segunda-feira, 12 de abril de 2010

O mundo "pixelizado"

É das animações mais criativas que tenho visto nos últimos tempos: o realizador Patrick Jean filmou Nova Iorque a ser invadida - não por naves alienígenas - mas por criaturas pixelizadas de 8 bits! Muito mais interessante do que o badalado e pretensamente sofisticado "Panic Attack!".
"Pixels" revela-se puro gozo visual, especialmente para os amantes da velha tecnologia "geek".

A faca em "Psycho"

A propósito da sequência do assassinato na sequência do duche em "Psycho", durante muitos anos discutiu-se se a faca empunhada por Anthony Perkins, alguma vez tinha tocado no corpo de Janet Leigh (perdão, de Marli Renfro). O próprio realizador, na longa entrevista que deu a François Truffaut, justificou: "Naturally, the knife never touched the body; it was all done in the montage."
Como o filme tem uma montagem complexa e rápida, só com o advento do DVD foi possível visualizar, imagem a imagem, se tal era verdade. O blog "It's Only a Movie..." dedicado ao mestre do suspense, descortinou a verdade: a faca toca, efectivamente, no ventre da vítima. A sequência estudada na íntegra imagem a imagem, aqui.

domingo, 11 de abril de 2010

"Psycho" - 50 anos

Esta ano comemoram-se 50 anos da estreia do filme de maior êxito da carreira de Alfred Hitchcock: "Psycho" (1960). Um filme que mudaria a história do cinema de terror de Hollywood, uma obra-prima com múltiplas e profundas conotações psicanalíticas. Há vários livros que exploram a fundo o filme de culto de Hitchcock, e alguns até, apenas a célebre cena do assassinato no duche. É o caso do recente livro "The Girl in Alfred Hitchcock's Shower", que esmiúça os pormenores de toda a sequência da morte na casa de banho. A actriz principal, Janet Leigh, foi dobrada por Marli Renfro, jovem modelo e stripper. É sobre a vida desta modelo que se centra muito do objecto de estudo deste livro.

sábado, 10 de abril de 2010

Dziga Vertov e Cinematic Orchestra

Há muito tempo que não via isto: o filme "Man With The Movie Camera" (1929) de Dziga Vertov, obra-prima do cinema mudo, com banda sonora original de Cinematic Orchestra. Este é o trecho musical (e não do filme) de que mais gosto.

Finalmente o "biopic" de Kurt Cobain?

A notícia da realização de um filme sobre a vida de Kurt Cobain já não é de agora. Sabia-se que a viúva Courtney Love tinha uma palavra a dizer sobre o assunto. Ao que parece, segundo várias notícias entretanto veiculadas, o "biopic" do líder dos Nirvana vai mesmo acontecer. E como Courtney Love é co-produtora do filme, consta que terá sugerido que o actor Robert Pattinson interprete o papel do ex-marido e Scarlett Johansson de... Courtney Love. Recorde-se que o actor de "Crepúsculo" já deu vida a uma figura real no filme "Little Ashes", interpretando o pintor surrealista Salvador Dali.
E quem vai realizar? Love sugeriu um nome: David Fincher. Veremos no que isto vai dar...

Sonhos e pesadelos de Fellini


Durante exactamente 30 anos (de 1960 a 1990), o realizador italiano Federico Fellini apontou, diariamente num caderno, os seus sonhos, desejos secretos e pesadelos, numa espécie de antologia onírica que muitas vezes serviu de inspiração para os seus próprios filmes. Os apontamentos eram em forma de texto, desenhos e pinturas, com personagens, rostos, figuras, cenários, no fundo, um imaginário excêntrico, bizarro e surreal (como muitos dos seus filmes: o sonho ao serviço da arte.).
Fellini, falecido em 1993, dizia mesmo que "vivia duas vidas", ou seja, a vida real propriamente dita, e a vida dos sonhos. Chegou a sonhar com personalidades da vida artística como Ingmar Bergman, Orson Welles, Salvador Dalí, Pablo Picasso, e protagonistas de alguns dos seus filmes, como Anita Ekberg ou Marcello Mastroianni.
A sua devoção às experiências oníricas e fantasistas era desmesurada, mas essa devoção tinha uma vertente prática bastante útil: ajudava-o a conhecer melhor a psicologia humana, os seus mistérios e enigmas. Fruto desse intenso trabalho de anotações e ilustrações durante três décadas, surgiu em Itália há uns anos, o "Livro dos Sonhos" de Fellini (que eu saiba, ainda sem edição portuguesa). Um livro no qual se podem conhecer as suas fantasias nocturnas eróticas, com bizarras e volumosas mulheres em poses sensuais e provocadoras em cenários idílicos.
Pode-se comprar na Amazon.

Um filme sobre os Doors

Depois do documentário sobre os Joy Division de Grant Gee, um documentário sobre os Doors. Mais propriamente, sobre Jim Morrison, uma das mais carismáticas figuras de culto da história do rock. O documentário "When You’re Strange: A Film About the Doors" de Tom DiCillo tem suscitado muitas expectativas (com críticas muito positivas), uma vez que inclui filmagens inéditas do cantor e letrista e reflecte sobre o impacto que a música da banda teve na evolução do rock. Para além do mais, o documentário tem narração em voz off de Johnny Depp.
Para os interessados residentes em Lisboa, informa-se que este filme vai passar este mês no Festival IndieLisboa no âmbito do ciclo IndieMusic, nos dias 23 e 25 de Abril.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Por causa dele o rock nunca mais foi o mesmo


“Rock and roll doesn't necessarily mean a band. It doesn't mean a singer, and it doesn't mean a lyric, really. It's that question of trying to be immortal.”
Malcolm Mclaren (1946 - 2010)

Perguntas indiscretas - 27


Hollywood fez muitos filmes sobres conflitos armados nos quais participou (e participa): 2ª Guerra Mundial, Vietname, Coreia e Iraque. Portugal participou numa guerra colonial, entre 1961 e 1974, que matou milhares de soldados e deixou feridas profundas em outros tantos homens. Porque é que o cinema português - à excepção de meia dúzia de importantes filmes que abordaram o tema - nunca se interessou verdadeiramente sobre a Guerra do Ultramar, suas causas e consequências? Não é um tema que tem suficiente capital dramático para explorar? É um assunto que não interessa aos realizadores de várias gerações? Será um estigma histórico, um tabu social e político do qual não vale a pena falar?

quinta-feira, 8 de abril de 2010

O Manuel João Vieira que há em Tarantino


A actriz Maria de Medeiros foi entrevistada para a revista Sábado a semana passada. Das muitas perguntas feitas pelo jornalista, saliento as que considerei mais interessantes no que diz respeito à sua carreira no cinema - a participação no filme de culto "Pulp Fiction".
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Sábado - Viu Hollywood por dentro. Não se encantou?
Maria de Medeiros - Não. Por vezes, enquanto lá estava, pensava: 'Falta-me o Manuel João Vieira. Quem é que me vai fazer rir? Só encontrei isso no Tarantino. Há muito de Manuel João Vieira nele.
Sábado - Como foi parar ao Pulp Fiction?
Maria de Medeiros - Quando recebi o guião, uma coisa pesada com 150 páginas e complicadíssima, pensei: ' Ele é um génio. Não sei quem é que vai fazer esta coisa estranha, mas quero fazê-la.'
Sábado - Onde é que o conheceu?
Maria de Medeiros - Num festival de cinema minúsculo, e independente, em Avignon. Nada de Cannes, nada de glamour, estávamos a jogar petanca (risos). Ele já tinha visto 'Henry & June' e, depois, voltámos a encontrar-nos no festival de São Paulo. Ele levou-me a ver filmes de terror japoneses, com canhões de metal a sair de dentro dos corpos (risos). Recebi o guião e fui a Los Angeles porque toda a gente tinha de passar no casting. Mas só lá voltei para ensaiar, um luxo.
Sábado - E Bruce Willis, como é?
Maria de Medeiros - Um colega maravilhoso. Eu estava intimidada, mas a atmosfera era a de um filme de amigos. Aquelas pessoas não estavam a ganhar milhões. Era um projecto especial.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Momentos e Imagens - 62


O salto de Jacques Tati

Encontro improvável: Jack Nicholson e Jacques Tati
Michelangelo Antonioni e Jack Nicholson

Música épica para um jogo de futebol

Clint Mansell, ex-músico pop dos Pop Will Itself e actualmente um dos mais interessantes compositores de bandas sonoras para cinema, tem um tema de culto que marcou toda a sua carreira: "Lux Aeterna", que faz parte do brilhante filme "Requiem For a Dream" de Darren Aronofsky. Esta composição foi também utilizada como música para o trailer da trilogia "O Senhor dos Anéis" (embora com arranjos orquestrais diferentes).
"Lux Aeterna" serve agora também de música de fundo para a apresentação de um jogo de futebol na SIC: Liverpool-Benfica de amanhã.
De certeza que a escolha desta música, dramaticamente épica, não terá sido mera coincidência...

A importância de um casaco


Sailor: Did I ever tell ya that this here jacket represents a symbol of my individuality, and my belief in personal freedom?
Lula: About fifty thousand times.

terça-feira, 6 de abril de 2010

A sorte grande de um realizador


"Panic Attack!" é uma curta-metragem realizada pelo publicitário uruguaio Fede Álvarez e que tem sido um enorme sucesso a nível global graças ao Youtube. Durante quase 5 minutos, Montevideu é invadida por robôs gigantes que causam o pânico e a destruição na capital do Uruguai. Longe do argumento ser original , convenhamos que o filme foi feito com engenho e com efeitos especiais competentes, com uma estética realista de câmara que o filme "Colverfield" evidenciou.
A revista Sábado online refere que "Panic Attack!" custou a módica quantia de 223 euros e que agora vale 22 milhões. Quem é que pode acreditar que uma produção, ainda que amadora como esta, tenha custado tão ridículo orçamento? É praticamente impossível.
Seja como for, a verdade é que, graças a este trabalho, o jovem Álvarez foi contactado por várias produtoras norte-americanas, como as poderosas Dream Works e Warner, para assinar contrato para uma longa-metragem. Quem levou a melhor foi a produtora de Sam Raimi que garantiu a produção do primeiro filme de Álvarez, passando-lhe um cheque em branco e dizendo-lhe que pedisse o que quisesse. Assim, sem mais nem menos. Certamente que o realizador só em sonhos poderia imaginar tal convite...
O contrato acabou por ser firmado por 22 milhões de euros. Agora vamos ver o que este dinheiro - ainda assim longe dos "budgets" das grandes produções de Hollywood - vai contribuir para a criatividade do esperado filme do uruguaio. Se for a transposição desta curta-metragem para um longa filme de efeitos especiais destrutivos à Roland Emmerich, as expectativas irão totalmente por água abaixo.
Uma coisa é certa: a internet (e em particular o Youtube) é, cada vez mais, uma porta aberta para os jovens talentos de muitas áreas distintas (música, cinema, publicidade, videoarte...) mostrarem o que valem.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Orson Welles barroco e genial



Costumo dizer que "Touch of Evil" (1958) é, à semelhança de "How Green Was My Valley" (filme de John Ford), um dos mais belos e adequados títulos alguma vez idealizados para um filme. Em "Sede do Mal", de Orson Welles perpassa a sofreguidão pelo mal, pelo desejo obsessivo do poder, pela devassa da corrupção corporizado por esse inspector tenebroso e repelente chamado Hank Quinlan (interpretado pelo próprio Orson Welles).
A partir de uma banal história de literatura policial (um detective investiga um assassínio na fronteira mexicana), Welles constrói um filme negro, negríssimo, à volta de uma viagem ao submundo do crime e da corrupção, uma viagem sem regresso aos meandros obscuros da psique humana. Filme de 1958, com magníficas interpretações de Charlton Heston, Janet Leigh, Marlene Dietrich e o do próprio Welles este é um filme avassalador e, para mim, esteticamente superior a "Citizen Kane".
Em termos formais este é talvez o filme visualmente mais rebuscado e barroco da filmografia de Orson Welles (mesmo contando com os expressionistas “O Processo” e “Macbeth”). Welles ensaia nesta obra alguns dos mais inovadores movimentos de câmara (como o longo plano-sequência inicial), invulgares ângulos e planos de filmagem, ritmo de montagem, fotografia. Perante tamanha criatividade do realizador, os produtores de “Sede do Mal” cilindraram a obra e apresentaram, à data da estreia, uma versão amputada. Orson Welles passou o resto da vida a reclamar o “director’s cut” do filme. Felizmente com o advento do DVD, os cinéfilos puderam regozijar-se com essa versão da montagem final segundo a visão artística do realizador.
Um filme grandioso e excessivo, uma obra ímpar para a maior das galerias imortais das imagens em movimento.

Amon Tobin - notícias empolgantes


Um amigo alertou-me que Amon Tobin tinha um novo projecto musical. Não sabia. Depois do projecto de colaboração intitulado Two Fingers (um dos grandes discos de 2009, quanto a mim), sobre o qual escrevi aqui, o mestre da música electrónica regressa com um novo projecto a meias, desta vez com outra referência da música electrónica dubstep - Eskmo. Da fusão do nome de ambos surgiu o conceito Eskamon e o disco "Fine Objects" que acabou de ser lançado ao mundo hoje mesmo (na imagem, Amon Tobin e Eskmo).
Entretanto, o site de Amon Tobin informa que o artista está a trabalhar num novo álbum, depois do fabuloso "Foley Room". Grandes notícias, portanto.

Unfamous Music Awards


Em meados dos anos 80 houve um concurso de talentos musicais que mudou a música moderna portuguesa: Rock Rendez-Vous. Graças a este concurso (que era também nome do mítico clube de rock lisboeta), Portugal ficou a conhecer bandas essenciais como Mler Ife Dada, Mão Morta, Pop Dell’ Arte, Radar Kadafi, entre muitas outras.
Nos anos 90 e 2000 surgiram muitos outros concursos de bandas por esse país fora, organizados por clubes, entidades oficiais e até autarquias. Iniciativas louváveis em prol da divulgação da música nacional, mas que por vezes redundam em “fogo fátuo” porque as bandas deixam de ter apoios e visibilidade após a realização desses mesmos concursos. E o esquecimento é o destino da maioria das bandas vencedoras (nem sempre, mas...).
Por isso se saúda a 2ª edição dos Levi’s Unfamous Music Awards (o nome é um achado), uma iniciativa da marca Levi’s que visa premiar o talento desconhecido das muitas bandas nacionais que tentam o reconhecimento artístico. Até dia 12 de Abril as inscrições estão abertas e dia 19 serão dados a conhecer as três bandas finalistas, que irão tocar ao lado da banda Linda Martini, no Music Box, no dia 23 de Abril às 23h, na Gala da 2ª edição dos Levi’s Unfamous Music Awards.
Para o primeiro lugar, a banda mais votada (das 100 já inscritas), receberá um prémio de 3000 euros em dinheiro. É importante que uma marca prestigiada e de projecção mundial como a Levi’s impulsione iniciativas como esta dos "prémios a bandas desconhecidas"; espera-se é que deste concurso saiam valores musicais realmente de qualidade, originais e criativos. À semelhança do que acontecia no concurso de música moderna do Rock Rendez-Vous.
Facebook da iniciativa.

domingo, 4 de abril de 2010

Discos que mudam uma vida - 101


The Smiths - "The Smiths" (1984)

Tarkvoski, 78 anos

Se fosse vivo, Andrei Tarkovski faria hoje 78 anos. Um dos meus realizadores preferidos de sempre. Já escrevi abundantes posts sobre Tarkovski. Para tal, basta espreitar o marcador com o nome do realizador.
Tarkovski escreveu um único livro - "Esculpir o Tempo". Um livro que demorou vários anos a ser escrito e que compila os pensamentos e reflexões do cineasta russo sobre a vida, a arte e o cinema. Comprei-o há dois anos na Fnac numa edição brasileira. Não sei se ainda se encontram exemplares à venda. Porém, quem quiser conhecer esta magnífica obra literária de Tarkovski, poderá ler o e-book aqui.