
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Tesouros da edição em DVD

Já tinha explanado neste post que a Criterion era uma editora de DVD que fazia perder a cabeça a qualquer cinéfilo.
Mas esqueci-me de referir que essa editora tem concorrência à altura e chama-se Kino on Video. O seu catálogo de filmes é de uma qualidade desmedida, não só pela qualidade dos prórpios filmes, mas também pela qualidade das edições, muitas delas remasterizadas e com extras exclusivos.
É o que acontece com a obra-prima "O Couraçado Potemkine" de Sergei Eisenstein, totalmente restaurado digitalmente (é actualmente a edição DVD que a Kino vende mais). O site está extremamente bem desenhado e completo. Basta dizer que existe a possibilidade de fazer pesquisa por realizador, actor, compositor, argumentista, título de filme, país, género cinematográfico, etc. Tem também um bom leque de títulos disponíveis em blu-ray (como o "Metropolis" de Fritz Lang).
Apesar dos preços praticados serem relativamente mais em conta do que os da Criterion, convém ter uma carteira assaz recheada para adquirir todas as preciosidades editadas.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Grandes Filmes Frustrados - 3: Terry Gilliam e "Quixote"
Terry Gilliam, o realizador que fez parte dos Monty Python, pode bem amaldiçoar Cervantes por não conseguir levar a cabo o seu épico projecto de filmar "The Man Who Killed Don Quixote". Dez anos depois de ter desistido da primeira tentativa de filmagem, voltou a tentar há uns meses. Sem qualquer sucesso. A falta de financiamento, há um mês e meio, ditou o fim do sonho de Terry Gilliam. O projecto, já relativamente adiantado, foi cancelado. A grande dúvida, agora, é saber se o realizador irá conseguir reunir motivação e novo financiamento para uma terceira tentativa para levar ao grande ecrã a obra literária de Cervantes.
Mais informação.
Man Ray
Man Ray (na imagem à direita, ao lado de Salvador Dalí) fez parte do movimento dadaísta e surrealista dos anos 20 e 30 do século XX. É um dos meus artistas e fotógrafos preferidos.
Um artista iconoclasta e original como poucos que marcou a arte de todo o século. Desenvolveu uma obra artística tão inovadora na pintura como na fotografia. Neste último campo, fez retratos únicos de artistas como Picasso, Dali, Magritte, Buñuel. Artaud, Satie, Cocteau, Stravinski, James Joyce, Ducahmp, Matisse, Picabia (foi amigo de quae todos)… E o nu feminino adquiriu outra elevação estética com as fotografias de Man Ray.
Para além destas intervenções artísticas que influenciaram grande parte da arte produzida nas décadas seguintes, Man Ray experimentou também o cinema como veículo para a sua visão libertária da arte.
Para além destas intervenções artísticas que influenciaram grande parte da arte produzida nas décadas seguintes, Man Ray experimentou também o cinema como veículo para a sua visão libertária da arte.
No apogeu do movimento surrealista e expressionista, no qual todas as linguagens de vanguardas eram permitidas, Ray fez as curtas-metragens “Emak – Bakia” (1926), “L’Étoile de Mer” (1928) e “Les Mystères du Château de Dé” (1929).
Três absolutos expoentes do cinema como poesia visual, como plataforma de experimentação estética e formal. São filmes abstractos e que recorrem a técnicas inovadoras de filmagem, montagem e efeitos visuais (alguns devedores do mundo da fotografia).
Todos estes filmes (entre outros) estão disponíveis para visionamento no site da UbuWeb
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Grandes Filmes Frustrados - 2: Robert Bresson e "Genesis"

A HISTÓRIA: Em 1963, o cineasta francês Robert Bresson (na imagem) convenceu o produtor italiano Dino de Laurentis a financiar o seu próximo projecto: "Genesis" (com base no respectivo livro da Bíblia). Adaptar o livro do Génesis era um dos sonhos mais ambiciosos do realizador.
A rodagem do filme começou em 1963 em Roma, mas as coisas não correram bem logo desde a primeira semana de trabalho. Dino de Laurentis passava o tempo no set de filmagens, intrometendo-se em todas as cenas filmadas por Bresson. Chegou, inclusive, a interferir em decisões de ordem artística, nas quais não era suposto ter voz activa.
CONCLUSÃO: Cansado da perseguição do produtor italiano, Robert Bresson chateou-se e desistiu do projecto. Depois passou as duas décadas seguintes a tentar levar por diante o seu filme "Genesis" através dos seus próprios meios. Em vão. Bresson encontrou sempre pela frente incompreensão e dificuldades financeiras.
Na primeira e única semana em que se rodou "Genesis", restam algumas sequências filmadas que nunca foram vistas pelo público. Calcula-se que essas sequências estejam esquecidas nalguma caixa forte do produtor italiano. Robert Bresson morreu em 1999 sem ter conseguido concretizar o seu projecto.
Dino de Laurentis ainda é vivo - tem 91 anos.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Diane Arbus - fotografar a outra América


Vi há tempos o filme "Fur - Um Retrato Imaginário de Diane Arbus" (2007) de Steven Chainberg. Uma total desilusão.
O visionamento do filme só teve um benefício: despertou-me um interesse maior em conhecer a obra fotográfica de Diane Arbus (no filme interpretada por Nicole Kidman), uma notável e talentosa fotógrafa americana que se especializou (se a palavra é a correcta) em fotografar a perversão e a decadência humanas.
A grande maioria das suas fotografias parece vinda directamente do circo de anormalidades físicas do filme "Freaks" de Tod Browning.
Diane contrariou a tendência da fotografia do glamour e da elegância própria das revistas de moda e do social para se centrar no lado mais negro, marginal, aberrante e diferente da condição humana (Nova Iorque da década de 50 e 60): gémeos siameses, doentes mentais, deficientes físicos, anões, gigantes, mendigos decrépitos, hermafroditas, nudistas. Um olhar sobre uma outra América.
Das suas fotografias ressalta uma beleza única, uma poesia que confirma o amor que Arbus tinha por esses seres humanos ostracizados pela sociedade. Diane dizia que a fotografia servia como um escape para expiar as suas emoções lúgubres e inquietantes. A plasticidade das fotografias, os contrastes de luz, os pormenores captados, a composição visual, são elementos estéticos que conferem identidade artística à fotografia de Diane Arbus.
A primeira foto deste post, intitulada "Identical Twins" (1967) é de duas irmãs gémeas com olhar penetrante e quase ameaçador - serviu de inspiração a Stanley Kubrick para as gémeas terroríficas que surgem no filme "The Shining" (2ª imagem).
Diane Arbus morreu com apenas 48 anos de idade, por suicídio.
Diane Arbus morreu com apenas 48 anos de idade, por suicídio.
Mais fotos aqui.
O belo grotesco de Olaf


Erwin Olaf é um fotógrafo, designer, artista e realizador holandês. Tem sido granjeado com inúmeros prémios internacionais e os seus trabalhos objecto de aclamadas exposições nas melhores galerias de arte do mundo.
Fez também trabalhos para diversas marcas de publicidade, como a Levi's, Diesel ou a Nokia, e design de moda. O seu universo criativo parece, a espaços, ter conexões estéticas com Mathew Barney (autor da série "Cremaster" e famoso também por ser marido de Björk). Erwin Olaf tem um espantoso portefólio fotográfico, com imagens altamente encenadas e estilizadas, a meio caminho entre o grotesco felliliano e a ironia surrealista, entre a beleza clássica e a perversidade gráfica, entre a sensualidade e a violência. Belas mulheres, sangue, mutilações, serenidade e inquietação são os vários elementos que fazem parte do imaginário de Erwin Olaf.
Aconselho vivamente a exploração do seu site (um primor de design gráfico e funcionalidade), no qual se podem apreciar em alta resolução e ao detalhe, as diversas séries de fotografias (pode-se fazer zoom in sobre elas!), pequenos excertos de filmes, entre muita informação sobre o seu incrível trabalho.
Perguntas indiscretas - 36

O realizador João Botelho deu uma curta entrevista ao Diário de Notícias (no sábado passado) em que defende que “Hoje em dia, os miúdos não entendem o cinema clássico, o cinema deixou de ser um sítio de reflexão, de emoções, e por isso é preciso educar de novo as pessoas a irem ao cinema”.
Na essência, concordo com a opinião de João Botelho: a esmagadora maioria dos jovens não entende nem manifesta interesse em conhecer o cinema clássico; essa esmagadora maioria dos jovens prefere entreter-se em salas de cinema repletas de pipocas e coca-cola para verem filmes "fastfood" do pior que Hollywood tem para dar.
Na essência, concordo com a opinião de João Botelho: a esmagadora maioria dos jovens não entende nem manifesta interesse em conhecer o cinema clássico; essa esmagadora maioria dos jovens prefere entreter-se em salas de cinema repletas de pipocas e coca-cola para verem filmes "fastfood" do pior que Hollywood tem para dar.
Só há uma coisa que Botelho não chegou a especificar: se ele refere que “é preciso educar de novo as pessoas a irem ao cinema”, significa que já houve tempos em que as pessoas foram educadas para irem ao cinema. Quando? Como? E de que forma os jovens podem ser, novamente, seduzidos para o cinema como linguagem artística e estética?
O universo único de Svankmajer
É preciso ter disposição para perder 7 minutos e 30 segundos - que é o que dura o vídeo em baixo - para compreender e fruir a enorme originalidade do realizador de animação checo chamado Jan Svankmajer.
Desde 1964 que Svankmajer faz filmes de animação baseados num universo estético e visual único: ambientes cláustrofóbicos e kafkianos, humor surrealista, personagens bizarros, crítica e sátira social... Tudo com recurso exímio a elementos quase rudimentares: animação de volumes (plasticina, barro e muitos outros materiais do quotidiano), mas também à "live action". Sem palavras, mas com muita imaginação.
Diz-se que Svankmajer influenciou, de forma determinante, o imaginário de Tim Burton (uma verdade incontestável). E os conhecedores da obra do cineasta checo defendem que os seus filmes de animação comprovam essa reverência artística absoluta.
Eu conheço meia-dúzia de curtas-metragens deste visionário realizador e corroboro a sua imensa valia artística. O blogue My One Thousand Movies está a promover um ciclo de cinema de animação, com especial enfoque nos filmes de Svankmajer. Vale a pena começar a descobri-los aqui.
Ou então perder os tais 7'30'' para ver esta preciosidade:
domingo, 5 de setembro de 2010
Livros a mais
A Blitz informa que a Google, através de complicados algoritmos, chegou a um valor aproximado do número de livros que haverá no mundo inteiro: 129.864.880! Claro que este número já está desactualizado, uma vez que foi calculado há várias semanas e é sabido que, todos os dias, são editadas várias dezenas de milhar de novos livros em todo o mundo.
Outro exercício interessante seria calcular quantas vidas um ser humano precisaria para ler todos estes livros.
sábado, 4 de setembro de 2010
Nihil Aut Mors

Quem já acedeu ao meu perfil, sabe que eu sou músico.
No final dos anos 80 tive uma banda, os Nihil Aut Mors, que bebia, sofregamente, as influências alternativas do rock saído do punk: Joy Division, The Fall, Bauhaus, Siouxsie and the Banshees, The Birthday Party, Swans, Sonic Youth, Killing Joke, Einsturznede Neubauten, entre muitos outros grupos.
A sonoridade inicial era ainda fortemente marcada por uma dureza e austeridade similar à dos Warsaw (primeira banda antes dos Joy Division). Depois, com a natural maturidade e experiência, essa sonoridade transformou-se em algo mais polido, sofisticado, mas sem perder o lado da exploração experimental. O Blitz chegou a dizer que a música dos Nihil Aut Mors era uma fusão entre Mão Morta e Swans e, talvez, tivesse razão.
O vocalista cantava sobretudo em latim (tal como o nome da banda), mas também em inglês e francês. Era muito performático em palco. Nihil Aut Mors significa "nada ou a morte" e era óbvia uma certa sensibilidade negra e tendência urbano-depressiva na banda (basta reparar na capa da maqueta).
Os NAM chegaram a tocar no mesmo palco com os Sitiados, Pop Dell'Arte, É M'as Foice, Censurados, A Kausa, GNR... Tiveram inúmeros temas em compilações nacionais e internacionais. Entrevistas e reportagens em fanzines e revistas. Poderiam ter ido mais longe, mas devido à vida profissional de cada elemento, a banda terminou em meados dos anos 90.
Agora, com o prestimoso trabalho do Misterioso Impossível, esse blogue especializado em resgatar da memória a música independente dos anos 80 e 90, a maqueta "Super" dos Nihil Aut Mors está disponível num rápido download.
Para fazer uma escuta de 4 temas desta maqueta, basta abrir o myspace dos NAM.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Música de anúncios publicitários
A música sempre foi um aliado imprescindível para ajudar na mensagem publicitária televisiva. Uma má escolha musical para um bom produto comercial, não terá grande sucesso. Uma excelente selecção musical para um produto desinteressante, poderá ajudar nas vendas. Os técnicos de (neuro)marketing e de publicidade sabem isto melhor do que ninguém. O consumidor pode ser indiferente à proposta comercial do produto, mas se gostar da música, poderá, subliminarmente, ser levado à sua aquisição.
Algumas músicas funcionam tão bem que o consumidor basta ouvi-la na rádio para a identificar imediatamente com o produto associado (as operadoras de telemóveis, por exemplo). O contrário também se pode verificar: o consumidor desligar a televisão (ou mudar de canal) assim que surge um anúncio cuja música detesta.
Por conseguinte: quer saber qual a música que acompanha um famoso anúncio publicitário da televisão? Aquela música do spot do BMW X1? Do Santander Totta? Do Shampô Pantene? Do perfume Gucci? Da iogurte da marca x e da bebida y?
Se quer conhecer as músicas (e respectivos álbuns, artistas, videoclips, agências de publicidade associadas, etc) que acompanham estes anúncios de televisão, entre outros elementos, o melhor é descobrir estes dois blogues e colocá-los desde já nos favoritos: Aquela Música do Anúncio... e Música de Anúncios.
São dois blogues concorrenciais, mas cada um com basta informação sobre a matéria. Uma rápida passagem por estes sítios é suficiente para ficarmos surpreendidos com determinadas escolhas. Há para todos os gostos: música clássica, rock alternativo, electrónica, pop comercial, adaptações, covers, etc.
PS - Em Março escrevi sobre a música do Nissan Qashqai.
O grande papel de Michael Douglas

O actor Michael Douglas anunciou publicamente que sofre de cancro da faringe e que irá submeter-se a um intenso tratamento para tentar superar este grave problema de saúde.
O filho de Kirk Douglas (que ainda é vivo, tem 93 anos) nunca foi um actor da minha especial predilecção, mas reconheço-lhe talento que provou nalguns filmes. Especialmente nestes quatro filmes: "Wall Street" (1987), "Black Rain" (1989), "The Game" (1997) e "Falling Down" (1993). E é sobretudo neste último título ("Um Dia de Raiva", em português), realizado por Joel Schumacher, que Michael Douglas teve, quanto a mim, a sua superior e definitiva interpretação: a de um yuppie revoltado contra uma sociedade amorfa e sufocante, sem identidade e a caminho do abismo. Sobre este brilhante filme escrevi mais demoradamente aqui.
Neste momento, o grande papel da vida de Michael Douglas é bem real: o do lutador contra a doença.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Grandes Filmes Frustrados - 1: Orson Welles e Batman


A HISTÓRIA: Em 1946 Orson Welles tentou realizar uma versão de "Batman", uma personagem que tinha nascido em 1939. O realizador de "Citizen Kane" era obcecado com a história deste super-herói e queria ser o primeiro a adaptá-la para o grande ecrã (uma década antes de Tim Burton nascer). Para cumprir os seus objectivos, Orson escreveu um guião e contactou com alguns grandes actores da época de ouro de Hollywood para integrar o elenco: George Raft, James Cagney, Basil Rathbone e Marlene Dietrich na pele de Catwoman. Welles queria um Batman negro, denso e violento.
A primeira contrariedade veio do estúdio: impingiu a Welles o actor Gregory Peck para fazer de Bruce Wayne/Batman. Welles finalmente cedeu e ainda filmou algumas cenas com Peck vestido com o traje de Batman. O estúdio não gostou do resultado dessas filmagens, reduziu o orçamento e o projecto acabou por ser cancelado.
OS FACTOS: Historicamente, sabe-se que Welles gostava do lado negro de Batman, mas nunca tentou adaptá-la ao cinema. A ideia de que Orson Welles queria adaptar este herói de BD é um boato lançado em 2003 pelo autor de "artist novel" Mark Millar num jornal (Comic Book Resources). Rapidamente o boato se espallhou pela net e especulações várias surgiram. Até um falso trailer feito por um fã foi publicado no YouTube (em baixo).
Seja com for, é difícil de imaginar quão brutal e negra poderia ser a visão de Batman por parte do autor de "Touch of Evil"...
Seja com for, é difícil de imaginar quão brutal e negra poderia ser a visão de Batman por parte do autor de "Touch of Evil"...
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Amon Tobin num clube de jazz
Amon Tobin (enquanto projecto Cujo) a fazer jazz rock? Talvez sim. Ou não. Isto porque Amon Tobin faz de tudo e sempre bem. Mas a verdade é que se trata de alguém que pegou na música "Traffic" do álbum "Adventures in Foam" (1996) e a colou a um videoclip saído de um clube de jazz dos anos 40. O contraste entre as imagens rústicas e a sofisticação da música é desconcertante, e a sincronia entre os instrumentos que supostamente "tocam" o que ouvimos bem divertida. Uma outra forma de ouvir e "ver" a música de Tobin.
O mistério dos títulos de filmes

O site do jornal i publicou uma interessante reportagem sobre o "Mistério das traduções de títulos de filmes." Não é novidade nenhuma que alguns títulos portugueses são perfeitas aberrações relativamente aos originais. Ou são levados demasiado à letra, ou são tão "poéticos" e levianos que fogem ao essencial do filme (com algumas pitadas de humor brejeiro).
Sempre me questionei quem seriam os responsáveis desta tarefa (algo ingrata, admito) de traduzir títulos estranjeiros. Afinal, não são tradutores nem linguistas, nem são os mesmos técnicos que traduzem os diálogos dos filmes. Segundo o jornal i, estas decisões passam pelos departamentos comerciais e de marketing das distribuidoras.
Seja como for, foram muitos os títulos de filmes que entraram para o anedotário nacional pelo ridículo. Exemplos:
Título original - Título português
Balls of Fury - "Não me Toques nas Bolas"
Harold and Kumar go to the White Castle - "Grande Moca Meu"
"Hard Days Night" - "Os 4 Cabeleiras do Após-Calipso"
White Man Can't Jump - "Branco não Sabe Meter"
See No Evil - "Coleccionador de Olhos"
Jersey Girl - "Era uma vez... um Pai"
Snatch - "Porcos e Diamantes"
Forgetting Sarah Marshall - "Um Belo Par... de Patins"
Are we there yet? - "Estás Frito, Meu!"
"Lost in Translation" - "O Amor é um Lugar Estranho"
"Vampire Sucks" - "Ponha Aqui o Seu Dentinho" (na imagem, estreia dia 31 de Setembro)
Como se vê, alguns dos títulos são verdadeiros tratados de estupidez e só promovem a indiferença total perante o respectivo filme. Qual é o jovem que tem a coragem de convidar a namorada para ver o filme "Não me Toques Nas Bolas"?
Como se vê, alguns dos títulos são verdadeiros tratados de estupidez e só promovem a indiferença total perante o respectivo filme. Qual é o jovem que tem a coragem de convidar a namorada para ver o filme "Não me Toques Nas Bolas"?
De qualquer modo, pode parecer incrível, mas os nossos irmãos brasileiros conseguem fazer melhor, muito melhor. O blogue Som Viciado analisou as traduções brasileiras de filmes americanos e não restam dúvidas. Os portugueses ao pé dos brasileiros são muito mais competentes e criativos do que julgamos.
Ao constatar as traduções brasileiras de filmes americanos, ficamos a saber que o clássico dos musicais "Sound of Music" passou para "A Noviça Rebelde" (na imagem), Charlot é "Carlitos", o filme "The Cable Guy" com Jim Carrey tem a hilariante tradução de "O Pentelho", "Sozinho em Casa" tem interpretação brasileira "Esqueceram de Mim" , o filme "Basic" levou com "Violação de Conduta" ou o filme de Oliver Stone "JFK" tem o acrescento "JFK - A Pergunta Que Não Quer Calar".
Muito bom, portanto.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
domingo, 29 de agosto de 2010
A música de "The Ghost Writer"
Finalmente vi "The Ghost Writer" ("O Escritor Fantasma") de Roman Polanski. Mas hoje não me apetece falar do filme (um thriller competente sem deslumbrar). Apetece-me antes falar da música do filme. Finalmente vi uma película, nos últimos tempos, com uma excelente banda sonora. O compositor é francês - Alexandre Desplat - e já tinha dado mostras do seu talento em filmes como "The Curious Case of Benjamim Button", "The Queen" ou "Girl With a Pearl Earring" (foi nomeado ao Óscar por estes dois últimos títulos).
Em "The Ghost Writer", Alexandre Desplat compôs uma banda sonora que evoca o melhor da tradição dos thrillers clássicos de Hollywood, indo buscar inspiração a Bernard Herrmann, John Barry, George Delerue ou até Danny Elfman.
Polanski sempre atribuiu grande importância à música nos seus filmes, e esta constatação é patente desde os seus primeiros thrillers psicológicos dos anos 60. "The Ghost Writer" não é excepção e a música de Desplat motiva o crescendo de tensão com trechos musicais cirúrgicos que intensificam e dão significado a cada cena e a cada ambiente.
Uma música que não se sobrepõe à acção (pelo contrário, por vezes é tão ténue que quase não se dá por ela), uma música que inspira inquietude, deslumbre e imaginação.
Tati animado por Chomet
Estreia só no dia 25 de Novembro em Portugal, mas é já um dos filmes que mais anseio ver: "O Ilusionista" do realizador francês Sylvain Chomet (autor do sublime "Belleville Rendez-Vous").
Baseado num argumento original de Jacques Tati, este filme de animação relata a história de um ilusionista que tenta singrar em bares da uma comunidade rural da Escócia dos anos 50. O personagem do ilusionista é encarnado, em jeito de homenagem, pela figura física do próprio Jacques Tati.
Livros à distância de um clique

Quase dois mil livros (e outras tantas obras) para descarregar, gratuitamente, em formato PDF: Fernando Pessoa, Shakespeare, Oscar Wilde, Eça de Queiroz, Rimbaud, Thomas Mann, Cervantes, James Joyce, Kafka, Machado de Assis, entre muitos outros escritores de renome nacional e mundial. É só fazer clique.
sábado, 28 de agosto de 2010
Perguntas indiscretas - 35
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Tarkovski e Dostoievski em trabalho académico
Este senhor da imagem chama-se Daniel Robledo Muñoz. É um professor espanhol de Filosofia e de Ciências da Comunicação da Universidade Complutense de Madrid e defendeu, há pouco tempo, uma tese de doutoramento sobre o realizador russo Andrei Tarkovski.
A tese intitula-se "A Santa Rússia em Andrei Tarkovski" e explora a relação entre o cineasta e o escritor Dostoievski (um autor caro a Tarkovski). A tese académica obteve a classificação máxima por unanimidade e o seu autor aguarda agora que uma editora interessada publique em livro o seu trabalho. Esperemos que assim seja.
Este tema tem relação com o trabalho académico sobre o realizador espanhol Luis Buñuel.
O final épico de Corleone
Apesar da sofrível interpretação de Sofia Coppola, este é um dos melhores finais de filme dos últimos 20 anos. Épico, mesmo. Refiro-me à sequência final do filme “O Padrinho 3” da saga “O Padrinho” de Francis Ford Coppola. É um final espantoso de energia e emoção.
Al Pacino ao seu melhor nível – o grito surdo (mas ensurdecedor) na escadaria após a morte da filha é arrebatador. Memorável para sempre é a sequência seguinte: a montagem seguinte com o momentos passados de felicidade (a dança com as três mulheres da sua vida), a belíssima banda sonora e, apogeu dos apogeus, o rosto de Michael Corleone decadente, velho e sozinho.
O movimento lento e agonizante de colocar os óculos. E o plano final, com o mesmo Corleone sentado, um cão vagabundo a rodeá-lo, a morte inadiável e totalmente solitária. O fim triste da família Corleone. Emocionante até às lágrimas, num filme que, quanto a mim, não desmerece em relação às obras-primas anteriores da trilogia. Pura arte.
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
O ponto alto do dia
A magia sonora do didjeridoo

O didjeridoo é um instrumento de sopro oriundo das tribos aborígenes australianas. Tradicionalmente, é um tronco longo de eucalipto ou de bambu oco por acção das térmitas. Tem um som característico e pode variar entre a austeridade tímbrica e a suavidade mística. O didjeridoo está longe de se restringir à música étnica, uma vez que tem sido utilizado (e continua a ser) em muitos grupos de música e géneros musicais ocidentais.
Aliás, é um instrumento tão popular como o djambé. Apesar de não parecer, tocar didjeridoo não é fácil e requer treino persistente, sobretudo para o músico conseguir controlar a chamada técnica de "respiração circular", que permite emitir sons de forma contínua: expira-se com a boca e inspira-se pelo nariz ao mesmo tempo (tenho um didjeridoo e só consigo produzir uns escassos e titubeantes sons...).
Em Portugal há um excelente executante deste instrumento australiano: faz parte do grupo Olivetree, um trio de músicos constituído por um tocador de didjeridoo, um baterista e um percussionista. Os seus concertos ao vivo (vi-os uma vez) são uma verdadeira e alucinada celebração rítmica (como se fosse drum'n'bass tribal). Por esse mundo fora há muitos músicos que tocam didjeridoo, de forma amadora ou profissional. Um dos maiores especialistas no didjeridoo é Stephen Kent, um músico australiano que fez parte do grupo Trance Mission. No vídeo que se segue podemos vê-lo a tocar com o baterista americano Tony Royster jr., um jovem e talentoso músico de 23 anos (começou aos 10!).
A junção dos sons graves e ondulantes do didjeridoo com os ritmos da percussão conferem uma proposta musical deveras inusitada e contagiante.
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
"The Shining" - versão comédia familiar
No mundo da tecnologia onde todas as possibilidades virtuais são possíveis, eis que, à semelhança do inquietante filme "Eraserhead" de David Lynch, também o clássico de terror "The Shining" de Stanley Kubrick pode ser transformado numa simples comédia para o público familiar.
Para conseguir esse desconcertante efeito, basta recorrer a uma minuciosa e sugestiva montagem dos planos, a uma voz off adequada e a uma banda sonora apropriada às imagens; quem não conhecer o filme será levado a pensar que se trata mesmo de uma comédia insípida ideal para ver na televisão, descontraidamente com a família, num domingo à tarde.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
O bailado de Satie, Cocteau e Picasso

Em 1917, Jean Cocteau, propôs a Serguei Diaguilev, empresário dos famosos Ballets Russes, colaborar com o compositor Erik Satie num ballet muito especial. Desta conjugação artística surgiu o bailado "Parade" (na imagem), com argumento de Cocteau e ainda cenários e figurinos do pintor Pablo Picasso.
A partitura musical de Satie, pianista e compositor visionário, continha sons de máquinas de escrever, apitos de sereias, ruídos de hélices de avião, de aparelhos de Morse, e de roletas de lotaria (a ideia era assaz original, mas não totalmente inovadora: o futurista italiano Luigi Russolo tinha construído "máquinas para fazer ruído" três anos antes). O lugar exigido a todos estes objectos exigiu uma redução de instrumentos musicais convencionais no fosso de orquestra, opção que provocou uma acesa discussão no seio da crítica e dos espectadores.
"Parade" foi um ballet inovador e ousado em termos estéticos (nos cenários, na coreografia e na música, um pouco à semelhança de "A Sagração da Primavera" de Stravinski), antecipando uns anos o movimento surrealista. Os críticos arrasaram sobretudo a música.
Erik Satie, com a sua personalidade irreverente e incontida, não se ficou e escreveu, satiricamente, um texto com o título "Elogio dos Críticos", que começa assim: "O ano passado fiz várias conferências sobre a inteligência e a musicalidade nos animais. Hoje vou falar-vos da inteligência e da musicalidade nos críticos. O tema é quase o mesmo, portanto."
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Internet: fonte para filmes

À falta de ideias mais originais, Hollywood parece agora virar-se para projectos cinematográficos que explorem ferramentas de sucesso da Internet.
O recente "The Social Network" de David Fincher aborda a criação do Facebook. Já era de esperar que a Google também quisesse um filme sobre os seus dois fundadores - Sergey Brin e Larry Page. E é o que vai acontecer brevemente: a história da criação do maior motor de pesquisa do mundo vai ser levada ao grande ecrã.
Agora, por uma questão de elementar justiça, espera-se que surjam no futuro filmes sobre a história do YouTube, Wikipédia, Twitter, Myspace, MSN, Yahoo, Blogger, Imdb, Hi5, Lastfm, Flickr e, porque não, o símbolo da arrob@.
Daria uma boa quantidade de filmes para os próximos anos...
Um livro sobre músicas do mundo

António Pires, jornalista, escritor, DJ e autor do notável blogue "Raízes e Antenas", apresentou no Festival de Músicas do Mundo de Sines, no dia 31 de Julho, o seu livro "Raízes e Antenas - Mistérios e Maravilhas da World Music", que será lançado no mercado nacional em princípios de Setembro.
Editado pela MediaXXI, "Raízes e Antenas" reune 200 artigos sobre música do mundo que António Pires publicou no seu blogue durante alguns anos. Segundo a nota à imprensa, esta obra abrange géneros musicais locais ou regionais de inúmeros países, viajando por todos os continentes e dando igual importância às músicas de raiz e às fusões entre vários estilos, este livro serve sobretudo como uma introdução a estas inúmeras músicas do mundo e a alguns dos seus artistas e grupos mais representativos.
Dado que é rara a edição de obras de autores portugueses sobre world music no mercado nacional, sauda-se este livro de António Pires, jornalista que eu comecei a gostar de ler há 20 anos nas páginas do (então) semanário BLITZ (e não só) e, desde há uns anos, no seu blogue tão especial.
Estou muito curioso para ler este livro que poderá, certamente, ajudar na divulgação das sempre inebriantes e riquíssimas músicas étnicas do mundo.
E se Star Wars fosse um filme mudo?
Imaginem como seria "Star Wars" se tivesse sido realizado na mesma época do "Nosferatu" (1922) de F.W. Murnau. Ou seja, em pleno apogeu do cinema mudo.
Seria qualquer coisa como isto:
domingo, 22 de agosto de 2010
A Rapariga Que Sabia Demasiado
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"The Girl Who Knew Too Much" é um filme do realizador italiano Mario Bava, datado de 1963, e narra a história de uma turista que testemunha uma série de terríveis assassínios...
Afinal, para além de James Stewart do filme "The Man Who Knew Too Much" (título que deu nome a este blogue), há também "raparigas que sabem demasiado"!
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