domingo, 25 de setembro de 2011

Maurice Jarre e Bach

Maurice Jarre (1924 - 2009), eminente compositor de bandas sonoras para filmes clássicos de David Lean ("Doutor Jivago", "Lawrence da Arábia" e "Passagem para a Índia") é uma referência para várias gerações. Vencedor de três Óscares e quatro Globos de Ouro, a música de de Jarre era neo-clássica e épica, ideal para grandes filmes de aventuras. Foi também grande compositor para filmes mais intimistas, como foi a música que fez para o filme "Clube dos Poetas Mortos", entre muitos outros.
Desde 2001 que estava retirado de Hollywood, não só por razões de saúde, mas também porque estava muito desiludido com a indústria do cinema (e a ignorância que grassa na mesma): "Some months ago, while I was preparing a new work, I told a young cinema executive my intention of including in a soundtrack two themes from Bach. But when he asked me which has been the last hit from that Bach?, then I knew that I had no longer place in cinema."
Lapidar.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Nick Cave, 54 anos

Nick Cave comemora hoje 54 anos de vida. O ex-Birthday Party representa um nome referencial do rock alternativo dos últimos 30 anos. Um dos momentos mais marcantes da minha juventude foi quando descobri a banda a que Cave fazia parte, os abrasivos The Birthday Party, ainda com resquícios do punk. Depois formou a sua banda de excelentes músicos, os Bad Seeds, que editaram discos brilhantes.
Na minha memoria perdura para sempre o filme "As Asas do Desejo" (1987) de Wim Wenders, quando vi, electrizado, esta sequência de 5 minutos tao bem filmados: o anjo que observa um concerto de Nick Cave em Berlim. E logo com uma das mais enérgicas canções de Cave: "From Her to Eternity".

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

"The Shining" - Novo final?


Eis uma notícia surpreendente que o diário espanhol El País avança: no próximo dia 22 de Outubro a sala de cinema Dryden Theatre de Nova Iorque vai exibir uma nova versão do filme "The Shining" (1980) de Stanley Kubrick.

Esta nova versão conta com mais 4 minutos de metragem e, mais importante ainda, com um novo final. Ao que parece, Kubrick terá concebido um final diferente da versão conhecida mas acabou por remontar esse mesmo final à última da hora. Esse final de filme imaginado inicialmente por Kubrick revela dois polícias que procuram Jack Torrance (na imagem) e Wendy (Shelley Duvall) que conversa com o gerente do Overlook Hotel sobre o estranho desaparecimento do marido.

A notícia não esclarece porque é que só agora o mundo pode ver esta nova versão da obra-prima de Kubrick, nem porque razão só vai ser exibida numa única sala em Nova Iorque. Seja como for, mais cedo ou mais tarde, a versão remontada será conhecida de todos os cinéfilos e, da parte que me toca, espero não me desiludir com ela quando a visionar.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Cultura iPod


Há uns dias entrei num elevador com um jovem que ouvia música com auscultadores (leitor de mp3, iPod ou equivalente). Pelo silêncio proporcionado pelo hermetismo acústico do elevador, conseguia perceber o que o jovem ouvia. Qualquer coisa de música rock. Na mesma semana, cruzei-me na rua com um jovem que ia a ouvir música tão alta que cantava, também ele (e sem se aperceber) muito alto. Dois casos de decibéis a mais, portanto. Os dois jovens não conseguiriam ouvir um trovão a dois metros, dado o volume exagerado do que estavam ambos a ouvir.

Este episódio empírico levou-me a uma exploração bastante mais séria do assunto: estudos científicos recentes comprovam a relação entre a perda de audição progressiva (até 70%) com a utilização desproporcionada de volumes de som nos auscultadores. Os jovens (e menos jovens) só se apercebem desta perda de audição tarde demais. Cada vez mais os jovens ouvem música em todas as circunstâncias e mais alguma: na rua, a andar de bicicleta, nos consultórios médicos, nas salas de aula, na igreja, em espectáculos de música, em qualquer lugar e em qualquer momento.

Já acontecia nos tempos do "Walkman"? Talvez, mas nunca nesta dimensão massiva e com este carácter generalista. A portabilidade dos equipamentos de som (leitores cada vez mais pequenos e potentes), aliado ao inerente fenómeno de moda representado pela cultura iPod, são factores que ajudam à massificação dos leitores de mp3. Os tempos mudaram drasticamente. Já não existem grupos de jovens que se juntam no isolamento de um quarto para, em conjunto, ouvirem um disco, desfrutando do momento colectivo da descoberta musical. Muito menos existe o culto da iconografia relacionada com os suportes dos CD (capas, contracapas, conteúdo informativo...).

O que existe agora é o consumo musical cada vez mais individualista e solipsista, ao ponto de vários jovens poderem estar na mesma sala ou no mesmo café a ouvir músicas diferentes, sem comunicação ou interacção. É mais democrático e acessível, é mais fashion e mais de acordo com as regras da cultura pop, mas neste fenómeno de fruição perdem-se vivências e perde-se o prazer da partilha em comum. É certo que para cada nova geração, surgem novas fórmulas de fruição musical. Até ao dia em que essas gerações só conheçam o mundo virtual onde a desmaterialização da música impera. Para o bem e para o mal.

Playtime #61


A solução: "O Anjo Exterminador" (1962) - Luis Buñuel
Quem descobriu: João Palhares

Notas de Bresson #7

"Um mesmo assunto muda de acordo com as imagens e os sons. Os temas religiosos recebem das imagens e dos sons a sua dignidade e elevação. E não (como se julga) o inverso: as imagens e os sons recebem dos temas religiosos".

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Quando estreou Kane

Dia 1 de Maio de 1941, Nova Iorque. Estreia do filme que iria mudar para sempre o cinema: "Citizen Kane", de um jovem realizador com apenas 26 anos, Orson Welles, de seu nome. A primeira fotografia é extraordinária pelo feliz enquadramento do instante captado pela objectiva do fotógrafo: Welles sai do táxi, cigarrilha na boca, mesmo em frente ao cinema Palace que, em segundo plano, revela em néon brilhante o seu nome e o da sua primeira obra-prima. Esta terá sido, certamente, uma das estreias mais importantes de toda a história da Sétima Arte.

domingo, 18 de setembro de 2011

A rapariga que sabia demasiado


Para quem não sabe, no universo cinematográfico existe a variante feminina do clássico de Alfred Hitchcock "O Homem Que Sabia Demasiado" (que dá nome a este blogue): "A Rapariga Que Sabia Demasiado" (1963) do realizador italiano Mario Bava.

Trata-se de um thriller policial relativamente bem cotado no círculos cineclubistas. Infelizmente, nunca tive oportunidade de o ver...

Clássicos do Cinema em BD para Pessoas com Pressa #30

Clicar para aumentar.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

"iPhado": Fado e electrónica


“Phado” (Thisco, 2007) foi um disco editado pelo músico Marco Miranda sob a designação artística M-Pex. Agora volta com “iPhado”, um EP de cinco temas inéditos, onde a guitarra portuguesa se mistura com a electrónica através de um conjunto de samples criados num iPod e utilizando apenas aplicações gratuitas da App Store, a loja online da Apple.

Fado e electrónica.
Na verdade, a fusão que faltava explorar na música portuguesa. O Expresso revelava há três anos um jovem guitarrista, Marco Miranda (31 anos), que toca guitarra portuguesa por influência do avô. A música electrónica, de facção mais arty e conceptual (as referências são os imprescindíveis Amon Tobin, Squarepusher, Sofa Surfers e Aphex Twin), é outra área de interesse de Marco. "Phado" foi o seu primeiro trabalho, no qual explorava os beats e os ambientes electrónicos misturados com a sonoridades características da guitarra portuguesa, gerando uma refrescante sonoridade. A uma certa distância, este projecto lembra o do malogrado João Aguardela (Sitiados e A Naifa), Megafone, que fazia o cruzamento entre a herança musical tradicional com a linguagem electrónica do drum'n'bass.

Marco tem como inevitável referência da guitarra portuguesa Carlos Paredes e é com indisfarçável ousadia que diz que o objectivo da sua música é "reposicionar a guitarra portuguesa no panorama musical, mostrar que não tem de estar só agarrada ao fado, criar uma ponte entre ontem e hoje, quebrar barreiras e clichés". A sua música é puramente instrumental, não estabelecendo relações estéticas com a linguagem do fado cantado. É a guitarra que centraliza o trabalho de abordagem criativa de Marco Miranda. A electrónica circula à volta, molda a matéria tímbrica das cordas e estabelece novas dinâmicas e sensibilidades. É como se a guitarra portuguesa fosse sujeita a experiências científico-sonoras de laboratório. E de forma muito criativa e original.

Quem quiser aventurar-se e conhecer este interessante projecto e o recente registo "iPhado" (download gratuito), é favor entrar aqui.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Hitch gostava de Lang e Buñuel

Li na biografia de Alfred Hitchcock que o seu filme preferido era o expressionista "A Morte Cansada" (1921) de Fritz Lang e que considerava o espanhol Luís Buñuel como o melhor realizador... de sempre!
Confesso que estas preferências são, para mim, surpreendentes, sobretudo vindas de um cineasta como Hitchcock. Por conseguinte, não posso deixar de manifestar o meu regozijo perante tais preferências (facto que aumenta a minha estima por Hitchcock).

Ainda divas...

Na sequência do post anterior, eis três belas (e talentosas) actrizes que envelheceram... bem:

Jane Fonda, 73 anos.

Gina Lollobrigida, 79 anos.
Sofia Loren, 74 anos.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Outrora diva...





Há dias li numa revista que há estrelas de cinema que envelhecem muito bem. Casos de actores e actrizes que são mais atraentes e "glamorosos" agora do que há 20 ou 30 anos. Não será por certo o caso da mítica actriz de Anita Ekberg, a voluptuosa mulher que contracenou com Marcello Mastroiani no filme "La Dolce Vita" de Fellini (de forma tão carismática que chegou a dizer: "Fui eu que fiz Fellini e não o contrário"). Enquanto que actrizes como Gina Lollobrigida ou Sofia Loren souberam manter a frescura e a beleza até aos 70 anos, Anita Ekberg desmazelou-se por completo.

Para sempre ficará na história a sequência em que Anita Ekberg entra na Fontana di Trevi ("Fonte dos Trevos, Roma) em "La Dolce Vita", arranstando Marcello Mastroiani para uma bela cena romântica.

Sinceramente, pensei que Anita Ekberg já tivesse morrido. Mas não. A ex-Miss Suécia 1950, que nas décadas de 50 e 60 foi uma sex-symbol a nível mundial (rivalizando com Brigitte Bardot), tem actualmente 79 anos e vive isolada em Itália. Não dá entrevistas e recusa-se a escrever as memórias. A sua carreira no cinema não foi tão auspiciosa como se poderia pensar. Para além de uma breve passagem por Hollywood (onde teve casos amorosos com os actores Errol Flynn, Yul Brynner, Frank Sinatra e Gary Cooper), o seu estrelato e glamour desvanceu-se a partir dos anos 70.

A sua última aparição no cinema foi, talvez de forma simbólica, num belo filme do mestre Federico Fellini, "Entrevista" (1984).

domingo, 11 de setembro de 2011

"The Falling Man"


Das milhares de imagens que o ataque ao WTC revelou ao mundo, há uma que nunca esquecerei e que se tornou uma espécie de símbolo desse dia - fez manchete em muitos jornais nos dias seguintes aos atentados (não sem polémica à mistura): a fotografia, tirada pelo fotojornalista Tom Junod, de um homem em queda livre da Torre Norte do World Trade Center.
Naquele fatídico dia 11/9, cerca de 200 pessoas lançaram-se (ou caíram) para o vazio da morte, desesperadas perante o terrível sufoco do fumo e do fogo. As autoridades que prestavam auxílio (antes do desabamento das torres), disseram mais tarde que o som dos corpos a cair nos passeios era aterrador. Nada nem ninguém podia ajudar a avalanche de corpos em queda livre.

O fotógrafo captou estas imagens de um corpo que aparenta serenidade e determinação, em perfeita simetria com as linhas do edifício. Parece um corpo decidido a projectar-se para o vazio, controlando a sua trajectória no ar, quase como um falcão a atacar uma presa em terra. Mas não. O homem caía totalmente fora de controlo, desamparado, a uma velocidade estonteante. No segundo a seguir, o seu corpo rodopiou, o vento arrancou-lhe a camisa e, provavelmente, terá morrido de choque ainda antes de chegar ao solo.

Com o objectivo de identificar o homem desta fotografia icónica, para atribuir alguma heroicidade ao seu acto desesperado, para descobrir porque é que a imagem foi banida nalguns jornais e revistas de todo o mundo, o realizador Henry Singer investigou e fez um documentário intitulado "9/11 - The Falling Man" (2006). O documentário nunca envereda por um sensacionalismo fácil, é sereno, respeituoso e objectivo na sua pesquisa. "The Falling Man" é um homem, um corpo, mas é também o símbolo de toda uma nação alvejada por uma torrente de violência que mudaria o mundo.

O documentário está disponível para visualização aqui.


Nota: "O Homem em Queda" é também o título de um livro do escritor norte-americano Don DeLillo, mas que, segundo o próprio, nada tem a ver com este homem que caiu da torre.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Tarkovsky no CCB


É uma excelente notícia para os cinéfilos em geral e os amantes de Tarkovsky em particular: o Centro Cultural de Belém, em Lisboa, vai dedicar um ciclo integral à obra cinematográfica do realizador russo Andrei Tarkovsky. Intitula-se "Andrei Tarkovsky - Esculpir o Tempo" e vai decorrer entre Novembro e Dezembro. O programa é ambicioso e irá abranger as sete longas-metragens do cineasta (faltará apenas a curta "O Rolo Compressor e o Violinista"), várias conferências (com o próprio filho do realizador!), uma exposição com fotografias (polaroids) de Tarkovsky e a exibição do documentário que Chris Marker fez sobre a obra do realizador russo.
Este ciclo só ficaria completo se integrasse no seu programa o mais recente documentário sobre Tarkovsky, "Meeting Andrei Tarkovsky", do jovem realizador russo de nome Andrei... Trakovsky.
Mais informação sobre este ciclo aqui.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Notas de Bresson #6

"Óscares aos actores cujo corpo, figura e voz, não pareçam ser deles, não dêem a certeza de lhes pertencer"

Discos que mudam uma vida - 149


Jane's Addiciton - "Ritual de Lo Habitual" (1990)

Para conhecer a fundo Woody Allen

Comprei há dias na Fnac e já comecei a ler. As entrevistas feitas por Eric Lax permitem ficar a conhecer melhor a essência do cinema de Woody Allen, a sua metodologia de trabalho, as suas opções artísticas, as suas preferências, a relação com os actores, a sua própria evolução ao longo dos anos como cineasta.

Eis a sinopse do livro:

"Eric Lax é o autor da mais conhecida biografia de Woody Allen. Neste livro divulga as mais reveladoras e divertidas entrevistas feitas ao realizador de Manhattan e Annie Hall. Ao longo de mais de três décadas, Woody Allen conversou regularmente com Eric Lax, permitindo-lhe um acesso sem precedentes aos seus locais de filmagens, pensamentos e observações. Em conversas entre 1971 e 2007, Allen discutiu sobre produção cinematográfica - os seus próprios filmes e o trabalho de realizadores que admira. Assim, este livro mostra a evolução de Woody Allen até aos dias de hoje (de escritor de comédia e comediante de stand-up a realizador famoso). Conversas com Woody Allen é, por isso, uma leitura essencial para quem se interessa por realização cinematográfica e para todos os que apreciam os seus filmes."

domingo, 4 de setembro de 2011

Woody e os seus filmes

Jornalista - Como olha para os seus filmes antigos? Há algum de que goste particularmente?

Woody Allen - Sim, tenho alguns filmes de que me orgulho. Sempre gostei de "A Rosa Púrpura do Cairo", "Maridos e Mulheres", "Balas Sobre a Broadway". Recentemente tenho gostado de "Match Point" e "O Sonho de Cassandra", talvez por serem temas mais negros.

Jornalista - E de quais gostou menos?

Woody Allen - O filme que gostei menos de fazer foi "A Maldição do Escorpião de Jade". Não deveria ter-me contratado a mim próprio para o papel principal. Tinha óptimos actores e acabei por desiludir.

Jornalista - "Annie Hall"?

Woody Allen - Foi um grande sucesso comercial, mas essa é já uma boa razão para não gostar dele (risos). Mas não desgosto. Diverti-me imenso a fazê-lo. Mas a maior parte dos filmes que fiz nunca mais os vi.

Jornalista - Não me diga que não gosta de "Manhattan"...

Woody Allen - Não lhe posso dizer porque nunca o vi... Não quero voltar a ele porque arrisco-me a ficar destroçado.
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Excertos da entrevista conduzida por Paulo Portugal, in SOL.

sábado, 3 de setembro de 2011

As Twins Towers no cinema

Os atentados do 11 de Setembro mudaram o mundo e a política internacional, mas não mudaram propriamente o cinema. Houve alguns filmes (mais ou menos interessantes mas nenhum imprescindível) sobre as consequências dos traumas deste dia no orgulho da sociedade americana e da vida dos nova-iorquinos.
Mas a verdade é que as torres gémeas foram, durante três décadas, por si mesmas, cenários de muitos filmes. Não haverá cinéfilo que possa afirmar que nunca viu um filme em que não tenham aparecido, nem que fosse como cenário de fundo paisagístico, as célebres e icónicas torres gémeas do World Trade Center.
Filmes de acção, aventuras, comédias românticas, thrillers, policiais, ficção científica... Quase todos os géneros cinematográficos utilizaram as Twin Towers como cenários mais ou menos importantes no desenrolar da história de cada filme.
Este vídeo compila as dezenas de filmes realizados entre 1969 e 2001 nos quais surgem imagens das duas torres, numa espécie de "cameos" arquitectónicos únicos na história do cinema.
E não esqueçamos: já passaram dez anos dos brutais acontecimentos do 11 de Setembro.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Woody no Sol


Woody Allen em entrevista a ser publicada, esta sexta-feira, na revista Tabu do semanário "Sol".

Playtime #61


A solução: "Hollywood Ending" (2002) - Woody Allen
Quem descobriu: Álvaro Martins

A mina dos filmes de Série B


O mundo dos filmes de Série B é quase inesgotável. Há vários sítios na internet onde se pode encontrar informação sobre esta tipologia cinematográfica tão especial, mas nem todos são como o site bmovies.com.
Um site que disponibiliza ao visitante a possibilidade de ver filmes em "streaming" (não se pode fazer download) de vários géneros distintos: Terror, Ficção Científica, Kung Fu e Westerns.
B Movies está recheado de filmes esquecidos no tempo (outros nem tanto, como os do Bruce Lee), realizados maioritariamente nas décadas de 50, 60 e 70, com escassos meios de produção e talento, ostentando títulos bizarros, histórias inprováveis, mas que nem por isso deixaram de se transformar, com o tempo, em filmes de culto (Ed Wood ganhou fama assim) junto de várias gerações de cinéfilos.
Por isso vale a pena descobrir estes verdadeiros tesouros de série B.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Tom Waits: a capa e o tema


Pena faltarem ainda dois meses para podermos ouvir o disco!
Por enquanto, só se pode ouvir ainda o tema-título do álbum, "Bad as Me", que conta com o grande guitarrista Marc Ribot. Tom no seu melhor, portanto.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Brando e Hepburn na casa de banho


Há dias jantei num restaurante espanhol.

Quando me dirigi à respectiva casa de banho reparei numa singular sinalética de divisão de sexos: uma fotografia de Marlon Brando na porta da casa de banho dos homens e uma fotografia de Audrey Hepburn na porta da casa de banho das mulheres.

Ou seja, uma solução de elementar bom gosto ao nível da diferença de género para uma casa de banho de tendência marcadamente cinéfila.

PS - Teria gostado mais de ver as fotos de e Richard Burton e Elizabeth Taylor.

"Violência física e visual"?


Como referi num post anterior, no último suplemento do jornal Público, o Ípsilon, fez-se uma exaustiva antevisão do que vai ser o panorama cultural dos próximos meses.
No contexto das actividades da dança e do teatro, o jornalista Tiago Bartolomeu Costa refere que "o coreógrafo Paulo Ribeiro apodera-se do universo de Tarkovski, pondo os bailarinos da Companhia Nacional de Bailado a experimentarem a violência física e visual do cineasta russo em 'mise-en-scène".
Depois de ler isto fiquei a pensar como é que alguém pode considerar o cinema poético e místico de Tarkovski como sendo "violento visual e fisicamente".
Das duas uma: ou o jornalista não sabe quem é Tarkovksi nem conhece a fundo o seu cinema, ou ele tem um conceito radicalmente diferente da expressão "violência física e visual" relativamente ao que eu tenho.
Nota: na imagem, o filme "O Espelho" (1975) de Andrei Tarkovski.

Estradasphere

Para quem não conheça os Estradasphere, talvez seja uma boa ajuda falar nos Mr. Bungle ou nos Secret Chiefs 3. Isto porque estes três projectos se inserem naquela lógica caleidoscópica de juntar, num mesmo caldeirão musical, múltiplas abordagens estilísticas que podem ir da música árabe ao rock mais extremo. O resultado, já se sabe, pode ter tanto de estimulante quanto de redundante. Tudo depende da forma como os músicos trabalham e misturam essas diferentes fontes sonoras, de molde a criar um todo artístico coerente.
Ora, os Estradasphere conseguem elevar essa estética simbiótica a um patamar realmente excitante para os nossos sentidos. Pegam em estilos como a música tradicional da Grécia, dos Balcãs, o surf rock, o funk, o death metal, a electrónica, o rock de garagem, o easy listening e, no final, misturam tudo com base num delirante imaginário que bebe tanto das extravagâncias de Frank Zappa como das alucinações criativas de Mike Patton. É por isso que o álbum “Quadropus” (2003) continua a ser um trabalho de absoluta referência, esteticamente demolidor e altamente surpreendente.
Para ouvidos especialmente inquietos:

domingo, 28 de agosto de 2011

A rentrée do cinema


No último suplemento Ípsilon do jornal Público foi publicado um destaque à chamada "rentrée" cultural que se avizinha (de Setembro a Dezembro deste ano).
De todas as dezenas de referências enumeradas ao nível de filmes, as que eu mais aguardo ansiosamente são:
- "O Hospício" - John Carpenter
- "Meia-Noite em Paris" - Woody Allen
- "Cave of Forgotten Dreams" - Werner Herzog
- "Sangue do Meu Sangue" - João Canijo
- "Restless" - Gus Van Sant
- "La Piel que Habito" - Pedro Almodóvar
- "Habemus Papam" - Nanni Moretti

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Reler Kerouac e esperar pelo filme


A editora Relógio D'Água acaba de publicar uma segunda versão do romance autobiográfico "Pela Estrada Fora" (1957) de Jack Kerouac - companheiro de William S. Burroughs e Allen Ginsberg no movimento da "Beat Generation".

Trata-se de uma segunda versão porque, segundo a própria editora, "esta versão nunca tinha sido antes publicada com o texto que surgiu na forma original de rolo dactilografado. Representa a primeira e mais genuína forma de expressão das ideias originais de Jack Kerouac, o momento em que a sua visão e voz narrativa se juntaram sob a forma de um impulso contínuo de energia criativa." Esta memorável obra da "Beat Generation" conta com nova tradução da escritora e ensaísta Margarida Vale de Gato e é já, quanto a mim, um dos acontecimentos literários do ano.

Entretanto, encontra-se em fase de pós-produção a adaptação cinematográfica do romance "Pela Estrada Fora": o filme tem realização do brasileiro Walter Salles e conta com Sam Riley (o Ian Curtis de "Control") no papel de Sal Paradise, Garrett Hedlund como Dean Moriarty e Kristen Stewart como Marylou - os protagonistas da incrível aventura que Kerouac escreveu ao som de muito jazz, drogas, viagens de carro, álcool e estadas em motéis decadentes. Convém dizer que a produção é de Francis Ford Coppola, que adquiriu os direitos da adaptação cinematográfica há mais de 30 anos.
Estreia em Dezembro deste ano.

Nota: "O Uivo" de Allen Ginsberg também em versão cinematográfica.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Kubik e "Movie Poster"

Festival "Escrita na Paisagem", Agosto 2011.
No projecto "Movie Poster", Kubik musicou 7 géneros cinematográficos com base nos posters como iconografia da sétima arte: filmes de Guerra, Comédia, Terror, Western, Cinema Negro (Noir), Cinema Mudo e Saul Bass (designer gráfico). Uma revisitação pela história do cinema com base numa criteriosa selecção de posters de cinema.

Excertos do primeiro concerto (no total de 4) na cidade de Évora, no dia 3 de Agosto de 2011, Largo da Igreja de S. Vicente. São dois minutos, em média, por cada género cinematográfico (para compreender o conceito geral):

domingo, 21 de agosto de 2011

A caveira de "O Silêncio dos Inocentes"


Há quem diga que o filme "O Silêncio dos Inocentes" (1991) de Jonathan Demme oculta uma mensagem subliminar (ou secreta) no próprio cartaz que se tornou tão famoso como a interpretação arrepiante de Anthony Hopkins.

Nas costas da borboleta que esconde a boca de Jodie Foster vislumbra-se uma caveira. E é uma caveira. Mas não é uma caveira qualquer. Se olharmos com atenção e fizermos zoom na imagem, constataremos que se trata de uma caveira... humana, concebida com mulheres nuas. Essa imagem, datada de 1939, é da autoria do pintor surrealista Salvador Dalí, que criou esta icónica caveira. O realizador Jonathan Demme deu autorização para a inclusão desta criação de Dalí no cartaz do filme, mas terão sido poucos que terão descortinado a verdadeira natureza desta imagem.

Estas sete mulheres da caveira na borboleta do poster do filme simbolizam, para alguns, as setes vítimas do assassino em série.



Foi a partir desta imagem da caveira "daliliana" que o filme de terror "The Descent" iria criar o respectivo poster (mas com apenas 6 mulheres e... vestidas):

sábado, 20 de agosto de 2011

O remake inútil, parte 2


No dia 30 de Julho escrevi neste post a inutilidade do remake do filme "Straw Dogs" de Sam Peckinpah. Agora, qual o meu espanto, quando leio a seguinte notícia:
"A Warner Bros quer lançar um remake do clássico western de 1969, «A Quadrilha Selvagem», que ficou conhecido pelas cenas de violência explícita, anuncia a revista «Variety». Os estúdios confirmaram esta quinta-feira o avanço do projecto e encontram-se em negociações com Tony Scott para que dirija o remake".
Ou seja, Hollywood resolveu apostar em força nos remakes dos clássicos de Sam Peckinpah! E logo com um dos melhores últimos western de culto de sempre, "A Quadrilha Selvagem" ("The Wild Bunch"), com o elenco de luxo que integrava actores de fibra tais como William Holden, Robert Ryan, Ernest Borgnine, Ben Johnson ou Warren Oates.
Se já era, para mim como cinéfilo, uma infâmia tocar numa obra como "Straw Dogs", mais infâmia é querer reconstruir o melhor western de Peckinpah e um dos mais emblemáticos do final da era dourada deste género cinematográfico.
Afinal de contas, qual a necessidade de recriar um filme que é uma obra-prima do género - à semelhança do que acontece no caso de "Straw Dogs"? Qual a razão da repentina obsessão dos produtores de Hollywood num cineasta que em tempos foi maldito e mal-amado pelos grandes estúdios como Peckinpah?
Pior ainda: a fazer-se o dito remake, como é possível entregar a enorme responsabilidade a um realizador tarefeiro e previsível como Tony Scott (se ainda fosse o Ridley Scott...)?
Já agora: qual o próximo remake dos filmes de Sam Peckinpah que os estúdios norte-americnaos vão anunciar ao mundo? "Cross of Iron"? "The Ballad of Cable Hogue"? "Bring me The Head of Alfredo Garcia"?
Enfim...

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

domingo, 14 de agosto de 2011

Música clássica e pop: o diálogo


O livro de Alex Ross (na imagem) "O Resto é Ruído", já comentado neste post, é um manancial fascinante de informação histórica sobre a evolução da música entre 1900 e 2000: um intenso século de fervilhantes revoluções estéticas que se manifestaram em múltiplas e ricas formas de expressão musical. E como o autor refere no Epílogo desta magnífica obra, uma conclusão a tirar deste século musical é a de que os "extremos tocam-se", referindo-se mais especificamente, à ideia geralmente errónea que a música clássica e a música pop são duas linguagens que não devem ou podem encontrar-se. Nada mais falso.

A propósito desta matéria, escreve Alex Ross: "No início do século XXI, o impulso de colocar em oposição a música clássica e a cultura pop já não faz sentido racional ou emocional. Os jovens compositores cresceram com a música pop nos ouvidos e utilizam-na conforme a ocasião o exige ou não. Estão à procura do meio-termo entre a vida da mente e o ruído da rua. Do mesmo modo, algumas das reacções enérgicas à música clássica do século XX e à música contemporânea vieram da arena do pop, vagamente definida. As melodias microtonias dos Sonic Youth, os projectos harmónicos opulentos dos Radiohead, as assinaturas fracturadas e as marcações de tempo com variações rápidas do rock matemático e da música de dança inteligente, os arranjos orquestrais lamentosos que sustentam as canções de Sufjan Stevens e de Joanna Newsom, tudo serve para manter o já longo diálogo entre as tradições clássica e popular."

Nem mais.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Ritmo às imagens

O videoclip que está em baixo é um clássico absoluto que representou um marco na criação audiovisual contemporânea.
Tem por título "Ohi Ho Bang Bang", foi filmado pelo video-artista Akiko Hada com música do alemão Holger Hiller. Estávamos em 1988 e eu lembro-me de ter gravado em VHS este vídeo num mítico programa de televisão espanhola (TVE2) dedicado às correntes artísticas de vanguarda - "Metropolis".
Quando vi este vídeo pela primeira vez fiquei de queixo caído: pela originalidade, pela invenção musical e pela meticulosa montagem e sincronia entre imagem e som. Em 1988 ainda vinha longe a era da tecnologia digital, pelo que tudo foi filmado em sistema analógico, de forma extremamente minuciosa e paciente (hoje é muito mais fácil sincronizar som e imagem). A música foi feita com base nos sons gravados durante a própria filmagem (não são samples electrónicos!) e posteriormente trabalhados e misturados em estúdio.
Sons que, diga-se, são trabalhados ao mais ínfimo pormenor, e cuja mestria rítmica é desconcertante. Ou seja, cada som que ouvimos vemos representada a respectiva fonte sonora. E o trabalho de manipulação sonora é verdadeiramente notável, para não falar no trabalho de montagem visual. Ritmos vocais, ruídos de scratch, feedbacks de guitarra, sons de objectos - tudo em espantosa harmonia conceptual.
Durante anos apresentei aos meus alunos (Educação Musical) a cassete com este videoclip, e o seu visionamento proporcionava sempre estupefacção na cabeça das crianças. Viam-no com espírito crítico, facto que estimulava o debate de opiniões acerca deste videoclip. Não era para menos. "Ohi Ho Bang Bang" foi um trabalho totalmente pioneiro na experimentação som-imagem, quer ao nível da criação musical (influenciou grande parte da produção musical electrónica dos anos 90), quer ao nível da realização de videoclips - os Coldcut têm dois videoclips que partem exactamente do mesmo conceito deste, mas já realizados com recurso à manipulação digital das imagens.
Passaram mais de 20 anos desde a data em que foi feita, mas esta pequena obra-prima de Holger Hiller/Akiko Hada, mantém a mesma frescura, ousadia formal e originalidade - apesar da qualidade de imagem ser menos boa.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Pausa intermitente


Nos três primeiros anos de vida d' O Homem Que Sabia Demasiado, não houve pausas na actividade do blog durante o mês de "silly-season-Agosto". Agora vou fazer...
Quer dizer, não será propriamente uma pausa continuada, uma vez que, sempre que for oportuno e tiver disponibilidade, irei actualizando o blog - mas num ritmo mais lento e irregular.
Afinal, férias são férias. E amanhã parto para o Alentejo para apresentar o projecto "Movie Poster" e depois sigo para viagens, praias, sol, sombras, paisagens, passeios, família, amigos e puro ócio (mas vão passando por aqui, poderá haver uma ou outra novidade).
E assim sendo: boas férias, caros leitores.

Os créditos finais de "Apocalypse Now"


Ontem revi no canal Hollywood a última meia-hora da obra-prima "Apocalypse Now Redux" de Francis Ford Coppola. O filme mantém intacta a capacidade de impacto emocional, como referi neste post.
Com o fim do filme, vieram os créditos finais e surgiu, em fundo negro, a palavra "Starring" e logo de seguida os actores na seguinte ordem: 1º Marlon Brando; 2º Robert Duvall; 3º Martin Sheen. Bem sei que na época da realização do filme Marlon Brando era a estrela mais mediática, Robert Duvall um actor em ascenção e Martin Sheen quase desconhecido. Mas caramba, grande mérito do filme deve-se à fabulosa interpretação de Sheen como capitão Willard e, quer Brando quer Duvall, surgem no grande ecrã num curto espaço de tempo - apesar da importância das suas interpretações. Parece-me algo injusto relegar para terceiro plano o papel glorioso (talvez o melhor de toda a sua carreira) de Martin Sheen. É sabido que há actores que fazem questão de ter no contrato a exigência de ficar nos primeiros lugares na ordem de apresentação dos créditos.
Não sei se terá sido o caso do filme "Apocalypse Now", mas creio que - apesar da importância do nome de Marlon Brando - os três protagonistas do filme de Coppola deveriam surgir par a par nos créditos finais.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Fui ver o filme "Super 8" e fiquei surpreendido com duas situações: a história decorre em 1979 mas, a determinada altura, ouve-se de fundo a música "Easy" dos Faith No More (quando o pai e filho estão a comer num bar). Nada seria estranho caso esta canção não fosse datada do ano de... 1992. É verdade que "Easy" é um tema original dos Commodores (banda soul de Lionel Ritchie dos anos 70, mas garanto que a versão que ouvi é a dos Faith No More - conheço bem a voz do Mike Patton).
Outra coisa que me deixou na dúvida: na sequência da estação de serviço vê-se um jovem a ouvir música num aparelho portátil Walkman da Sony. Fiquei a pensar se já existiria no mercado estes populares headphones da marca nipónica. Fui verificar e, de facto, o ano de início de comercialização do célebre Walkman foi mesmo em 1979. Nesta aspecto os produtores do filme estavam atentos, coisa que não se aplica à inexplicável inclusão de uma música que foi editada 13 anos depois da data em que a história do filme decorre.
Quanto ao filme propriamente dito, gostei sem me entusiasmar: é um bom entretenimento de Verão e percebe-se que J.J. Abrams assimilou toda a boa filmografia de aventura e ficção científica dos anos 80, cujo principal legado foi deixado por Steven Spielberg.

Clássicos do Cinema em BD para Pessoas com Pressa #28

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As míticas TDK

Num tempo em que comprar discos de vinil ainda saía caro e em que o CD era uma miragem tecnológica, a cassete de áudio cumpria uma função essencial - era o suporte musical por excelência. Nos idos anos 80 troquei montanhas de gravações com amigos, possibilitando ouvir novas músicas que, de outro modo, seria praticamente impossível conhecer.
Das várias marcas de cassetes (vulgarmente k7) existentes no mercado, as minhas preferidas eram as negras TDK SA 90, que possibilitavam 90 minutos de gravação.
Conseguia-se gravar um disco de vinil em cada lado (A e B) e, caso sobrasse espaço, um ou dois EPs ou máxi-single. Depois era colar a fita autocolante branca com a inscrição de cada álbum ou artista e arranjar um capinha à maneira para ilustrar a gravação.
Tenho centenas destas cassetes TDK que se encontram a apodrecer num canto da garagem. É um formato perecível e frágil (sobretudo por causa da fita de gravação que por vezes trilhava ou encravava), mas hoje carregado de poder nostálgico e de boas memórias que remetem para um longo período de aprendizagem e formação musical.