terça-feira, 16 de outubro de 2012

Vertov e Alloy Orchestra

Caro leitor: se nunca viu o filme "O Homem da Câmara de Filmar" (1929) de Dziga Vertov, esta é uma oportunidade ideal. Se já viu, aconselho a rever esta versão.
Isto porque se trata da versão (que eu adquiri em DVD há 7 anos) com música original da Alloy Orchestra (na imagem). É certo que há uma versão mais famosa com música composta pela Cinematic Orchestra (aqui), mas eu prefiro esta.
Alloy Orchestra, apesar do nome, é um trio de músicos norte-americano especializado, há muitos anos, em compor bandas sonoras originais para cinema mudo. Já fizeram música praticamente para todos os grandes clássicos dessa época ("Metropolis", "Nosferatu", "The General", "Blackmail", "Strike", etc). De todos os trabalhos que conheço desta Alloy Orchestra, considero que o melhor é mesmo o que fizeram para a obra-prima de Vertov.
Uma música incisiva, ao mesmo tempo séria e lúdica (ao bom estilo dos anos 1920), com um rigor sonoplástico, orquestral e rítmico verdaderamente notáveis.
Ver o filme de Dziga Vertov com esta música é, de facto, outra experiência. Acreditem. 
 

domingo, 14 de outubro de 2012

Perguntas Indiscretas #44

As únicas cópias mundiais em Blu-Ray de todos os filmes de David Lynch estão guardadas num baú de uma casa antiga. Há um incêndio e você só tem tempo de salvar um dos filmes e decidir-se num minuto. Qual o filme que salvaria?

Hopkins na pele de Hitchcock

Não sei se é uma impressão só minha, mas depois de ter visto o trailer de "Hitchcock", a figura de Anthony Hopkins pareceu-me demasiado forçada, pouco credível, quase caricata. Não sei se é um problema de caracterização (parece artificial e pouco natural). 
Acredito, porém, que sendo Anthony Hopkins um actor de enorme talento e versatilidade, possa surpreender quando vir o filme por inteiro. 
Ah, e espero que Scarlett Johansson seja deveras credível como Janet Leigh!
Aguardemos, portanto...

sábado, 13 de outubro de 2012

Buster Keaton em fotografias

Para quem procura imagens de boa resolução da vida e da carreira do grande actor e realizador Buster Keaton, basta entrar neste site. 
Encontram-se neste sítio fotografias (muitas originais e pouco conhecidas) do cineasta da comédia burlesca do cinema mudo, oriundas de filmagens, eventos informais, familiares e até GIFs. 

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Reconstruir "O Espelho"

Aqui está um exemplo do poder da montagem  e da música. O filme "O Espelho" ("Zerkalo", 1975), obra maior de Andrei Tarkovski, foi editado por Romana Vujasinovic e, recorrendo à excelente música "One of These Days" dos Pink Floyd, atribui outro significado visual e estético às imagens e sequências do filme do cineasta russo. O resultado é brilhante, porque não desvirtua a essência do filme em causa, e revela outra abordagem de estilo muito bem conseguido (porque o ritmo das imagens como que é conduzido pelas várias dinâmicas da música):

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Renato Seabra num filme de Lumet

Renato Seabra está por estes dias a ser julgado em Nova Iorque pelo homicídio do jornalista Carlos Castro. Um jurí constituído por onze jurados vai decidir o veredicto final: culpado ou inocente. Este caso faz-me lembrar um dos melhores filmes da história do cinema: "12 Homens em Fúria" (1957) de Sidney Lumet.
No filme de Lumet, 12 homens, com personalidades e formações díspares, cujos nomes não conhecemos, fazem parte de um jurado que se reúne numa sala do tribunal para decidir qual a sentença a aplicar a um jovem que é acusado de ter assassinado barbaramente o pai. A pena máxima prevista para o réu é a condenação à morte. No início da reunião, onze jurados estão convencidos da culpabilidade do réu. Apenas um, o jurado nº8 - interpretado por um enorme Henry Fonda - levanta dúvidas sobre a culpa do jovem e tenta convencer os demais da sua tese...
Dado que não há unanimidade entre os jurados e todos têm opinião diversa sobre os acontecimentos do crime, vão ocorrer conflitos nas negociações e lutas verbais acérrimas, para encontrar a verdade. Aos poucos, os jurados vão mudando de posição e o ambiente torna-se incrivelmente tenso e emotivo. A cada nova votação para alcançar um veredicto, a tensão cresce até ao desenlace final dramático... No fim do filme, nunca saberemos se o jovem era realmente culpado ou não, mas o que este filme, brilhantemente filmado e adaptado por Sidney Lumet, vem trazer à baila é a fragilidade e o poder da justiça, a possibilidade de juízos morais dúbios, o preconceito como entrave à verdade (tal como diz um dos jurados: "Os preconceitos ocultam sempre a objectividade da verdade").
A sala onde os jurados discutiam, "em fúria", o veredicto final - qual ringue de combate - era, igualmente, um microcosmos da sociedade americana da época, com homens com idades diversas e diferentes visões do mundo, de condições sociais e culturais muito distintas, que se servem daqueles momentos para exercer um poder que o Estado lhes concedeu.
-----
Imagino que o julgamento de Renato Seabra possa ter circunstâncias análogas à história de "12 Homens em Fúria". Resta saber se os jurados (homens e mulheres de várias idades) terão tantas dúvidas e preconceitos como no filme de Lumet para chegar ao veredicto final. Mais uma vez, a realidade mistura-se com a ficção (ou vice-versa).
 

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Um filme diferente para o Halloween


Agora que se aproxima o Halloween, eis um dos mais míticos e sublimes filmes do período mudo: "Häxan", realizado em 1922 pelo cineasta dinamarquês Benjamim Christensen.
"Häxan", um dos primeiros grandes filmes fantásticos de sempre (é do mesmo ano de "Nosferatu" de Murnau), documenta as perseguições movidas contra as feiticeiras e os actos de bruxaria numa Europa medieval conspurcada pela intolerância religiosa e pela Inquisição.
A prodigiosa fotografia do filme, as encenações de rituais e de possessões demoníacas, e o ambiente visual expressionista recriado viria a influenciar outras obras-primas do cinema, como o clássico de Carl Dreyer, "A Paixão de Joana D'Arc" (1928).
Muito do imaginário de terror psicológico e visual dos filmes das décadas posteriores (aliás, até aos nossos dias), foi gerado a partir deste filme escandinavo. Há muito de "Häxan" no filme "O Exorcista" (1973); e os produtores do filme-fenómeno "The Blair Witch Project" (1999), deram o nome de "Häxan Films" à sua produtora. E até inspirou a criação de um grupo homónimo de música... Black Metal. O escritor beat William S. Burroughs era grande admirador do filme.
Também é verdade que o filme de Christensen foi, durante décadas, censurado e banido, quer pelas autoridades religiosas, quer pelas autoridades políticas, tornando-se num filme marginal e num verdadeiro fenómeno de culto internacional. Mas nessa suposta marginalidade existia imensa criatividade e inovação estética.
Para além disso, esta obra é interessante para compreender a bruxaria através dos tempos. Um tema muito apropriado para a próxima temporada do Halloween, portanto.
Trailer.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

As legendas!

Segundo esta notícia, a Cinemateca Portuguesa vai ser obrigada a cortar nas legendas dos filmes que exibe devido aos cortes orçamentais impostos pelo Governo. Esta notícia é sintomática e prenuncia tempos cada vez mais difíceis para a cultura.
Por um lado, porque representa o minar gradual de toda e qualquer actividade cultural. Por outro, porque significa que o desinvestimento no apoio às artes e à produção cultural é uma clara opção política e governativa de Passos Coelho (que por acaso é o "Ministro da Cultura!").
Uma instituição de inestimável serviço público nacional como a Cinemateca chegar ao ponto de não ter dinheiro para pagar legendas é grave. E é um prenúncio de que coisas piores hão-de acontecer a curto e médio prazo, até à destruição definitiva da memória cinematográfica deste país.
Mas o que se passa com a Cinemateca passa-se com muitas outras instituições, associações e grupos de índole artístico e cultural de Portugal: a asfixia económica está, aos poucos, a deitar por terra projectos de valor a todos os níveis e a reduzir a pó a ideia de cultura em todos os seus sentidos.
 

domingo, 7 de outubro de 2012

"The Killing"

"The Killing" (1956) é a terceira longa-metrgem de Stanley Kubrick. Uma incursão do mestre pelo cinema negro através de uma história intrincada de um assalto a um banco. Neste filme revela-se um Kubrick já a caminho da maturidade artística, com uma sensibilidade cirúrgica na construção de personagens e na encenação da violência. 
Em Portugal não existe edição em DVD, mas encontrei na Fnac esta magnífica edição da editora Criterion (como sempre, com excelente capa e interessantes conteúdos extra). O problema é o preço (por ser de importação): 39,90€. 

Notas de Bresson #22

"Respeitar a natureza do homem sem a querer mais palpável do que ela é"

sábado, 6 de outubro de 2012

A vez de Grace Kelly

É mesmo uma moda: a indústria do cinema continua apostada fortemente em biografias de personalidades famosas. Sobretudo de personalidades do mundo do espectáculo que tiveram vidas pessoais e artísticas atribuladas e mortes trágicas.
Agora é a vez da actriz Grace Kelly ser levada ao grande ecrã pela mão de Nicole Kidman no filme "Grace of Monaco". A espanhola Paz Vega interpretará Maria Callas no mesmo "biopic". Outra curiosidade: o filme será realizado pelo mesmo realizador que fez a biografia fílmica ("La Vie en Rose") de Edith PiafOlivier Dahan.
Veremos no que dá...
 

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

"The Lodger" em DVD!

Na sequência do meu post anterior sobre a relação entre múscia e cinema, o Alexandre Batista avisou-me de que o filme clássico mudo "The Lodger" (1927) de Alfred Hitchcock, tinha sido lançado recentemente em DVD. Este é considerado pelos historiadores o primeiro filme verdadeirmante hitchcockiano do realizador, revelando os aspectos formais e de abordagem ao thriller que foram marcas de autor do cineasta durante as décadas posteriores.
Agora a notícia que interessa: nos últimos anos "The Lodger" foi alvo de um minucioso restauro em alta definição pela Fundação Scorsese e pelo British Film Institute. Mas não é tudo: tratando-se de um filme mudo (realizado mesmo no dealbar do sonoro), "The Lodger" tinha de ter uma banda sonora original a condizer com a qualidade da restauração e do próprio filme. Para tal, foi convidado o músico britânico (de ascendência indiana) Nitin Sawhney, conhecido sobretudo nos anos 90 e 2000 com as suas fusões de electrónica drum'n'bass com ritmos indianos. Só que desta vez, Nitin Sawhney foi mais ambicioso e compôs uma partitura para ser interpretada pela London Symphony Orchestra, num registo simultaneamente clássico e moderno. Este projecto teve apresentação pública em Julho na cidade de Londres. Agora acaba de ser editado (final de Setembro) em DVD e está já disponível para venda aqui. 
A avaliar por este curto e interessante trailer (pela qualidade das imagens e da música), atrevo-me a dizer que se tratará de uma das mais importantes edições DVD do ano.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Música para cinema - uma abordagem




O cinema existe desde 28 de Dezembro de 1895, data em que as experiências incipientes dos irmãos Auguste e Louis Lumière, com o “cinematógrafo”, espantaram o público burguês do Grand Café de Paris. Os inventores do cinema lançaram as bases desta emergente linguagem artística com filmagens de um minuto, nas quais mostravam a vida quotidiana de cidadãos comuns.
Apesar do sucesso popular imediato daquelas sessões de projecção cinematográfica (por onde passou o escritor Eça de Queiroz), os irmãos Lumière não auguravam futuro para o cinema. Felizmente que outro francês, George Méliès (realizador do célebre filme “Viagem à Lua”, considerada a primeira ficção do cinema), não pensava da mesma forma e desenvolveu, sobremaneira, a linguagem cinematográfica, ainda que muito ligada à estética teatral. Depois, outros notáveis realizadores se encarregariam de desenvolver a linguagem do cinema de distintas formas.
O que é certo é que durante os primeiros 30 anos da sua história, o cinema foi mudo, mas não totalmente silencioso. Significa isto que o som estava ausente das imagens, apenas havendo um ou outro acompanhamento de piano ou de uma pequena orquestra durante a exibição pública, geralmente tocado por detrás da tela de projecção. Algumas ténues experiências foram feitas na conjugação som-imagem, nomeadamente, na utilização que alguns realizadores fizeram utilizando a música de compositores clássicos, como Saint-Saëns, Pizzetti ou Satie. Curiosamente, outros grandes compositores como Stravinsky, Bartók, Ravel ou Schoenberg, que se aventuraram na criação de música para filmes, manifestaram-se ineptos criadores de bandas sonoras para cinema. Daí que a relação entre o cinema e a música seja uma relação artística complexa e problemática, uma vez que se reveste de múltiplas facetas e visões distintas, levantando determinadas questões pertinentes que praticamente se mantêm vivas até hoje: será a música para cinema meramente ilustrativa? Os compositores para cinema são compositores de primeira ou de segunda? A banda sonora para filme é um género à parte da restante produção musical? Um filme fica mais rico se tiver sempre uma partitura original (como nos filmes Spielberg) ou bandas sonoras adaptadas (como nos filmes de Kubrick)?

Nos primórdios, por impossibilidade técnica, o filme era desprovido de som (banda sonora ou diálogos), e os realizadores e espectadores pouco se importavam com isso. A interpretação dos actores era mais física e expressiva, uma vez que o som dos diálogos era inexistente. Dava-se relevo às imagens e suas múltiplas formas expressivas. Quando o sonoro surgiu, no filme “The Jazz Singer” (1927, com o actor Al Jonhson a imitar um cantor de jazz negro), houve alguma resistência por parte de grandes vultos do cinema à novidade técnica do som. O próprio Charlie Chaplin chegou a dizer que o som iria “matar o cinema”. E Greta Garbo foi das poucas actrizes que se conseguiu afirmar no período sonoro com a mesma veemência com que o tinha feito no mudo. A revolução do sonoro tinha começado. Apesar da ausência de som e de música, este foi um período extremamente criativo no que se refere à consolidação da linguagem artística do cinema, enquanto forma estética (montagem, realização, fotografia, cenários) e objecto semiótico (narrativo, ficcional, documental).

Determinados filmes foram efectivamente silenciosos durante décadas. Chaplin musicou, ele próprio, os filmes “Luzes da Cidade” (1931) e “Tempos Modernos” (1936) apenas durante a década de 60.
Buñuel fez o mesmo com a obra-prima “Un Chien Andalou” (1929), à qual adicionou a banda sonora (tango argentino) 35 anos depois da estreia. Ou seja, os realizadores de cinema cedo se aperceberam da grande importância que a música detinha como complemento das imagens. Por isso Eisenstein trabalhou logo em 1938 com o compositor Sergei Prokofiev, que compôs a banda sonora épica do filme “Alexander Nevsky”, num exemplo acabado da perfeita sincronia criativa entre imagem e som. Os sons (no sentido da sonorização da narrativa) e a banda sonora (a música propriamente dita com funcionalidade dramática) desempenham um motor emocional próprio no espectador, desencadeando reacções que não seriam possíveis caso não houvesse essa componente sonora.

Durante o período áureo da indústria de Hollywood - dos anos 40 a 60 do Século XX – revelaram-se grandes compositores para cinema: Bernard Herrmann. Elmer Bernstein, Nino Rota, Ennio Morricone, Henri Mancini, Alfred Newman entre muitos outros. Hoje qualquer cinéfilo identifica a ligação estética entre determinados cineastas e músicos: David Cronenberg e a música de Howard Shore, Sergio Leone e a música de Ennio Morricone, Steven Spielberg e a música de John Williams, Hitchcock e a música de Bernard Herrmann, Tim Burton e a música de Danny Elfman, Peter Greenaway e a música de Michael Nyman, etc. Durante os últimos anos, uma das estratégias de reabilitação do cinema mudo tem sido conseguido com o fenómeno dos cine-concertos (ou filmes-concertos).

Isto é, filmes que são acompanhados com música original interpretada ao vivo e em tempo real da projecção. Há inclusive compositores e grupos musicais que se dedicam exclusivamente à criação de bandas sonoras para filmes mudos. Projectos de diversas proveniências estéticas e nacionalidades têm criado música original para filmes imortais do período mudo: Art Zoyd, Pet Shop Boys, Cinematic Orchestra, Alloy Orchestra, Clã, Mário Laginha, Nuno Rebelo, etc.
No fundo, novos campos de experiências estéticas se abriram com a confluência dos filmes com os concertos ao vivo.

domingo, 30 de setembro de 2012

O estado da cultura em Espanha

Antón Reixa, carismático cantor e poeta do grupo pop-rock galego Os Ressentidos (nos anos 80), é o actual presidente da SGAE, a entidade espanhola equivalente à Sociedade Portuguesa de Autores.
Antón Reixa veio reafirmar aquilo que outros artistas e personalidades da cultura espanhola (como o realizador Pedro Almodóvar) já disseram: que a cultura está (e vai continuar a estar) num processo de degradação absoluta.
Essa degradação deve-se ao aumento do IVA que afecta dramaticamente as actividades culturais e à redução substancial do orçamento do Governo espanhol no apoio à cultura e às artes.
Lamenta Antón Reixa: "Os governantes tendem a compreender a cultura não como algo produtivo mas como algo ornamental. Esta crise está a contribuir para a liquidação da esperança como se a criatividade colectiva e individual e o acesso aos espectáculos culturais fossem algo de supérflúo".
Para Reixa, a "indústria cultural gera autoestima, identidade, riqueza e postos de trabalho", pelo que está decidido a estabelecer todas as linhas de diálogo com o Governo para que a situação calamitosa da cultura em Espanha mude.
Qualquer semelhança com a realidade portuguesa não é mera coincidência.
 

DCD

A revista Arte Sonora entrevistou os Dead Can Dance e revela pormenores interessantes sobre o método criativo (e técnico) para a gravação do recente álbum "Anastasis". Vale a pena ler.

sábado, 29 de setembro de 2012

A alta velocidade de... bicicleta

Estreia para a semana em Portugal um filme de acção que me interessa por um motivo: porque o filme se centra num protagonista que percorre Nova Iorque de... bicicleta. 
E como gosto de bicicletas e ando de bicicleta no tempo livre (na cidade e na montanha), estou curioso para ver como este thriller de acção chamado "Premium Rush" ("Encomenda Armadilhada") se desenvencilha com um ciclista a fugir de perseguidores no meio do trânsito caótico de Nova Iorque. E pensando bem, a verdade é que já se estranhava o facto de haver tão poucos filmes com sequências de perseguição com bicicletas. 
Ao longo dos anos já se filmaram perseguições com todo o tipo de veículos - carros, motas, autocarros, skates, patins em linha, e raramente com recurso à bicicleta. Mas a bicicleta é um excelente veículo para boas cenas de acção vertiginosa, coisa que - a fazer valer este trailer - "Premium Rush" demonstra ter. PS - O actor que encarna o ciclista do filme, Joseph Gordon-Levitt, ficou ferido durante as filmagens: numa sequência a alta velocidade no meio do tráfego nova-iorquino, embateu contra a traseira de um táxi e feriu um braço (levando 30 pontos).
 

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

A outra Cinecittà


Chama-se Cinecittà e o título é uma directa referência aos míticos estúdios italianos de cinema com o mesmo nome. Trata-se de uma loja online de cinema e cultura pop, na qual se podem encontrar produtos relacionados com as várias facetas do cinema: filmes em DVD, posters, t-shirts, objectos de decoração, postais, fotografias, etc. A Cinecittà tem produtos que não se encontram facilmente em mais nenhuma loja comercial do país, pelo que é um sítio especial para coleccionadores e cinéfilos em geral.
Link.

O papel da televisão

"A televisão tem um papel muito educativo para mim: sempre que alguém a liga em minha casa corro à prateleira buscar um livro para ler".
Groucho Marx


Desprendimento de tudo

 
 
O escritor Albert Cossery (morreu aos 94 anos em 2008) é um dos meus escritores favoritos. Era um escritor invulgar e original, capaz de escrever sobre assuntos mundanos de forma extremamente polida. Interessava-se pelos "vencidos da vida" e não por heróis romanceados de forma épica.
Nasceu no Egipto mas toda a vida escreveu em francês. Metódico e solitário (viveu 63 anos no mesmo quarto de hotel), Albert Cossery tinha por hábito escrever apenas uma frase em cada dia, durante quase sessenta anos de carreira literária, produção que equivaleu a uns escassos oito livros publicados.
Albert Cossery fazia, na esteira da filosofia epicurista (o prazer e o hedonismo como valores primordiais para a vida), a apologia da preguiça e do ócio, vendo nestas atitudes o espelho de uma rebuscada actividade interior, como métodos valiosos de reflexão sobre a vida e o mundo. Vivia arredado da fama e da vaidade do círculo literário internacional.
O próprio Cossery viveu praticamente toda a vida de forma desprendida e despojada, segundo o próprio, veículos para a felicidade e para o bem-estar existencial.

Eis a prova numa das últimas entrevistas que deu:
 
- "Nunca pensou que as sociedades podem progredir?"
- "Um progresso espiritual, sim, mas não no sentido religioso. Espiritual, quer dizer no espírito. É muito difícil e é por esse facto que a humanidade não avançou nem um centímetro desde há milénios. Hoje vemo-lo um pouco por todo o mundo: as pessoas odeiam-se, entram em guerra, matam-se".
 
- "Qual é a arte de viver?"
- "Desprender-se de tudo o que nos ensinam, de todos os valores e dogmas".
 
- "O que é que caracteriza a arte de viver das personagens que criou?"
- "Em primeiro lugar, a falta de ambição. O que mata as pessoas é a ambição. E também esta tendência para a sociedade de consumo. Quando vejo publicidade na televisão, digo para mim próprio: podem apresentar-me isto anos a fio que nunca comprarei nada daquilo que mostram. Nunca desejei um belo automóvel. Nunca desejei outra coisa senão ser eu próprio. Posso caminhar na rua com as mãos nos bolsos e sentir-me um príncipe. Não é a posse de bens materiais que pode satisfazer um homem inteligente, que compreendeu o mundo em que vive".

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Oslo, 31 de Agosto

Anders, toxicodependente recuperado, vagueia pelas ruas de Oslo à procura de um sentido. De um sentido válido e consistente para retomar o seu caminho, a sua vida. Anders ostenta um ar melancólico e distante, tentando não ceder à tentação e ao desgaste emocional de um falhanço eminente. Senta-se num café a escutar, disfarçadamente, as conversas das mesas ao lado. Percebe, angustiado, que as outras pessoas têm vidas, ao contrário do vazio da sua. Procura preencher esse vazio com os amigos de outrora, com o reencontro frustrado com uma namorada antiga. Em vão. Anders continua a vaguear, alienado, feito autómato. No meio da festa, da agitação e da alegria colectiva, sente-se cada vez mais isolado. Almeja conforto, compreensão, confiança.
Nada disso ocorre e Anders afunda-se. A desesperança tolhe-lhe o espírito e não mais conseguirá recuperar. Sente que os seus pecados e os seus erros foram fatais demais para os conseguir ultrapassar. Por isso cede à tentação e volta a comprar o fruto proibido. Ao menos este fruto, ainda que artificial, ainda que (potencialmente) mortal, permite-lhe um sopro de conforto e aconchego. Fátua emoção, porque Anders desistiu para sempre de reencontrar um motivo para continuar.
 

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Blixa e Becker

E agora para algo completamente diferente: uma das músicas mais sedutoras e belas dos anos 90, interpretada em duo por Blixa Bargeld (do grupo alemão Einstürzende Neubauten) e a actriz e cantora Meret Becker. O videoclip foi realizado por Jonathan Batowski:

domingo, 23 de setembro de 2012

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Filme no... telemóvel

Revi o filme "Manhattan" de Woody Allen num... telemóvel. É isso mesmo. Num telemóvel Sony Xperia S. E por incrível que pareça, não cansei a vista nem me desmotivei a vê-lo num ecrã pequeno (ecrã 4,3", resolução 1280 x 720 pixeis).
Já tinha visto, obviamente, muitos vídeos de curta duração num telemóvel, mas foi a primeira vez que vi um filme na íntegra (e logo um clássico do Woody Allen). A sensação, confesso, foi algo estranha, mas ao mesmo tempo satisfatória, dada a qualidade da imagem, do som e da portabilidade do suporte. Segundo os especialistas, este vai ser o futuro do consumo de filmes: efectuar download de filmes directamente de servidores internacionais para equipamentos tecnológicos portáteis (telemóveis, tablets, computadores, consolas de videojogos, etc).
Obviamente que o verdadeiro cinema existirá sempre em grande formato de imagem, mas a minaturização progressiva dos suportes permitem que o consumidor possa ver filmes em telemóveis.
E o futuro é já hoje...
 

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Lohan vs. Taylor

Lindsay Lohan como Elizabeth Taylor? Para além da colagem visual à figura mítica do cinema, será que Lohan conseguirá estar ao nível da Diva?
 

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Plano Nacional de Cinema

Afinal, não são apenas más notícias que assolam Portugal: o Plano Nacional de Cinema, um projecto para promover a criação de novos públicos a partir das escolas, será apresentado na próxima sexta-feira, na Cinemateca Portuguesa, em Lisboa. O Plano Nacional de Cinema será uma iniciativa conjunta da tutela da Cultura com o Ministério da Educação, com o objectivo de introduzir nos planos escolares listas de filmes para os alunos verem.
Esta iniciativa vai ao encontro da legislação que refere que o "Estado promove um programa de literacia para a cinema junto do público escolar para a divulgação de obras cinematográficas de importância histórica", em particular, filmes portugueses.
Em Março, numa visita a uma escola, Francisco José Viegas equiparou o Plano Nacional do Cinema ao actual Plano Nacional de Leitura, que existe para estimular os hábitos de leitura dos estudantes. O objectivo é que os estudantes do ensino básico e secundário melhorem a sua cultura cinematográfica e "percebam que o cinema não começou há cinco anos, começou há cem anos. Nós precisamos de criar públicos, este é o essencial da nossa acção, em termos de política cultural que é insistir no factor educação", defendeu na altura do secretário de Estado.
Segundo dados da SEC, em Portugal há uma reduzida adesão de público ao cinema português: 1,9 por cento, em 2010, e 0,7 por cento, em 2011, quando a média europeia, em 2010, foi de 11,6 por cento.
Durante o presente ano lectivo, o Plano Nacional de Cinema vai decorrer num modo experimental em escolas previamente escolhidas do país. Se a conclusão deste projecto for positiva, certamente que para o ano será alargado a toda a restante rede escolar. Falta agora saber quais serão os filmes destinados aos alunos e que planos pedagógicos complementares serão anunciados. Seja como for, é deveras um passo importante que o actual Governo está a dar para a inclusão do cinema na escola como veículo cultural, artístico e educacional.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Playtime #78

A solução: "We Need to Talk About Kevin" (2011) - Lynne Ramsay
Quem descobriu: Silly Little Wabbit

Rui Eduardo Paes

Portugal está prestes a perder um dos seus melhores críticos, ensaístas e jornalistas musicais: Rui Eduardo Paes. Isto porque um amigo meu me reencaminhou um mail do próprio jornalista a dizer que, caso não encontre trabalho em Portugal brevemente, a solução poderá passar pela emigração.
Rui Eduardo Paes, com uma carreira de 30 anos, lançou há pouco tempo o seu sexto livro sobre música, "Breviário Ilustríssimo", um notável livro sobre as mais variadas correntes musicais de vanguarda (e não só) contemporâneas, portuguesas e estrangeiras. O livro pode ser encomendado online aqui.
Para quem não conhece o trabalho deste importante jornalista no desemprego, eis o que Nuno Catarino escreveu no jornal Público sobre este autor e o respectivo livro:

"O musicólogo Rui Eduardo Paes tem desenvolvido uma intensa actividade na escrita sobre música(s) ao longo dos últimos 30 anos, entre o jornalismo, a crítica e a reflexão ensaística. Tendo estado, nos últimos tempos, mais ligado ao universo do jazz (na qualidade de editor da revista jazz.pt), Paes não abdica de atravessar géneros, com ênfase no experimental.
Ao longo de uma obra vasta – "Ruínas" (1996), "A Orelha Perdida de Van Gogh" (1998), "Cyber-Parker" (1999), "Phonomaton" (2001), "Stravinsky Morreu" (2003) –, Paes tem desenvolvido ensaios que reflectem sobre as questões que caracterizam as "novas músicas". Estes livros serão actualmente quase impossíveis de encontrar, na sequência da falência da editora Hugin, e este novo "Bestiário Ilustríssimo" vem devolver o seu nome às prateleiras das livrarias, fechando um hiato de nove anos sem publicar. Numa edição que recupera o título de uma série de peças publicadas no jornal Blitz há cerca de 20 anos, Paes reúne textos mais recentes, produzidos para finalidades diversas (folhas de sala de concertos, artigos de revista, guiões de conferências e "liner notes" de discos).
São 50 textos, distribuídos por 260 páginas, que divergem em temas e géneros, sendo embora atravessados por algumas questões comuns que acabam por estar presentes de forma recorrente: as problemáticas da improvisação; o papel da tecnologia na produção musical; as ligações entre o jazz e as outras músicas; ou as intersecções entre música e outras artes.
Demonstrando una rara capacidade de criar paralelos entre temas, Paes estabelece metáforas, propondo analogias, questionando e desafiando. Sendo boa parte dos textos acerca de músicos vindos das áreas do jazz e da música improvisada do nosso tempo (como Elliott Sharp, Sei Miguel, Daniel Levin, Red Trio, Peter Brotzmann, Nobuyasu Furuya, Carlos "Zìngaro", Mostly Other People Do The Killing ou Steve Lehman), vai também a extremos diferentes e menos previsíveis – como Paganini, Aki Onda ou Mão Morta. Independentemente da área de proveniência, cada tema é laboriosamente analisado sob originais pontos de vista.
Cada texto engloba um manancial de referências, numa espécie de aura enciclopédica, mas a escrita de Paes favorece uma leitura e descomplicada, sem esforço, que resulta prazenteira. Refira-se ainda a inclusão das deliciosas ilustrações de Joana Pires, que funcionam como excelente complemento à prosa saborosa do escritor."
 
Nuno Catarino no Público (suplemento Ípsilon).
Classificação do livro: ****

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Discos que mudam uma vida - 170

Aphex Twin - "Richard D. James" (1996)

I'm a sick person

"Film lovers are sick people."
Francois Truffaut

Woody em DVD

A revista Sábado anunciou o lançamento de uma colecção de 10 DVDs do Woody Allen (9 filmes e um documentário). O início desta colecção será no dia 27 de Setembro e terminará no dia 29 de Novembro. Todos os DVDs serão distribuídos à quinta-feira com um preço de 4,95€ cada.
Uma oportunidade para quem quer conhecer melhor a obra do realizador e adquirir algumas das suas melhores comédias dos últimos anos.

Os títulos são:

- A Maldição do Escorpião de Jade
- Poderosa Afrodite
- Vigaristas de Bairro
- Balas sobre a Broadway
- As Faces de Harry
- Anything Else
- A Vida e Tudo o Mais
- Através da Noite
- Toda a Gente Diz Que te Amo
- Celebridades
- Wild Man Blues: Um retrato de Woody Allen

domingo, 16 de setembro de 2012

Versão musical alternativa

Se os Monty Python tivessem sido músicos, aposto que tocariam desta maneira (completamente non-sense) a composição de Strauss que abre o filme "2001 - Odisseia no Espaço" de Kubrick:

A importância do chapéu


Nos filmes western há vários ícones. O vestuário de um cowboy faz parte do imaginário dos westerns, para além das paisagens desertas, o cavalo, o xerife, as diligências, o revólver no coldre ou os bares decadentes.
Um desses ícones clássicos que fazem parte do vestuário é o chapéu, adereço indissociável de um verdadeiro e genuíno cowboy americano do velho Oeste. Qual o verdadeiro cowboy, herói ou vilão, que não usava um chapéu? Ao longo da história do cinema a figura do cowboy foi sempre representada com um chapéu, dos mais diversos estilos, feitios, cores e materiais.
Para conhecer um pouco mais a genealogia dos chapéus de cowboy, vale a pena visitar o site Western Movie Hats, que explica tudo sobre os diferentes chapéus que grandes actores de westerns utilizaram.
E há sempre a possibilidade de comprar um modelo, por exemplo, exactamente a este que o Clint Eastwood usou no filme "Outlaw Josey Wales" (1976) ou em qualquer outro western clássico.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Notas de Bresson #21

"Que no teu filme se sintam a alma e o coração, mas que seja feito como um trabalho manual".

FILMography

Mais exemplos aqui.

"Lincoln"

Foi divulgado há apenas umas horas o trailer oficial do aguardado filme "Lincoln" do realizador Steven Spielberg sobre o presidente norte-americano Abraham Lincoln. Basta assistir ao trailer para perceber que o actor que encarna Lincoln, o sempre sensacional Daniel Day-Lewis, arrisca ser nomeado ao Óscar de Melhor Actor na próxima cerimónia dos Óscares da Academia de Hollywood.
Aguardemos...