quem descobriu: Zé

A morte de um grande cinéfilo


Não o sabia oficialmente, mas intui-o. O facto de Manuel Cintra Ferreira ter deixado de escrever no semanário Expresso há quase um ano e a recente homenagem na Cinemateca, indiciavam que o crítico e programador de cinema se encontraria gravemente doente. Faleceu ontem com 68 anos, vítima de cancro.
Habituei-me a ler, durante anos a fio, os textos críticos de MCF no Expresso. Admirava a sua imensa sabedoria sobre o cinema clássico, a sua análise objectiva e nada hermética à arte cinematográfica, a sua abertura às novas tendências do cinema independente. Tinha um discurso claro e coerente.
A sua contribuição como programador da Cinemateca e os textos que produziu para esta instituição, foram, igualmente, de grande valor (mas não me pronuncio sobre esta faceta porque não a vivenciei). Quem o conheceu pessoalmente, enaltece o seu bom carácter humano, a sua memória cinéfila e a sua generosidade.
Houve um tempo em que me dava ao trabalho de recortar críticas de cinema dos filmes que mais gostava. Arquivava esse material num dossiêr específico. Lá estão muitos recortes de textos do Manuel Cintra Ferreira...
Realço o que disse, ao Público, o jornalista e colega Jorge Leitão Ramos: "Ao contrário de muitos críticos que agora entram na sala de cinema com uma 'bola preta' no bolso, Cintra Ferreira ia ver um filme sempre com uma grande abertura de espírito, e com 'cinco estrelas' disponíveis", referiu o crítico de cinema do Expresso, salientando ser essa uma atitude que cada vez mais rareia na crítica de cinema dos nossos dias.
Espero que, onde quer que esteja, o Manuel Cintra Ferreira continue a rever e a deliciar-se com os grandes filmes do John Ford (ao lado do João Bénard da Costa)!

domingo, 7 de novembro de 2010

Chris Marker no Estoril

Um dos mais singulares e "misteriosos" cineastas ainda vivos, Chris Marker, vem a Portugal para uma retrospectiva da sua obra no Estoril Film Festival. Sobre este realizador escrevi há dois anos neste blogue um texto que reproduzo agora.

Nasceu em França em 1922 e vive actualmente em Paris. Combateu na 2ª Guerra Mundial, estudou filosofia com Jean Paul Sartre e Guy Debord mas especializou-se em documentários, sendo ainda produtor, escritor, operador de câmara, artista multimédia e jornalista. Jean-Luc Godard, Orson Welles, Federico Fellini, Pasolini, Chantal Akerman, Wim Wenders, Werner Herzog, Errol Morris, Abbas Kiarostami, e Agnès Varda referem que é um dos melhores cineastas do mundo - um "ensaísta das imagens". Trabalhou com o realizador francês Alain Resnais no documentário sobre Auschwitz - “Noite e Nevoeiro” (1955). Deu muito poucas entrevistas ao longo da vida e quando lhe pedem uma fotografia, dá a do seu gato Guillaume.
Chama-se Chris Marker e realizou em 1962 um dos mais enigmáticos, originais e belos filmes de sempre: "La Jetée". É um filme de ficção científica (aborda dois temas recorrentes: o holocausto nuclear e a viagem no tempo), feito com imagens estáticas, fotografias filmadas, à excepção de um único movimento. A curta-metragem narra a aventura de um sobrevivente da Terceira Guerra Mundial que vive como prisioneiro nos subterrâneos de uma Paris destruída. Esse homem guarda lembranças de uma infância feliz na superfície, em tempos anteriores à guerra, quando costumava ser levado pelos pais para admirar os aviões no aeroporto de Orly. Numa dessas idas ao aeroporto, quando criança, ele vê um homem ser assassinado. Em virtude dessas memórias, cientistas do pós-guerra escolhem-no como cobaia para experiências de viagem no tempo. Como a superfície do planeta foi devastada pela guerra e pela radioactividade, a humanidade vive reclusa no subsolo e com parcos recursos. A viagem pelo tempo do protagonista irá levá-lo ao encontro da sua mais funda memória do amor, transformando a sua percepção da vida e do mundo.
Se o cinema permite uma sofisticada manipulação do tempo através da montagem, "La Jetée" demonstra que mesmo imagens estáticas são capazes de fluir e de se submeter ao transcorrer do tempo. Mas este é apenas um dos trunfos estéticos desta obra maior do cinema mundial. A poética das imagens, a soberba montagem, a história envolvente, a voz off subtil, fazem deste filme uma experiência artística única.
"La Jetée" é um filme sonoro a preto e branco, mas que prescinde de uma característica inerente à linguagem do cinema: o movimento. Neste aspecto, o crítico Raymond Bellour terá razão ao afirmar que não é o movimento que define o cinema de forma mais profunda, mas sim o tempo. E é sobre manipulação do tempo, concebida através de uma rigorosa montagem, que este filme se revela, provando que mesmo imagens estáticas são capazes de fluir e de se submeter ao transcorrer do tempo.
As novas gerações talvez saibam da existência do filme porque "La Jetée" de Marker inspirou o filme que Terry Gilliam (ex-Monty Python) fez em 1995, "12 Macacos", com Brad Pitt e Bruce Willis. O realizador Terry Gilliam diz mesmo que "La Jetée" de Marker “tem a melhor montagem que alguma vez viu, com a música e a voz a marcar o ritmo e a deslumbrar o espectador”.
As influências estéticas e plásticas do filme de Chris Marker perduram até aos dias de hoje, não só no seio do próprio cinema, como na música, na fotografia e nas artes plásticas. No caso da música, David Bowie tem um vídeo intitulado “Jump They Say” com referências directas ao filme de Marker; o grupo de jazz Chicago Underground Trio e os Isotope 217 têm um disco chamado "La Jetée" (1999 e 1999, respectivamente); o projecto de pós-rock Tortoise editou um disco intitulado "Jetty" (1998).
Em 1982, Chris Marker realiza outra obra seminal,“Sans Soleil”, que resulta numa complexa reflexão sobre a cultura da imagem na sociedade pós-moderna – filme, vídeo e fotografia. E volta a abordar os seus temas de eleição: ficção científica, memória, tempo, viagem, culturas de África e Japão. Realizou ainda um notável documentário sobre a vida do realizador russo Andrei Tarkovski - "One Day in the Life of Andrei Arsenevitvh" (2000) e em 2005 criou um trabalho multimédia e digital para o MoMa – Museu of Modern art de New York.
Chris Marker é um cineasta que continua activo mesmo com 90 anos de idade. Continua a pesquisar novas formas de expressão audiovisual, recorrendo às novas tecnologias digitais de tratamento de imagem e som. Um artista com visão quase táctil da experiência cinematográfica.
Primeira parte do filme "La Jetée" (as outras duas estão no youtube):

Filmes de terror: a lista de Scorsese


Sabíamos que Martin Scorsese é um grande cinéfilo. A sua cinefilia espelha-se na maioria dos seus próprios filmes, assim como nos dois documentários que realizou sobre o cinema italiano (Neo-Realismo) e o cinema clássico norte-americano. Sabíamos, também, que Scorsese é um amante de filmes de terror, os quais influenciaram obras como "Cape Fear" ou o recente "Shutter Island". O que não sabíamos era a lista dos filmes de terror preferidos de Scorsese. Até hoje.
O jornal espanhol ABC revelou quais os filmes de terror da especial predilecção de Martin Scorsese. No primeiro lugar de uma lista de 11 títulos, surge "The Haunting" (1963), um clássico de terror de Robert Wise à volta de uma casa assombrada.
Para conhecer os outros dez filmes, carregar aqui.

sábado, 6 de novembro de 2010

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Guy Maddin e "The Heart of The World"


É considerado o David Lynch canadiano e a comparação, apesar de compreensível, só peca por redundante. O realizador Guy Maddin é muito mais do que o "David Lynch" do Canadá. É também o Eisenstein, o Tim Burton, o Fritz Lang e o Dziga Vertov do Canadá. Tudo somado e espremido dá um cineasta profundamente original que transforma o cinema em qualquer coisa de novo. Mesmo se 90% da sua inspiração e referências estéticas estejam ancoradas no período do cinema... mudo.
Ou seja, Guy Maddin, que deixou o curso de economia para se dedicar à exploração das imagens, assimilou até ao tutano as coordenadas da vanguarda dos anos 20 e 30: o cinema expressionista alemão e o soviético.
Juntando a isto a imaginação visual delirante de Maddin, a provocação surreal de Salvador Dalí e o universo sinistro de Edgar Allan Poe, chegamos a um resultado artístico único.
É nas curtas-metragens que Guy Maddin revela toda a sua arte da manipulação da imagem, numa linguagem estética que bebe do passado mas aponta, claramente, para o futuro. Da sua relativa vasta produção, veja-se apenas esta incrível e multipremiada curta-metragem intitulada "The Heart of the World" do ano 2000.
Um filme mudo (paradoxal nos tempos de hoje fazer filmes mudos!) que em pouco mais de 5 minutos, o realizador homenageia a arte suprema do cinema mudo com uma surrealista história de dois irmãos que amam a mesma mulher responsável pela "saúde do coração do mundo".
O ritmo frenético da montagem, a composição plástica das imagens, o fulgor expressivo dos planos e a fabulosa música do compositor russo Georgy Sviridov, constituem elementos que fazem lembrar os áureos filmes de Eisenstein e Vertov.
Neste "The Heart of the World", em particular, com um acrescento de pitada de Fritz Lang (piscadela de olho à obra-prima "Metropolis"). Uma das mais originais curtas-metragens da última década (sugiro ouvir em volume elevado):