sábado, 19 de setembro de 2009

Cave & Ellis


Nick Cave e Warren Ellis têm um novo disco em comum. Colaboradores há mais de 15 anos (Bad Seeds, Grinderman), ambos têm tido interessantes experiências como compositores para bandas sonoras de filmes, como "The Proposition" (2005) e "The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford" (2007). O novo disco dos dois músicos autralianos, "White Lunar", é um duplo CD que contém as músicas originais para cinema.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Mashup - misturar e voltar a dar

Há um verdadeiro mundo de mashups por descobrir. Fruto da cultura do sampling e da técnica de "corte e cola" que se instalou nos anos 90 e 2000, qualquer pessoa em casa, com o seu computador e um software barato pode fazer um mashup.
E o que é um mashup musical? Basicamente, é um processo simples de colagem de duas músicas completamente diferentes, de forma a criar uma música nova. Por norma, aproveita-se a base instrumental de uma determinada música, apaga-se um ou outro elemento musical (voz ou instrumento) e cola-se por cima outra parte instrumental com voz. É preciso apenas ter alguma sensibilidade para sincronizar o ritmo ou a sequência melódica entre as duas partes para que o resultado se torne, auditivamente, uma total surpresa (principalmente se o ouvinte conhecer as duas músicas misturadas).
Há já um longo historial de criação de mashups, cujo principal objectivo é a pura diversão de juntar músicas completamente opostas. Há centenas de exemplos na internet e no Youtube, perfeitos anónimos que se dão ao trabalho de misturar as mais improváveis músicas: Metallica com Beatles, Eminem com Black Sabbath, Queen com Outkast, Abba com 50 Cent, Beatles com Nine Inch Nails, entre muitos outros exemplos. Alguns mashups são mais interessantes e eficazes do que outros, havendo exemplos que parecem ter sido feitos pelo mesmo compositor - independentemente do género musical ou da época das referências citadas.
Eis três interessantes e criativos exemplos.
O grupo hip-hop Beastie Boys misturado com Doors:

White Stripes com Prodigy:

Nirvana e Michael Jackson:

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Discos que vão de 0,0 a 10,0


Sempre achei os critérios de classificação de discos da Pitchfork um exagero. Enquanto que na imprensa portuguesa (e não só), a classificação se situa entre a nota 0 e a 5, ou entre a 0 e a 10, na Pitchfork vai de 0,0 a 10,0. Significa que há discos com pontuação tão preciosista e minuciosa como 4,3 ou 7,7. A minha dúvida de sempre é: o que difere um disco avaliado, por exemplo, com nota 8,4 de um com 8,3? Ou 8,5?
De qualquer forma, dado o preciosismo desta classificação, fui pesquisar quais os discos que a Pitchfork pontuou com a rara nota máxima, 10,0, atribuída a discos considerados "perfeitos". Dentro desta exigente pontuação, encontrei discos de Amon Tobin, Radiohead, DJ Shadow, Bob Dylan, Sonic Youth, Glenn Branca ou Wire. No extremo oposto, com nota 0,0, a qual deve ser considerada autêntico lixo poluente, vi referências a discos de Kiss, Liz Phair, Francisco Lopez, ou The Flaming Lips.
Velhos tempos em que Miguel Esteves Cardoso, aquando da sua fase de crítico musical no livro "Escrítica Pop", classificava os discos péssimos com... baldes de excremento (desenhados e tudo!).

80 anos de "Un Chien Andalou"


Um dos filmes mais subversivos (considerando a época em que foi feito) e mais originais de sempre (considerando a influência que ainda hoje exerce) faz 80 anos desde que foi estreado, em 1929, numa célebre sessão em Paris. Sessão essa em que o realizador Luís Buñuel tinha pedras no bolso para atirar aos espectadores casos estes tivessem feito um escândalo por não gostarem do filme. Não foi o caso, e os artistas surrealistas (Man Ray, André Breton, Salvador Dalí, Marcel Duchamp) elegeram "Un Chien Andalou" (1929) como a obra cinematográfica que sintetizava as premissas da arte surrealista.
Um filme com apenas 17 minutos que ainda hoje incomoda pela recusa ostensiva de uma narrativa convencional, pelas imagens chocantes de um olho a ser cortado por uma lâmina, pela ousadia formal e pela repulsa da racionalização objectiva dos acontecimentos do filme. Uma obra de uma visão artística e estética inigualável, que rompeu linguagens e inaugurou uma nova lógica de associação de imagens, segundo os ditames aprendidos com a psicanálise freudiana e a escrita automática ditada pelo inconsciente. "Un Chien Andalou", filme de Buñuel e Dalí, fez 80 anos. 80 anos que parecem ter uma vitalidade criativa de uma obra acabada de fazer, tão ousada e vanguardista quanto o mais ousado e vanguardista dos actuais filmes ou cineastas experimentais.
O centro cultural Tabakalera de San Sabastián inaugura, amanhã, uma mega-exposição intitulada "Un Pero andaluz - 80 Años Después", dedicada ao mítico filme. Contará com a presença do filho de Buñuel, Juan Luís Buñuel e com dezenas de actividades, pinturas, fotografias, conferências, etc.
Na internet encontrei a "história" do filme condensada em três tiras de BD, desenhadas por um tal Mike Myhres. Olhando para esta banda desenhada, quem conhece o filme identifica claramente a sequência de imagens da obra de Buñuel e Dalí, como a lâmina no olho ou a mão de onde brotam formigas (só falta a imagem de Dalí vestido de padre a ser arrastado no chão por uma corda!).
Quem nunca viu esta obra intemporal, poderá fazê-lo aqui.
Parte 1 (carregar na imagem para melhor visualização)
Parte 2

Parte 3

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Momentos e Imagens - 34


A actriz Sophia Lauren é objecto de um olhar austero por parte de Charlie Chaplin, durante as filmagens de "A Condessa de Hong Kong" (1967), último filme da carreira de Chaplin.

Conversa de génios


Este livro sobre Andrei Tarkovski, que comprei em Madrid, tem algumas saborosas histórias. Como o livro é escrito por actores e familiares que conviveram de perto com o realizador russo, os relatos são, por isso, fidedignos.
Há um episódio curioso contado pela actriz russa Natalia Bondarchuk: um dia Tarkovski visita Itália e assiste, numa sala de cinema, ao filme "Amarcord" de Fellini, que o cineasta russo adorou. Sabendo da presença de Tarkovski em Roma, Federico Fellini convidou-o para um jantar. E a conversa aconteceu como se segue:
Fellini - "Vi o teu filme "Solaris", Andrei. Claro que não o vi todo porque o filme é muito comprido, mas o que vi deu para perceber que és um génio!"
Tarkovski - "Um filme comprido? Tu também tens muitos filmes longos e eu vi-os todos até ao fim!"
Fellini - "Não te zangues, Andrei, sei que tu e eu somos génios. Aliás, quase tudo o que vem da Rússia é de génio. Já agora, como consegues filmar os teus filmes? Não se pode fazer um filme sobre qualquer tema no teu país! Eu nunca poderia fazer um filme no teu país porque todos os que faço são sobre prostitutas."
Tarkovski - "E porque é que deixaste de usar actores profissionais?"
Fellini - "São caros. E quando assinam contratos já trazem cláusulas até para o número de planos a fazer. Não estou para isso, por isso uso actores amadores. Mas sabes que agora é difícil fazer filmes, não há dinheiro. os produtores perdem dinheiro com os meus filmes. É um trabalho duro ser realizador, caro amigo, mas eu e tu, claro, somo génios!"

O Swayze que vale mesmo a pena


Apesar dos enormes êxitos comerciais obtidos com os filmes “Dirty Dancing” (1987) e “Ghost – Espírito do amor” (1990), recordarei sempre o actor Patrick Swayze nos filmes de culto “The Outsiders” (1983) de Francis Ford Coppola, “Point Break” (1991, na imagem), de Kathryn Bigelow" e "Donnie Darko" (2001), de Richard Kelly. Este é o Swayze que, quanto a mim, vale a pena artisticamente. RIP.

Futebol filosófico ou filosofia futebolística?

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

As altas expectativas para The xx


Vou ouvir o álbum "xx" dos The xx (na imagem), segundo o crítico do Público Vítor Belanciano, uma "obra-prima transgeracional de uns miúdos com 20 anos - dois rapazes e duas raparigas". Do pouco que ouvi no myspace da banda, não vislumbrei motivos para qualificar a música destes "miúdos" como obra-prima (também seria precoce fazê-lo, é certo). Eu até desconfio sempre deste tipo de catalogações à pressa, até porque, apesar do respeito que tenho pelo crítico, Vítor Belanciano anuncia uma "obra-prima-next-big-thing" quase todas as semanas nas páginas do Ípsilon...
Aposto que o novíssimo álbum dos Fuck Buttons, "Tarot Sports", é bem mais interessante. O referido disco já roda.

Mão Morta e Maya Deren



É uma boa notícia para os muitos fãs dos Mão Morta: hoje foi colocado à venda o CD/DVD “Rituais Transfigurados”, que corresponde à gravação do filme-concerto com que a banda de Braga abriu o 16.º Festival de Curtas de Vila do Conde, em 5 de Julho de 2008. Este trabalho significou a criação da música original para quatro curtas-metragens da realizadora norte-americana Maya Deren (na imagem), pioneira do cinema experimental. Realizadora de uma grande sensibilidade visual e de um visão poética (e surrealista) das imagens, Maya Deren é dona de uma curta filmografia durante os anos 40 e 50 (Maya morreu precocemente), mas alguns dos seus filmes influenciaram várias gerações de cineastas, como David Lynch, Roman Polanski ou Alejandro Jodorowsky.
Eu não vi o filme-concerto dos Mão Morta, mas tenho a certeza que a sua música, inspirada nas poderosas imagens dos filmes de Maya Deren, contribui para uma maior densidade dramática e estética do trabalho desta tão peculiar cineasta.

domingo, 13 de setembro de 2009

Desenhos de filmes

Algumas crianças e adolescentes foram desafiados a desenhar cenas célebres de diversos filmes (alguns desenhos foram feitos no simples programa Paint de um vulgar computador). Para além da graciosidade dos desenhos em si, ressalta a ideia de que crianças vêem filmes para os quais não têm ainda idade (por causa da violência).
Eis o resultado:
"300"


"The Dark Knight"

"Wall.E"

"Kill Bill 2"

"A Guerra dos Mundos"

"Saw"

"Forrest Gump"

"The Good, The Bad and the Ugly"

"No Country For Old Men"

Jean Seberg


Se fosse viva, teria feito no passado dia 30 de Agosto, 70 anos. A actriz americana Jean Seberg tornou-se um verdadeiro ícone do cinema após o fulgurante desempenho do grande manifesto da Nouvelle Vague francesa, "O Acossado" (1959) de Jean-Luc Godard, ao lado de Jean-Paul Belmondo. Da sua participação em cerca de 30 filmes, destaque especial para o magnífico "Lilith e o Seu Destino" (1964) de Robert Rossen, filme no qual Jean Seberg interpretava uma doente esquizofrénica apaixonada por Warren Beaty.
A sua vida pessoal atribulada não lhe permitiu prosseguir uma carreira auspiciosa e a sua morte, com apenas 40 anos, ainda hoje está envolta em mistério (provável suicídio). Para sempre ficará recordada como a jovem estudante Patricia do filme de Godard, a vender o jornal New York Herald Tribune nas ruas de Paris, ao mesmo tempo em que se envolve com o ladrão Michel.

Kerouac e o Buda


Numa visita à livraria Bertrand deparei-me com um livro de Jack Kerouac que desconhecia: "Acorda! A Vida de Buda". Sabia que a Beat Generation cultivava um manifesto fascínio pelo Budismo, mas daí até o autor de "On The Road" ter escrito sobre a vida de Siddharta Gautama, o Buda...

Três Óscares bem entregues

A Academia de Hollywood vai atribuir três Óscares Honoríficos a três grandes figuras do cinema(cada um a seu modo): a actriz Lauren Bacall, o realizador e produtor Roger Corman e o director de fotografia Gordon Willis. Parecem-me três justíssimas condecorações. Lauren Bacall, a mulher fatal que seduziu, com um subtil assobio, Humphrey Bogart no filme "Ter ou Não Ter" (1944) de Howard Hawks; Roger Corman, o mestre do cinema série B e de terror que impulsionou as carreira de cineastas como Francis Ford Coppola, Tim Burton, John Landis ou Robert De Niro; e Gordon Willis, o criativo director de fotografia da trilogia "O Padrinho" e de seminais obras de Woody Allen como "Manhattan", "Annie Hall" e "Zelig" (teve duas nomeações ao Óscar).


sábado, 12 de setembro de 2009

Momentos e Imagens - 33


Ernest Hemingway pontapeia uma lata de cerveja.

O regresso de David Sylvian


David Sylvian, músico que foi capa de Setembro da revista Wire, tem já uma longa carreira de 30 anos, e acaba de editar o seu último disco, "Manafon", depois de "Blemish" em 2003. O ex-líder e vocalista do grupo neo-romântico Japan, é admirado pelo seu refinado estilo vocal e pela construção de melodias bem arquitectadas. "Manafon" foi gravado entre Londres, Viena e Tóquio com a ajuda de grandes nomes da música contemporânea: Fennesz, Evan Parker, Keith Rowe, Sachiko M e Otomo Yoshihide.
À primeira audição, "Manafon" é um disco que cresce aos poucos, feito de pormenores sonoros quase imperceptíveis, na esteira do experimentalismo estético dos colaboradores musicais. Um disco intimista (música de "câmara", segundo o músico), de deambulações ambientais e de total entrega emocional. "Manafon" representa uma viagem auditiva de grande sensibilidade e de contínua descoberta. E a voz de Sylvian, com o passar dos anos, continua cada vez mais expressiva e inigualável.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Camille e a água Perrier

Fui tentar descobrir o que andava a fazer Camille, a cantora francesa que editou em 2008 um magnífico (e subvalorizado) álbum chamado "Music Hole", quanto a mim um dos melhores discos desse ano. A minha surpresa foi ter constatado que a música desta artista já serviu para dois anúncios publicitários. A primeira vez foi em 2005 para a publicidade do Ford Kuga. A segunda experiência é bem recente: Agosto de 2009, num anúncio que, estou em crer, não foi exibido nas televisões portuguesas. Falo da publicidade à água Perrier. O spot publicitário, muito apelativo visualmente, socorre-se da música "Waves" do álbum "Music Hole" de Camille. A água Perrier, requintada e irresistível. Tal como a canção de Camille.
Vídeo com a canção integral de Camille (ao vivo) aqui.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

O rosto (segundo o Mestre)

Quando falamos de realizadores que sabiam filmar a expressão dos rostos (e dos olhos), facilmente nos lembramos de Carl Dreyer, de Eisenstein ou de Bergman. Realizadores que iluminavam o rosto de forma superlativa, ao ponto de não haver necessidade de palavras para descrever as complexas emoções humanas.
Mas quando falamos de realizadores que sabiam filmar a expressão dos rostos, raramente nos lembramos de Alfred Hitchcock. E são dele algumas das mais poderosas imagens de rostos, de olhares e de expressões faciais de toda a história do cinema. Eis algumas provas (quase todas associadas ao medo, à angústia e ao prenúncio de morte):












(Sequência de imagens correspondem aos filmes: Rear Window, Psycho, Topaz, Stage Fright, I Confess, Psycho, The Wrong Man, Frenxy x 3, Psycho, Birds, Vertigo, Psycho, Birds e Family Plot - o último plano do último filme de Hitchcock)

Discos que mudam uma vida - 75


A homenagem a Andy Warhol: Lou Reed e John Cale - "Songs For Drella" (1990)